quarta-feira, 26 de agosto de 2009

The Letter*


"Gimme a ticket for an aeroplane,
Ain't got time to take a fast train.
Lonely days are gone,
I'm a-goin' home,'
Cause my baby just a-wrote me a letter(...)
Durante as actividades num campo de férias, o monitor perguntou:
O que preferiam receber de um(a) amigo(a) distante que vos desperta especial atenção ? Um convite para um encontro por e-mail, ou por SMS?
As opiniões dividiram-se. A maioria manifestou preferência pelo SMS. Uma miúda de 16 anos respondeu:
"Preferia receber por carta"
Todos viraram os olhos na sua direcção. Um, mais atrevidote, avançou:
"Deves ser muito romântica... já ninguém escreve cartas."
O monitor perguntou:
"Por que razão preferias a carta?"
A miúda, envergonhada, mas convicta, respondeu:
" Porque uma carta dá mais trabalho a escrever e ainda é preciso metê-la no correio. E depois, se for verdadeiramente meu amigo, ainda me vai mandar qualquer coisa a acompanhar. Uma flor seca, uma ilustração, ou uma fotografia. E ainda há mais uma coisa. A carta pode ser perfumada e quando toco no papel, sei que ele também teve que o tocar para escrever a carta."
Os jovens entreolharam-se. Uns sorriram de escárnio.Outros reflectiram sobre as palavras da colega.
À noite, o monitor encontrou alguns rapazes a escrever cartas.
(História verídica e ainda muito fresca)
* "The Letter" era uma canção dos "The Box Tops" (1967). Vai bem com a leitura deste post

Táquetinho ou lebas no fucinho ( com perfume Patchouly)


O mundo viveu, durante oito anos, às ordens de um psicopata, acolitado por um vampiro de guerra. Bush e Dick Cheney incendiaram o mundo, foram responsáveis por milhares de mortes, inventaram guerras com pretextos falsos. Num mundo justo , Bush estaria a esta hora a ser julgado pelo Tribunal Penal Internacional, por crimes de guerra. Não estaria sozinho, certamente. A acompanhá-lo estariam Dick Cheney e os restantes membros do “Bando dos Quatro” que, nos Açores, deram o seu aval à invasão do Iraque: Blair, Aznar e o português Barroso, um maoísta convertido às delícias do neo-liberalismo, alcandorado pela direita reaccionária a líder da união europeia, pelos bons serviços prestados a Bush.
Mas - todos o sabemos- a justiça dos homens é vesga. Célere a condenar Ahmadinezhad, faz vista grossa a Karzai, cujas virtudes democráticas já aqui foram salientadas pela Brites.
Célere a condenar Chavez ou Morales, cega perante Uribe ou os militares hondurenhos que afastaram Zelaya do poder nas Honduras, apesar de ter sido eleito democraticamente.
Obama tem vindo a denunciar algumas das violações dos Direitos Humanos perpetradas por Bush. A imprensa portuguesa - deliciada a olhar para o umbigo - não dá qualquer destaque ao assunto. Por vezes tenho a impressão que os jornalistas portugueses da área internacional são recrutados ( com algumas excepções) de uma qualquer seita religiosa cujo único propósito é atacar o Partido Comunista e ver ditadores em quem defende os interesses do seu povo.
Não me espanta, por isso, que depois de atacar Chavez, acusando-o de se querer perpetuar no poder, se remeta ao silêncio quando Uribe prepara um referendo que lhe permita renovar o seu mandato. Felizmente, no país vizinho, temos jornais, jornalistas e imprensa em vez de pasquins idiotas. Foi ao ler a imprensa espanhola que fiquei a saber que a CIA contratou, durante o reinado de Bush, dois “psicólogos” que tinham por missão preparar os interrogatórios dos suspeitos de terrorismo e delinear as sevícias e torturas a aplicar aos presos. Recebiam, por essa nobre tarefa, 1500 euros diários! Não sei quem fica mais desfocado nesta fotografia de horrores... se os algozes, ou quem os contratou.
Obama resolveu mandá-los para o desemprego. Vão certamente ser julgados, mas nem precisamos de esperar pela sentença para saber que serão absolvidos. Depois do julgamento, Jim e Bruce talvez criem uma empresa de torturas para operar na Coreia do Norte ou em Myanmar., quicá se alistem na Ku-Klux- Klan. Ou então, usufruindo dos conhecimentos obtidos durante o período em que trabalharam na CIA, ao serviço de Bush, talvez prefiram ingressar nas fileiras do crime internacional organizado.
Nos jornais portugueses, alguns jornalistas indiferentes à realidade fazem notícias tecendo loas à democracia americana e escrevendo artigos contra Estaline e os novos ditadores sul-americanos. Naquelas redacções cheira a perfume Patchouly (lembram-se do Grupo de Baile?) e ouvem-se na aparelhagem sonora, os Trabalhadores do Comércio a cantar “Ta quetinho ou lebas no fucinho”