terça-feira, 5 de maio de 2009

Maio de 68

Danny Cohn Bendit, no Maio de 68. Era então conhecido como "Danny Le Rouge";
Em 2009 é deputado no Parlamento Europeu. Chamam-lhe "Danny Le Vert".
As conclusões, tirem-nas vocês.

Dia Mundial do Riso*

Empresário: Bom dia Sr. Eng., há quanto tempo ??!!!
Ministro: Olha, olha, está tudo bem?!
Empresário: Eh pá, mais ou menos, tenho o meu filho desempregado tu é que eras homem para me desenrascar o miúdo.
Ministro: E que habilitações ele tem?!
Empresário: Tem o 12.º completo.
Ministro: O que ele sabe fazer?!
Empresário: Nada, sabe ir para a Discoteca e deitar-se às tantas da manhã!
Ministro: Posso arranjar-lhe um lugar como Assessor, fica a ganhar cerca de 4000, agrada-te?!Empresário: Isso é muito dinheiro, com a cabeça que ele tem era uma desgraça .Não arranjas algo com um ordenado mais baixo?!
Ministro: Sim, um lugar de Secretario já se ganha 3000!...
Empresário: Ainda é muito dinheiro, não tens nada volta dos 600/700???
Ministro: Eh pá, isso não, para esse ordenado tem de ser Licenciado, falar Inglês e dominar Informática!!!...
*Foi ontem, mas só hoje é que me lembrei.. daí que a celebração seja atrasada

Na Irlanda é qu'é bom!

Pelo menos nos próximos dois anos, Portugal vai ultrapassar o limite de 3% do défice imposto pela União Europeia até à eclosão da crise financeira. Depois dos esforços pedidos nos últimos 7 anos a todos os trabalhadores portugueses para reduzir o défice até aos 2,6%, o governo decidiu combater a crise despejando milhões de euros sobre as empresas ( incluindo os bancos que nos conduziram à crise). Resultado: o défice previsto para este ano é de 6,5%- no próximo será de 6,7%- e Portugal é o único país da União Europeia onde, em 2009, o salário dos trabalhadores vai ser reduzido em termos reais*

A Comissão Europeia já veio dizer que, a partir de final de 2011, todos os estados-membros têm que voltar a respeitar o tecto dos 3%. Adivinhem lá a quem vão ser pedidos sacrifícios! Eu sei que a resposta é muito difícil mas vá lá, façam um esforço...

* Para os trabalhadores irlandeses os salários reais também vão diminuir, mas isso não é surpresa, porque a Irlanda sempre foi apontada por Paulo Portas como o exemplo que Portugal devia seguir.

Rochedo das Memórias (103)- A Censura do Livro no Estado Novo-VI

Outras experiências da Censura têm Luiz Francisco Rebelo, ex- presidente da Sociedade Portuguesa de Autores e Francisco Lyon de Castro, patrão da Europa-América,( entretanto falecido) que só em 1965 viu apreendidos 70 mil exemplares, o que o obrigou a reduzir drasticamente o quadro de pessoal.
Contou-me a propósito, Francisco Lyon de Castro, as razões que levaram a este acontecimento:
"tudo começou quando fiz um discurso contra a Censura durante um Congresso da União Internacional de Editores, em Barcelona. Logo a seguir fizeram uma devassa na sede da Europa-América, durante vários dias. Esta devassa foi feita com a intenção de se encontrarem documentos comprometedores para a editora. Poucos dias depois a empresa foi cercada por várias brigadas da PIDE, as quais apreenderam cerca de 70.000 exemplares de livros de autores nacionais e estrangeiros. Esta acção resultou num grande prejuízo para a editora mas, ainda assim, conseguiu resistir estoicamente. Foi necessário encerrar completamente o 1º e o 3º pisos da sede da editora, ficando a funcionar apenas no 2º piso."
Não obstante todas as dificuldades provenientes da forte pressão exercida pela Censura na sua editora, Francisco Lyon de Castro nunca se deixou abater, chegando mesmo a tomar algumas atitudes provocatórias.
Nos anos 50 foi publicada uma lei que obrigava as tipografias a enviarem um exemplar de cada livro de carácter político, económico ou social que imprimissem. Estes livros não poderiam ser postos à venda sem uma análise prévia dos Serviços de Censura. Depois desta mudança, alguns dos principais editores reuniram-se no Grémio Literário e decidiram ignorar esta instrução. “Nós, os tipógrafos, éramos todos uns analfabetos e não tínhamos inteligência suficiente para perceber quais os livros de carácter político, económico ou social. Podiam ser todos simples romances…” – disse-me encolhendo os ombros com um sorriso que sublinhava a ironia da sua afirmação.

Alves Redol foi informado pela Censura que não podia publicar nenhum livro antes de submetido à censura prévia. Quando tomou conhecimento deste facto,Francisco Lyon de Castro decidiu publicar "A Barca dos Sete Lemes" do autor referido, sem nunca o ter enviado à Censura. E fê-lo com grande solenidade, promovendo uma sessão de autógrafos na altura do lançamento do livro (a primeira que se fez em Portugal). Para essa comemoração foram convidadas pessoas de todos os quadrantes artísticos e políticos, incluindo algumas afectas ao regime vigente. O editor tinha plena consciência de todos os riscos que corria mas o livro nunca foi apreendido nem Francisco Lyon de Castro sofreu qualquer retaliação poe este facto.
Para Luiz Francisco Rebelo, ex-presidente da SPA (fundada em 1925 com a designação de Sociedade de Escritores e Compositores Teatrais Portugueses), esta instituição sempre manteve uma posição muito neutral relativamente à Censura. A sua função foi desde sempre limitar-se a dar autorizações e receber os respectivos direitos. “A SPA teve o maior cuidado em não intervir em problemas de natureza política, no entanto, reagiu contra determinadas proibições e efectuou protestos pontuais. A primeira tomada de posição foi relativamente ao teatro”. Segundo o presidente da SPA e de acordo com a sua convicção pessoal “enquanto o regime subsistisse a censura também o fazia”. Como instituição, a SPA “conseguia manter uma certa independência à custa de um certo silêncio”.Mas se é verdade que tipografias, editoras, livrarias e autores eram frequentemente alvo da Censura, acarretando uma série de desastres financeiros, também importa assinalar que por vezes a ameaça de apreensão constituía um bom argumento de marketing.
Como explica Cândido de Azevedo, jornalista e autor de Mutiladas e Proibidas e A censura de Salazar e Marcelo Caetano: “Um bom argumento para a venda de um livro era criar a ideia, junto do público, de que o livro poderia vir a ser apreendido”.