segunda-feira, 15 de junho de 2009

Baixo nível

Pelo que se tem visto na AR, Vítor Constâncio até é capaz de ter alguma razão. Não tem é o direito de descer ainda mais o nível, recorrendo a estes argumentos

À conversa com Saramago


Tive o privilégio de fazer parte do grupo de 12 jornalistas europeus que, na última sexta-feira, se encontrou com José Saramago para uma conversa informal, pela hora do almoço, na sede da Fundação com o seu nome.
Falámos de muita coisa. De Berlusconi, claro, de cultura, política, jornalismo, literatura, relações humanas e globalização.
Sobre política remeto os interessados para um post que escrevo no Delito de Opinião.
Aqui, quero escrever sobre um momento que me marcou, porque foi uma conversa que ultrapassou todas as minhas expectativas.
Como sabem os que me seguem há mais tempo, sou admirador de Lobo Antunes e de Saramago em proporções idênticas. Faço facilmente a destrinça entre o que leio e a opção ideológica de quem escreve, não colocando ninguém no Índex, por questões dessa natureza ( Para isso já tivemos o exemplo de um desfibrado secretário de estado da cultura, Sousa Lara de seu nome, que cobriu o país de ridículo além fronteiras, ao vetar “O Evangelho Segundo Jesus Cristo).
Embora torcesse por Lobo Antunes quando Saramago recebeu o Prémio Nobel, não estarei a desvendar nenhum segredo, se disser que hoje em dia reconheço a justeza da atribuição do prémio a Saramago.
A escrita de Lobo Antunes tornou-se de tal modo hermética, que hoje tenho dificuldade em ler os seus livros. As palavras perderam, em grande parte, a carga emocional dos tempos do “Fado Alexandrino”, dos “ Cús de Judas”, “Memória de Elefante” ou “Auto dos Danados”. Dá-me a sensação que Lobo Antunes escreve para o Nobel e deixou de escrever para os leitores. A excepção são as fabulosas crónicas quinzenais da “Visão”, momentos mágicos de escrita que hão-de figurar em qualquer compêndio sobre este género literário.
A escrita de Saramago, pese embora toda a sua carga imagética, é mais real. Direi mesmo que é mais humana, porque apesar de toda a carga ficcional as suas personagens são seres normais, embora vivendo situações ficcionadas.
Lobo Antunes e Saramago vivem em dois mundos paralelos que nunca se vão encontrar. Hoje em dia, vivo mas próximo do mundo de Saramago. Talvez por isso, a conversa da passada sexta-feira foi tão empolgante e, surpreendentemente, dei por mim a concordar com quase tudo o que disse.
Já no final da conversa, Saramago abordou a crise de valores da sociedade actual e, para surpresa minha, fê-lo numa perspectiva coincidente com a que eu expressei aqui e aqui.
Na verdade, a geração de 60 - agora no poder-traiu os seus próprios valores e o Maio de 68 foi um momento épico, mas irresponsável- porque imaturo- cujas consequências estamos hoje a viver.

Cristiano Ronaldo


Cristiano Ronaldo festejou a transferência para o Real Madrid na companhia de Paris Hilton. Penso que foi a escolha ideal, pois formam um casal perfeito. Devem entender-se às mil maravilhas. CR continua a afirmar que antes de ser português é madeirense e Paris Hilton normalmente não sabe de que terra é. Presumo, por isso, que a conversa tenha sido sobre geografia. Na parte teórica terão falado sobre as origens de ambos e na prática passaram a noite à procura dos pontos mais sensíveis dos seus corpos. Os dirigentes do Real Madrid é que já manifestaram o seus desagrado face a tanto mediatismo. Em minha opinião, é apenas o primeiro sinal de que CR não vai ter vida fácil em Madrid. Será curioso ver como é que o português vai conviver com tantos ídolos a seu lado, disputando-lhe a primazia.
Os 15 mil euros que CR gastou nessa noite, embora sejam uma ninharia ( recupera-os em meio dia de trabalho), dizem muito sobre o tipo de pessoa que é. Nesse mesmo dia, o brasileiro Kaká, também de malas aviadas para Madrid, estudava o perfil e os métodos de trabalho do seu futuro treinador e, dias depois, Luís Figo- que acaba de abandonar o futebol de alta competição- organizava um jogo de solidariedade com outras vedetas do futebol. São estes pormenores que distinguem um profissional de uma vedeta, mas não se pode criticar Ronaldo. O seu passado é muito diferente do de Kaká ou Figo e os exemplos que vêm de cima também não abonam nada em favor da indústria do futebol onde se move.
Platini, presidente da UEFA, apressou-se a criticar o valor da transferência, mas esqueceu-se que o organismo que dirige também deveria ter em consideração, quando elege o melhor jogador europeu ou do mundo, o carácter e personalidade do eleito, escolhendo jogadores que sirvam de exemplo a seguir no mundo do futebol. Mas seria demasiado, exigir a Platini alguma coerência nos seus juízos. Como ficou demonstrado no último defeso, aliás.
Entretanto, Cavaco Silva também decidiu comentar a transferência. Consta-me que o próximo passo será reunir o Conselho de Estado, agora livre de loureiros e outras plantas. Um dia ainda havemos todos de levar a sério o PR. E CR ainda há-de descobrir que antes de ser madeirense, é português. Mas isso só acontecerá, provavelmente, depois de se ter arrependido da transferência para Madrid.