terça-feira, 31 de março de 2009

A "rasta", o polícia e os"bicchieri"

Piazza Navona
Olá!

Com autorização do Carlos, cá estou outra vez para vos dar notícias da nossa estadia em Roma.
Na sexta –feira à tarde o Carlos foi para mais uma daquelas reuniões com jornalistas, (que é uma coisa que ele adora), e combinámos encontrar-nos na Piazza del Popolo ao fim do dia. Fui passear de mapa na mão e máquina fotográfica ao ombro mas às tantas, já cansada, sentei-me numa esplanada da Piazza Navona para comer um gelado.Estava uma tarde de sol lindíssima e acabei por comer um semi-frio de frutos silvestres e um Tartufo acompanhados de dois “bicchieri” ( não traduzo porque assim quem não souber o que é um “bicchieri” não vai ficar a pensar que sou uma bêbada). A verdade é que aquilo caiu-me na fraqueza e fiquei um bocado atordoada. Queria ir ter com ele, mas o meu cérebro recusava-se a decifrar o mapa. Ainda lavei a cara numa das fontes, mas não resultou. Felizmente ainda tive clarividência suficiente para perceber que uma gaja com ar finaço e penteado “rasta” se tentou afivelar com a minha carteira. Dei-lhe uma murraça com tanta força, que a gaja saiu dali a 300 à hora.

Como já era noite, estava em cima da hora de nos encontrarmos e o Carlos é extremamente pontual, tentei sair daquele emaranhado de ruelas e desaguar na Via del Corso. Sabia que, lá chegada, caminhando sempre em frente, iria dar à Piazza del Popolo. Ao empreender a caminhada, um polícia que se apercebera da cena veio ter comigo a perguntar o que se passara. Expliquei-lhe e ele disse que a gaja já era conhecida, mas para a prenderem eu teria que ir com ele apresentar queixa à esquadra. Disse-lhe que não podia, porque tinha uma amiga à minha espera e já estava atrasada, mas não sabia como chegar ao local do encontro. O polícia, que até era bem engraçadinho, ofereceu-se logo para me indicar o caminho até à Via del Corso e eu aproveitei a boleia, claro!

Piazza del Popolo

Entretanto o Carlos ligou-me, preocupado, a perguntar se me perdera. Disse-lhe que sim, mas que já tinha encontrado o caminho e não me ia demorar. Ele disse-me que então iria pela Via del Corso e nos encontraríamos. Quando finalmente desaguei com o polícia na Via del Corso ( estou convencida que ele andou ali às voltinhas para estender a conversa e tentar combinar um encontro para mais tarde…) agradeci e comecei a despedir-me, mas o giraço não desgrudava e continuou a caminhar ao meu lado, fazendo imensas perguntas sobre mim e a minha amiga, o que estávamos a fazer, enfim, vocês sabem como é quando um gajo está querer preparar o terreno…). Às tantas vejo o Carlos a vir em sentido contrário e fiz um último esforço para me desenvencilhar do bófia, mas o gajo agarrou-me pelo braço, insistindo que me ia levar até à minha amiga. Agora, imaginem a cara do Carlos quando me vê agarrada por um polícia e a cara do polícia quando viu que a minha amiga afinal era um homem! Foi-se logo a simpatia toda e começou a dizer ao Carlos que tínhamos de ir à esquadra apresentar queixa da "rasta".

Temi o pior, mas desta vez o Carlos controlou-se, exibiu o seu charme e desarmou o polícia dizendo que tínhamos um ministro à nossa espera no Hotel Excelsior para ser entrevistado. O polícia lá se convenceu e apenas disse com ar severo:

“Já devia saber que não se deixa uma jovem bonita assim à toa em Roma depois do sol se pôr!”

Aparentemente satisfeito com a reprimenda, afastou-se em passo de galope. Durante o jantar, pensei imensas vezes no desapontamento que deve ter sido para o homem, que já se devia estar a imaginar a fazer um figuraço com duas garinas numa noite de Roma, encarar com um homem de barba rija, em vez de uma giraça que lhe deve ter posto os neurónios a salivar.




Em jeito de despedida

Aproveito hora do almoço para vos dar notícias e agradecer a forma simpática como acolheram a Martinha. Ela é um bocadinho irreverente e contou coisas que não devia, mas é boa mocinha. Pedi-lhe para fazer o relato da estadia em Roma e espero que ela se saia bem desta tarefa. (Em tempo oportuno farei o meu relato). No entanto, intimei-a a esclarecer algumas coisas acerca dela, para que fiquem a conhecê-la um bocadinho melhor. Desculpem-na se ela der alguns erros de vez em quando,porque ela não é portuguesa e por vezes tem falhas. Hoje ao fim do dia regressamos a Lisboa e a partir de amanhã voltarei a visitar-vos e a postar com regularidade. Desculpem a ausência, mas desta vez não deu mesmo para mais.