terça-feira, 21 de abril de 2009

Pelo país dos blogs ( 46)


Eu sei que já é tarde, mas só agora me foi possível dar aqui a notícia. A Gi celebra hoje (dia 21) o segundo aniversário do seu blog. Ela diz que só lhe falta um 31 na vida e eu acredito, mas a verdade é que a boa disposição que se vive naquele espaço é tão contagiante, que o 31 não lhe deve fazer falta nenhuma. Em contrapartida, a mim fazez-me muita falta o seu bom humor e o aguçado espírito crítico.
Peço desculpa pelo atraso, Gi, mas tive de ir a Goa tirar esta fotografia e quase não chegava a tempo. Faltam 3 minutos para a meia noite...

Quebra-cabeças



Eu talvez até esteja a ver mal a questão, mas parece-me que há alguma coisa que não bate certo nesta notícia . A Académica de Coimbra estuda a hipótese de construir um estádio novo, porque a manutenção do actual estádio ( municipal, na foto) lhe está a sair muito cara e ameaça o seu futuro. E como arranja a Briosa dinheiro para construir um novo estádio? Endividando-se, ou pedindo apoio à Câmara (que já tem um estádio) que lhe faça um novo, mais pequeno e funcional, e venda este aos patos bravos, para construírem umas torres com centro comercial acoplado...
Se estou a perceber bem a coisa, transferindo o raciocínio para o comportamento de um cidadão, tudo se deveria passar assim. O Audi 8 está avariado? Então o melhor talvez seja – em vez de mandar reparar- comprar um Mercedes Compact, porque é mais pequeno e funcional. Não tem dinheiro? Não faz mal! Vai ao banco, endivida-se e depois logo se vê o que fazer ao Aud i 8. Começo a perceber as causas que nos conduziram à crise. Ou estarei enganado?
Será que me podes ajudar a desfazer este novelo, Pedro Oliveira?

Jornalismo "boomerang"


Um jornal envia um repórter a Bombaim. Como o objectivo é tentar convencer os pais de uma criança de 10 anos a vender a filha, arranja-lhe uma companheira que se faz passar por sua mulher. Chegados à fala com o pai da criança, declaram pertencer a uma família rica do Médio Oriente. O pai acede vender a filha por 300 mil euros.
A criança que o suposto casal pretende comprar não é uma criança qualquer. Chama-se Rubina Ali, vive num bairro de lata de Bombaim, já ganhou um Óscar, graças ao sucesso do filme “Slumdog Millionaire”, onde desempenhou o papel de Latika
O“News of the World”não precisava de ir à Índia para fazer uma reportagem deste jaez. Infelizmente não são raros os casos de pais que vendem as filhas. Na Índia, na China, em Portugal ou em qualquer parte do mundo, há sempre pais dispostos a trocar os filhos por uma boa maquia em dinheiro.(Notícias recentemente vindas a lume demonstram que até há pais, portugueses, que adoptam filhos e depois os abandonam no Brasil).
O objectivo do jornal, porém, não era divulgar a existência de situações de miséria que levam os pais a vender um dos filhos para conseguir alimentar os restantes. Se fosse, não lhe faltariam situações anónimas ilustrativas da miséria em que vive uma grande parte da população mundial. O jornal preferiu apimentar a notícia com uma criança que o mundo inteiro conheceu.

À primeira vista, até parece uma boa ideia. Chama mais a atenção da opinião pública e pode rotular-se o trabalho como jornalismo de investigação.
Vendo bem as coisas não foi isso que se passou. O jornal ( “News of the World”) fez deste caso notícia de primeira página. Provavelmente até lhe chamou “jornalismo de investigação”, reforçou a tiragem e viu a notícia divulgada pelo mundo inteiro, mas desviou as atenções do essencial.
O Ocidente tem as mãos sujas porque é, em grande parte, culpado da miséria que se vive nos países pobres. Esqueceu-se que a notícia tem um efeito de “boomerang”. Pelo menos nas consciências de quem não seja insensível à dor e miséria do próximo.
Moral da história: o jornal comportou-se como um “Slumdog” e fez um negócio milionário. Mas terá feito jornalismo?Para mim, a resposta não é fácil. E para vocês?