quarta-feira, 17 de junho de 2009

Adeus Zé!

Já esperávamos há muito o teu Adeus. Mas custa sempre saber que chegou o momento. Obrigado Zé, pelos momentos que me proporcionaste. Com as tuas músicas e com a tua amizade.
Costumo guardar para mim estes momentos, mas hoje não consegui.

Ah, fadista!

Estou já cansado de ouvir a comunicação social anunciar uma nova Amália, sempre que uma voz bem timbrada desponta no cada vez mais circunscrito círculo fadista. A sociedade actual precisa de ídolos como de pão para a boca e o marketing cumpre o seu papel, criando ídolos à cadência das suas necessidades. A maioria é tão falsa como uma peça de contrafacção. Outros, tão fugazes que desaparecem no firmamento do estrelato com a velocidade de um meteorito, sem deixar rasto visível.
Foi por isso com indiferença que ouvi anunciar, em grandes parangonas e efeitos mediáticos, a chegada da nova diva do fado: Carminho. Não fui a correr comprar o disco, até porque continuo a gostar do fado apenas no seu habitat natural, onde efectivamente despontam as grandes vozes e onde vivo, com emoção, noites de alguma boémia perdida.
Um dia destes, porém, tive uma surpresa. Por mero acaso vi a entrevista que Carminho deu, na RTP 2, a Fialho Gouveia( filho). Rendi-me de imediato. É certo que Carminho não cantou, mas as suas palavras foram melodia para os meus ouvidos. Uma miúda que aos 20 anos recusou gravar um disco por reconhecer que se sentia imatura para o fazer, deixa-me logo de orelhas eriçadas e olhos bem abertos. Depois, perceber que essa miúda quis amadurecer trabalhando como voluntária em países como a Índia ( começou por trabalhar numa obra de Madre Teresa de Calcutá) e andou um ano a ajudar pessoas do outro lado do mundo (onde os pobres não têm acesso à milésima parte das mordomias do mundo ocidental) aliviando-lhes a morte e minorando o sofrimento das suas vidas, foi a confirmação de que estava na presença de alguém cuja vertente humana é merecedora da nossa atenção.
Amália foi a nossa diva do fado porque tinha um percurso de vida que conseguia expressar através da voz, deixando fluir os sentimentos que, tendo a matriz de um Portugal amordaçado, reflectiam as desigualdades sociais onde o conceito da família, do amor e das relações pessoais tinham a matriz do Estado Novo. O que lhe valeu, como é sabido, acusações torpes após o 25 de Abril.
Numa época de glória tão fácil quanto efémera, Carminho não se deixou deslumbrar. Filha de uma fadista, nascida e criada no meio do fado, conhecendo os meandros da tertúlia fadista, percebeu que se queria ser fadista, teria primeiro que conhecer melhor o mundo.
Agora com 24 anos, ( a mesma idade de CR 7) Carminho fala com uma leveza e uma sabedoria da vida que deve envergonhar muitos adultos. Enquanto via a entrevista comovi-me com o seu lado humano- de que não fez qualquer alarde, porque as palavras saíam-lhe com naturalidade e desenvoltura- e percebi que realmente estava na presença de uma mulher que poderá vir a ser um fenómeno no mundo do fado.
Não fui a correr comprar um disco. Arrebanhei uns amigos e combinámos uma ida ao Mesa de Frades, para a ouvir cantar. Gosto de sentir as coisas no seu habitat natural. É assim com o fado, com o tango, com o jazz, ou com os blues. Não me deixo influenciar pelos decibéis mediáticos e continuo a pensar que, ouvir cantar o fado num palco asséptico de uma qualquer cidade do mundo, pode ser muito bom para o nosso ego lusitano, mas ALI não há fado. Há apenas uma voz, que o fenómeno da globalização transportou para os diversos cantos do mundo. Como a pizza ou o hambúrguer.
Desenraizados do seu habitat, os fenómenos culturais perdem grande parte das suas características. Como buganvílias florescendo numa estufa, no meio de um deserto.
Para aqueles que ficaram com vontade de conhecer melhor esta jovem, recomendo uma visita a este blog que ela escreveu durante a sua viagem de um ano.
Desde a Índia à Patagónia, passando pelo Chile, Bolívia, e muito mais...












De quem era o BMW?


O BMW descapotável, último modelo, estava estacionado à porta do Atrium Saldanha. Sem ninguém lá dentro. Até aqui, nada de especial. O que me deixou a magicar, foi ver a chegada de um carro da polícia transportando dois agentes que se apearam, rondaram o carro durante uns bons 10 minutos e começaram a falar ao telemóvel. Ali estiveram durante mais de meia hora. Depois, voltaram a meter-se na viatura e seguiram o seu caminho. O BMW continuou estacionado em transgressão. Aparentemente, sem multa…