terça-feira, 3 de março de 2009

Onde está o dinheiro?

Eu sei que vivo num país proto-europeu ainda cheio de tiques do Estado Novo, que tarda a libertar-se da mentalidade corporativa, inculcada pela Constituição de 1933. Mesmo assim, às vezes teimo em exercer o meu direito à indignação.
Ontem, quando via o debate do Prós e Contras ( não consegui ver tudo, porque estava prestes a vomitar…) o caso BPP deixou-me perplexo. Como é possível que administradores de um banco que se locupletaram com dinheiro dos depositantes, os enganaram e malbarataram os seus aforros de uma vida, ainda andem à solta? Fernando Ulrich pôs o dedo na ferida, ao dizer que o Estado devia ter resolvido em duas semanas aquilo que demorou três meses a decidir. Mas não chega. Então a Justiça portuguesa não actua? Anda apenas preocupada com a putativa corrupção no futebol ? Com os anos de investigação da “Operação Furacão”, ainda só encontrou um culpado?
Eu sei que é mais fácil atirar as culpas todas para cima da Entidade Reguladora- o Banco de Portugal- mas se querem que eu acredite na Justiça do meu país ( tarefa assaz complicada, em virtude da situação a que chegou) , deixem os pilhas galinhas e ataquem os lobos que nos definham com o à vontade de quem pastoreia um rebanho de cordeiros na planície alentejana.
Não sou ingénuo. Sei que nem todos são vítimas no meio de toda esta historieta. E sei que num país onde um conselheiro de Estado que mente a uma comissão parlamentar de inquérito não se demite, tudo é possível. Mas que me chateia viver num país assim, não tenham dúvidas.
E só digo isto, porque está um lindo dia de sol e estou muito bem disposto a ver um mar feliz, a ser acariciado por um belo céu azul.

Quem me protege da DECO?

Sempre gostei de noites bem dormidas. Deito-me tarde, não me levanto muito cedo e tenho horror aos despertadores. Nada pior para o meu bem estar do que ser acordado a meio de um sono profundo. Quando isso acontece, já sei que o dia será penoso e mal humorado.
Um desses estudos que proliferam pelas páginas da net, vem revelar que a razão está do meu lado. De acordo com os investigadores ( holandeses), interromper o sono profundo provoca perda de memória e altera o nosso equilíbrio físico e mental.
Espero que quem de direito preste bem atenção a este estudo e tome as medidas adequadas, começando por decretar a flexibilidade dos horários laborais, de molde a que as pessoas se libertem dos despertadores e só vão trabalhar quando o corpo decidir que já dormiu o suficiente.Para quem, como eu, continua a considerar imprescindível um telefone fixo, urge que o governo tome uma medida suplementar: aplicação de coimas a quem acordar um cidadão às primeiras horas da manhã, anunciando que ganhou um concurso a que nunca concorreu. A medida deve ser também aplicada à DECO - que tem especial prazer em acordar-me nas manhãs de sábado , impingindo-me a revista Proteste *- e às senhoras de uma Legião da Boa Vontade que me deixam de mau humor quando, às 9 da manhã, me despertam com pedidos de donativos para uma coisa qualquer cujo objectivo ainda não percebi, porque estou sempre estremunhado e com ramela nos olhos quando atendo o telefone.

* Neste caso foi à hora do jantar
Em tempo: No Verão gosto de me levantar bem cedo, para usufruir o prazer da manhã. Compenso. dormindo a sesta.