segunda-feira, 30 de março de 2009

A Martinha em Roma. Uau!!!

Olá!
Eu sou a Martinha e estou em Roma com o Carlos. Peço desculpa pela intromissão aqui no Rochedo, mas senti-me no dever de escrever um post, para compensar os problemas que criei ao Carlos nestes últimos dias. Ele anda um bocado triste e também preocupado por não ter tempo para escrever e eu sinto-me um bocado culpada disso, daí que esteja a escrever este post, aproveitando o facto de a internet aqui no hotel ser à borla e estar à espera que ele venha buscar-me para irmos jantar.Vou tentar explicar, em breves palavras, o que se passou.
Há tempos o Carlos prometeu-me que um dia me traria a Roma. Desde esse dia ele já veio cá pelo menos três vezes, mas nunca cumpriu a promessa. Quando soube que ele vinha cá passar uns dias lembrei-lhe a promessa que me fizera há uns anos e exigi ( é esse mesmo o termo) que a cumprisse.
Começou por alegar que vinha em trabalho e não podia por isso fazer-me companhia, mas eu sei bem que a desculpa não era totalmente verdade, pois sei o que ele veio cá fazer e, além disso, metia-se um fim de semana pelo meio, em que ele me podia fazer companhia. A minha mãe disse-me que o Carlos gosta de viajar sozinho, sempre foi assim, e o melhor era eu arranjar uma amiga que viesse comigo e pedir ao Carlos que me pagasse a viagem. Expliquei-lhe que não seria fácil arranjar uma amiga da minha idade que viesse comigo para Roma, porque as minhas amigas são todas umas tesas como eu, porque também estão desempregadas. É verdade que já tive dois namorados que me quiseram trazer com eles, mas o que eu menos desejava era vir para Roma atrelada a um gajo, porque isso é coisa que não falta por aqui. Eu queria era mesmo vir com o Carlos e, desta vez, consegui!Ao fim de cinco dias percebo que fui estúpida, porque as coisas não estão a correr como desejava. As coisas começaram a correr mal logo no aeroporto em Lisboa. Havia de ser logo num aeroporto, um sítio que o Carlos detesta, desde aquele episódio na Argentina, quando a namorada foi levada pela polícia no aeroporto de Buenos Aires…
O Carlos avisou-me que iria fazer o check-in electrónico, por isso devia trazer pouca bagagem. Com algum esforço cumpri o que me pediu, mas esqueci-me que era proibido trazer embalagens de líquidos com mais de 100ml. Ficaram-me com o perfume e o desodorizante, mas nem me ralei muito, porque já estavam quase vazios e tencionava comprar embalagens novas na “freeshop”. O problema foi quando me apreenderam uma embalagem de Betadine e umas gotas para os olhos de que tenho absoluta necessidade. O Carlos tentou explicar que aqueles medicamentos me eram imprescindíveis, que nenhuma das embalagens continha já mais de 15 ml, mas a jovem foi inflexível e disse que se quisesse trazê-los teria de ir fazer o check in. Como já não dava tempo, tive mesmo que os deixar no aeroporto. Tentei acalmá-lo, mas como ele quando vê uma farda fica possesso ( está também relacionado com o episódio da Argentina, como é bom de ver) perdeu completamente o controlo e pediu o Livro de Reclamações. A jovem, carinha laroca de 1,80m respondeu com ar cínico:
- Quer fazer queixa de mim por estar a cumprir os regulamentos?
Quando o Carlos respondeu, fiquei verde. Sabem o que é que ele lhe disse?
“ Não, não quero apresentar queixa. Quero só dizer aos seus superiores hierárquicos que já a deviam ter nomeado secretária-geral da companhia. É suficientemente estúpida para não pensar e apenas cumprir os regulamentos, por isso está na altura de ser promovida”.
Depois agarrou-me por um braço e rebocou-me para o avião. Fez toda a viagem quase em silêncio, que eu respeitei, porque percebi logo que a cena de Buenos Aires se lhe tinha instalado na cabeça para não mais sair. Por um lado até foi bom, porque assim ele nem se apercebeu que a única coisa pior do que viajar num avião só com portugueses, é viajar numa mistura de portugueses e italianos saídos de um filme do Ettore Scola.
À minha frente sentou-se uma italiana com metro e meio de diâmetro, com ar de vendedora de fruta no Campo dei Fiori, que falava mais alto do que a claque inteira da Juve Leo. A determinada altura reclinou a cadeira e eu tive que me encolher tanto, tanto, tanto, que cheguei a temer não poder andar quando chegássemos a Roma. Felizmente consegui. Fomos para o hotel, mas como o Carlos ia trabalhar, aconselhou-me a visitar o Coliseo, que ficava a poucos metros.

Lá fui ver aquelas ruínas todas, tirei umas fotografias ( não são as que estão aver, porque estas fanei-as na Internet) e depois continuei a passear pelo Palatino e pelo Foro Romano. Ao pé da casa de um tal Augusto sentei-me num banquinho para fumar um cigarro. Já tinha recusado comprar tudo quanto me ofereciam (desde t-shirts pirosas a réplicas em miniatura de tudo quanto é ruína), quando se abeiraram de mim dois italianos. Perguntaram-me de onde era e passaram logo à acção, oferecendo os seus préstimos para me mostrar a cidade. Mandei-os dar “uma curva” e regressei ao hotel.
À hora do jantar consegui arrancar um sorriso ao Carlos, quando ele me perguntou o que achara do Coliseo. Apesar de ser benfiquista -desde que há 10 anos vim viver para Portugal- respondi-lhe:
“ Fez-me lembrar o velho estádio da Luz. Aquele Terceiro Anel do Coliseo devia ser quase tão imponente como o que o Luís Filipe Viera mandou deitar abaixo. Estes ao menos guardaram as ruínas.”.
Nem imaginam o que me custou dizer isto, mas queria ver o Carlos bem diposto, poque quando está com a neura é insuportável. ( Bem, estou a exagerar um bocadinho, mas prontos...)
E foi assim o meu primeiro dia em Roma. Apesar de tudo a estadia tem sido bastante agradável e o Carlos já está um bocadinho mais bem disposto. Se ele me deixar, antes de irmos embora ainda vou escrever sobre alguns episódios muito giros que por aqui se passaram.
Agora digam-me uma coisa: acham que fiz mal em exigir ao Carlos que me trouxesse com ele? Afinal ele prometeu-me que me trazia a Roma quando eu fiz 21 anos e em Abril já vou fazer 26… Vocês aguentavam tanto tempo?