segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Golpe de Estado em Portugal

Estou mesmo muito chateada com o Carlos! Andou ele a dizer-me que Portugal era uma democracia e os governantes eram eleitos com os votos dos portugueses e afinal é tudo mentira! Felizmente que existe MFL para repôr a verdade e explicar aos portugueses que Sócrates chegou ao governo depois de um golpe de Estado.

Quem conta um conto...


Hoje, pela manhã, cumpri o ritual de domingo com algumas horas de avanço. Levantei-me cedo. Como habitualmente, quando passo o fim de semana em Lisboa, fui comprar os jornais do dia, mas surpreendi-me com o aparato pouco comum num bairro tradicionalmente pacato. Duas carrinhas da polícia de intervenção pejadas de agentes, aguçaram-me a curiosidade. Perguntei ao dono do quiosque o que se passava:
-“ Dizem que andam à procura dos tipos que assaltaram o ferro velho”(Sim, leitores, para minha desgraça, tenho varanda virada para a sucata. Algo inexplicável numa zona de Lisboa onde, ainda há meia dúzia de anos, via as ovelhas a pastar e podia comprar legumes frescos, arrancados da terra no momento, a um lavrador que ousava resistir. Agora, o meu horizonte restringe-se a um ferro velho e dezenas de prédios em construção, que a breve prazo ameaçam invadir a minha privacidade).
Voltemos à história, ouvindo o resto da narrativa . Acrescentou o sr. Abílio que lhe tinham contado pormenores do assalto:
- “ Parece que não roubaram nada do ferro velho, mas cortaram uma perna com uma serra ao guarda...”
Saí arrepiado com a narrativa e fui até ao café. Fiz a mesma pergunta ao proprietário. A narrativa sr Alberto foi ainda mais arrepiante. Que sim senhor, que tinham cortado a perna ao homem, que tinha uma barra de platina.
“ Veja lá o que estes malandros fazem pelo dinheiro. Ouvi dizer- mas nem acredito- que também lhe tiraram um rim!”
Lidos os títulos dos jornais e tomada a bica, fui passear para o jardim. Encontrei um vizinho que manifestava idêntica surpresa com o aparato policial. Contei-lhe o que ouvira na tabacaria e no café e ouvi a sua versão:
- “Ah sim? Olhe, fui ali à mercearia e o sr Alcides ( é verdade, caros leitores, no meu bairro os proprietários dos estabelecimentos mais populares têm todos nomes começados por A. Podem crer que não é ficção, é mesmo verdade!) contou-me que o assalto tinha sido num ferro velho da Charneca! Por acaso o guarda de lá até parece que é irmão deste daqui! Mas o que ele me disse é que o homem fez frente aos ladrões e deram-lhe um tiro numa perna. Parece que a perna lhe foi cortada, mas foi no Hospital!”
Bom, apesar de tudo, esta era uma versão mais “soft”. Despedi-me confortado, continuei o meu passeio e acabei por me sentar à sombra de uma árvore acolhedora, para continuar as minhas leituras. Ao fim de algum tempo alguns polícias entram discretamente no jardim. Aguardei algum tempo, a ver o que se sucedia, mas os polícias depois de se deterem junto a uns recipientes de lixo deram meia volta e foram-se embora.Regressei a casa. No elevador encontrei um outro vizinho. Satisfeito por ter alguma coisa para dizer que extravasasse o âmbito metereológico que sempre serve de desbloqueador de conversas nos elevadores, perguntei-lhe se sabia as razões de tanto aparato policial.
-“ Parece que andam à procura de uma miúda de 14 ou 15 anos que desapareceu ontem à noite de casa. Saiu com uns amigos para irem até à esplanada, a miúda levantou-se para ir à casa de banho e nunca mais apareceu!”.
Surpreendido com esta nova versão dos acontecimentos, contei-lhe as versões que ouvira ao longo da manhã.
-“ Nada disso! Essa história foi na semana passada, ali na Musgueira. O homem saiu ontem do Hospital numa cadeira de rodas. Imagine o que lhe havia de acontecer! A atravessar a estrada e é atropelado por um carro de uns ladrõezecos que tinham acabado de assaltar umas casas ali na Alta de Lisboa. E eram tudo miúdos, meu amigo! Acho que o mais velho tinha 18 anos...”

Post publicado no dia 24 de Setembro de 2007

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