quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Almada Negreiros no Saldanha


Nos últimos anos o Metro decidiu colocar frases e pensamentos de autores portugueses nas novas estações. É uma ideia que aplaudo. Na estação Saldanha II há, todavia, frases em excesso e, em minha opinião, algumas pouco apropriadas como estas de Almada Negreiros:
" Entrei numa livraria. Pus-me a contar os livros que há para ler e os anos que terei de vida. Não chegam, não duro nem para metade da livraria. Deve certamente haver outras maneiras de se salvar uma pessoa, senão estou perdido”.
Num país com baixos índices de leitura, a escolha parece-me infeliz. Em vez de incentivar a leitura, passa a ideia de que a leitura é uma perda de tempo. É esta a minha interpretação, mas admito que esteja a ver mal o problema, pelo que gostava de saber a vossa opinião.
Há ainda outro erro. A frase não está completa. Falta-lhe este excerto:“No entanto, as pessoas que entravam na livraria estavam todas muito bem vestidas de quem precisa salvar-se”. Alguém encontra uma explicação para terem amputado Almada em “A invenção do dia claro”? Aceitam-se sugestões.

Milícias atacam na Ericeira


(cenário: três da tarde de um sábado, num restaurante à beira-mar, na Ericeira)

Quando entrei, a “minha” mesa estava ocupada por um casal. Ao fundo, uma longa mesa de comensais ocupava a sala em toda a sua extensão. Era um daqueles grupos que, pela forma como se dispunham e pelo traje que usavam, não colocavam dúvidas em relação à sua actividade profissional. Elas, acantonadas numa ponta tomando conta de uma prole ruidosa, conversavam em tom perfeitamente audível sobre fraldas, biberões, infantários e centros comerciais. Eles, cabelo cortado nos preceitos regulamentares, alinhavam-se frente a frente, separados por garrafas de cerveja em quantidade suficiente para satisfazer um Regimento.
A contra gosto escolhi uma mesa no meio da sala de onde podia desfrutar a vista do mar .Tinha acabado de saber que não podia tomar café, porque tinha faltado a água, quando vejo um corpulento “cabeça regulamentar” abeirar-se da senhora senhora e dizer:
-“Desculpe se a respiração do meu bébé a está a incomodar!”
Olhei na direcção da janela e vi que a mulher, que ainda tivera a sorte de poder tomar café, completava a refeição tirando umas fumaças. Incomodada com a abordagem, retorquiu:
- “Não acha que há maneiras mais educadas de pedir para não fumar?”
O aspirante a cavalheiro prosseguiu:
-“ É assim que costumo falar com quem não se sabe comportar num restaurante...”
- “ E por acaso não lhe ocorreu que o barulho das suas crianças também me pode incomodar?”
- “ Não me diga que eu é que estou a mais! Por acaso até cheguei primeiro e não esperava encontrar aqui selvagens que não se sabem comportar num restaurante... ”
- “ Então tem bom remédio. A porta é por ali!”
Valentão, o macho esboçou um gesto de agredir a mulher, deixando que um forte odor a cavalo, mesclado de Lavanda, invadisse a sala. Suspendeu a viagem quando o homem, de cabelos brancos, se levantou e mostrou o seu corpanzil de um metro e noventa. Por momentos julguei que o caldo se ia entornar. Felizmente enganei-me, pois o homem limitou-se a dizer:
- “ O que a minha mulher quis dizer, é que há uma esplanada lá fora, neste restaurante não é proibido fumar e se o senhor se sente incomodado e não sabe falar educadamente, pode ir lá para fora. Percebeu, ou quer uma aula prática?”
O valentão baixou a guarda, agarrado pela mulher, que pegando-lhe no braço lhe disse com ar delicodoce a lembrar o “Calor da Noite”:
- “ Deixa lá, querido! São um casal estéril, coitados, e não gostam de crianças ... vamo-nos sentar”
A frase assassina saiu num tom de Carolina Salgado em fase de reciclagem. Mas a “madame” não a aprendeu em nenhum bar de alterne, mas sim numa daquelas sessões promovidas por milícias antitabágicas que ensinam frases como esta, ou a que abriu a altercação, para aplicar em situações em que o tabaco os esteja a incomodar.Eu próprio, quando decidi deixar de ser fumador, cheguei a frequentar algumas sessões destes “ayatollas”. Os líderes espirituais das milícias ani-tabágicas compraziam-se a debitar um conjunto de frases que denominavam como “desarmantes” , aplicáveis em diferentes situações, que eram recebidas com enorme gáudio por exércitos de seguidores embasbacados com tanta prosápia.
Quando a calma regressou ao restaurante saí , tentando fingir que acreditava que aquele grupo de provocadores afinal era apenas um bando de mercenários inaptos para qualquer outra actividade, que não seja a de agredir o próximo. Com a sua verborreia de caserna, conseguiram pelo menos estragar uma bela tarde de sol à beira mar.Belo saldo para um dia de folga, estarão esta hora a pensar, aquartelados nos seus bordéis de ódio e intolerância que lhes garante o pão de cada dia.
* post publicado em 25/09/ 2007, antes da aprovação da Lei anti-tabágica

Há alternativa ao Tamiflú?

A propósito deste post da Violeta, lembrei-me d e um e-mail que recebi há tempos sobre o Tamiflú.
"O anis estrelado, amplamente cultivado na China, é o extrato-base (75%), da produção do comprimido Tamiflu, da Roche (empresa do antigo Secretário de Defesa dos EUA Donald Runsfield).
Podemos usar o nosso anis mesmo - a erva-doce - pois esta erva possui as mesmas substâncias, ou seja, o mesmo princípio activo do anis estrelado, e age como anti-inflamatória, sedativa da tosse, expectorante, digestiva, contra asma, diarréia, gases, cólicas, cãibras, náuseas, doenças da bexiga, gastrointestinais, etc...
O seu efeito é rápido no organismo e baixa um pouco a pressão, devendo ser feito o chá c/apenas uma colher de café das sementes para cada 200ml de água, administrado uma a duas vezes dia, de preferência após uma refeição em que se tenha ingerido sal".
Obviamente que não posso confirmar a veracidade do que aqui está escrito mas, tendo-me sido enviado por uma farmacêutica e conhecendo o peso do lobby das farmácias no Senado americano, dou-lhe alguma credibilidade.
Se alguém experimentar, agradeço que me informe dos resultados.

Sugestão do dia

A Senhora Sócrates