quarta-feira, 27 de maio de 2009

Rochedo das Memórias (113): Do desfile, à top model


Combinando o “show-bizz” com os efeitos mediáticos, a moda põe a desfilar os seus actores em cenários como a Piazza di Spagna ou o mar de Portofino, a Torre Eiffel ou Central Park e despudorada (ou desesperada à procura de novos mercados?) invade terrenos durante muito tempo proibidos, como a Muralha da China.
A moda perde, porém, alguma liberdade criativa, porque o sistema económico que lhe permitiu estender os seus tentáculos, cobra contrapartidas. E a principal, é que os modelos sejam apresentados em datas certas, estações fixas e locais de culto apropriados. Ao estilista é-lhe exigida inovação, dando como recompensa à moda, o direito de integrar o mundo das Belas Artes, outrora reservado a pintores, escultores, músicos e outros artistas.
No século XIV, como refere Gilles Lipovetsky, o talento artístico dos mercadores de moda está concentrado no costureiro e reside “ no talento decorativo, na capacidade de enfeitar e enobrecer as roupas por meio de fantasias de moda (chapéus, boinas, berloques, fitas, plumas, luvas, leques, lenços de pescoço,etc.) e não apenas na invenção de linhas originais". A tatuagem, por exemplo, é um fenómeno de moda underground ao qual a moda tradicional recorre no intuito de chamar a si alguns elementos novos.
A especialização da moda permite o triunfo de sapateiros, cabeleireiros, produtores de moda e uma vasta gama de artistas que se especializam em partes da moda e não na moda como um todo. O artista procura incessantemente modelos que façam brilhar as suas criações, os quais se tornam ainda mais famosos que os próprios criadores e são disputados a peso de ouro. É a revolta na Corte?
As top models atingiram uma tal notoriedade que se tornaram mais importantes que os estilistas- afirmam alguns. Mas será bem assim? A nível internacional as top-models são fruto da sociedade de consumo, sendo produzidas e vendidas da mesma forma que as peças que vestem. Por isso não se pode falar de revolta na Corte, mas apenas das circunstâncias criadas pela sociedade de consumo, que favoreceram o emergir dos manequins. Foi esta sociedade, onde a publicidade e o “look” se tornaram fundamentais, que fez das modelos as figuras centrais dos desfiles mas, na verdade, o mais importante é a forma como a modelo usa aquilo com que desfila. Além disso, a modelo não faz milagres ...Se a criação que exibe é má ,não há nada a fazer. Excepto, claro, quando se chamam Claudia Schiffer, Linda Evangelista, Naomi Campbell, Giselle Bundchen ou McPherson, modelos conhecidas em todas as latitudes e disputadas por toda a corte da moda incluindo as capas de revista e a publicidade.
( Continua)

Vêm aí os russos...

Não costumo alimentar seriados aqui no Rochedo ( a excepção é o Rochedo das Memórias, por razões que me parecem óbvias)). Normalmente esgoto o tema em um ou dois posts e, se for caso disso, volto a falar do assunto mais tarde. O caso Alexandra, porém, tem-me apaixonado, pelas diferentes componentes que o envolvem.
Para além do problema jurídico- que decisões contraditórias de juízes tornam mais relevante- e do problema humano a que os juízes parecem não prestar qualquer atenção porque - como dizia ontem uma amiga advogada- apenas lhes interessa o aspecto processual, há outras vertentes que merecem análise.
Desde logo, o tratamento jornalístico do caso em Portugal e na Rússia, irá permitir uma análise ainda mais rica do que o caso Maddie, em que a manipulação noticiosa da imprensa britânica era demasiado visível.
Temos, depois, a análise do comportamento social e cívico. Os imigrantes russos podiam ter ficado calados, mas decidiram sair em defesa da família portuguesa e ponderam organizar uma manifestação para o demonstrar aos portugueses, mas também às autoridades russas.
Finalmente, temos a vertente política. Se já havia sinais de que o caso Alexandra se poderia transformar num caso político, esta notícia do "Público" vem retirar quaisquer dúvidas.
A partir de agora, o caso Alexandra joga-se em mais um tabuleiro e convém estar atento ao desenvolvimento das jogadas.
Adivinho, a breve prazo, a abertura de uma outra frente. Na cabeça de alguns guionistas já anda certamente a bailar a hipótese de fazer um filme ou uma novela sobre o assunto. Em breve, aparecerá um livro ( pelo menos) onde toda a história será relatada. Tal como Maddie, também Alexandra irá permitir a obtenção de lucros. Esperemos é que as histórias que surjam, sejam bem contadas.
Entretanto, é bom não esquecer, estamos a cinco dias do Dia Mundial da Criança. Espero que este caso seja lembrado nessa data. Como caso exemplar de violação dos seus direitos.