terça-feira, 24 de março de 2009

Até ao meu regresso

Nos próximos dias não vou poder visitar-vos, porque estarei longe daqui. Tentarei dar notícias e, para tentar quebrar a nostalgia que a Primavera trouxe este ano ao blogobairro, deixo agendado um post com uns conselhos para quem anda mais cabisbaixo.
Até breve

Não precisa explicar...

...Eu só queria entender!
A AR aprovou, na semana passada, uma lei que permite a uma criança de 16 anos ter uma arma. Aos 16 anos, qualquer um pode comprar bebidas alcoólicas nos supermrecados e embebedar-se nas discotecas ( embora muitos o façam aos 13 e 14, com a complacência dos seguranças, que os deixam entrar).
As máquinas de flippers estão por tudo quanto é lado... mas em Portugal, no ano de 2009, é recusada uma licença para relançar as "caixas de furos" de chocolates, com a alegação de que se trata de um jogo de fortuna e azar!
Sou eu que sou parvo, ou este país está a ensandecer?

Post com dedicatória

Na sequência do post anteriort, a Luz pediu-me que publicasse um poema de Manuel António Pina.
Aqui ficam então dois, com uma informação adicional. Em 2005 foi-lhe atribuído o prémio de poesia da APE ( Associação Portuguesa de Escritores)

O Livro
É então isto um livro,
este, como dizer?, murmúrio,
este rosto virado para dentro
de alguma coisa escura que ainda não existe
que, se uma mão subitamente
inocente a toca,
se abre desamparadamente
como uma boca
que fala com a nossa voz?
É então a isto que chamam "livro",
a este coração (o nosso coração)
dizendo "eu" entre nós e nós?
In “Uma Luz de Papel”

Esplanada

Naquele tempo falavas muito de perfeição,
da prosa dos versos irregulares
onde cantam os sentimentos irregulares.
Envelhecemos todos, tu, eu e a discussão,
agora lês saramagos & coisas assim
e eu já não fico a ouvir-te como antigamente
olhando as tuas pernas que subiam lentamente
até um sítio escuro dentro de mim.
O café agora é um banco, tu professora de liceu;
Bob Dylan encheu-se de dinheiro, o Che morreu.
Agora as tuas pernas são coisas úteis, andantes,
e não caminhos por andar como dantes.