sexta-feira, 22 de maio de 2009

Vá lá, MUDE!

Foi hoje inaugurado o MUDE ( Museu de Moda e Design). Fica na Rua Augusta e as entradas são gratuitas até final de Junho.
O CR associa-se às cerimónias e, a partir de amanhã, publicará uma série de posts sobre a evolução da Moda, na rubrica Rochedo das Memórias.
Para aguçar o apetite, aqui fica um pequeno excerto da pesquisa que fiz sobre esta matéria:
…Nos tempos em que a moda era hegemónica e traduzia o mimetismo do ambiente vivido na Corte ou na aristocracia e, mais tarde, na burguesia endinheirada, o vestuário dava-nos uma informação precisa sobre o sexo, profissão, nacionalidade e meio social de quem o usava.
A partir da década de 60, do século XX, assiste-se a uma progressiva transformação desta identificabilidade, pois os códigos do vestuário começam a sofrer profundas transformações. Para as compreender e perceber a sua influência, será necessário recuar ao século XIX.
É em meados desse século que Charles Worth funda na rue de La Paix, em Paris, a casa onde pela primeira vez modelos inéditos, preparados com antecedência e frequentemente mudados, são exibidos em salões luxuosos a clientes ávidos, que os mandam executar por medida. Estes protótipos são apresentados por mulheres jovens e esbeltas,assinalando o início de uma autêntica revolução, já que os modelos de referência e os códigos da moda se vão deslocar de epicentro.
Com efeito, o centro mimético transfere-se da Corte e da aristocracia para a “modelo” ou “manequim”, embora não definitivamente. Está-se ainda na fase em que a nova burguesia endinheirada se cobre de fausto, jóias e tecidos preciosos, tentando igualar-se à nobreza. A moda (criada pelos costureiros, que começam a assinar os seus modelos) é exibida nas festas desta classe emergente. Deixa de ter como pontos de referência as classes sociais mais elevadas para, com o aparecimento da burguesia, deixar de exercer a sua influência mimética de cima para baixo
Espero que gostem.

Justiça (muito pouco) verde

Quando, há dias, o governo anunciou que ia reduzir as multas ambientais, alegando pretender, com essa medida, facilitar a vida aos cidadãos e às empresas saltou-me a tampa. Nem queria acreditar. Hoje, ao ler esta notícia do “Público” percebi a intenção.
O Ministério do Ambiente perdeu, nos últimos dois anos, cerca de metade dos recursos apresentados em tribunal por pessoas ou empresas multadas por infracções ambientais. A Inspecção-Geral do Ambiente e do Ordenamento do Território, que aplica a maior parte das coimas, revela que, em 2007 e 2008, houve 1723 decisões judiciais sobre recursos relativos a multas ambientais. Em 841 casos (49%), o alegado infractor foi absolvido.
Ora, sendo assim, a redução das coimas pode ter dois objectivos: contribuir para que haja menos recursos por parte das empresas e sensibilizar os tribunais para as questões ambientais. Um curso intensivo de sustentabilidade e boas práticas ambientais, destinado a juízes, também era capaz de ser uma boa ideia…