segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Pequeno dicionário de férias

Há 10 anos escrevi um artigo para a revista "Tempo Livre" -onde colaboro há amis de uma década- que intitulei "Pequeno Guia do Consumidor Turista". Tratava-se de um glossário com informações que me pareceram úteis para quem ia de férias ou estava a prepará-las. Houve quem visse utilidade nas informações e me pedisse para o publicar em forma de pequeno guia de bolso.
Decidi, por isso, reproduzi-lo, ao longo deste mês, para os meus fiéis leitores.
Tentarei expurgá-lo das desactualizações, mas não prometo ser totalmente eficaz nessa tarefa.
Amanhã, começarei a publicação.

Funciona, não funciona; funciona, não funciona...

Isaltino de Morais foi condenado a sete anos de prisão efectiva e perda de mandato. Estou tão atordoado, que até dei comigo a pensar que a justiça funciona. Entre outras distracções, Isaltino confessara ter depositado 400 mil euros de sobras de campanha numa conta na Suíça. Sempre pensei que só isso seria suficiente para o condenar, mas estava à espera de mais uma pena suspensa.
Estou a matutar nisto que li no "Público" "O tribunal considera que não foi produzida prova segura e concludente de que as quantias depositadas em bancos na Suíça e em Portugal tiveram origem em actos ilícitos".
Ai não? Pelo sim, pelo não, vou continuar a pensar que a justiça é como os "pisca-piscas". Funciona...não funciona;funciona...não funciona...
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(I want to) ride my bicycle *


Uma crónica do Ricardo Garcia, na “Pública” de ontem, fez-me regressar às férias recentes por terras escandinavas. Para quem não leu ( não é possível fazer link) informo que ele se refere ao seu gosto pelas bicicletas e à dificuldade de usufruir desse prazer em terras lusas. Comomuitos saberão, nos países escandinavos a bicicleta é um meio de transporte muito utilizado, como a fotografia documenta. Há grandes parques de estacionamento para bicicletas, a sinalização própria para velocípedes é eficiente, as ciclovias estão bem delineadas e as pessoas deslocam-se de casa para o emprego com grande facilidade.
Sou grande apreciador deste meio de transporte, mas cada vez menos consumidor. Quando vivia em permanência em Cascais e trabalhava por aqueles lados, ainda me era possível “fazer o gosto ao pé”, mas hoje em dia é quase impossível, porque as ciclovias neste país -como muito bem salienta o Ricardo- “unem lugar nenhum a nenhum lugar”.
Os seres pensantes da maioria das nossas cidades ( Aveiro é uma das honrosas excepções, mas creio que sem grande sucesso…) delinearam os traçados das ciclovias, como percursos de lazer, em vez de as pensarem como vias alternativas para cidadãos que gostariam de utilizar este meio de transporte como meio de locomoção. Para se deslocarem para o emprego, ir à mercearia, comprar os jornais, ir à farmácia ou simplesmente ir beber um copo.
Os maiores aliados destes seres pensantes que governam as nossas cidades são os fanáticos do automóvel que esgrimem como argumento anti-velocipédico o facto de Lisboa ser uma cidade cheia de altos e baixos que não está talhada para ciclistas. Mentira!!!!!!!
Há muitos circuitos que se podem fazer de bicicleta e eu próprio a utilizaria de bom grado, nas minhas rotinas diárias, não se desse o caso de não estar disposto a ouvir as constantes bunizadelas das mesdames e messieurs que do alto dos seus “jeeps” olham para um ciclista como um empecilho que só atrapalha o trânsito. O problema é que não há, neste país, um único autarca com coragem para ignorar os interesses dos trogloditas do asfalto que, uma vez empoleirados nos seus “todo o terreno” e nas suas carrinhas de caixa aberta ( quando as vejo até me sinto protagonista de uma série televisiva passada no Texas) se sentem donos do espaço urbano.
Não acredito em promessas, mas se houver um candidato a Lisboa que me prometa taxar a circulação dos automóveis em Lisboa e criar ciclovias verdadeiramente úteis para o quotidiano do cidadão, terá o meu voto.

* As músicas dos Queen lembram-me a programação nocturna da TVI: é todos os dias igual, só dá telenovelas. Escolhi o “ (I want to) ride my bicycle” porque vai bem com o tema do post. Podia ter optado por “We are the champions”, mas essa ouço-a todos os anos em Maio, quando o meu clube do coração ganha o campeonato.

Memories- a canção do dia (11)

Em 1977, estava eu a viver em Washington, quando um furacão de excentricidade, vindo da Jamaica, aterrou nas noites de Georgetown. Em tudo quanto era restaurante, bar ou discoteca, uma nova voz se impunha de forma surpreendente. Tudo nela era novo, inesperado, anti convencional. Até o single de 33 rpm, onde a canção foi gravada, era novidade. O mais curioso é que a canção tinha barbas, na voz de Edith Piaf: "La Vie en Rose". Só que aquela voz caribenha, saída de um corpo andrógeno, conquistou de imediato os Estados Unidos e mais tarde a Europa. Acabava de nascer o "Disco" pela voz de Grace Jones. Uma nova forma de expressão musical que inundaria as noites, transformando a forma de dançar. Estávamos em 1977 e eu assisti ao seu nascimento, no local onde tudo começou. Foi, sem dúvida, a canção que marcou o meu Verão desse ano.

Mesdames et messieurs, Ladies and gentlemen! Convosco, para ver e ouvir, Grace Jones e "La vie en Rose"