sexta-feira, 19 de junho de 2009

Até breve!

Depois do episódio que vos contei no post anterior, pensei que esta era a melhor solução.


Se tudo correr bem, amanhã estarei num barco por aqui
Vou dando as minhas coordenadas em alguns posts.Espero que não haja imprevistos...
Uma vez que a Martinha desta vez se recusou a colaborar, vou também tentar escrever uns posts com boa disposição ( que é o estado em que- apesar de tudo- penso estar nas próximas semanas) .

Pelos labirintos da saúde

- Está, é do Instituto Ricardo Jorge?
- Sim, faça o favor de dizer…
- Queria marcar um exame de (…)
- Não precisa marcar. Apareça entre as 8 e 30 e as 10 da manhã
-Pode informar-me se tenho de ir em jejum?
-Isso não sei, o seu médico é que tem de lhe dizer
-Como? Mas costumam ser os laboratórios a dar essa informação…
- Mas eu não lhe sei dizer. Pergunte ao seu médico ou venha em jejum.……………………………………………………………………………
No dia seguinte, respeitando jejum e abstinência, na recepção do Instituto Ricardo Jorge
-Venho fazer este exame...
- Muito bem. Entre neste corredor, siga até ao fundo e aguarde um pouco.
Ao fundo do corredor, o espaço alarga-se numa sala ampla. Alguém entrega um formulário para preencher. Minutos depois chamam pelo número. A funcionária olha para a receita com ar de espanto e diz:
- Nós não fazemos esse exame aqui…
- Mas o médico disse-me que só aqui é que fazem esse exame.
- O médico deve estar enganado… aqui não fazemos isso.
Aproxima-se outra funcionária. Pega no papel, lê e diz:
- Vou perguntar lá para baixo. Talvez façam.
Minutos depois volta e informa:
-Sim, fazemos esse exame, mas tem de ir ao serviço de…
- E onde é?
- Não lhe sei explicar. Vou pedir a uma contínua para ver se vai lá consigo…
Aparece uma contínua que conduz a “vítima”. Ao chegar a umas escadas pára e dá o azimute:
- Desça as escadas, entre na porta à esquerda e quando vir um contínuo peça-lhe para abrir a porta.
O percurso inclui a passagem por um bar onde funcionárias tomam o pequeno almoço e discutem a telenovela da véspera. Finalmente o contínuo. Abre a porta, indica outro corredor externo e manda tocar a uma campainha numa porta a meio do corredor. Abrem a porta, uma funcionária simpática que já estava avisada da chegada preenche outro formulário, porque o preenchido no andar de cima não servia.
- Este exame não é comparticipado..
- Ai não? E quanto custa?
- Este é barato. Só custa 43 euros. Mas se não for conclusivo, pode acontecer que lhe mandem fazer outro que custa mais de 500 euros…
- O Serviço Nacional de Saúde está cada vez melhor, pelo que vejo.
- Pois, tem razão. Mas não vamos pensar no pior…
- Bem, para já, o pior é que estou em jejum…
- Mas podia ter comido...
- Quando telefonei para cá não me souberam dar essa informação. Pode dizer-me porquê?
- Porque não sabiam...
- E porque não sabiam?
-Às vezes acontece que as pessoas que atendem não sabem.
- Desculpe, mas isto aqui é o Instituto Ricardo Jorge, ou o Júlio de Matos?
- Pode ir com a minha colega ( sorriso condescendente…)
E lá se foi mais meio litro de sangue, que saiu das veias em esguicho, tal era a fúria!
(Alguém por aí encontrou o dinheiro dos meus impostos?)