Terça-feira, 31 de Março de 2009
A "rasta", o polícia e os"bicchieri"
Em jeito de despedida
Aproveito hora do almoço para vos dar notícias e agradecer a forma simpática como acolheram a Martinha. Ela é um bocadinho irreverente e contou coisas que não devia, mas é boa mocinha. Pedi-lhe para fazer o relato da estadia em Roma e espero que ela se saia bem desta tarefa. (Em tempo oportuno farei o meu relato). No entanto, intimei-a a esclarecer algumas coisas acerca dela, para que fiquem a conhecê-la um bocadinho melhor. Desculpem-na se ela der alguns erros de vez em quando,porque ela não é portuguesa e por vezes tem falhas. Hoje ao fim do dia regressamos a Lisboa e a partir de amanhã voltarei a visitar-vos e a postar com regularidade. Desculpem a ausência, mas desta vez não deu mesmo para mais.
Segunda-feira, 30 de Março de 2009
A Martinha em Roma. Uau!!!
Olá!Eu sou a Martinha e estou em Roma com o Carlos. Peço desculpa pela intromissão aqui no Rochedo, mas senti-me no dever de escrever um post, para compensar os problemas que criei ao Carlos nestes últimos dias. Ele anda um bocado triste e também preocupado por não ter tempo para escrever e eu sinto-me um bocado culpada disso, daí que esteja a escrever este post, aproveitando o facto de a internet aqui no hotel ser à borla e estar à espera que ele venha buscar-me para irmos jantar.Vou tentar explicar, em breves palavras, o que se passou.
O Carlos avisou-me que iria fazer o check-in electrónico, por isso devia trazer pouca bagagem. Com algum esforço cumpri o que me pediu, mas esqueci-me que era proibido trazer embalagens de líquidos com mais de 100ml. Ficaram-me com o perfume e o desodorizante, mas nem me ralei muito, porque já estavam quase vazios e tencionava comprar embalagens novas na “freeshop”. O problema foi quando me apreenderam uma embalagem de Betadine e umas gotas para os olhos de que tenho absoluta necessidade. O Carlos tentou explicar que aqueles medicamentos me eram imprescindíveis, que nenhuma das embalagens continha já mais de 15 ml, mas a jovem foi inflexível e disse que se quisesse trazê-los teria de ir fazer o check in. Como já não dava tempo, tive mesmo que os deixar no aeroporto. Tentei acalmá-lo, mas como ele quando vê uma farda fica possesso ( está também relacionado com o episódio da Argentina, como é bom de ver) perdeu completamente o controlo e pediu o Livro de Reclamações. A jovem, carinha laroca de 1,80m respondeu com ar cínico:
Lá fui ver aquelas ruínas todas, tirei umas fotografias ( não são as que estão aver, porque estas fanei-as na Internet) e depois continuei a passear pelo Palatino e pelo Foro Romano. Ao pé da casa de um tal Augusto sentei-me num banquinho para fumar um cigarro. Já tinha recusado comprar tudo quanto me ofereciam (desde t-shirts pirosas a réplicas em miniatura de tudo quanto é ruína), quando se abeiraram de mim dois italianos. Perguntaram-me de onde era e passaram logo à acção, oferecendo os seus préstimos para me mostrar a cidade. Mandei-os dar “uma curva” e regressei ao hotel.Sábado, 28 de Março de 2009
Quarta-feira, 25 de Março de 2009
Let's fall in love?

Os portugueses andam tristes, cabisbaixos, vergados sob o efeito da crise. Nem estes belos dias de sol com temperaturas amenas parecem capazes de libertá-los do pesado fardo que carregam. Se pertence a esse grupo que pensa que já nada o diverte, anda com medo de ser despedido(a) e que não lhe renovem o contrato, ou está chateado (a) porque o emprego seu de cada dia é uma apagada e vil tristeza, dou-lhe um conselho: apaixone-se!
É bom estar apaixonado, sabem? A gente perde aquele ar sisudo de quem saiu da Repartição de Finanças, depois de volatilizar o subsídio de férias num imposto e fica com aquele olhar dengoso e quebrado, mirando-se ao espelho, enquanto sonha com a felicidade eterna.
Quando estamos apaixonados tudo é diferente. Ser “atropelado” por dois chineses, mais meia dúzia de putos mal educados na fila do autocarro, e ter de esperar pelo seguinte sob chuva torrencial, torna-se subitamente um pretexto para um arrolhar amoroso, de fazer inveja às gastas histórias de amor dos anos 30.
Encontrar a casa invadida pelo fumo emanado do andar do vizinho que decidiu assar sardinhas na varanda, é um óptimo pretexto para convidar o(a) parceiro(a) para um jantar romântico.
Tropeçar num monte de sacos de lixo descuidadamente deixados na rua, por preguiça de alguém em os colocar no contentor, ou apanhar um banho provocado pelo descuido de um condutor que não evitou a poça de água, são histórias que se arquivam no sótão das nossas memórias para mais tarde recordar.
Um monstruoso engarrafamento que enfurece qualquer mortal, transforma-se em algo insignificante, pretexto sublime para trocar promessas de amor eterno, se estivermos irremediavelmente apaixonados.
Para quê protestar contra o trânsito caótico, a indisciplina nas filas do autocarro, o lixo acumulado nas ruas, o ruído das obras que nos acordam às sete da manhã, o chefe que é grunho, o salário que é escasso, a televisão que não presta, o governo que não consegue debelar a crise, a Manuela Ferreira Leite que tem solução para todos os problemas mas faz caixinha, se a solução é tão fácil? Apaixonem-se e verão que nada disto tem importância.
O amor é o remédio mais barato contra a crise e nem precisa de ser aviado na farmácia. Tomem uma embalagem inteira. Ficarão com os vossos problemas resolvidos e acabarão a dizer: Que bom é viver em Portugal!.
Se por acaso não quiserem seguir este conselho, então façam como eu: pirem-se durante uns dias e recarreguem baterias.
Está-se tão bem a tomar uma bebida ao fim da tarde na Piazza Navona…
Ai que saudades!
É maravilhoso ter esta vizinhança. A Alex enviou-me este fabuloso presente para a viagem. Como não sou invejoso, decidi partilhá-lo com vocês, porque é imperdível! Vejam tudo e deixem os vossos comentários.
Terça-feira, 24 de Março de 2009
Até ao meu regresso
Até breve
Não precisa explicar...
A AR aprovou, na semana passada, uma lei que permite a uma criança de 16 anos ter uma arma. Aos 16 anos, qualquer um pode comprar bebidas alcoólicas nos supermrecados e embebedar-se nas discotecas ( embora muitos o façam aos 13 e 14, com a complacência dos seguranças, que os deixam entrar).
As máquinas de flippers estão por tudo quanto é lado... mas em Portugal, no ano de 2009, é recusada uma licença para relançar as "caixas de furos" de chocolates, com a alegação de que se trata de um jogo de fortuna e azar!
Sou eu que sou parvo, ou este país está a ensandecer?
Post com dedicatória
Aqui ficam então dois, com uma informação adicional. Em 2005 foi-lhe atribuído o prémio de poesia da APE ( Associação Portuguesa de Escritores)
O Livro
É então isto um livro,
este, como dizer?, murmúrio,
este rosto virado para dentro
de alguma coisa escura que ainda não existe
que, se uma mão subitamente
inocente a toca,
se abre desamparadamente
como uma boca
que fala com a nossa voz?
É então a isto que chamam "livro",
a este coração (o nosso coração)
dizendo "eu" entre nós e nós?
In “Uma Luz de Papel”
Esplanada
Naquele tempo falavas muito de perfeição,
da prosa dos versos irregulares
onde cantam os sentimentos irregulares.
Envelhecemos todos, tu, eu e a discussão,
agora lês saramagos & coisas assim
e eu já não fico a ouvir-te como antigamente
olhando as tuas pernas que subiam lentamente
até um sítio escuro dentro de mim.
O café agora é um banco, tu professora de liceu;
Bob Dylan encheu-se de dinheiro, o Che morreu.
Agora as tuas pernas são coisas úteis, andantes,
e não caminhos por andar como dantes.
Segunda-feira, 23 de Março de 2009
Manuel António Pina: a homenagem merecida
Tenho especial apreço por este senhor, um grande jornalista, escritor e poeta dotado de uma sensibilidade e sentido de humor invejáveis.É por isso, com muito gosto, que vos anuncio que o Sabugal- terra onde nasceu- o vai homenagear no próximo dia 4 de Abril.
A notícia chegou-me através do Capeia Arraina e poderão ler mais pormenores aqui
Façam-lhe uma estátua!
Manhã de domingo numa esplanada do Porto.-Eh pá, viste como o Lucílio roubou o Sporting?
- Já não me espanto. Nos jogos do Sporting com o Porto também nos prejudica sempre.
- E nos jogos com o Benfas também. Lembras-te da final da Taça de 2004 em que tivemos de jogar mais de metade do tempo com 10 e o Benfas ganhou no prolongamento com um golo em off side?
- Lembro, lembro…
- O melhor era os gajos fazerem uma estátua ao Lucílio Baptista, porque nos últimos anos, as únicas finais que ganharam foram apitadas por ele…
- Pois, mas a essas coincidências ninguém dá importância
( Apeteceu-me meter conversa, mas preferi escrever este post)
Domingo, 22 de Março de 2009
É só mimos!
Da Bluevelvet que tem agora o seu blog com um "look" primaveril, mas que anda muito preguiçosa,recebi estes dois selinhos

E da Teddy Lover este aqui em baixo,que devo atribuir a mais 10 bloggers. Não vou ter tempo para fazer links, mas todos os que a seguir menciono estão na coluna da direita. E são 12, em vez de 10,mas já sabem como sou useiro e vezeiro em perverter as regras:
Obrigado pela vossa simpatia, amigas. Por agora, os mimos ficam por aqui, mas dentro de dias passam à sala de exposições permanente.Sexta-feira, 20 de Março de 2009
Pronúncia do Norte (12)
Eureka!
Estátuas de pedra monumentais pesando entre duas e 20 toneladas, plantadas numa ilha perdida no meio do Pacífico; uma maçã que cai na cabeça de um homem, sentado à sombra de uma árvore; um homem que aprisiona a luz dentro de um receptáculo de vidro; um laboratório onde, num emaranhado de fios, alguém tenta aperfeiçoar um sistema de comunicação e, ao ouvir a voz de um colaborador descobre o telefone; um cavalo de madeira entregue como presente, de cujo bojo sai um exército que toma uma cidade e vence uma guerra; um garimpeiro que pede a um imigrante que lhe faça umas calças de uma tela fina usada para as velas dos barcos, revolucionando a moda; um homem que relaxa numa banheira e grita: “EUREKA!”A História está cheia de Eurekas, de cliques criativos, que revolucionaram o mundo. Todos nós precisamos de Eurekas e cliques para que nos revolucionemos e não deixemos a nossa vida enredar-se na teia dos comportamentos politica e socialmente correctos que a destroem.
Qual foi o clique que mudou a sua vida? Já alguma vez gritou Eureka?
Quinta-feira, 19 de Março de 2009
Cenas de Táxis (7)

Quarta-feira, 18 de Março de 2009
Momento de Humor (21)
Às tantas, a embarcação bate num tronco, faz um rombo, começa a meter água e a afundar-se.
Os crocodilos que se ncontravam na margem, ao verem aquele manjar, atiram-se imediatamente à água...
Ela,excitada, exclama para o marido:
"Oh Bernardo... Eu acho o máximo o Amazonas!... Já viu???... Para além do hotel ser super estupendo e a lancha ser imensamente, benzoca... os salva-vidas são da "Lacoste"!
Jornalismo: Works in Progress
Na segunda feira soube-se que o menino se chamava Diogo.
Desde ontem, ficámos todos a saber que afinal o menino "se chamava" sobrinho de Simão Sabrosa.
É assim que se faz, hoje em dia, jornalismo em Portugal.
Adenda: O afogamento ocorreu na praia da Quebrada( Matosinhos) e não em Lavadores, como muito oportunamente lembra a Margarida Pereira na caixa de comentários. Obrigado!
O "Bom" Barqueiro

Terça-feira, 17 de Março de 2009
Bento XVI e a insensibilidade da Igreja Católica

Rochedo das Memórias (97)- O último ano do século sob o signo do 9
Em 1999, o mundo aguarda com ansiedade as doze badaladas do dia 31 de Dezembro. Que mistérios insondáveis reservará o século XXI? Será mesmo o fim do mundo?- perguntam alguns.Segunda-feira, 16 de Março de 2009
Justiça social
Relativismo cultural
Sentado na esplanada de um hotel de Rabaul, na Papua Nova Guiné, ouvia o relato de um indígena que me confidenciava, amargurado, num inglês de escola primária, ter sido expulso da sua tribo. Procurei indagar de forma mais circunstanciada as razões do seu desespero e acabei por perceber, com a ajuda de um intérprete, que aquele homem que com lágrimas contidas me relatava a sua história, vivia um duplo drama. Lembrei-me deste episódio, durante o fim de semana, a propósito deste post
Novas Oportunidades
Depois de ter escrito sobre a tendência dos portugueses para a lamechice- uma questão transversal à sociedade portuguesa- dei comigo a matutar no comportamento dos empresários portugueses.
Quando as coisas correm mal, a economia estagna, ou o país entra em recessão, os empresários culpam o governo e desatam a pedir subsídios para salvar a sua área de actividade. Em tempo de vacas gordas, os mesmos empresários acusam o Estado de ingerência, de impedir o funcionamento livre do mercado, de não o deixar auto-regular-se e chamam a si os louros pelos êxitos alcançados.
Embora esta postura não seja exclusiva do empresário português, tem uma forma peculiar de se expressar em terras lusas, porque é maioritária.
Em tempo de crise, Portugal precisava de empresários ousados, capazes de aproveitar as oportunidades que uma crise económica sempre traz acopladas. A verdade, porém, é que se em tempo de vacas gordas, a maioria dos empresários portugueses é avessa ao risco, não podemos esperar que seja em tempo de crise que apareça gente a arriscar grandes investimentos.
É óbvio que sendo o empresário português iletrado ( é bom não esquecer que cerca de 90% tem como habilitações literárias a antiga 4ª classe), não há razões para grandes expectativas na inversão da tendência para o risco ZERO.
Ora se os empresários não investem, parece-me natural que o Estado o faça…
Aliás, penso mesmo que o governo deveria aproveitar para lançar uma nova versão do programa “Novas Oportunidades”, destinada aos empresários portugueses.
Domingo, 15 de Março de 2009
Momentos de Humor (20)
Testemunha: Ele disse, 'Onde estou, Berta?'
Advogado : E por que é que se aborreceu?
Testemunha: Porque o meu nome é Célia.
Pelo país dos blogs (42)
Ora hoje, Dia Mundial dos Direitos do Consumidor, o Outsider faz cinco anos e ninguém que por lá tenha passado terá razões para reclamar. A Ana Abrantes está de parabéns. Já pôs os aperitivos na mesa e está à vossa espera para participarem da festa.
Eu vo já para lá...
Sexta-feira, 13 de Março de 2009
Que tal parar um pouco para reflectir?
Este episódio bem poderia servir para reflectirmos sobre a sociedade que construímos, dominada pelos valores do dinheiro e do lucro e onde o trabalho se assume como a prioridade fundamental da existência. Não quero viver numa sociedade que me procura aniquilar enquanto ser humano. Não quero viver numa sociedade onde o primado do trabalho suplanta os deveres da família. Não quero viver numa sociedade onde um tipo vai ao “Prós e Contras” afirmar, com o ar mais natural deste mundo, que os trabalhadores devem encarar a empresa “como a sua família”.
Não quero que me reduzam a um soldadinho de chumbo, às ordens do capital, condenado a trabalhar a vida inteira sem que os governos e as empresas se preocupem com a minha qualidade de vida. Não quero ser uma máquina ou mera peça da engrenagem de criação de riqueza. Quero ser Homem, porque só assim poderei ser livre.
Hoje vai realizar-se uma manifestação gigantesca em Lisboa, promovida pela CGTP. Um protesto contra o governo e a degradação das condições de vida. Que tal se pensassem um pouco sobre o assunto?
Quinta-feira, 12 de Março de 2009
Pronúncia do Norte (11)
Quarta-feira, 11 de Março de 2009
Crise? Qual crise?
Olho» Gosto» Entro» Provo» Compro.
Alguns estabelecimentos já conhecem o meu comportamento, outros não. Na última quinta-feira, à hora do almoço, entrei numa loja da Rua Augusta (onde às vezes faço algumas compras), depois de me ter enamorado de um par de calças que me acenavam da montra. O empregado- novo no estabelecimento- procurou o meu número, mas já não havia.
Alvitrei, como faço em circunstâncias idênticas, que talvez o número da montra fosse o que pretendia. O empregado foi ver. Era mesmo. Pedi, então, para as provar. Para meu espanto, recebi uma recusa.
“Peço desculpa, mas não posso desfazer a montra.Se quiser, faz a reserva das calças e passa aqui na segunda-feira a buscá-las..”
Tá bem, abelha! Voltem a falar-me de crise no comércio tradicional que eu explico as razões.
Adenda: Comemora-se, no dia 15 de Março, o Dia Mundial dos Direitos do Consumidor. A partir de hoje escrevo, no Delito de Opinião, alguns posts relacionados com o tema, sob o título "Consumições"
Rochedo das Memórias 96: O ano que mudou o Mundo


Terça-feira, 10 de Março de 2009
Declarado estado de emergência
1- Um grupelho insurrecto de feministas vem tentando, nos último dias, criar um clima de terror no blogobairro, perseguindo aqueles que, durante toda a vida, têm lutado ao lado das mulheres deste condomínio.
2- Embora reconhecendo que as referidas feministas estão a ser manipuladas por forças insurrectas, aliadas às Brigadas de Costumes, que procuram subverter os valores da igualdade entre géneros, o Comandante em Chefe das Forças Armadas do Blogobairro e Presidente do Tribunal Plenário, repudia de forma veemente as tentativas que têm sido feitas para o descredibilizar.
3- É inaceitável, em Democracia, o julgamento popular, mesmo quando as pessoas que o praticam estejam a agir de boa -fé, não se apercebendo que estão a ser manipuladas.
Nesta conformidade, decidi:
1.1- Decretar o estado de emergência no blogobairro, acompanhado de recolher obrigatório.
1.2- Na sequência da decisão anterior, ficam proibidas as visitas aos condóminos, entre as 2 e as 7 da manhã, até que a decisão seja revogada por mim.
1.3.-Convocar o Tribunal Plenário do blogobairro para decidir sobre as penas arbitrariamente aplicadas a dois condóminos, o que constitui uma inadmissível ingerência do poder político na esfera judicial.
1.4.-Nesta conformidade, os conselheiros Salvoconduto, Paulofski e Pedro Oliveira decidirão, em plena consciência, a absolvição dos condenados.
1.5- Serão extintas as Brigadas de Costumes, Hansas e Guildas e severaente punidas as admiradoras de Quique Flores.
1.6.- A escritora Carolina Salgado, especialista em literatura de bordel, será excomungada por sugestão do juiz conselheiro Salvoconduto, aprovada por unanimidade e aclamação.
Mais informo que, quem tentar por qualquer via obstaculizar o cumprimento das decisões agora por mim tomadas, com o sábio apoio dos senhores juízes conselheiros,será expatriado para o blogobairro do Seixal, onde deverá , diariamente - e pelo prazo mínimo de 3 anos- penitenciar-se por ser simpatizante da agremiação da Segunda Circular e prestar vassalagem ao Rei do Norte, Pinto da Costa.
Não haverá recurso da decisão do Tribunal Plenário, porque o tempo não está para conversas, mas sim para acção.
Respeitem-se as instituições, sob pena de o poder cair na rua e em mãos erradas.
Tirem o cavalinho da chuva!

Segunda-feira, 9 de Março de 2009
Rochedo das Memórias (95) - A verdadeira história de Barbie

O segredo do seu sucesso e a sua eterna juventude, que faz a alegria de muitas crianças há 50 anos, em 160 países, prende-se essencialmente com a forma como se tem sabido adaptar aos tempos, acompanhando a evolução tecnológica ( em 1996 já tinha um site na Internet) sem se deixar deglutir por ela.
Corria o ano de 1959, quando Barbie se tornou boneca, desistindo da banda desenhada e deixando-se inebriar pelas luzes feéricas da cidade que deu a conhecer ao mundo: Los Angeles. Atordoada pelo sucesso estrondoso rapidamente alcançado e instigada pela mãe (Ruth Handler), Barbie decide atravessar o Atlântico em 1961, para experimentar o êxito na Europa. Tinha então 18 anos de idade e apenas dois anos de existência, situação apenas possível em histórias de bonecas, ou em certas mulheres depois dos 40…

Tal como acontece no mundo real, também na “casa das bonecas” há desigualdades gritantes. Barbie e Sindy têm carisma e vendem a sua imagem mas as outras, por mais que se esforcem, não conseguem ascender ao estrelato, apesar dos esforços dos seus criadores. Faltou-lhes o suporte dos grandes grupos económicos, a força de massivas campanhas publicitárias que impusessem a sua imagem.Barbie e Sindy viveram mais de 20 anos sem grandes conflitos. Souberam demarcar os seus terrenos e, embora fosse visível que a inglesa exercia muito menos fascínio que a americana, Sindy aceitou sem rebuço a superioridade da rival. Esta tinha, além do mais, o privilégio de ser mais velha, factor importante no reino das bonecas onde, em flagrante contraste com o mundo real, não se atira para os jovens a responsabilidade de corrigir erros que os adultos laboriosamente constroem ao longo dos anos.

Tudo mudou, no entanto, no dia em que o progenitor de Sindy decidiu vendê-la a um mercador de passagem , que por ela se apaixonou. Pouco escrupuloso, este pai adoptivo depressa obrigou Sindy a mudar de hábitos, fazendo-lhe ver que se dispensara tão grossa maquia na sua compra, ela estava obrigada a tudo fazer para disputar a supremacia da rival. Em reforço dos seus argumentos, apresentou-lhe os seguintes números: enquanto Barbie rendia 75 milhões de contos anuais à sua criadora, Sindy apenas depositava na conta do seu pai adoptivo a “irrisória” quantia de 5 milhões de contos em igual período.( Estávamos em 1992)
Entretanto Barbie prossegue na sua imparável onda de sucesso, apesar de a sua criadora – Ruth Handler – ter sido despedida da Mattel e processada por violação de leis Federais sobre bancos, correios e valores, mediante a apresentação de declarações falsas. Não apresentou defesa e foi condenada a realizar 2500 horas de serviço comunitário e ao pagamento de 57 mil dólares para financiar um centro de reabilitação para criminosos.
Adenda: desde 1984, que o dia 9 de Março é assinalado, em Nova Iorque, como “Dia da Barbie”. Já neste século, torna-se estrela de cinema.Domingo, 8 de Março de 2009
E a terminar, uma flor

Aqui vão:
Carta à mulher portuguesa

Mulher que estás cansada de te dirigir penosamente ao emprego teu de cada dia e regressar a casa, ao fim da tarde, transportando fardos de desespero e frustração e, no banco de trás do Fiat Uno, ou pela mão, os frutos de noites de amor.
Mulher que estás cansada dos intervalos rotineiros em que te alinhas , como falcão batendo as asas, em balcões que compartilhas com cegonhas de fato de macaco e enforcados vestidos a rigor, debicando bicas, engolindo projectos frustrados de galináceos, ou sonhando com o camarão que devia estar dentro do rissol, mas que a carestia da vida transformou numa pasta espessa e cor de rosa.
Mulher que estás cansada das noites em que o teu marido sobe os lençóis pingando noite, depois de o elevador o depositar à porta de casa, junto aos sapatos da véspera.
Mulher que estás cansada de fazer amor sem ouvir o estralejar dos foguetes , porque já não há noites de S. João no teu coração.
Mulher que uma noite acordaste e sentiste ao teu lado alguém que procurava os teus seios e as tuas coxas na tentativa de decifrar o enigma que uma noite de fuga depositara a seu lado.
Mulher que uma manhã descobriste que o teu corpo cheirava a desespero e sentiste saudade de chorar abraçada ao homem que ama(va)s.
Mulher que te cansaste de fazer amor com amigos de Alex que fazem amor por empreitada, vício ou necessidade orgânica, esse amor que se esfuma em cinco minutos de prazer e se esquece na própria véspera do orgasmo.
HOJE É O TEU DIA!
Estranha gentileza te concederam, Mulher! Marcaram-te com o estigma da subalternidade, com que é costume assinalar os desprotegidos. Compararam-te ao analfabeto, ao deficiente, ao Lince da Malcata, ou outra qualquer espécie em vias de extinção.Mas Tu estás bem viva, Mulher!

Por isso te desejo que este dia sirva para um pouco mais do que receber uma rosa , ou um jantar a dois à luz da vela. Que sirva também para pensares nas mulheres que pelo mundo inteiro continuam a ser vítimas de sevícias, por parte dos homens. Que te lembres das mulheres de Darfur, das mulheres sem quaisquer direitos, das africanas que morrem com SIDA, das asiáticas a quem a maternidade só é permitida uma vez na vida, das americanas, europeias e portuguesas que continuam a ser espancadas até à morte por homens civilizados que vivem nos países que traçam o destino do mundo.
Mulher portuguesa que sofreste no momento em que pariste e, pouco a pouco,foste perdendo o riso – e muitas vezes o ciso.
Hoje, no dia que a gentileza dos homens te consagrou, talvez recordes as noites em que suportaste entre lágrimas contidas em silêncio, as ejaculações precoces de quem te envolvia o corpo, pensando na amante por quem estava prestes a trocar-te.
Hoje, talvez critiques a moral sexual deste país onde habitas, por ser um caldo Knorr cheio de mitos.
Hoje, talvez te revoltes contra aqueles que continuam a rejeitar uma mulher que queira usufruir o prazer sexual. Mas será que hoje te interrogarás sobre a diferença entre ti e mim? Compreenderás que o que nos separa é apenas uma diferença genética cimentada por uma cultura que te deu a ti as Barbies e os trens de cozinha, e a mim o automóvel e a bola de futebol?Admitirás, mulher, que embora a igualdade seja apenas uma folha de papel, o que nos separa é o tempo que se esvaiu entre a pintura de murais e um despacho de última hora que te deixou retida no gabinete até mais tarde?
Tenho saudades de ti, mulher portuguesa!
Tenho saudades de pintar contigo murais expressivos, cheirando a Revolução, por onde espreitavam Marxes e Guevaras, que nos olhavam em cada esquina.
Tenho saudades de verter no teu ombro lágrimas de desespero e sentir o afago doce e quente dos teus lábios, consolando-me da revolta que me invade pela vitória de projectos de mentira.
Tenho saudades de te enlaçar nos meus braços e ambos ouvirmos o repicar de sinos e o estralejar de foguetes.
Tenho saudades dos sábados à tarde em que íamos ao cinema de mão dada e trocávamos promessas de amor eterno.
Tenho saudades de desfilar contigo em caravanas de vitória, empunhando bandeiras coloridas.
Tenho saudades de sermos Bonnies e Clydes fugindo, de mão dada, da polícia de choque.
Tenho saudades de te ver verter uma lágrima , ao leres o último poema que te fiz.
Tenho saudades de ver estampado no teu rosto um laivozinho de amargura, quando te dizia “vou partir” e depois regressar , trazendo-te uma caixa de bombons comprada numa qualquer freeshop ancorada no aeroporto da minha imaginação.
Sinto que te estou a perder, mulher portuguesa, como perdi a esperança que em mim nasceu numa manhã de um já longínquo Abril.
Por isso, hoje quis telefonar-te mas, quando cheguei à cabine telefónica, estava lá uma velha gorda e farfalhuda, com ar de elefante triste do jardim Zoológico e… desisti. Sabes o que eu queria?Desejar-te um feliz dia da Mulher e ouvir-te responder:
"Raios partam os homens que convenceram outros homens que era bom haver um Dia da Mulher! Serve para aliviarem as consciências, para aumentar o consumo de flores e animar alguns restaurantes, mas queria que servisse para os homens acabarem com o tratamento aviltante das mulheres sem quaisquer direitos. Não quero hipocrisias, nem homens como tu, a quem o machismo não permite ter outro tipo de saudade."
Encabulado, desligaria…
Sábado, 7 de Março de 2009
Às jovens mulheres portuguesas (2)
( Continuação do post anterior)Sexta-feira, 6 de Março de 2009
Às jovens mulheres portuguesas (1)
( Porque vale a pena lembrar, às mais jovens, que as mulheres portuguesas eram propriedade dos "machos" antes do 25 de Abril)Rochedo das Memórias Especial: Dia Internacional da Mulher ( 3)
Pode afirmar-se que há ainda um longo caminho a percorrer, para que essa igualdade se torne efectiva. Para além de, diariamente, ter de travar lutas desiguais com o homem para alcançar lugares de topo nas empresas, a mulher continua a desempenhar, em casa, um papel muito mais preponderante que o homem, seja na lida doméstica, seja nos cuidados a prestar aos filhos.Curioso, a este propósito, é um estudo recentemente divulgado que conclui que as mulheres que trabalham no mesmo local do marido ocupam, em média, mais uma hora diária nas tarefas domésticas, do que as que têm emprego em local diferente do do cônjuge. Por outro lado, se a emancipação da mulher é uma realidade nos países desenvolvidos, o mesmo não acontece na maioria dos países em desenvolvimento.
As taxas de analfabetismo entre as mulheres, nesses países, agravam a situação de subalternidade em que vivem em relação ao homem e dificultam a sua consciencialização. Muitas são também as que, ansiando melhores condições de vida, respondem entusiasmadas a ofertas de trabalho bem remunerado vindas de angariadores do mundo desenvolvido. Invariavelmente, o que as espera, quando chegam a esse El Dorado ocidental, é a escravatura sexual. Países asiáticos e latino-americanos são os preferenciais mercados de prospecção das cadeias internacionais de prostituição, mas os países do leste europeu tornaram-se também, nos anos 90, um mercado apetecível para estes angariadores de escravatura sexual.
Seja como for, em alguns países do terceiro mundo a situação das mulheres tende a melhorar. É o caso das Filipinas onde o movimento GABRIELA vem lançando sucessivas campanhas para defesa dos direitos das mulheres. Apesar de alguns reveses, como aconteceu com a ocupação por grupos de mulheres, de terras desocupadas há mais de 20 anos, que acabaram por ser devolvidas aos seus proprietários, graças à intervenção de militares, espera-se que o exemplo das 50 mil mulheres que integram o GABRIELA possa servir de estímulo a muitas outras que emigraram para países em desenvolvimento. É que muitas filipinas que emigram para esses países onde exercem, nomeadamente, tarefas domésticas, são jovens licenciadas que já têm alguma consciencialização que lhes permite comunicar a mulheres de outros países a sua situação.
Nota: extracto do artigo "Feminino, Plural", que escrevi para a revista DIRIGIR
Rochedo das Memória Especial: Dia Internacional da Mulher (2)

A década de 50, porém, não foi pródiga em muitos avanços na luta das mulheres. É já na década de 60 (1963) que a escritora americana Betty Friedan publica o livro " A mística feminina", no qual faz uma análise devastadora da subordinação da mulher na sociedade americana. Três anos mais tarde, funda a NOW - Organização Americana para a Defesa dos Direitos da Mulher - e a partir de então a luta pela libertação ganha novo fôlego e novos contornos. Da luta pelos direitos políticos, passa à luta por igualdade de oportunidades no acesso à educação e ao mercado de trabalho, tendo o primeiro passo sido dado com a entrada nas Universidades.
Em 1968, decorria em Atlantic City a eleição de Miss América, quando um grupo de mulheres activistas se manifestou lançando para os caixotes do lixo os seus "soutiens". Na época, os meios de comunicação eram apenas dirigidos por homens, por isso, a comunicação social aproveitou este acontecimento para denegrir os movimentos feministas, reduzindo-os a uma luta contra a opressão que aquela peça de vestuário exercia sobre os seios.Os homens exultaram de contentamento com esta "gaffe", mas o movimento de libertação da mulher não estancou a sua luta e em 1970 Germaine Greene publica um livro explosivo. Em "O Eunuco Feminino", a investigadora defende que o casamento é uma forma legalizada de escravatura das mulheres e alerta para a necessidade de se dar início a uma "segunda vaga" do feminismo. Segundo Germaine Green, a luta das mulheres pela igualdade de oportunidades, na educação e no emprego, tinha que evoluir através de um combate que garantisse igualmente a igualdade sexual e económica.Recebido sobre um coro de protestos e gerando grande polémica, o livro teve o condão de agitar as hostes femininas.
No ano seguinte, durante as celebrações do Dia Internacional da Mulher, em Londres, algumas mulheres empunhavam cruzes onde se viam pregados os símbolos da escravidão doméstica: o cesto das compras e o avental. Durante a manifestação, fizeram chegar ao primeiro Ministro uma carta em que exigiam igualdade em matéria educativa, laboral e salarial.
Ainda hoje, a "manifestação" de Atlantic City é associada por muitos à celebração do Dia Internacional da Mulher , mas a verdade é que foram os trágicos acontecimentos ocorridos um século antes em Nova Iorque que determinaram a celebração desta data.
Nota: excerto do artigo "Feminino, Plural", que publiquei na revista "DIRIGIR"
Rochedo das Memórias Especial:Dia Internacional da Mulher (1)
No dia 8 de Março de 1857, três dezenas de mulheres americanas desencadearam, em Nova Iorque, uma greve de braços caídos, reivindicando o direito à redução para 10 horas da sua jornada de trabalho. Ameaçadas pela polícia, refugiaram-se dentro da Fábrica de tecidos Cotton,onde trabalhavam.Acabariam por morrer carbonizadas, depois de patrões e polícia terem trancado as portas e ateado fogo no interior do edifício. A data, hoje comemorada em todo o mundo como Dia Internacional da Mulher, embora assinale um acontecimento esporádico na luta das mulheres pela defesa dos seus direitos, ao longo do século XIX, constitui um marco histórico no combate que continuam a travar, para estarem no mercado de trabalho em condições de igualdade com os homens.
Ainda em 1897, a Nova Zelândia é o primeiro país do mundo a conceder às mulheres o direito de voto, mas a luta pela igualdade de direitos e acesso ao mercado de trabalho, só se iniciará, na Europa,no alvorecer do século XX. Da luta dos movimentos sufragistas ressalta o nome de Emmeline Pankhurst, uma britânica que, com o apoio da filha Christabel, comandou a luta em Inglaterra, país onde esse direito veio a ser consagrado em 1911, oito anos antes de Lady Astor se tornar a primeira mulher a ser eleita para o Parlamento. Curiosamente, Lady Astor, eleita nas listas do Partido Conservador, era de origm americana, país onde esse direito só vem a ser reconhecido em1920.
Nos anos 30, durante a Guerra Civil de Espanha, emerge a figura de Dolores Gomez, a destacada dirigente do partido comunista que o mundo ficou a conhecer como La Pasionaria. A sua frase "Mais vale morrer de pé do que viver de joelhos" ficou célebre, mas não evitou o seu exílio na URSS de onde regressou apenas em 1977 para tomar assento no Congresso. Tinha então 82 anos!
Como única vitória para as mulheres espanholas, durante este período, o reconhecimento pelo governo espanhol, em 1962, da equiparação dos direitos laborais entre homens e mulheres. Essa igualdade, porém, não contemplava os direitos civis.
Nota: excerto do artigo "Feminino, Plural", que publiquei na Revista "Dirigir"
Este post, como os que se seguirão hoje, foi publicado aqui no CR em 2008, mas nessa altura o número de leitoras era ainda tão reduzido, que decidi fazer a sua republicação, pois a maioria não os terá lido.
Rochedo no feminino
Hoje, publicarei três textos sobre o Dia da Mulher , que se assinala no próximo domingo.
Amanhã, sábado, publicarei dois textos essencialmente destinados às jovens portuguesas.
Domingo escreverei uma carta às mulheres portuguesas e elegerei os melhores blogs femininos.
Segunda-feira falar-vos-ei de uma boneca que encantou muitas raparigas e, supostamente, faz 50 anos no próximo dia 9 de Março. É mentira! Vou revelar-vos a data de nascimento de Barbie -que, como algumas mulheres da vida real, também anda a roubar na idade- e falar de uma rivalidade na casa das bonecas.
Espero que gostem e se divirtam.
Quinta-feira, 5 de Março de 2009
Pronúncia do Norte (10)

Num supermercado perto de si...
Ano de 2029, num supermercado perto de si.
Paula e Teresa casaram no último fim de semana. Ontem, decidiram ir ao supermercado fazer compras. No balcão do talho deixaram-se seduzir pelos embriões. Paula sugeriu de imediato que comprassem uma embalagem com um menino loiro de olhos azuis e 1,90m. Teresa olhou para o preço e sugeriu:
- Estamos no início de vida, Paula. Não achas que este é muito caro? Que tal se optássemos por aquele que está em promoção? Só mede 1,75, mas tem uns cabelos azeviche e uns olhos castanhos que são uma beleza!
-Estás a ver mal a coisa, Teresa! Não vês que o loiro de olhos azuis vem com um kit incorporado que o isenta de pagamento de propinas até entrar na Universidade?
- Isso não é vantagem nenhuma, Paula. Podemos ensiná-lo a ler e quando chegar aos 18 anos vai frequentar um curso de “Novas Oportunidades”. Num ano sai de lá com um curso superior.
- Vês sempre as coisas pelo lado económico, Teresa! Não devia ter casado contigo…
- Estou apenas a ser prática, Paula! Mas se o teu problema é o miúdo ser moreno e preferes um loiro de olhos azuis, que tal comprarmos aquele que é mais baixito e não tem kit incorporado?Paula pensou durante uns instantes. Deixou escapar um suspiro profundo e disse:
- Pronto, se é assim que queres…
- Já vi que não estás convencida. Pronto, levamos então o que tu queres. Talvez seja um bom investimento…
Paula sorriu e deu um repenicado beijo a Teresa. Preparavam-se para pegar na embalagem, quando foram surpreendidas pela chegada de Pedro e Tomás
- Tomás, já viste este loirinho de olho azul com 1,90m? É tão querido...vamos levá-lo?
- É p’ra já, Pedro!
Pegaram na embalagem e dirigiram-se apressadamente para a caixa registadora.
Paula e Teresa entreolharam-se desconsoladas.
- Paula não fiques triste, vais ver que arranjamos um nos saldos.
Quarta-feira, 4 de Março de 2009
A mim ninguém me cala!
Cheira-me que os planos de férias deste Verão devem ser muito ambiciosos, porque agora desatou a passar coimas a tudo quanto mexe e arranjou uma secretária , adjunta, ou lá que é, ainda mais gulosa. Deve ser uma graxista, porque para se insinuar, aplica o dobro das coimas decididas pela chefA. É para isto que um tipo cria uma Afilhada?
Se pensam que me dobram, estão muito enganadas. A mim ninguém me cala! E quem me quiser privar do meu Citroen 2 cv , das prendas de Natal ou desta adepta, tem de se haver comigo. Nem que para isso, tenha que me autoproclamar o Alegre do blogobairro e criar um movimento cívico que ponha termo à censura e à tirania desta espúria aliança Norte/ Sul.O que vale é que se aproxima o Dia Internacional da Mulher. Vão ver a carta que vou escrever às vizinhas do blogobairro! Se pensam ganhar as eleições sem luta, estão muito enganadas. A mim ninguém me cala!
Rochedo das Memórias 94: em 1979 o mundo começa a ficar perigoso
Em 1979, a "Dama de Ferro" torna-se chefe do governo britânico. A sociedade de consumo aplaude e apressa-se a endereçar telegramas de felicitações. Como presente envia à inquilina de Downing Street a sua última criação: o telecomando.Não foi, porém, necessário recorrer à sua utilização, para depor os ditadores Idi Amin ( Uganda), Anastasio Somoza ( Nicarágua) e Park Chung Hee ( Coreia do Sul). De formas diversas, os ditadores foram afastados pelos seus compatriotas. Felizmente, o mundo ainda não conhecia o polícia do mundo George Bush, que anos mais tarde viria a tornar-se o mensageiro sangrento da democracia.
Quem não estava muito pelos ajustes, com estes sinais de mudança era o Irão. O Xá Reza Pahlevi é deposto e Khomeini inicia o regime dos ayattollahs. O fundamentalismo islâmico dá os primeiros passos.
Cá pela terrinha, "com o Código Postal é meio caminho andado," afirma a campanha publicitária dos CTT. Quem não precisou de Código Postal foi o FC. Porto que, neste ano, ganha o campeonato nacional de futebol , iniciando uma era de conquistas que muita inveja e despeito criarão nos clubes da Segunda Circular lisboeta.
Conduzir com um walkmann (a grande oferta musical para a juventude neste final de década)nos ouvidos, pode ser meio caminho para a morte. Glória Gaynor, porém, sossega os espíritos cantando "I Will Survive".
Na política portuguesa, Eanes entra em conflito com Mário Soares e cria um governo de iniciativa presidencial.
Os ecologistas tinham razão. A energia nuclear encerra perigos que podem ser incontroláveis . A tragédia esteve a um passo de acontecer na Pensilvânia. Não houve desastres pessoais, mas dez mil pessoas foram obrigadas a abandonar a região.
Entretanto, Francis Ford Coppola apresenta em Cannes Apocalypse Now. Os mais distraídos, poderão pensar que se trata de um aviso sobre as calamidades ambientais… mas o filme revela apenas os horrores da guerra do Vietname.
Finalmente, enquanto um foguetão francês ( Ariane) leva os europeus para o espaço, os EEUU e a URSS assinam os Tratados SALT que visam regular a utilização e fabrico de armas estratégicas. A Guerra Fria continuava mas, a todo o custo, as duas grandes potências procuravam evitar a eclosão de uma nova Guerra Mundial.


