
Os trabalhadores dos hipermercados fizeram um pré viso de greve para o dia 24. Há dez anos eu diria que era uma greve inoportuna e desprovida de qualquer senso.Hoje tenho opinião bastante diferente. As posições extremaram-se. O patronato tem uma actuação selvagem a lembrar os tempos da Revolução Industrial e quer transformar os trabalhadores em novos escravos. A ideia de exigir semanas de 60 horas de trabalho, alargar os contratos a termo e uma actualização salarial acumuldade de 1%, pra 2009 e 2010, só pode sair de cabeças doentes, onde o cérebro foi substituído pela caixa-forte do Tio Patinhas.
Só fazendo uma greve bem visível e penalizadora para os portugueses, os trabalhadores terão oportunidade de alertar a opinião pública para a escalada selvagem do patronato. Hoje são os patrões da APED (Associação Portuguesa das Empresas de Distribuição) amanhã podem ser quaisquer outros e nenhum trabalhador por conta de outrem está a salvo desta voracidade insaciável que o patronato revela para a exploração. É bom que as pessoas se comecem a lembrar que, um destes dias, pode cair-lhes na sopa um patrão destes, com exigências impróprias de uma sociedade moderna...
O (des)governo de Sócrates ( auto-proclamado socialista) tem dado ao patronato, de bandeja, tudo o que sempre desejou: flexibilização, precariedade e acordos de concertação social sempre favoráveis aos empregadores. Agora, como besta com o freio nos dentes, o patronato está insaciável e sem controlo. Exige mais. Quer ser ele a ditar as regras, sem nada dar em troca. Um dia a corda rebenta...
Ah, uma semaninha antes do Natal é que eu gostava de ver!
ResponderEliminarE vai rebentar concordo em pleno....
ResponderEliminaros trabalhadores dos hipermercados não deveriam sequer ser "convidados" a trabalhar dia 24de Dezembro ..
ResponderEliminar:)
Abraço
Como sempre aqueles que olham só para o seu umbigo não deixarão de os criticar.
ResponderEliminarEsta eu apoio.Em vez de europeizar a China estamos a achinezar os europeus.E a seguir o que virá?Dormir no local de trabalho e uma semana de férias por ano?
ResponderEliminarSó digo, coitado de quem precisa do trabalhinho para se governar, logo a seguir aparece quem se aproveite de tudo e de todos até esquecem muitas vezes que já estiveram do lado de cá.
ResponderEliminarA mentalidade do empresário português tem que mudar. Crise pra eles nunca há! E só venha aos seus bolsos e o trabalhador que se lixe. Isso assim não pode ser.
ResponderEliminarA corda podia arrebentar era hoje!!!!
Sabe, Carlos?
ResponderEliminarPaga o justo pelo pecador.
Quantos patrões exploradores esfregam na cara dos trabalhadores a sua prepotência e quantos outros tantos se vêem aflitos porque cumprir TODAS as obrigações de uma empresa não é fácil nos dias de hoje.
E o pior disto tudo é que ninguém ainda entendeu que se fossem só os grandes grupos económicos a contribuir para o Estado, já estaríamos todos falidos, pior do que na Grécia.
Paradoxalmente, se fossem as PME's (sigla que os políticos tanto gastaram nas últimas eleições) a 'fazer greve' de contribuições, o resultado seria exactamente o mesmo.
Não faça afirmações inflamadas, Carlos, que o seu escorpianismo desabafa, lembre-se dos lados B das coisas, como sempre faz....
Carlos, desculpe-me agora não andar de muitas palavras, apesar de ler tudo o que escreve, mas é que às vezes a corda rebenta e temos que ver se conseguimos fazer remendos e emandas nas cordas da vida, para ela não nos transformar num nó.
ResponderEliminarEsta história da necessidade imperiosa de liberalização, de flexibilização ganhou agora um inesperado aliado com a história da crise; a propósito da crise e das asneiras que o sector financeiro praticou e o Estado permitiu anda agora tudo em roda livre ... redução de salários, congelamento de salários, aumento de impostos, redução de despesas sociais é o que se vai ouvindo; juntam-se, claro está, os que acham que têm de enriquecer em 12 meses porque se for em 24 meses já é tempo demais ... não se ouve é ninguém querer tributar operações em bolsa, regulação de preços e manutenção ou descida de tarifas. Isso não. Que paguem os mesmos, é que é!
ResponderEliminarPatti: eu também, mas quem trabalha não aguenta tanto tempo a fazer greve. Em Portugal, os sindicatos não têm fundos para pagar as greves, como acontece noutros países.
ResponderEliminarConexões: Obrigado pela visita
ResponderEliminarCatarina: Já foi tempo em que assim era e que no dia de Natal estava tudo encerrado. Quando vivi em Macau os portugas ficavam escandalizadas por estar tudo aberto ao fds e desancavam nos chineses por serem uns exploradores. Agora, em Portugal, normalmente acham bem e a DECO até reclama a abertura dos hipers ao domingo, durante todo o dia, porque isso é bom para os consumidores.
ResponderEliminarSalvo: Não tenha dúvidas
ResponderEliminarPedro: Como disse na resposta à Catarina Price, passamos a vida a criticar os chineses, mas acabamos por agir como eles, alegando que não temos alternativa. A avestruz também reage assim...
ResponderEliminarde Dentro: Quando a memória é curta...
ResponderEliminarMyllana: Creio que só mudará com uma nova geração de empresários. Felizmente, há empresários jovens que têm uma mentalidade diferente, mas o problema é a tentação de olharem para o lado e ver o comportamento da concorrência...
ResponderEliminarO horário de trabalho deve ser estipulado das 08h00 às 17h00. Trabalho fora desse horário deve ser pago como suplementar (2x).
ResponderEliminarA situação portuguesa é alarmante. Nos outros países europeus seria impensável os supermercados estarem abertos ao Domingo e Feriados...Os consultórios dentários/derma/oft estarem abertos até às 20h00 e aos Sábados...Este sistema é mau para todos, clientes e trabalhadores (ir ao médico é um direito do trabalhador, em horário de trabalho),só beneficia o sistema capitalista.
E depois surpreendem-se com a taxa de divórcios em Portugal...As pessoas não têm tempo para a família...!
SI: Sei muito bem que é verdade o que diz e que há patrões, nomeadamente jovens, que têm uma postura diferente. O problema é o que já dissse em resposta à Myllanna, acrescido pelo facto de o governo ser pouco equidistante quando faz produção legislativa, favorecendo sempre um dos lados.
ResponderEliminarNesta história o Lado B , infelizmente, é pouco representativo e está ainda condicionado pelo facto de as entidades patronais que se sentam na Concertação Social, serem autênticos primatas.
Gi: Por quem é! Percebo-a muito bem e também eu tenho quase sempre dificuldade em responder aos vossos comentários, ou a comentar nos vossos posts. Lamento não poder responder a todos, nem sequer poder fazê-lo diariamente.
ResponderEliminarFaço votos é para que a corda não rebente e que as emendas fiquem bem feitas.
Beijinho grande
ferreira-Pinto: A crise tem as costas largas e serve para justificar alguns abusos e desmandos. Tributar operações em bolsa? O amigo deve estar mesmo com espírito natalício para colocar essa hipótese. Ai se o Teixeira o lê!....
ResponderEliminarPrimeiro levaram os comunistas, Mas eu não me importei Porque não era nada comigo. Em seguida levaram alguns operários, Mas a mim não me afectou Porque eu não sou operário. Depois prenderam os sindicalistas, Mas eu não me incomodei Porque nunca fui sindicalista. Logo a seguir chegou a vez De alguns padres, mas como Nunca fui religioso, também não liguei. Agora levaram-me a mim E quando percebi, Já era tarde. Bertolt Brecht
ResponderEliminarE alguém acredita que alguma coisa rebente neste país tão brandinho? Mas lá que era giro uma greve para perturbar o people mesmo antes do Natal era!
ResponderEliminarPois...acho muito bem, mas duvido que vá para a frente. Lembro-me ainda de quando o pessoal de uma certa loja fez uma greve conforme manda a lei. Nenhum deles viu o contrato aprovado, alguns foram logo despedidos por desculpas esfarrapadas...
ResponderEliminarSinceramente, quando obrigam os próprios funcionários a pedir às pessoas que assinem para que deixem de ter sequer o Domingo de folga, já nada me espanta. Escravos já são há algum tempo...
hoje são eles, amanhã nós. Não podemos continuar a pensar que não é nada connosco. Ajam! Eu já faço compras dia 24 (nenhuma) para que os empregadores sintam na pele que não queremos trabalhadores explorados a trabalhar dia 24, um dia em que deviam estar com as suas famílias! E se esta lei for para a frente, deixarei de comprar em grandes superfícies de uma vez por todas.
ResponderEliminarVai ser difícil que uma greve destas cause algum impacto. Muitos dos empregados dos hipermercados, senão maioria, está em condições precárias e o emprego pode desaparecer.
ResponderEliminarEscusado será dizer que quando a corda rebentar, há-de rebentar sempre pelo lado mais curto e deixar os trabalhadores por terra sem nada onde se agarrar. O patronato tem o poder nas mãos e pouco oferece em contrapartida. "Quem quer quer, quem não quer que se amanhe".
ResponderEliminarPois que rebente.
ResponderEliminarEu apoio.
Vamos às compras mais cedo e eles mostram a sua posição.
Veludinhos
Pois é, a coisa quando complica há sempre os abutres prontos para atacar.
ResponderEliminarAquele abraço
Estou do lado dos trabalhadores... mas pela primeira vez encomendei uns "pratos feitos" para esse dia. Valha-nos ( a mim e a eles) Santo Ambrósio...
ResponderEliminarAbracinho
Aonde trabalho, aqui em terra brasilis, os funcionários
ResponderEliminarfazem 44 horas semanais e sem muita rigidez,e em datas como 24 e 31, fica somente uma equipe de plantão e até o meio dia.Mas infelizmente isso ainda é minoria...