quarta-feira, 25 de março de 2009

Let's fall in love?



Os portugueses andam tristes, cabisbaixos, vergados sob o efeito da crise. Nem estes belos dias de sol com temperaturas amenas parecem capazes de libertá-los do pesado fardo que carregam. Se pertence a esse grupo que pensa que já nada o diverte, anda com medo de ser despedido(a) e que não lhe renovem o contrato, ou está chateado (a) porque o emprego seu de cada dia é uma apagada e vil tristeza, dou-lhe um conselho: apaixone-se!


É bom estar apaixonado, sabem? A gente perde aquele ar sisudo de quem saiu da Repartição de Finanças, depois de volatilizar o subsídio de férias num imposto e fica com aquele olhar dengoso e quebrado, mirando-se ao espelho, enquanto sonha com a felicidade eterna.

Quando estamos apaixonados tudo é diferente. Ser “atropelado” por dois chineses, mais meia dúzia de putos mal educados na fila do autocarro, e ter de esperar pelo seguinte sob chuva torrencial, torna-se subitamente um pretexto para um arrolhar amoroso, de fazer inveja às gastas histórias de amor dos anos 30.

Encontrar a casa invadida pelo fumo emanado do andar do vizinho que decidiu assar sardinhas na varanda, é um óptimo pretexto para convidar o(a) parceiro(a) para um jantar romântico.

Tropeçar num monte de sacos de lixo descuidadamente deixados na rua, por preguiça de alguém em os colocar no contentor, ou apanhar um banho provocado pelo descuido de um condutor que não evitou a poça de água, são histórias que se arquivam no sótão das nossas memórias para mais tarde recordar.

Um monstruoso engarrafamento que enfurece qualquer mortal, transforma-se em algo insignificante, pretexto sublime para trocar promessas de amor eterno, se estivermos irremediavelmente apaixonados.

Para quê protestar contra o trânsito caótico, a indisciplina nas filas do autocarro, o lixo acumulado nas ruas, o ruído das obras que nos acordam às sete da manhã, o chefe que é grunho, o salário que é escasso, a televisão que não presta, o governo que não consegue debelar a crise, a Manuela Ferreira Leite que tem solução para todos os problemas mas faz caixinha, se a solução é tão fácil? Apaixonem-se e verão que nada disto tem importância.

O amor é o remédio mais barato contra a crise e nem precisa de ser aviado na farmácia. Tomem uma embalagem inteira. Ficarão com os vossos problemas resolvidos e acabarão a dizer: Que bom é viver em Portugal!.

Se por acaso não quiserem seguir este conselho, então façam como eu: pirem-se durante uns dias e recarreguem baterias.




Está-se tão bem a tomar uma bebida ao fim da tarde na Piazza Navona…

Ai que saudades!

É maravilhoso ter esta vizinhança. A Alex enviou-me este fabuloso presente para a viagem. Como não sou invejoso, decidi partilhá-lo com vocês, porque é imperdível! Vejam tudo e deixem os vossos comentários.