Terça-feira, 15 de Dezembro de 2009

Um dia a corda rebenta....


Os trabalhadores dos hipermercados fizeram um pré viso de greve para o dia 24. Há dez anos eu diria que era uma greve inoportuna e desprovida de qualquer senso.Hoje tenho opinião bastante diferente. As posições extremaram-se. O patronato tem uma actuação selvagem a lembrar os tempos da Revolução Industrial e quer transformar os trabalhadores em novos escravos. A ideia de exigir semanas de 60 horas de trabalho, alargar os contratos a termo e uma actualização salarial acumuldade de 1%, pra 2009 e 2010, só pode sair de cabeças doentes, onde o cérebro foi substituído pela caixa-forte do Tio Patinhas.
Só fazendo uma greve bem visível e penalizadora para os portugueses, os trabalhadores terão oportunidade de alertar a opinião pública para a escalada selvagem do patronato. Hoje são os patrões da APED (Associação Portuguesa das Empresas de Distribuição) amanhã podem ser quaisquer outros e nenhum trabalhador por conta de outrem está a salvo desta voracidade insaciável que o patronato revela para a exploração. É bom que as pessoas se comecem a lembrar que, um destes dias, pode cair-lhes na sopa um patrão destes, com exigências impróprias de uma sociedade moderna...
O (des)governo de Sócrates ( auto-proclamado socialista) tem dado ao patronato, de bandeja, tudo o que sempre desejou: flexibilização, precariedade e acordos de concertação social sempre favoráveis aos empregadores. Agora, como besta com o freio nos dentes, o patronato está insaciável e sem controlo. Exige mais. Quer ser ele a ditar as regras, sem nada dar em troca. Um dia a corda rebenta...

31 comentários:

  1. Ah, uma semaninha antes do Natal é que eu gostava de ver!

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  2. os trabalhadores dos hipermercados não deveriam sequer ser "convidados" a trabalhar dia 24de Dezembro ..

    :)
    Abraço

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  3. Como sempre aqueles que olham só para o seu umbigo não deixarão de os criticar.

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  4. Esta eu apoio.Em vez de europeizar a China estamos a achinezar os europeus.E a seguir o que virá?Dormir no local de trabalho e uma semana de férias por ano?

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  5. Só digo, coitado de quem precisa do trabalhinho para se governar, logo a seguir aparece quem se aproveite de tudo e de todos até esquecem muitas vezes que já estiveram do lado de cá.

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  6. A mentalidade do empresário português tem que mudar. Crise pra eles nunca há! E só venha aos seus bolsos e o trabalhador que se lixe. Isso assim não pode ser.
    A corda podia arrebentar era hoje!!!!

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  7. Sabe, Carlos?
    Paga o justo pelo pecador.
    Quantos patrões exploradores esfregam na cara dos trabalhadores a sua prepotência e quantos outros tantos se vêem aflitos porque cumprir TODAS as obrigações de uma empresa não é fácil nos dias de hoje.
    E o pior disto tudo é que ninguém ainda entendeu que se fossem só os grandes grupos económicos a contribuir para o Estado, já estaríamos todos falidos, pior do que na Grécia.
    Paradoxalmente, se fossem as PME's (sigla que os políticos tanto gastaram nas últimas eleições) a 'fazer greve' de contribuições, o resultado seria exactamente o mesmo.
    Não faça afirmações inflamadas, Carlos, que o seu escorpianismo desabafa, lembre-se dos lados B das coisas, como sempre faz....

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  8. Carlos, desculpe-me agora não andar de muitas palavras, apesar de ler tudo o que escreve, mas é que às vezes a corda rebenta e temos que ver se conseguimos fazer remendos e emandas nas cordas da vida, para ela não nos transformar num nó.

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  9. Esta história da necessidade imperiosa de liberalização, de flexibilização ganhou agora um inesperado aliado com a história da crise; a propósito da crise e das asneiras que o sector financeiro praticou e o Estado permitiu anda agora tudo em roda livre ... redução de salários, congelamento de salários, aumento de impostos, redução de despesas sociais é o que se vai ouvindo; juntam-se, claro está, os que acham que têm de enriquecer em 12 meses porque se for em 24 meses já é tempo demais ... não se ouve é ninguém querer tributar operações em bolsa, regulação de preços e manutenção ou descida de tarifas. Isso não. Que paguem os mesmos, é que é!

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  10. Patti: eu também, mas quem trabalha não aguenta tanto tempo a fazer greve. Em Portugal, os sindicatos não têm fundos para pagar as greves, como acontece noutros países.

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  11. Catarina: Já foi tempo em que assim era e que no dia de Natal estava tudo encerrado. Quando vivi em Macau os portugas ficavam escandalizadas por estar tudo aberto ao fds e desancavam nos chineses por serem uns exploradores. Agora, em Portugal, normalmente acham bem e a DECO até reclama a abertura dos hipers ao domingo, durante todo o dia, porque isso é bom para os consumidores.

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  12. Pedro: Como disse na resposta à Catarina Price, passamos a vida a criticar os chineses, mas acabamos por agir como eles, alegando que não temos alternativa. A avestruz também reage assim...

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  13. Myllana: Creio que só mudará com uma nova geração de empresários. Felizmente, há empresários jovens que têm uma mentalidade diferente, mas o problema é a tentação de olharem para o lado e ver o comportamento da concorrência...

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  14. O horário de trabalho deve ser estipulado das 08h00 às 17h00. Trabalho fora desse horário deve ser pago como suplementar (2x).
    A situação portuguesa é alarmante. Nos outros países europeus seria impensável os supermercados estarem abertos ao Domingo e Feriados...Os consultórios dentários/derma/oft estarem abertos até às 20h00 e aos Sábados...Este sistema é mau para todos, clientes e trabalhadores (ir ao médico é um direito do trabalhador, em horário de trabalho),só beneficia o sistema capitalista.
    E depois surpreendem-se com a taxa de divórcios em Portugal...As pessoas não têm tempo para a família...!

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  15. SI: Sei muito bem que é verdade o que diz e que há patrões, nomeadamente jovens, que têm uma postura diferente. O problema é o que já dissse em resposta à Myllanna, acrescido pelo facto de o governo ser pouco equidistante quando faz produção legislativa, favorecendo sempre um dos lados.
    Nesta história o Lado B , infelizmente, é pouco representativo e está ainda condicionado pelo facto de as entidades patronais que se sentam na Concertação Social, serem autênticos primatas.

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  16. Gi: Por quem é! Percebo-a muito bem e também eu tenho quase sempre dificuldade em responder aos vossos comentários, ou a comentar nos vossos posts. Lamento não poder responder a todos, nem sequer poder fazê-lo diariamente.
    Faço votos é para que a corda não rebente e que as emendas fiquem bem feitas.
    Beijinho grande

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  17. ferreira-Pinto: A crise tem as costas largas e serve para justificar alguns abusos e desmandos. Tributar operações em bolsa? O amigo deve estar mesmo com espírito natalício para colocar essa hipótese. Ai se o Teixeira o lê!....

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  18. Primeiro levaram os comunistas, Mas eu não me importei Porque não era nada comigo. Em seguida levaram alguns operários, Mas a mim não me afectou Porque eu não sou operário. Depois prenderam os sindicalistas, Mas eu não me incomodei Porque nunca fui sindicalista. Logo a seguir chegou a vez De alguns padres, mas como Nunca fui religioso, também não liguei. Agora levaram-me a mim E quando percebi, Já era tarde. Bertolt Brecht

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  19. E alguém acredita que alguma coisa rebente neste país tão brandinho? Mas lá que era giro uma greve para perturbar o people mesmo antes do Natal era!

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  20. Pois...acho muito bem, mas duvido que vá para a frente. Lembro-me ainda de quando o pessoal de uma certa loja fez uma greve conforme manda a lei. Nenhum deles viu o contrato aprovado, alguns foram logo despedidos por desculpas esfarrapadas...
    Sinceramente, quando obrigam os próprios funcionários a pedir às pessoas que assinem para que deixem de ter sequer o Domingo de folga, já nada me espanta. Escravos já são há algum tempo...

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  21. hoje são eles, amanhã nós. Não podemos continuar a pensar que não é nada connosco. Ajam! Eu já faço compras dia 24 (nenhuma) para que os empregadores sintam na pele que não queremos trabalhadores explorados a trabalhar dia 24, um dia em que deviam estar com as suas famílias! E se esta lei for para a frente, deixarei de comprar em grandes superfícies de uma vez por todas.

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  22. Vai ser difícil que uma greve destas cause algum impacto. Muitos dos empregados dos hipermercados, senão maioria, está em condições precárias e o emprego pode desaparecer.

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  23. Escusado será dizer que quando a corda rebentar, há-de rebentar sempre pelo lado mais curto e deixar os trabalhadores por terra sem nada onde se agarrar. O patronato tem o poder nas mãos e pouco oferece em contrapartida. "Quem quer quer, quem não quer que se amanhe".

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  24. Pois que rebente.
    Eu apoio.
    Vamos às compras mais cedo e eles mostram a sua posição.
    Veludinhos

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  25. Pois é, a coisa quando complica há sempre os abutres prontos para atacar.

    Aquele abraço

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  26. Estou do lado dos trabalhadores... mas pela primeira vez encomendei uns "pratos feitos" para esse dia. Valha-nos ( a mim e a eles) Santo Ambrósio...
    Abracinho

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  27. Aonde trabalho, aqui em terra brasilis, os funcionários
    fazem 44 horas semanais e sem muita rigidez,e em datas como 24 e 31, fica somente uma equipe de plantão e até o meio dia.Mas infelizmente isso ainda é minoria...

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