sábado, 23 de maio de 2009

Rochedo das Memórias (111)- Moda: De jóia da Coroa a elixir da juventude


Considerada por muitos como uma das Belas Artes, a moda constitui, hoje em dia, fonte inesgotável de receitas para uma vasta panóplia de indústrias e de profissionais que gravitam nas suas zonas de influência. Tal como na história da galinha e do ovo, talvez valha a pena perguntar o que nasceu primeiro: a moda, ou o vestuário?
Afirma Gilles Lipovetsky que a moda não faz furor no mundo intelectual. Afirmação no mínimo controversa, quando constatamos que inúmeros escritores e estudiosos se têm debruçado pormenorizadamente sobre o assunto ao longo dos tempos. De Barthes a Levi Strauss, de Alberoni a Baudillard, passando por Umberto Eco e pelo próprio Lipovetsky, para só citar alguns, muitos têm sido os intelectuais a debruçar-se sobre a moda.Estilistas e modelos convergem na opinião de que só os pseudo intelectuais criticam a moda, mas poucos serão os que neguem que a moda é sinónimo de controvérsia. Não só quanto à sua origem ,como quanto à sua essência e objectivos, sendo difícil compreender o problema se não fizermos a sua abordagem histórica.

Do pudor à queda da máscara

Na escola, ensinaram-nos que o aparecimento do vestuário, - subjacente ao aparecimento da moda- estava vinculado a três razões fundamentais: protecção do frio, pudor e adorno.No concernente à primeira razão invocada, não se pode deixar de levantar uma questão. Como explicar que os índios da Patagónia ou dos Andes, continuem ainda hoje a sentir a neve derreter na sua pele nua, sem terem necessidade de vestir-se?


A teoria que defende a moda como tendo origem no adorno, parece ganhar cada vez mais adeptos, com base nos estudos feitos aos costumes das tribos da Papuásia e da América Latina que, embora continuando a não usar vestuário, dão grande importância à imagem corporal, colocando objectos de adorno nas orelhas, no nariz, nos lábios ou mesmo, como acontece em algumas tribos da Papua, manufacturando artefactos, para colocarem no pénis, das mais variegadas cores e recorrendo a pinturas muito elaboradas que, ao contrário do que um visitante mais incauto possa pensar, não são objectos de protecção, mas sim de exibição sexual. Para os defensores desta teoria, o vestuário e a moda que lhe está subjacente, desenvolveram-se para acentuar o encanto sexual, chamar a atenção para determinadas partes do corpo, despertando a libido e o erotismo.
Como diz Fernando Dogana, o vestuário torna-se um prolongamento do corpo, a moda explora os símbolos da feminilidade e da virilidade.
Na verdade, também o homem exprime, através da sua forma de vestir, a sua virilidade. Já no século XVIII, a gola alta e rígida tinha essa função e, até tempos não muito recuados, a gravata exercia função similar.
O progressivo desnudamento da mulher e o aligeirar da moda masculina representa para Fernando Dogana a queda da ”máscara” que ambos estão cansados de usar na sua vida de trabalho, fazendo assim o mesmo que os guerreiros faziam no final dos combates: livrarem-se dela com alívio.
( Continua)

Degradante, mas elucidativo...


Não costumo ver o jornal da TVI à 6ª feira. Àquela hora gosto de ver notícias e não gosto de ser enganado…
Hoje, por um mero acaso, estava a fazer zapping e deparo com MMG em estado apopléctico, esgrimindo argumentos com Marinho Pinto. Fiquei.
Durante algum tempo não queria acreditar! Uma jornalista que acusa um entrevistado de ser "bufo", ou está em estado mental muito debilitado, ou desconhece totalmente as regras do jornalismo. Gosto de jornalistas acutilantes e frontais, não gosto de jornalistas que usam a profissão como vingança, nem de jornalismo de “vendetta”.
O jornal da TVI à sexta –feira é um "Case Study". Devia ser visto em todos so cursos de jornalismo, para mostrar o que jornalismo mascarado. Uma sucessão de ataques pessoais, perpetrados por uma pivô que, para além dos trejeitos e comentários, nem sequer tem um discurso fluido…quanto mais argumentar? O diálogo com Vasco Pulido Valente é de uma pobreza confrangedora, apesar dos esforços de VPV em salvar a sua interlocutora. As notícias são carregadas de opinião da pivô, que não gosta de ser contrariada. Reage mal. Hoje teve azar e encontrou um oponente à altura. Ao perceber que estava na Lota do Peixe, quando pensava ter ido a um telejornal, reagiu em conformidade. Foi um espectáculo. Degradante, à altura do Jornal da 6ª.
Marinho Pinto é um homem de coragem que diz, com frontalidade, aquilo que outros murmuram nos corredores. Paga um preço por isso. Excedeu-se? Concerteza que sim, mas qual a hipótese? Calar-se, servil, perante uma mulher que entra para estúdio pensando que é a única detentora da verdade? Marinho Pinto disse na cara de MMG aquilo que muitos portugueses gostariam de lhe dizer: envergonha e denigre um cojunto de bons jornalistas que se esforçam, diariamente, para fazer um trabalho credível.
Marinho Pinto conseguiu, como Bastonário da Ordem dos Advogados, ganhar um considerável número de inimigos. É o preço que terá de pagar pela frontalidade. Mas isso, já eu previra aqui.