
Decorreu, em Lisboa, a Cimeira Ibero-Americana. O tema central em discussão era a Inovação e Conhecimento mas, como já aconteceu em anos anteriores, o enfoque acabou por cair num problema regional:a situação nas Honduras. A maioria dos 22 países ( 19) condenou o golpe que destituiu Zelaya, mas a força de um homem que, mesmo sem ser convidado, esteve presente, impediu uma condenação unânime.
Quando Obama foi eleito, escrevi que a sua credibilidade futura passaria, em muito, pela atitude que tivesse em relação à América Latina. Dei-lhe o benefício da dúvida, mas enganei-me. Ao apoiar os golpistas, Obama mostrou ao mundo que não está ao lado da paz nem da democracia.
A América Latina é uma zona do globo onde alguns aventureiros continuam a chegar ao poder, montados às cavalitas dos EUA. Enquanto assim for, o terreno está minado, o caminho aberto a líderes populistas e a democracia cada vez mais longe. Tal como os seus antecessores, Obama apoia criminosos como Uribe e foge de líderes democratas ( mesmo conservadores como Zelaya), porque na verdade olha para a América Latina como uma coutada. Os EUA não querem no poder democratas, querem marionettes que lhes abram os braços à instalação de bases militares e permitam a exploração dos recursos naturais dos países latino-americanos em troca de mordomias pessoais.
Obama não percebeu que a América Latina, apesar de dividida, é a zona do mundo com mais potencial de crescimento e um dia lhe pode estoirar nas mãos um problema incontrolável, por continuar a apoiar as ditaduras das oligarquias.É que, tal como acontece nas Honduras, onde Zelaya pretendeu reduzir o poder de meia dúzia de famílias que controlam o país, ou na Colômbia, onde o aliado Uribe é um barão da droga, há outro países na região cobiçados pelos piores criminosos do planeta. Os americanos nunca mais aprendem a ver o mundo para além do cano de uma arma, ou dos benefícios que podem extrair dos seus aliados. Mesmo que sejam aliados de circunstância.
Já se previa a pressão de Obama. Esperam-se novos episódios de uma trama que em tempo oportuno denunciei lá no meu canto. Entretanto, com a mesma calma com que aposta na guerra irá receber dia 10 o prémio que lhe conferiram. Uma vez mais o mundo vai parar para ouvir a suas palavras. Para isso o homem tem jeito.
ResponderEliminarA América Latina terá que passar ainda por muitos tormentos até que a deixem ser livre. Felizmente vão aparecendo de vez enquando uns raios de sol, como que a dizer-nos que isso será possível.
Amigo CARLOS, concordo com o que escreve por isso vou-me debruçar, embora ao leve, com um pormenor que ainda gera um incidente. Se internacional ou doméstico, logo se verá!
ResponderEliminarO amigo reparou bem no gesto "malandro" do nosso Presidente?
Sabia-o, a ele, "malandreco", agora capaz de deitar a mão marota à Cristina é que não! :)
Quando vi a foto,pensei cá par comigo que texto vai daqui sair.. É que a o "maroto" do PR naquela sugestiva pose e as gargalhadas dos outros latinos dão um bom cenário para inperpretações sugestivas...para além do quintal das traseiras dos EUA.
ResponderEliminarNão concordo nada com aquilo que escreveu.
ResponderEliminarObama e os EUA foram os primeiros a condenar o golpe de estado nas Honduras, e nem sequer se meteram no assunto. A própria H. Clinton mostrou o seu descontentamento pela situação de caos naquele país.
O que deveria preocupar o sr. Carlos é o facto da Venezuela aliar-se ao Irão. Dois loucos à procura de problemas...
Obama é uma lufada de ar fresco na política exterior norte-americana. Só não vê quem quer, geralmente a esquerda assanhada.
Fiz um artigo sobre Obama em http://dylans.blogs.sapo.pt/
Carlos,
ResponderEliminarMas você ainda acredita que as potências poderosas, como a América ou a Russia, ajudam este ou aquele país pela defesa da democracia, olhando o benefício do povo??? Veremos quando o Brasil, a Índia e até a China, marcarem definitivamente pontos como irão reagir. Para mim, inflizmente,não tenho dúvidas, é tudo pelo interesse próprio.
Beijo
O sr. Zelaya quis mudar a Constituição para eternizar-se no poder. Onde é que já vimos isto? Por outro lado as Honduras são uma espécie de saguão dos EUA, tal e qual Portugal faz hoje a mesma figura em relação à França ou aos alemães. O que pensa que sucederia aqui, se "por acaso" restaurássemos a monarquia? Mesmo mantendo a democracia, caía o Carmo e a Trindade.
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