quarta-feira, 4 de março de 2009

A mim ninguém me cala!

O Rochedo está com os cofres exauridos e não tenho outro remédio que não seja encerrá-lo. Já não tenho dinheiro para pagar as coimas que me estão a ser aplicadas pela polícia de costumes do blogobairro. Nada que me surpreenda. Quando este saco azul se esvazia, para pagar umas férias da sua proprietária nas Maldivas, e regressa para fazer nova colecta, já sei que vai sobrar para mim.
Cheira-me que os planos de férias deste Verão devem ser muito ambiciosos, porque agora desatou a passar coimas a tudo quanto mexe e arranjou uma secretária , adjunta, ou lá que é, ainda mais gulosa. Deve ser uma graxista, porque para se insinuar, aplica o dobro das coimas decididas pela chefA. É para isto que um tipo cria uma Afilhada?
Se pensam que me dobram, estão muito enganadas. A mim ninguém me cala! E quem me quiser privar do meu Citroen 2 cv , das prendas de Natal ou desta adepta, tem de se haver comigo. Nem que para isso, tenha que me autoproclamar o Alegre do blogobairro e criar um movimento cívico que ponha termo à censura e à tirania desta espúria aliança Norte/ Sul.O que vale é que se aproxima o Dia Internacional da Mulher. Vão ver a carta que vou escrever às vizinhas do blogobairro! Se pensam ganhar as eleições sem luta, estão muito enganadas. A mim ninguém me cala!

Rochedo das Memórias 94: em 1979 o mundo começa a ficar perigoso

Em 1979, a "Dama de Ferro" torna-se chefe do governo britânico. A sociedade de consumo aplaude e apressa-se a endereçar telegramas de felicitações. Como presente envia à inquilina de Downing Street a sua última criação: o telecomando.
Não foi, porém, necessário recorrer à sua utilização, para depor os ditadores Idi Amin ( Uganda), Anastasio Somoza ( Nicarágua) e Park Chung Hee ( Coreia do Sul). De formas diversas, os ditadores foram afastados pelos seus compatriotas. Felizmente, o mundo ainda não conhecia o polícia do mundo George Bush, que anos mais tarde viria a tornar-se o mensageiro sangrento da democracia.
Quem não estava muito pelos ajustes, com estes sinais de mudança era o Irão. O Xá Reza Pahlevi é deposto e Khomeini inicia o regime dos ayattollahs. O fundamentalismo islâmico dá os primeiros passos.
Cá pela terrinha, "com o Código Postal é meio caminho andado," afirma a campanha publicitária dos CTT. Quem não precisou de Código Postal foi o FC. Porto que, neste ano, ganha o campeonato nacional de futebol , iniciando uma era de conquistas que muita inveja e despeito criarão nos clubes da Segunda Circular lisboeta.
Conduzir com um walkmann (a grande oferta musical para a juventude neste final de década)nos ouvidos, pode ser meio caminho para a morte. Glória Gaynor, porém, sossega os espíritos cantando "I Will Survive".
Na política portuguesa, Eanes entra em conflito com Mário Soares e cria um governo de iniciativa presidencial.
Os ecologistas tinham razão. A energia nuclear encerra perigos que podem ser incontroláveis . A tragédia esteve a um passo de acontecer na Pensilvânia. Não houve desastres pessoais, mas dez mil pessoas foram obrigadas a abandonar a região.
Entretanto, Francis Ford Coppola apresenta em Cannes Apocalypse Now. Os mais distraídos, poderão pensar que se trata de um aviso sobre as calamidades ambientais… mas o filme revela apenas os horrores da guerra do Vietname.
Finalmente, enquanto um foguetão francês ( Ariane) leva os europeus para o espaço, os EEUU e a URSS assinam os Tratados SALT que visam regular a utilização e fabrico de armas estratégicas. A Guerra Fria continuava mas, a todo o custo, as duas grandes potências procuravam evitar a eclosão de uma nova Guerra Mundial.

(Des)igualdade noticiosa

Em 2007, os administradores do Hospital de Matosinhos prescindiram dos automóveis a que tinham direito, para aplicarem o dinheiro na compra de equipamento médico, notícia que não mereceu grandes comentários na comunicação social.
Recentemente, apesar da crise, os administradores do Centro Hospitalar de Trás-os- Montes e Alto Douro, que já não trocavam de carro desde 2005 ( coitadinhos, andavam em velharias), receberam novas viaturas topo de gama.
Compreendo esta atitude magnânima do Estado como um apoio à indústria automóvel, razão porque terá tido tanta publicidade na comunicação social.
Se assim não fosse, os jornais que agora dedicaram primeiras páginas ao assunto, teriam dado idêntico relevo à opção feita pela administração do Hospital de Matosinhos em 2007.
A vantagem, seria ficarmos a saber que os médicos ( tal como todas as profissões) não são todos iguais.