terça-feira, 8 de setembro de 2009

Gostos não se discutem

Quando estive de férias conheci um sagui cabeça de algodão. Parecia um tipo simpático e tentei entrar em contacto com ele. Infelizmente não falamos a mesma língua, pelo que tentei comunicar através da música. Debalde. O sagui não ligou nenhuma a Beethoven, Nina Simone, nem aos Beatles.
Li agora no “Publico” que os saguis só gostam da música feita por eles, a dos outros animais não lhes interessa nada. Sempre me pareceu que atrás daquele ar simpático se escondiam uns indivíduos muito egoístas. E têm também uns gostos um bocado extravagantes… Então não é que eles reagiram muito bem e até se acalmaram quando os puseram a ouvir os Metallica? Que é que a música deles tem a ver com os macacos?

Como os deputados se lembraram da necessidade de uma lei dos pircingues*


( Uma investigação exclusiva das “Crónicas do Rochedo” na AR)
Andavam alguns deputados do PS coçando a genitália pelos Passos Perdidos, quando um deles deixou escapar um grito de dor.
"Que se passa?”- perguntaram em uníssono os companheiros
O deputado ruboresceu, deixou escapar um “nada, nada” e correu para os WC.
“ Está de caganeira” - alvitrou um deputado nortenho
Alguns minutos depois , estranhando a demora do seu colega, foram ver o que se passava.
“Estás bem?” perguntaram.
Como resposta, apenas um gemido sofrido.
“Queres que chamemos um médico?”
“Não, não, nem pensar!” – respondeu uma voz sumida de dentro do compartimento.
O grupo saiu e, em conciliábulo, discutiu o que fazer. Ao fim de uma boa meia-hora, um deputado mais empreendedor, tomou uma decisão. “Isto não pode continuar assim. O gajo não sai dali, vou mesmo chamar um médico, antes que isto dê para o torto”. E, sem esperar pela reacção dos companheiros, foi procurar um médico.Poucos minutos depois estava de regresso, acompanhado por Luís Filipe Meneses. Os deputados do PS estranharam, mas antes de terem tempo de fazer qualquer pergunta, o deputado empreendedor explicou-se.
Eh pá, foi o único médico que encontrei. Veio cá com o Cunha Vaz para tentar convencer o grupo parlamentar do PSD a aceitar os seus serviços. Aproveitei e pedi-lhe ajuda”.“Claro, claro, fez muito bem, porque quando se trata de questões de saúde estamos todos de acordo, apesar das divergências que nos separam”- assentiu LFM
Resoluto, LFM entrou no WC.
“Então que se passa? Alguma diarreiazita?” – perguntou
Não obteve resposta. Insistiu, mas nada. Com a aquiescência dos deputados do PS, decidiu arrombar a porta. Lá dentro, calças arreadas, o deputado agarrava-se à genitália que sangrava abundantemente.Um ahhh! de espanto saiu de meia dúzia de gargantas, incapazes de controlar o que os olhos estavam a ver.O deputado lamurioso, dividido entre a vergonha e a dor, ostentava parte de um pírcingue que extraíra da genitália, na tentativa de aliviar a dor.
A resolução foi rápida. O deputado empreendedor e LFM vestiram a vítima, saíram discretamente da AR e dispararam para o Hospital.
Os restantes deputados entreolharam-se, questionando-se sobre o que deveriam fazer.Ao fim de algum tempo, um deles sugeriu que fizessem uma proposta de lei sobre a colocação de pírcingues nas partes íntimas. Telefonaram primeiro a Sócrates, para pedir autorização, mas foi Augusto Santos Silva quem os atendeu.
“Acho isso uma boa ideia. Avancem, que eu trato tudo com o Chefe”.
Ufanos pela sua iniciativa, foram para um gabinete onde redigiram a lei. Já a tinham dado como pronta, quando um deputado mais perspicaz se lembrou que talvez não fosse má ideia incluir também a língua nas zonas proibidas.
“Porquê a língua?” – perguntaram os companheiros
“É simples! Se o diploma só contemplar a genitália, a imprensa vai começar a investigar e acaba por descobrir o que se passou. Se incluirmos a língua, desviamos as atenções...”
Todos concordaram e felicitaram o colega pela ideia. Apresentaram o projecto aos jornalistas e a comunicação social divulgou-o da maneira que todos sabemos. Sem falar na genitália e sem qualquer suspeita sobre as razões de uma ideia tão genial.
* Por muito que vos custe, é mesmo assim que se deve escrever em bom português
Texto publicado no dia 19 de Março de 2008

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