terça-feira, 2 de junho de 2009

Rochedo das Memórias (116)- En Blues jeans et blouson de cuir

Os anos 60 viram aparecer os Beatles e os “hippies”,Cohn Bendit e o Maio de 68,os movimentos de emancipação dos negros, as preocupações ecológicas e a defesa dos direitos humanos ,a sociedade de consumo e a economia de mercado. Todos estes factores contribuiram, de alguma forma, para que a moda enveredasse por novos caminhos.
As pessoas passam a obedecer cada vez menos às imposições da Alta Costura, pois para se “estar na moda” já não é necessário vestir a cor que os costureiros procuram impôr, ou os modelos que sazonalmente apresentam. Numa época em que os valores da solidariedade se impõem, assiste-se ao aparecimento de um conceito de moda baseado no individualismo e ao triunfo do “estilo pessoal”, em que cada um procura vestir-se mais de acordo com o seu gosto do que com os padrões da moda.
As casas de Alta Costura, que desde os anos 20 se tinham lançado na exploração de perfumes e cosméticos, intensificam a sua actividade nesta área, que passa a representar para casas como Channel, Nina Ricci ou Yves Saint Laurent a grande fatia dos seus negócios. Já no final da década lançam mão de um outro expediente que se vem a revelar durante alguns anos, muito lucrativo: artefactos e adereços. Relógios,cintos,isqueiros,canetas,óculos,marroquineria,sportswear e roupa interior alimentam a indústria da Alta Costura. Estava dado o primeiro passo para o triunfo da marca, novo código do vestuário devidamente assinado que viria a conhecer o seu apogeu e posterior declínio com a contrafacção. Entrando no caminho promocional da marca, a favor do pronto a vestir de alta qualidade e da exploração da marca que pretende perpetuar ,a Alta Costura passa a confundir-se com a marca de prestígio que o marketing irá ajudar a promover.Com o aparecimento da contrafacção, a situação vai alterar-se... Vendida ao desbarato em feiras e por vendedores ambulantes, a assinatura de marca vai perdendo o seu fulgor e o seu prestígio, arrastando consigo a moda que deixa de ser luxo ,perde a sua identidade como arte perene e passa a cultivar o efémero.


Nos anos 70, os modelos únicos dão lugar ao pronto a vestir, a moda salta dos recatados ateliers dos costureiros para as ruas, invade cartazes publicitários e, combinando o "show bizz" com os efeitos mediáticos, põe os seus actores a desfilar na Piazza Navona ou no mar de Portofino, na Torre Eiffel ou em Central Park e penetra em terrenos outrora proibidos como a Muralha da China. O arrojo confere-lhe o direito de integrar o mundo das Belas Artes, outrora reservado a pintores, escultores, músicos e artistas. As mulheres vestem hotpants e calçam botas de cano alto e os homens embeiçam-se pelos sapatos de tacão alto e calças boca de sino. Nos anos 80 a moda torna-se acessível a todos, o pronto a vestir faz a fusão com a indústria e a moda e cria os seus hipermercados. Inspirando-se em modelos antigos recupera a tatuagem, fura narizes, orelhas e lábios, cria os adornos e adereços. Lança-se no mercado das vendas por catálogo e cria as suas próprias revistas. Os nomes sonantes doa década são Emannuele Kalin , Gualtier , Issey Miyaké e Armani. Mas um outro nome haverá de ficar ligado à moda: Lindbergh. Não aquele que em 1927 atravessou sozinho o Atlântico num voo sem escalas, mas um fotógrafo que, com as suas fotografias, contribuiu de forma decisiva para o aparecimento das “top-models”. No final do século, vive-se na época da moda à la carte, embora permaneçam resquícios do menú do dia (leia-se estação). A criação é livre, combinam-se as cores a belprazer e já ninguém está fora de moda. O importante é o look e a ideia de juventude que o vestuário possa transmitir, aliada a códigos que revelem inconformismo e emancipação. É o que sucede com as modas punk, rastra ou new wave. Como dizia Yves Saint Laurent, já não é a filha que veste como a mãe, mas exactamente o oposto. A sociedade de consumo alcançou assim vários triunfos: democratizou a moda ao criar o pronto a vestir, liberalizou os gostos, fugindo às imposições estilíticas, inverteu a pirâmide mimética que sempre caracterizou as suas regras, e promoveu a moda a elixir da juventude.
Veja também- Anos 6o: en blue jeans et blouson de cuir

Aviso aos vizinhos

Ando por aí, dependente da Internet sem fios, e tenho dificuldade em deixar os meus comentários nos vossos condomínios. Tenho também dificuldade em responder aos vossos comentários ( a falta de empo também não ajuda...)
Espero que comprendam e me desculpem.