quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Brites encontra Manuela Ferreira Leite

Hoje fui às compras. Ao sair do supermercado do Restelo, encontrei Manuela Ferreira Leite. Trazia, debaixo do braço, uma revista de desportos náuticos.
-“Bom dia s’dutora”
-Está a falar comigo? Bem, eu sei que os meus assessores têm feito um grande esforço para melhorar a minha imagem, mas daí a ser sedutora, com esta idade, vai uma grande distância… de qualquer maneira, obrigado pelo elogio.
-Bem, não era isso que eu queria dizer, mas agora não interessa nada. Gostava era que me explicasse porque é que comprou essa revista de desportos radicais...
-É para o meu neto… não pensava que era para mim, pois não?
-Para o seu neto? Mas ele ainda é tão pequenino…
-Pois, mas é bom que ele comece desde já a perceber que os desportos náuticos são um emprego de futuro.
-Desculpe, não estou a perceber…
-Você é um bocadinho lerda, não é?
-Bem, talvez, mas não estou a ver onde quer chegar...
-Como sabe, defendo que as pessoas devem comprar iates e dar festas, porque isso cria postos de trabalho, mas também acredito que, não podendo dar festas todos os dias, os donos dos iates queiram investir em desportos náuticos, como regatas, sei lá, dinamizando a economia do país.
-Pois, mas os impostos sobre os barcos são muito elevados e poucos poderão comprá-los.
-Quando eu chegar ao governo, acabo com os impostos sobre os iates. É uma das medidas do programa minimalista que vou apresentar ao eleitorado.
-Então quer dizer que eu poderei finalmente aspirar a ter um iate?
-Se for suficientemente rica para comprar um, não vejo qualquer problema…
-Rica, eu? Mas a senhora não disse outro dia que essa divisão entre pobres e ricos é um disparate?
-Disse e reafirmo. Não há pobres e ricos, isso é uma invenção dos marxistas. Uma pessoa que tem um iate não é rica, no sentido que você lhe está a dar, de ter muito dinheiro. É rica, porque ao comprar um iate está a pensar na forma de criar postos de trabalho neste país. Já imaginou quantos instrutores de surf essa gente pode empregar? E as empresas de “cattering” que poderão se criadas para organizar as festas dos donos desses iates? Não há maior riqueza do que viver a pensar na melhor forma de criar empregos para fazer os outros felizes. E olhe, agora vou-me embora, porque estou com pressa. Tenho de acrescentar mais uma alínea ao meu programa eleitoral.

What a wonderful world*

Não conheço este senhor de lado nenhum, mas ganhou desde já a minha mais profunda admiração. Embora, ao contrário do que ele diz, o fenómeno exista em vários países desenvolvidos, a verdade é que esta campanha merece o meu total apoio. Penso que o PR não pensará o mesmo, mas está sempre a tempo de emendar a mão.

* O país e o mundo seriam sem dúvida muito mais bonitos sem estas geringonças, por isso vos deixo com Louis Armstrong e "What a wonderful world"

Memories- a canção do dia (29)

Soube pela Paula, que passaram ontem 21 anos sobre a morte de Carlos Paião. A princípio pensei que estivesse enganada, mas a Wikipédia ajudou-me a confirmar.
Embora com atraso, aqui fica a minha homenagem. Pó de arroz foi a canção que escolhi. Vejam, porque o video é excelente!