terça-feira, 17 de março de 2009

Bento XVI e a insensibilidade da Igreja Católica


Então combate-se como? Com abstinência? Se assim for, está a contrariar o conselho de Jesus Cristo “crescei e multiplicai-vos”. Talvez o Papa não goste de pretos, sei lá…
Bento XVI começa assim da pior maneira a visita a África. Demonstrando insensibilidade, desconhecimento da realidade africana e escarnecendo de milhares de voluntários que se empenham diariamente no combate à SIDA, não regateando esforços na sensibilização das populações africanas para a necessidade do uso do preservativo.
A insensibilidade da Igreja Católica face ao drama das pessoas começa a ser preocupante e a entrar no campo da paranóia.

Rochedo das Memórias (97)- O último ano do século sob o signo do 9

Em 1999, o mundo aguarda com ansiedade as doze badaladas do dia 31 de Dezembro. Que mistérios insondáveis reservará o século XXI? Será mesmo o fim do mundo?- perguntam alguns.
Com muitas invejas, mas sem ponta de mistério, no último ano do século o FC Porto celebra o “penta”. Mas aconteceram outras coisas importantes...
Inicia-se a fase de transição para a moeda única europeia e o Monopólio dá uma ajuda ao aparecer com a sua versão Euro.
Em Abril, é autorizada a extradição de Pinochet para Espanha, a fim de ser julgado pelos crimes cometidos durante a ditadura chilena. No entanto, graças a uma daquelas manobras em que a justiça é fértil, nunca virá a ser julgado.
Enquanto se volta a discutir o problema curdo, Timor-Leste torna-se país independente e Macau é devolvido à China. A NATO integra vários países do Leste Europeu.

Já pouco se fala das vacas loucas, mas da Bélgica chega a notícia que as rações para animais contêm dioxinas, um produto cancerígeno que pode afectar os humanos. As preocupações, porém, são outras: o “bug” do ano 2000. Traduzido em poucas palavras, significa que se as coisas não correrem bem,no dia 1 de Janeiro do ano 2000, não teremos dinheiro no banco e não poderemos meter gasolina no carro para regressar a casa depois do “reveillon”. Os mais “caretas” ( versão ancestral de “cotas”) dizem que o “bug” é a vingança de Deus contra aqueles que subestimaram o homem em favor do computador. Uma agência de viagens israelita “compra” a ideia e anuncia um programa de “reveillon” apetecível: “Assista ao fim do mundo em directo! Receba o século XXI no Paraíso” A ideia parece bizarra, mas a verdade é que os lugares esgotam em pouco tempo.
Com tantas nuvens negras anunciando-se no horizonte, é natural que o sobreendividamento dispare e comece a ser preocupante. Em Portugal, os moedinhas já andam de telemóvel e um provérbio antigo corre de boca em boca “ Morra Marta, morra farta”.
A sociedade de consumo continua optimista. Cada vez mais longe do consumidor, a sua face torna-se menos visível, graças ao comércio electrónico. Na Net vende-se de tudo um pouco. Drogas e medicamentos ilegais fazem parte do cardápio.
Estudos revelam que Portugal está entre os países mais caros da Europa e os portugueses ficam felizes. “Já somos gente importante” – pensam alguns. E se assim é, nada melhor que o provar ao mundo desatando a comprar carros topo de gama. Não há dinheiro? “No problem” , porque o banco empresta, ou a empresa paga.
A poluição urbana atinge níveis próximos do insuportável. A fome aumenta nos países desenvolvidos e em Timor assiste-se ao genocídio de um povo. Mas tudo bem ... preparemo-nos, de cartão de crédito e telemóvel em riste, para o Bug do ano 2000 e depois logo se vê...