quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

A Gi desmascarou-me!

Caros vizinhos, tenho uma triste notícia a dar-vos. Eu já sabia, o que se ia passar, mas tenho andado a adiar a notícia. Hoje, porém, a Gi antecipou-se e eu não tive outro remédio senão confessar-vos.
Acabou-se o Rochedo. Já blogger não sou. A Mc Donald’s transformou-me em hamburguer e estou condenado a passar o resto dos meus dias em restaurantes daquela cadeia, abocanhado por criancinhas obesas, ranhosas e impertinentes Pelo menos é o que anuncia a publicidade!
Dizem que o CBO é a combinação perfeita. Feito à base de Cebola estaladiça, Bacon crocante e Frango, é a nova descoberta da Mc Donald’s! Eu. Moi- même. Myself!
Oh sorte malvada… eu a pensar que ia acabar nas labaredas do inferno e vou terminar os meus dias a percorrer intestinos grossos e delgados, à espera de ser defecado numa qualquer sanita pública.
Bem me dizia há tempos um ex-namorado de uma amiga, inconformado com o facto de ela o ter trocado por mim: “ Um dia vou fazer-te em m….”
Não avisou é que primeiro me iria transformar em hamburguer, o sacana!



A Química do amor (1)

Alexandra e Vítor ( nomes fictícios) formavam um par que tinha tudo para não ser feliz. No entanto, o amor tem destas coisas inexplicáveis. Conheceram-se em Janeiro de 1987 e em Julho estavam a casar-se. Foram viver para casa de Vítor.
Ela era uma jovem advogada, pouco ambiciosa, que optara por se licenciar em Direito com o objectivo de defender as causas dos mais desfavorecidos.
Ele era licenciado em Economia, ambicioso, e rapidamente se tornou um quadro superior de elevado mérito, na empresa onde começara a trabalhar nos tempos de estudante.
Em1989, Alexandra contratou uma empregada doméstica ( Maria) que tinha sido despedida de um restaurante onde era cozinheira. Alexandra prontificou-se de imediato a ser sua advogada sem lhe cobrar honorários.
Por essa altura o casamento já tinha estourado e o divórcio acabou por acontecer, pouco depois de Alexandra ter entrado com o processo de Maria em Tribunal. Um dia, Alexandra disse a Maria que, tendo ela continuado a trabalhar em casa de Vítor, não continuaria a suportar as despesas do processo. Aconselhou-a, por isso, a pedir o pagamento das custas do processo e dos seus honorários ao ex-marido.
Maria assim fez. Vítor prometeu pagar-lhe, com a condição de ela não dizer a Alexandra. Maria terá cumprido a promessa, Vítor pagou uma choruda maquia para a ex-mulher continuar com o processo que viria a perder, Maria ficou sem direito a indemnização.
Nos finais da década de 90, Vítor foi convidado para ocupar um lugar de destaque na empresa, na Alemanha. Independente, sem filhos, nem qualquer ligação afectiva estável, aceitou imediatamente. Semanas antes de partir, perguntou-me se não queria ficar com Maria como empregada. Como acabara de despedir a minha, por manifesta falta de zelo nos cuidados do lar, aceitei. (Afianço-vos que Maria é uma empregada espectacular, como aliás já aqui vos confidenciei e tornou-se indispensável para garantir o meu bem estar e qualidade de vida).
Vítor regressou a Portugal no Verão passado. De comum acordo, passámos a partilhar os cuidados domésticos de Maria.

Em Outubro, Vítor e Alexandra encontraram-se numa festa de aniversário de um amigo comum. Ela é agora uma advogada de relativo sucesso, com escritório montado numa das zonas nobres da cidade. Ele ocupa lugar destacadíssimo na empresa. Ambos estavam “livres”, o reencontro avivou-lhes memórias do passado e começaram a sair. Jantar atrás de copo, acabaram por voltar a acordar na mesma cama, em casa de Vítor, numa bela manhã de sábado. Em vésperas de Natal, Vítor bateu-me à porta depois do jantar.
Com os dedos fazendo contorcionismo em volta do copo de whisky e as palavras hesitantes, bailando-lhe nos lábios, disse-me:
Tenho uma notícia para te dar… eu e a Alexandra …é… pensámos… decidimos…vamos fazer uma nova tentativa…”
"Porreiro, pá!” – respondi com pouco entusiasmo, como se estivesse a ver um filme policial , cujo fim já sei de cor e salteado, pela enésima vez.
“Pois.. mas há um problema… é que a Alexandra quer que a Maria fique lá em casa a tempo inteiro…”
Mau, mau, tinha de sobrar p’ra mim? Quem me vai trazer aquelas couves fresquinhas da e fazer-me aquele arroz de cabidela com galo “pica no chão”? – pensei enquanto reforçava as doses de whisky. Enfadado, acabei por responder:
“Tudo bem, a Maria era tua empregada, partilhámo-la durante estes meses, mas se a Alexandra quer e a Maria estiver de acordo, eu cá hei-de arranjar-me”.
“Bem, a Alexandra diz para não te preocupares… como vais sair agora, quando vieres…ou até final de Janeiro… podes continuar a contar com a Maria. Se tiveres dificuldade em arranjar uma empregada, a Alexandra diz que te arranja uma óptima…”
Ela que não se preocupe , eu arranjo” – respondi enquanto pensava ( a Alexandra que vá para o raio que a parta, grande cabra!)…………………………………………………………………………………………… ......................................................

Em Janeiro falei com Maria, disse-lhe para tomar a decisão que quisesse, que eu não levaria a mal. Perguntei-lhe se conhecia alguém que a pudesse substituir, mas ela de imediato me respondeu:
“Esteja descansado, que eu não o vou deixar. Se os doutores quiserem que continue tudo como está, continuo ( por causa do doutor Vítor, porque não gosto nada da doutora Alexandra) se não quiserem, não faltam casas onde vá trabalhar.”
Na última sexta-feira, chegou com um coelho bravo caçado pelo marido e uma novidade.
“Sabe, deixei a casa do doutor Vítor…”
“Então porquê? Eles não aceitaram a sua proposta?”
Vi o rosto da Maria ruborescer, mas apenas respondeu:
“ Não, não, foi cá por coisas minhas. Achei que era melhor assim…”
Conheço a Maria há tempo suficiente para perceber que estava a esconder qualquer coisa.
“Vá lá, Maria, não minta! Desembuche e diga lá o que se passou”.
De olhos cravados no chão, contou-me uma história de encantar.
Amanhã eu conto, porque hoje ainda estou “alapardado” com o que ouvi!