quarta-feira, 1 de abril de 2009

No Vaticano ao som do Tango

Olá!
Hoje vou falar-vos da ida ao Vaticano. Não é que o Papa me diga alguma coisa, mas ouvi dizer que ir a Roma e não ver o Papa é como ir ao Estádio da Luz e não ver o Benfica marcar um golo. Claro que convencer o Carlos a ir comigo, foi mais difícil do que levá-lo ao Estádio da Luz,, mas lá consegui e em boa hora para ele. Inicialmente portou-se um bocadinho mal, porque assim que lá chegámos sacou de um preservativo e enfiou-o no nariz , mas depois lá o convenci a tirar aquilo e por lá ficámos durante a manhã toda , na paz do Senhor como vocês dizem por cá.
Quando chegámos à Capela Sistina ia tão escalavrada, que me sentei no chão durante meia hora a observar aquela beleza toda.
O melhor do dia foi a hora do almoço. Sentámo-nos numa esplanada da Plaza dos Catalanes ( mesmo junto ao Vaticano) para recuperar forças, antes de voltarmos a pé até ao Castelo de S. Ângelo. Sucediam-se os músicos que tocavam uma música, pediam esmola e seguiam à sua vida, porque a hora do almoço é curta e precisam de a aproveitar bem.
Estávamos já a acabar de comer as nossas pastas, quando chega um tipo a tocar acordeão ( o Carlos explicou-me que aquilo era um bandoleon(?), mas creio que é a mesma coisa…). A diferença, é que este músico tocava tangos e vinha acompanhado de um casal que dançava. Os olhos do Carlos começaram a brilhar com tanta intensidade que se fosse noite, tenho a certeza que iluminavam a Praça de S. Pedro! Deve ter sido por isso que os dançarinos ( o Carlos chama-lhes tangueros) nos vieram buscar para dançar. Eu nunca tinha dançado tango e o Carlos a dançar é um bocado desajeitado, coitadinho, por isso resistimos muito. Mas não tivemos outro remédio senão ir. Quando acabou a dança eu estava outra vez cansadíssima, mas o Carlos parecia que tinha acabado de tomar dois Red Bull! Só queria que o vissem… parecia mais novo do que eu e foi nessa altura que percebi, verdadeiramente, o que significa a Argentina para ele.
Quando retomámos o caminho para o castelo ele estava a contar-me que, antes de partirmos, uma vizinha ( descobri depois que era vizinha da blogosfera e não da casa dele) lhe tinha enviado um vídeo com umas cenas de tango ( já vi e amei tudinho), mas nessa altura vi o Papa. Em carne e osso, a dois metros de distância. Estava disfarçado, mas tenho a certeza que era ele. O Carlos diz que eu sou maluca, mas vejam lá a fotografia, a ver se não tenho razão.
Pronto, está bem, esta fotografia foi-me enviada por e-mail e a outra fanei-a na Internet, mas lá que são parecidos são, não acham?
Adeus e até amanhã
Martinha

Who cares?

Li, algures, umas previsões que apontam para a possibilidade de Portugal falir em 2014.
Estou-me nas tintas! Não pelo facto de nessa altura certamente já não viver em Portugal , mas porque na realidade Portugal já faliu há muito e ninguém parece ter dado por isso.
Começou a falir em termos políticos, quando deixou de ter líderes credíveis, faliu definitivamente quando Durão Barroso, depois de prometer salvar o país se pirou para um cargo dourado em Bruxelas, deixando os nossos destinos entregues a Santana Lopes.
Portugal faliu porque falhou nas políticas sociais, na política de saúde e nas questões laborais, varrendo para debaixo da mesa, com desprezível ironia, as conquistas de Abril.
Portugal faliu quando os portugueses se convenceram que viviam num país rico, porque todos lhes esconderam o reverso da medalha do endividamento excessivo.
Portugal faliu quando os portugueses começaram a desconfiar da viabilidade do país, deixaram de acreditar na justiça e nos governos, começaram a torcer o nariz a uma emergente partidocracia e se alhearam do seu dever de cidadania.
Portugal faliu quando perdeu a memória do seu passado histórico e se convenceu que o futuro estava assegurado com o desenvolvimento das novas tecnologias de pataco, tão efémeras quão volúveis.
Portugal faliu quando a luta pelo poder se transformou num espectáculo escatológico de vaidades, mentiras e jogos subterrâneos onde não faltam as rasteiras maldosas.
Portugal faliu quando decidiu seguir o lema da sociedade de consumo onde vale mais parecê-lo do que sê-lo.
Portugal faliu quando um conjunto de valores inalienáveis em qualquer sociedade foram espezinhados e arrivistas incompetentes, com cartão militante, tomaram conta dos seus destinos, usando os cargos como tráfico de influência e exaltação do poder, ou com a subserviência própria dos fracos e inúteis.
Portugal faliu porque escarneceu da democracia e reduziu os princípios democráticos ao acto eleitoral.
Portugal faliu, porque se deixou arrastar na onda de individualismo da sociedade ocidental do “Eu, Ldª”, onde cada um impõe a sua vontade, a solidariedade é palavra vã e o lema é o “salve-se quem puder”.
Por isso me estou nas tintas se, em 2014, uma qualquer comissão liquidatária vier encerrar o país para balanço e lançar uma OPV, na expectativa de algum país emergente comprar isto para transformar em retiro balnear de ricaços famosos.
A verdade, porém, é que não é apenas Portugal que está em risco de falência. Toda a Europa e grande parte do mundo ocidental entraram há mais de uma década em declínio, quando se deixaram inebriar pelos valores do neo-liberalismo, onde campeia o capitalismo selvagem, sem rosto, sem regras e sem humanismo.
A Europa começou a cavar a sua própria sepultura no início dos anos 90, na Cimeira da Terrra, no Rio de Janeiro, quando cedeu aos interesses dos EUA que se opunham a qualquer medida de preservação ambiental e defendiam o primado da economia sobre o ambiente. A Europa- e por arrasto Portugal- é uma cena de filme de ficção. Já não tem existência própria, já não tem o peso de outrora, mas ainda não percebeu. Não tarda , porém, que alguém a venha despertar para a realidade, de forma mais ou menos violenta.

Home, sweet home!

Acabado de chegar a casa, depois de fazer a entrega da Martinha à mãe, apenas um post para descomprimir.
É preciso um indivíduo não estar no seu pleno juízo para prolongar por uma semana, uma estadia em Roma que se resolvia em dois dias de trabalho. Além de já conhecer bem Roma, prefiro cidades como Florença e Veneza. De qualquer modo, regresso com uma sensação reconfortante. Para além de ter saldado uma dívida com a Martinha, o prolongamento da estadia permitiu-me perceber melhor que, no seio da Europa dos ricos, há um país bem pior do que Portugal e onde detestaria viver. Comparado com Berlusconni, Sócrates é um “gentleman” e é sempre bom estar lá fora e poder dizer “temos um governo melhor do que o vosso e, principalmente, um PM que se comporta como um cavalheiro quando comparado com o que vocês escolheram para vos governar”.Durante a viagem de Roma para Lisboa, vim embrenhado nas leituras dos jornais, enquanto a Martinha se punha a par das novidades do seu mundo idílico de príncipes e princesas e me pedia opinião sobre algumas coisas que pretende escrever aqui no CR. Não gostei do que li (sobre isso talvez escreva com mais pormenor no Delito de Opinião), mas regresso com a sensação de que - apesar de todos os queixumes – Portugal é um país melhor para viver.
Amanhã regresso ao trabalho em força, mas antes ainda vou fazer uma visita pelo blogobairro.