segunda-feira, 6 de abril de 2009

Pronúncia do Norte (13)

CRUZETA= = CABIDE

Não consigo perceber a razão de se chamar a isto um cabide! Alguém me explica o que isto tem a ver com o Bridge? Nesse jogo é que se apanham cabides, meus amigos mouros, sulistas e elitistas. Este objecto que vêem na imagem é uma CRUZETA e serve para pendurar a roupa.

Um cabide será, quando muito, isto



a que vocês chamam, pomposamente, bengaleiro de pé. Como se houvesse bengaleiros sentados! Gente complicada...

A Aliança das Civilizações

Decorre hoje e amanhã, em Istambul, o Encontro da Aliança das Civilizações (AC), uma proposta avançada pela Espanha e Turquia , que congrega já uma centena de países.
A Aliança das Civilizações mereceu desde logo uma especial atenção por parte da ONU que assumiu a proposta apresentada em 2005 por Zapatero, e nomeou Jorge Sampaio como seu Alto Comissário. A institucionalização da iniciativa permitiu alargar a todos os povos e culturas, uma iniciativa inicialmente centrada na aproximação entre o mundo ocidental e muçulmano. Por outro lado, foi sentida a necessidade de alargar à sociedade civil este debate , inicialmente limitado às relações entre estados, permitindo a entrada de algumas instituições e organizações não governamentais, nesta plataforma de diálogo.
A Aliança das Civilizações pode ser a pedra angular no fortalecimento da vertente humanista de uma sociedade global, até agora dominada pelas questões económicas e financeiras. Convém, no entanto, lembrar que neste diálogo intercultural existem questões de grande sensibilidade (como os direitos humanos, a liberdade política, os modos de distribuição da riqueza e a igualdade de direitos entre homens e mulheres), sendo necessária uma abertura e compreensão por parte do mundo ocidental, que não pode querer apenas impor o seu modelo sócio-cultural.
Tomando como exemplo a igualdade de direitos entre homens e mulheres, facilmente se compreende o conflito de interesses entre uma sociedade onde os direitos de género tendem a convergir para a igualdade e outra onde a mulher ( e o indivíduo em geral) se deve submeter aos princípios gerais determinados pela comunidade. Como ultrapassar esta questão sem “ferir” a sensibilidade muçulmana, nem abdicar dos princípios das sociedades ocidentais?
Não será um problema que se resolva de forma política. Só o intercâmbio cultural pode ajudar a criar novas consciências e novos modelos comportamentais, conducentes a uma mudança de mentalidades, fruto de uma interpenetração de valores que se mesclam harmoniosamente. Haverá certamente quem encare com cepticismo esta possibilidade, mas lembro o caso de Marrocos, onde os direitos das mulheres- e dos cidadãos em geral- têm evoluído de forma significativa, desde o momento em que aquele país se abriu à Europa, estabelecendo pontes para o diálogo.
A criação de um diálogo intercultural irá também permitir ao mundo ocidental compreender e aceitar certos padrões culturais de outras sociedades- incluindo a muçulmana- que ajudem a alterar certos comportamentos que a sociedade da hiperescolha enraizou. Aliás, alguns desses comportamentos são criticados no seio das sociedades ocidentais, mas o modelo de desenvolvimento que adoptámos não permite consciencializar a necessidade de os debater e encontrar fórmulas correctivas.
Dirão alguns que terão de passar muitas gerações até se verem resultados. Creio, porém, que há dois factores que permitem algum optimismo. Por um lado, a crise económica e financeira veio revelar que estamos também perante uma crise de valores e que sem uma alteração profunda nos estilos de vida e nos modelos organizativos, não será possível combater a crise. Por outro lado, a visita de Obama à Europa está a abrir portas para um diálogo de esperança que era impensável há um ano. E quem diria, há meia dúzia de anos, que em 2009 o presidente americano seria um afro-americano e seria ele o grande impulsionador de um conjunto de ideias para melhorar o mundo? ( Ler mais aqui)