quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Eu só queria entender...

Se aquelas coisas como o Hi5, o Facebook e o Twitter se chamam "redes sociais", porque razão tornam as pessoas mais egoístas e antipáticas? Há aqui qualquer coisa que não bate certo, não acham?

Rochedo das Memórias ( 92) - Sob o signo do nove: 1959 -de Fidel a Astérix

O facto mais marcante de 1959 vem de Cuba. Estribado no sucesso de François Truffaut – Os 400 Golpes- Fidel Castro consegue finalmente fazer vingar a Revolução Cubana. Derrubado o ditador Fulgêncio Baptista, Fidel irá permanecer à frente dos destinos de Cuba durante 49 anos, perante a crítica de todo o mundo que, no entanto, não perde a oportunidade de se banhar nas suas praias de águas tépidas e límpidas.
Da Europa, a voluptuosa BB, pendurada num cartaz publicitário, bem lhe perguntava "Voulez -vous danser avec-moi?" – mas o rebelde cubano não lhe daria troco. O mesmo faria , aliás, em relação à beat generation que se revia em “Pela estrada Fora” de Kerouac. À estrada, também se vai meter o Dalai Lama, obrigado a fugir para a Índia, após a invasão chinesa do Tibete.
E se Kruschev visitou os EUA, aproveitando para conhecer o recém inaugurado Museu Guggenheim e cumprimentar Lloyd Wright, Fidel permaneceu em Cuba, a ver “Ben Hur” , galardoado com 11 estatuetas de Hollywood.
Quem se deslocou às salas de cinema para ver o filme Serengueti não pode morrer”, ficou a saber que a extinção de numerosas espécies era já uma ameaça, mas que poucos se preocupavam com isso. Afinal, se Billy Wilder proclamava numa comédia que fez furor, que “Quanto Mais Quente Melhor”, não havia razões para as pessoas se preocuparem com as alterações climáticas. Os mais cépticos esgrimiam mesmo o argumento do mais recente filme de Hitchcock: “Intriga Internacional”.


Enquanto as consumidoras mais jovens aprendiam um novo nome de boneca – Barbie- os adultos, deliciavam-se com a última maravilha do mundo automóvel: o Mini da BLMC. O êxito do Mini é assegurado em plena era espacial mas, (pasme-se!) só neste ano é inventado o abre latas.
Com a evolução dos electrodomésticos que facilitam a vida no lar, as mulheres têm mais tempo livre para ir ao cabeleireiro. As tiragens das revistas femininas disparam e em Portugal o êxito chama-se "Crónica Feminina".
Rejeitado pela CEE, Salazar vira-se para EFTA, na companhia da Grã Bretanha, Noruega, Áustria, Suécia e Suíça. Estávamos em plena era espacial mas, à falta de Sputniks, Salazar inaugura o monumento a Cristo-Rei. Os lisboetas têm uma nova razão para atravessar o rio e dinamizar a actividade dos cacilheiros. Dois heróis de banda desenhada acabados de nascer pelas mãos de René Goscinny e Albert Uderzo- Astérix e Obélix- testemunham a inauguração. Originários de uma aldeia que se tornou exemplo de resistência à ocupação romana, os dois novos heróis não precisaram de trazer a poção mágica que lhes conferia forças para resistir ao invasor. Em Portugal, a aliança Salazar/Cerejeira era suficiente para resolver todos os problemas e impedir a entrada de quaisquer ideias subversivas vindas da Europa.

Pelo país dos blogs (40)

Gostei de ver as fotografias da Índia nos "Momentos Perfeitos",
A autora do blog fez uma exposição de fotografias sobre aquele país, na Moita, mas quem não teve oportunidade de visitar, pode ir até lá ver algumas das fotografias que estiveram em exibição.

Desafio mascarado

Recebi da Dulce o seguinte desafio:
1 - agarrar o livro mais próximo;
2 - abrir na página 161;
3 - procurar a 6ª frase;
4 - colocar a frase completa no blog;
5 - produzir um texto com a frase;
6 - repassar a "tarefa" para 5 pessoas.
O livro que tenho neste momento à mão é “Mutiladas e Proibidas” do Cândido de Azevedo. Está a servir-me de apoio para um trabalho que pretendo reeditar sobre a censura durante o Estado Novo
A 6ª frase da página 161 é esta:
“ Num reino imaginário faz nascer um príncipe herdeiro a quem as boas bruxas fadam com as maiores virtudes e qualidades que o Génio das Florestas pretende neutralizar no seu possuidor fazendo-lhe crescer umas autênticas orelhas de burro”.

Esta frase foi escrita pelo Director da Censura do Estado Novo, na análise ao livro “O Príncipe com Orelhas de Burro” do José Régio .
No veredicto final o censor escreve:“….ignoro se há alguma corte estrangeira que possa sentir-se mais ou menos visada no reino do imaginário criado pelo autor, tanto mais que este nem sequer usa a declaração agora em moda « a de ser mera coincidência a semelhança com pessoas ou factos existentes”. Graças a este juízo, o Director da Censura decidiu autorizar a publicação, o que me serve de pretexto para completar o desafio com as frases (a bold):

“ Num reino imaginário faz nascer um príncipe herdeiro a quem as boas bruxas fadam com as maiores virtudes e qualidades que o Génio das Florestas pretende neutralizar no seu possuidor fazendo-lhe crescer umas autênticas orelhas de burro. Por inépcia do Génio das Florestas, as orelhas de burro acabaram por crescer num censor mor desprovido de neurónios, muito aclamado no reino do Botas que o recompensou com uma renda vitalícia, pelos excelentes serviços prestados. Entretanto , para emendar o seu erro, o Génio fê-lo ressuscitar num Carnaval, para passear pelo país e recordar os bons velhos tempos ”.
E assim respondi ao último desafio em carteira ( espero não me ter esquecido de nenhum…) que não vou passar a ninguém em especial.
Quem estiver interessado, sirva-se à vontade e dê notícias cá para o Rochedo, para que seja lavrado o devido assento que, posteriormente, será comunicado a todo o blogobairro e condomínios adjacentes.