terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

A minha "Primeira Vez"

Era uma soalheira manhã de Primavera, que apelava aos sentidos. Estava trajado a rigor e a custo disfarçava o nervosismo provocado pela ansiedade da minha primeira vez . Na sala havia uma fila de homens à minha frente, aguardando. Muitos eram jovens como eu e não tinha dúvidas que para eles também seria a primeira vez. Tal como eu, disfarçavam o nervosismo contando anedotas e algumas histórias de uma vida ainda com muito para desfiar. Alguns, mais velhos, tranquilizavam-nos.:
"É natural que estejam nervosos, mas vão ver que vale a pena." -avançou um "Tomara eu que a minha primeira vez tivesse sido assim"- disse um velhote ao passar por nós. Outro, emigrante, afiançava:" Em França é que é bom!"
Todos olhavam para o meio da sala onde ela se expunha, apelativa, aos nossos olhares gulosos. Era linda e deixava-nos em devaneio cada vez que repousávamos olhar sobre ela.
À medida que me aproximava e lhe percebia melhor os contornos, imaginava o momento emocionante. Assim que depositasse naquela fenda todo o vigor da minha vontade, iria finalmente aprender a ser homem!
Finalmente chegou o momento. Aproximei-me, trémulo. Uma senhora aparentando 40 anos olhou-me com um sorriso. Estendeu-me um papel e disse-me:
- "Vá até àquela cabine, preencha o papel e volte cá".
Assim fiz. Quando saí, as pernas tremiam-me. Abeirei-me dela. Olhei-a com enlevo e, num gesto súbito, penetrei-a com vigor, manifestando-lhe o meu desejo e pedindo-lhe para não me desiludir .
Tinha acabado de votar pela primeira vez na minha vida!

Efeitos da crise

Sarkozy ficou muito agastado pelo facto de haver fábricas francesas instaladas em países estrangeiros, a produzir automóveis que são vendidos no mercado francês.
Não percebo a razão do espanto… “Os esquerdalhos” ( palavras do presidente francês) já se tinham insurgido contra essa prática há mais de uma década…
Entretanto, o Comissário Europeu para o Emprego propôs que se estabelecesse um “salário máximo”, deixando muita gente a torcer o nariz. Cavaco fora o primeiro a fazer uma proposta semelhante, perante o mutismo ( embora algumas vozes indignadas tenham saído a terreiros.
A verdade é que, graças à crise, se começam a perceber duas coisas:
1- Os activistas que pediam uma globalização mais humanizada, começam a ter seguidores na esfera política.
2- Nas instâncias europeias, surgem vozes reclamando que os ricos também sejam obrigados a pagar a crise. Para não serem sempre os mesmos.