segunda-feira, 1 de junho de 2009

Filho és....

O filho de Leonor Cipriano, a mulher acusada de ter matado a filha Joana, aterroriza Porches (DN).
O pai diz que já não aguenta o filho- que tem apenas 10 anos- e quer é vê-lo longe.
Três dos cinco filhos de Berlusconni, acusado pela mulher de manter relações com uma menor, saíram em defesa do pai. “Estamos muito orgulhosos do nosso pai e dos valores que nos transmitiu” (JN)
Os outros filhos não se pronunciaram.
Pareceu-me pertinente recordar estas notícias, da passada semana, no Dia da Criança.

Uma criança de Abril


Américo é um "sem abrigo" que, ainda há pouco tempo, gastava as suas noites para os lados da Almirante Reis.Aos oito anos, os pais privaram-no de ir à escola e arranjaram-lhe um trabalho na fábrica têxtil onde trabalhavam "para ajudar o sustento da família". Sempre que podia, fugia da fábrica para a escola, porque "aprender com o que se passa no mundo era tão importante para mim como beber um copo de água ". Perdeu a conta às vezes em que dormiu afogado na dor de uma tareia "por não cumprir os seus deveres com os irmãos mais novos".
Carregado por sentimentos de culpa, lá se foi habituando à ideia de que os livros "eram uma coisa de ricos " a que não podia aspirar e confortou-se com a ideia que o seu destino era ficar naquela aldeia beirã a cuidar dos irmãos mais novos.
Um dia, o Pai disse-lhe que não iam trabalhar porque tinha havido uma revolução em Lisboa e estavam em liberdade. Não sabia bem o que era isso de Liberdade, por isso correu para a escola para perguntar à professora. Encontrou a escola fechada, mas a professora estava à porta avisando os meninos que não havia aulas porque chegara essa tal de Liberdade, uma coisa que devia ser fantástica porque toda a gente falava dela. À sua pergunta, a professora respondeu com uma frase mágica:"Américo, agora ninguém te pode impedir de estudar!".
Tão iludido como a professora, Américo voltou à escola dias depois,ignorando as ameaças do Pai. Às habituais sovas paternas somaram-se outras do patrão e Américo começou a planear a fuga.Arranjou uma boleia, alegando que ia ver o pai" que estava a fazer a revolução em Lisboa". "Quando cheguei a Lisboa, havia tanta gente na rua, que me assustei.Não sabia para onde ir, mas sentia-me feliz porque toda a gente se ria para mim. Durante noites não dormi, mas comi até fartar porque todos me davam de comer e cheguei mesmo acomer em restaurantes".
Américo tinha então apenas 13 anos, não percebia o que se passava à sua volta, até que começou a ver que cada vez menos gente se oferecia para lhe comprar um copo de leite,ou apenas uma sandes.Não sabia o que se passava, mas começou a sentir fome e , como não tinha dinheiro, começou a entrar em cafés e restaurantes oferecendo-se para trabalhar. "Um dia alguém teve pena de mim e deixou-me ficar por um café onde, em troca de comida, levantava as mesas e lavava a louça. Mas durou pouco tempo... Uma manhã o patrão apanhou-me a dar um beijo à mulher- que não me largava- disse-me que me desenrascasse porque a vida estava má e ele ia fechar a loja. Sabia que era tudo "tanga", mas não tive outro remédio que não fosse voltar ao meu poiso no Rossio, até ser expulso para aqui. Trabalho arranjo de vez em quando, mas é tudo trabalho sujo e gostava de voltar à terra. Nunca mais vi ninguém de lá, não sei se os meus pais morreram ou estão vivos, mas tenho medo de voltar. Ninguém mais quis saber de mim, acho que as pessoas nunca me deram trabalho porque tiveram inveja de mim. Era bonito, as "garinas" encantavam-se e quem me podia dar emprego cortava-se. Agora sou um trapo."Américo tem agora 48 anos, poucas razões para sorrir e muitas para desesperar.
Aditamento: A foto é de Viana do Castelo e foi tirada daqui. Recomendo uma ida até lá, para conhecerem a sua história

Dia da Criança

Hoje assinala-se o Dia da Criança. Há 50 anos que os Direitos da Criança foram transcritos para o papel. Quantos anos mais levaremos a respeitá-los?

Presente do Norte

Esta semana recebi este presente. Vem de Viana do Castelo- uma das cidades de que mais gosto e a que me ligam belas recordações de juventude.
Obrigado bacouca, pela sua simpatia. Espero continuar a ser consciente e justificar a atribuição deste selinho