sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Memories- a canção do dia (30)

Esta série diária do Rochedo está quase a terminar, mas seria imperdoável se não incluísse este duo que tanto me ajudou a sonhar.
Para este fim de semana escolhi Simon & Garfunkel e "Bridge Over Troubled Water"

É p'ra amanhã *

Vai uma grande azáfama no Saldanha e zonas adjacentes. Abre amanhã o prolongamento da Linha Vermelha do Metropolitano entre S. Sebastião e a Alameda e dezenas de operários procuram ultimar os arranjos à superfície. Tudo indica que os automóveis vão voltar a circular pela Duque de Ávila e os comerciantes que vivem há anos entaipados pelos estaleiros, poderão finalmente respirar de alívio. No entanto, ninguém arrisca. Perguntei a comerciantes e a trabalhadores se os estaleiros seriam levantados amanhã, mas ninguém sabe a resposta. “Eles é que sabem”- respondeu-me um calceteiro entre duas fumaças. Compreendo. A linha do Metro abre com quatro anos de atraso, que importa se os comerciantes tiverem de esperar ainda alguns dias, semanas, ou meses ,para recuperarem os avultados prejuízos provocados por estes anos de espera?
A reposição da calçada portuguesa parece ser, por agora, a preocupação dominante nos trabalhos. A reconstrução está a ser feita tal qual como estava antes, com lombas e afundamentos, que no Inverno se transformam em lagoas por onde é impossível transitar. No estio a irregularidade do piso provoca algumas quedas. Não teria sido de elementar bom senso, aproveitar as obras para aplanar os passeios, diminuindo os riscos de quem aqui passa diariamente? Provavelmente a pergunta é estúpida. A ideia é restituir à zona a imagem que tinha antes das obras. Assim como alguém que põe um dente postiço e, para que os outros não percebam, pede ao dentista um dente com os mesmos riscos e deformações do original.

* "É p'ra amanhã" é uma canção de António Variações. Uma justa homenagem aos empreiteiros que hoje se reúnem para um jantar na Alameda. Disse-me um comerciante que vão celebrar o fim das obras. Haverá alguma coisa a celebrar quando se termina uma obra com quatro anos de atraso?

É uma crise portuguesa, concerteza...

Eu bem me parecia que a crise não tinha chegado a Portugal. Até já tinha falado disso aqui.

Hoje tive a certeza, ao ver uma reportagem no Algarve durante as notícias da noite. Uma senhora dizia à repórter "Crise? Qual crise? Não está a ver como isto está?" As imagens mostravam uma multidão ocupando todos os espaços de uma coisa que me pareceu um areal. Depois, a repórter anunciava que num qualquer aldeamento próximo de Vilamoura, onde uma semana custa a módica quantia de 3600€ a maioria dos apartamentos estava ocupada. Só nos repletos bares de Albufeira, os proprietários se queixavam que este ano as pessoas bebiam menos. Resumindo: somos uns queixinhas mas, na verdade, não sentimos verdadeiramente a crise.