quinta-feira, 21 de maio de 2009

A Gata


Era a gata mais feia que algum dia vi na vida, mas era uma gata simpática que me cumprimentava sempre que nos cruzávamos. Nas manhãs frias de Inverno sentava-se no beiral da garagem gozando os favores do sol e à minha passagem lançava-me um “miau” desprendido. Fazia-o por educação, porque àquela hora não estava para conversas.
Diferente era o seu comportamento se nos cruzávamos durante o dia. Por vezes abria-lhe a porta e deixava- a entrar no prédio, à minha frente. Saltava para a mesa do hall de entrada e lançava-me um miau dengoso de agradecimento.
Outras vezes, normalmente ao início da noite, quando chegava a casa, ela lá estava sentada nas patas traseiras. Assim que eu entrava lançava-me um longo miau. Era nessa hora que, habitualmente, conversávamos. Fixava o olhar dela no meu, tentando perceber as minhas palavras até que, em determinada altura, levantava a pata esquerda e coçava os olhos, como a perguntar: “quando é que aprendes a falar língua de gato para eu te entender? Nessa altura dava-lhe as boas noites e despedíamo-nos entre miaus amistosos.
Se chegava a casa cansado ou sem me apetecer conversar, ela só parava de miar quando eu entrava no elevador. Por vezes, já no elevador, lançava-lhe um desafio em voz de cão e ela elevava o tom do seu miar, mostrando o seu desagrado. “ Não estejas a desconversar!”.
Convivi com ela durante 10 anos. Ontem de manhã não a encontrei a apanhar banhos de sol, nem a vi durante todo o dia. Hoje de manhã perguntei por ela à porteira. Na terça–feira ficou doente. Morreu ontem de manhã nos braços do veterinário, que fez tudo para a salvar. Ataque de coração, foi o diagnóstico.
Não me pude despedir da minha amiga gata. Trocar com ela um último miar. Com quem vou conversar quando entrar no prédio logo à noite?
Que sejas feliz no céu dos gatos!

Uma questão táctica

Quando leio qualquer coisa sobre as habilidades de João Rendeiro no BPP, lembro-me sempre de Júlio Rendeiro, hoquista de uma das melhores selecções portuguesas da modalidade. Não sei se existe entre eles algum grau de parentesco, mas é inegável que este João, tal como o Júlio, é um apreciador da táctica a melhor defesa é o ataque...

Ópera (do video) bufa

Tornou-se banal as televisões transmitirem, em horário nobre, vídeos gravados por jovens nas salas de aula. Parece-me uma prática perigosa. Incentiva os jovens a práticas malsãs. Cultiva a prática da bufaria, favorece comportamentos desviantes que lhes moldam irremediavelmente o carácter.
A professora excedeu-se? Parece que não há dúvidas. Mas alguém se interrogou sobre os antecedentes? Alguém tentou perceber se não havia outra forma de resolver o problema? Alguma coisa vai mal quando a única forma que as pessoas encontram para resolver as situações, é ir para a televisão gritar. Pior ainda é que sejam uns pais a industriarem um filho a agir assim.
Espero que para além da punição das escolas aos jovens que gravam estas situações, a ERC (Entidade Reguladora da Comunicação Social) saiba cumprir o seu papel, contribuindo para a reeducação dos meios de comunicação social. Em nome da liberdade de imprensa.
É que este país está a cheirar a um mofo salazarento que me enoja!