segunda-feira, 18 de maio de 2009

É só fumaça!

Às vezes há uns tipos na Comissão Europeia que se põem a pensar sobre a Europa e depois dá nisto!

Quem tem K sempre esKapa


Isabel, Luísa e Fernando decidiram ir beber um copo à Kapital. O ambiente estava animado, prolongaram a noite até quase ao amanhecer.Isabel e Luísa despediram-se de Fernando à porta da discoteca e foram ao encontro do carro, estacionado na véspera, a umas escassas centenas de metros. Fernando, consciente de que bebera demasiado, optou por apanhar um táxi.
Já Fernando curava a ressaca em casa, quando o telefone tocou. Do outro lado, ouviu a voz de Isabel. Nervosa e chorosa.
-Fernando, temos de nos encontrar depressa. Podes vir ter connosco?
-Que se passa? Ainda agora vos deixei… estou a ressacar…
-Tens de vir. Ou então vamos nós a tua casa, mas é muito urgente.
- Está bem, vou apanhar um táxi e passo já por aí.
Contrariado, mas não querendo deixar de responder ao apelo das amigas, enfiou os jeans e uma t-shirt e desceu à rua para apanhar um táxi.
Fez o trajecto a magicar o que se teria passado, para reclamarem a sua presença urgente.Arrependeu-se de não ter perguntado, mas encolheu os ombros enquanto ruminava “Coisas de gajas. Vá-se lá percebê-las. Há duas horas propus-me acompanhá-las a casa e recusaram; agora querem que vá lá depressa. Devia tê-las mandado dar uma curva…”
Quando Isabel abriu a porta, Fernando deixou escapar um “Ah!” de espanto.
- Que se passou? Foste assaltada? Bateram-te?
Isabel mandou-o entrar. Aninhada no sofá da sala estava Luísa.Aparentemente não tinha nenhum hematoma, como o que Isabel exibia na face. Estava abúlica, de olhar distante e nem sequer fez menção de o cumprimentar.
- Que se passou? Desembuchem, caraças!
- Tens de ir connosco à polícia, Fernando. Fomos assaltadas e roubaram-nos tudo. Dinheiro, cartões de crédito, telemóveis, os colares e as pulseiras…até o Dupont que o meu pai me tinha dado antes de morrer, com o pedido para o estimar...
-E vocês são capazes de reconhecer o gajo?


- Esse é que é o problema, Fernando. Todos os conhecemos. Foram o Z e o L, os seguranças da Kapital
- Não pode ser! São uns gajos porreiros… estás enganada, Isabel
- Não estou não, Fernando. Eu e a Luísa reconhecemo-los perfeitamente.
-E porque é que te bateram?
-Porque tentei resistir e disse-lhes que os conhecia. O Z deu-me um murro e disse-me que era só um aviso para não dar com a língua nos dentes.
-Vamos apresentar queixa imediatamente.
-Temos medo, Fernando.
-Medo de quê?
- Das represálias. Se apresentamos queixa eles depois vingam-se e não sei do que serão capazes.
Fernando sentou-se no sofá a pensar no que fazer. Passado um minuto disse decidido:
- Tenham lá paciência, mas temos mesmo que apresentar queixa. Se não o fizermos, eles vão assaltar mais pessoas.
As irmãs entreolharam-se em silêncio. Luísa deu finalmente um sinal de que estava a ouvir a conversa. Levantou-se num gesto decidido e com voz firme disse:
- O Fernando tem razão. Temos de apresentar queixa. Não podemos permitir que eles assaltem outras pessoas.
Saíram de casa e foram apresentar queixa na esquadra mais próxima. Foram ouvidos pelo polícia de serviço, cuja lentidão e ar grave os deixou exasperados. No final, perguntou-lhes se queriam formalizar a queixa.
- Claro- respondeu Fernando
- O senhor não estava presente, pois não?
- Não, mas confio nas palavras das minhas amigas
- Bem, fique aqui que eu vou ali ao lado com as suas amigas mostrar-lhes uma coisa.
Fernando aguardou, quase uma hora, o regresso de Isabel e Luísa. Finalmente, assomaram à porta. Vinham assustadas. Despediram-se do polícia que se mostrava agora mais afável.
Chegados à rua, Fernando perguntou:
- Que raio estiveram vocês a fazer com o polícia durante quase uma hora?
- Já te explicamos. Nem vais acreditar! Falámos no carro- respondeu Isabel
Quando entraram no carro. Luísa deixou escapar um grito:
- Como é que esta merda é possível? Cambada de filhos da p***
- Que foi, porra! Digam á o que se passou com o bófia
.- Esteve a mostrar-nos uma série de fotografias para ver se as identificava-mos. Conhecêmo-las quase todas. Tudo seguranças. O gajo diz que já têm várias queixas desde o Verão, de pessoas que têm sido assaltadas depois de saírem da Kapital e do Kubo, mas que nunca ninguém identificou as fotografias. Ele acha que as pessoas dizem que não reconhecem os tipos por medo. Nós fomos as primeiras a identificá-los.
- E sabes quem também está metida nesta merda? A G!
- Quem? A loira? - Sim, essa mesmo a quem tu te fartas de fazer olhinhos e dar trela a noite toda. Imagina a filha da p*** da boazona!
Fernando engoliu em seco. Não disse às amigas que, no Verão de 2007, tivera um caso com G. Decidiu romper quando descobriu que ela estava metida em negócios de droga. Suspeitava que fosse mesmo traficante, porque duas vezes lhe telefonaram a meio da noite e ela desaparecera sem deixar rasto durante uns dias.
-Em que estás a pensar? Não me digas que agora estás com pena daquela cabra!
-Nada disso- disfarçou Fernando. Estava a pensar o que se irá passar a partir de agora.
- O polícia disse-nos que iam chamar todas as pessoas que apresentaram queixa. Têm esperança que, sabendo da nossa identificação, algumas pessoas aceitem colaborar na identificação dos outros. O polícia disse-nos que eles actuam em grupo e querem prendê-los todos de uma vez, para desmantelar o gang.


……………………………………..
Dois meses depois, Isabel e Luísa receberam uma notificação para se apresentarem na polícia. Tiveram de reconfirmar a queixa e mandaram-nas para casa.
Duas semanas mais tarde, no último sábado, Fernando estava na esplanada a ler o jornal pela manhã, na companhia de Luísa, quando leu este título:“A PSP prendeu sete indivíduos, seguranças nas discotecas do grupo K, acusados de assaltar clientes”.
Finalmente! - pensou aliviado. Depois foi ler a notícia. “ Os indivíduos foram detidos pela PSP na quarta-feira e foram presentes a Tribunal na quinta feira. Seis saíram em liberdade com termo de identidade e residência e um ficou em prisão domiciliária.O jornal noticiava, ainda, que um dos detidos (Paulo Baptista) era o “braço direito” de um ex-polícia (Alfredo Morais) que se encontra a monte, depois de ter sido condenado a sete anos de prisão. O polícia é também arguido no caso “Passerelle”- acusado de lenocínio e auxílio à imigração ilegal- em que está envolvido Jorge Chaves, o presumível homicida do proprietário do bar “O Avião”.
Fechou o jornal, respirou fundo e, voltando-se para Luísa, perguntou:
- Olha lá, vamos dar uma volta pela praia? Preciso de espairecer um bocado.
E lá foram os dois, gozando o sol da manhã.
Ao fim de algum tempo, Luísa perguntou:
- Quando é que a polícia irá prender os gajos do K?
Fernando apertou-a contra si. “Não penses nisso agora. A polícia fará o que tem a fazer”.
- Não sei não! Não conheces aquele ditado que diz “ Quem tem K sempre escapa?”
-És capaz de ter razão…
(Esta história foi criada a partir de uma notícia do DN do dia 16 de Maio. Qualquer semelhança com a realidade pode não ser pura coincidência)