terça-feira, 9 de junho de 2009

Momento de humor (26)

Um tipo está numa entrevista para emprego. Pergunta-lhe o director:
-o senhor como se chama?
- " Pppaaauuullllloooo DdddiiiiiiaaaaasssssSsssaaaaannnnntttoooossssss"- responde o candidato
- Ah, diz o director, o senhor é gago
- Não, diz o candidato. Gago era o meu pai e o gajo do registo civil era um filho da mãe…

Rochedo das Memórias (118)-Narciso triunfa sobre Édipo

Como dizia Yves Saint Laurent, "outrora, uma rapariga queria parecer-se com a mãe. Actualmente é o contrário que se verifica”. Já não é a filha que veste como a mãe, mas exactamente o oposto. A sociedade de consumo alcançou assim vários triunfos: democratizou a moda ao criar o pronto a vestir, liberalizou os gostos, fugindo às imposições estilíticas, inverteu a pirâmide mimética que sempre caracterizou as suas regras, e promoveu a moda a elixir da juventude.
Se os jeans atestam a clarividência desta afirmação, é imperioso que se diga que não são os únicos responsáveis por esta inversão. A conotação da moda com “aparência jovem” remonta à expansão de uma cultura jovem quando, fruto das esperanças neles depositadas pelos adultos, começam a ser o centro das atenções e a ter uma palavra a dizer quanto ao seu futuro e à sua formação. O inconformismo das gerações de 50 e 60 leva-as a rever-se nos seus ídolos da música rock, nas jovens estrelas de cinema e em figuras do desporto. Ao mesmo tempo que o “conflito de gerações” se agudiza, o jovem desafia o luxo, vestindo de forma prática e descontraída, deixando transparecer o seu desejo de liberdade. Como salientei noutro post ,o descuidado, o gasto, o largueirão e até o sujo, passam a fazer parte integrante da moda jovem, que pretende também desvincular a conotação do vestuário com a classe social e impor um estilo cada vez mais personalizado que desafia os cânones tradicionais da moda.
Primeiro timidamente, os adultos começam a usar, também, cores garridas, roupas mais leves e descontraídas,em busca de uma aparência jovem,dando-se então a inversão referida por Yves Saint Laurent. Paralelamente ao que acontece com a publicidade que procura explorar o narcisismo dos consumidores para promover um produto, na moda assiste-se ao assassinato de Édipo por Narciso. O importante é parecer jovem e belo, pelo que os adultos incorporam no seu vestuário os códigos usados pela juventude.
Dando sequência a uma tendência que já se vinha verificando desde o início do século XX, o cinema e o desporto entram na moda, enquanto a moda se alia ao mundo do espectáculo num perfeito sistema de vasos comunicantes que vai alimentando a sociedade de consumo. E se noutros tempos o corte de cabelo à Greta Garbo ou Brigitte Bardot,o louro platinado de Jean Harlow ou as sobrancelhas depiladas de Marlene Dietrich, logo arranjavam imediatos seguidores; se bastava a um actor como Clark Gable ridicularizar num filme o uso da camisola interior, para que o mercado se ressentisse; se James Dean e Marlon Brando seduziam com as suas indumentárias desportivas e descontraídas e Lacoste ou Fred Perry criavam estilos de moda no sportswear ,hoje em dia é a moda a lançar as suas principais actrizes no mundo do espectáculo(as top models) .
Movimentando milhões, a corte da moda deambula com os seus actores (criadores, estilistas, agentes, fotógrafos, publicitários, jornalistas e modelos) entre Roma e Milão, Paris, Nova Iorque ou Tóquio, montando espectáculos sazonais, vistos por milhões de espectadores em todo o mundo, com o objectivo de venderem as suas criações,mas também uma ideia de juventude. Veículo promocional do conceito jovem, à top model não é permitido envelhecer e por isso, quando aparece a primeira ruga ou a pele ameaça desvendar um pouco de celulite, logo é lançada para o álbum de recordações . Pura e simplesmente, porque ... passou de moda