terça-feira, 14 de julho de 2009

Non son degno di te *

“Non son degno di te, non ti merito più,
ma al mondo no, non esiste nessuno
che non ha sbagliato una volta!....”
( Gianni Morandi 1969)
Realmente, não sou digno dos maravilhosos vizinhos que tenho neste blogobairro. Entretido com o meu umbigo, não agradeci a todos que durante este período enviaram comentários desejando-me boas férias. Assim, porque estou em Espanha, recorro à versão espanhola doutra canção deste italiano percursor do Marco Paulo e “De Rodilas ante vos” peço desculpa pela minha falta de educação e renovo os meus votos de boas férias para todos.
Entretanto, comunico-vos que decidi fazer links de todas as canções que aqui vou mencionando e já podem ver as dos posts anteriores. Basta clicar no nome da canção que vai sempre no rodapé.Amanhã, ou quinta-feira, anuncio o primeiro passatempo do Verão do Rochedo que espero venha a ser bastante participado pelos que ainda não estão de férias e pelos que forem regressando.
Beijinhos e abraços para todos

* “Non son degno di te” é uma canção de Gianni Morandi digna de figurar nos anais do nacional cançonetismo. Estrondoso êxito em Itália, em 1969, conheceu uma versão espanhola em 1970 sob o título “No soy digno de ti”. Lembro-me que também houve uma versão portuguesa, mas desconheço quem a cantava e não recordo o título.Não está no rol das minhas canções de Verão, mas era tocada em todas as discotecas da época e traduz na perfeição a vergonha que agora me invadiu.

Il faut savoir*

“…Il faut savoir quitter la table
Lorsque l'amour est desservi
Sans s'accrocher, l'air pitoyable,
Mais partir sans faire de bruit
Il faut savoir cacher sa peine

Sous le masque de tous les jours
Et retenir les cris de haine
Qui sont les derniers mots d'amour
Il faut savoir rester de glace

Et taire un coeur qui meurt déja
Il faut savoir garder la face
(…………………………)
Il faut savoir
Mais moi, je ne sais pas!”

( Charles Aznavour)
Depois de lerem os títulos dos meus dois últimos posts, já terão percebido que uma das minhas loucuras para este Verão vai ser tentar escrever posts com títulos de canções que marcaram as minhas férias ( e outros momentos importantes) ao longo da vida. Há muitas canções de Charles Aznavour que adoro, mas escolhi esta por duas razões. Em primeiro lugar, porque (ou)vi Charles Aznavour cantá-la em 1968 no Olympia e fiquei imediatamente apaixonado pela letra. Em segundo lugar porque, apesar dos denodados esforços, nunca consegui seguir estes conselhos sábios.
Custa-me dizer isto, mas regressar a Portugal é cada vez mais difícil para mim. Adoro o meu país, mas sinto-o cada vez mais distante. Nos últimos dez anos, Portugal mergulhou numa sarjeta, fruto das ambições desmedidas de políticos sem escrúpulos que apenas defendem os seus interesses, em vez de lutarem pelo desenvolvimento do país. É certo que as culpas não podem ser todas assacadas aos políticos, pois os portugueses também são muito culpados pelo estado a que o país chegou. Desde empresários gananciosos, a trabalhadores desmotivados, passando por classes sócio-profissionais eivadas de corporativismo e uma comunicação social que se demitiu do seu papel, todos contribuem para o retrocesso do país.
Custa-me regressar a um país onde há muitos lamentos, muitas acusações mútuas, mas não há uma tentativa para unir esforços, o que nos deixa sem uma centelha de esperança. Gostava que o meu país fosse diferente, mas quanto mais viajo, mais me desiludo. Eu já sabia, mas depois das duas semanas pela Escandinávia, fiquei sem qualquer dúvida: nunca seremos um país (nem um povo) europeu. Faltam-nos as bases para construir algo de novo, falta-nos mundo, falta-nos coragem para arregaçar as mangas e mudar tudo. De cima abaixo. Portugal precisa de ser virado do avesso. A nível da política e a nível das mentalidades.
Hoje, finalmente, li jornais portugueses durante meia hora. Fiquei vazio.Perdi a alegria das últimas semanas e entrei em transe. Eu precisava de saber viver em Portugal, de aceitar o meu país e comprender o meu povo mas, infelizmente, não sei. Acreditem que fico triste quando me apercebo desta minha incapacidade. Porque revela ( alguma) intolerância e muita impaciência da minha parte…mas a verdade é que já não tenho idade para ser paciente.
Conforto-me a pensar que conheci, por esse mundo fora, muitas pessoas que também trocaram os seus países por outros onde agora se sentem felizes. Talvez, afinal, o mundo não seja assim tão perfeito quanto julgamos. Se há tanta gente a procurar ser feliz fora do lugar onde nasceu, é porque alguma coisa falhou. Há que colocar correctamente as peças do xadrez, para ver se tudo volta à normalidade. Pelo menos, até ao momento do xeque-mate…

* Canção de Charles Aznavour.
Era arménio e tornou-se famoso quando foi viver para França. Engelbert Humpedrinck- que deu título ao post de ontem- nasceu na Índia e conheceu êxito em Inglaterra, depois de ter mudado de nome. Isto está tudo ligado mas, acreditem ou não, só reparei nisso depois de ter acabado de escrever este post.