
Termina hoje a primeira fase da Cimeira de Copenhaga. Sem surpresa, o confronto entre países desenvolvidos e em desenvolvimento marcou a agenda da primeira semana mas, ao contrário do que tem acontecido em negociações anteriores, os países ricos estão dispostos a ceder mais do que inicialmente era esperado. O problema é que os países em desenvolvimento acham pouco... Nestes dois últimos dias tem havido sinais de que talvez seja possível alcançar um acordo razoável,lançado em bases até agora pouco discutidas e de que falarei em próxima oportunidade.
Uma das maiores surpresas desta semana foi a disponibilidade manifestada pela China para reduzir drasticamente as suas emissões. Resta saber se a condição imposta aos EUA, para que a China concretize a sua proposta, será aceite por Obama. Ou melhor: pelo Senado, que terá de aprovar qualquer decisão que venha a ser tomada em Copenhaga.
Obama tem sido, aliás, um dos centros de todas as atenções nos últimos dias. A sua passagem furtiva por Oslo para receber o Nobel tem sido encarada, por alguns sectores, como um sinal de que poderá surpreender com uma proposta no dia 18, que desbloqueie previsíveis impasses. Que tem a ver o Nobel da Paz com a decisão sobre as reduções de CO2? Na opinião de alguns, mais do que possa parecer. Os efeitos negativos provocados na sua imagem, com a justificação pouco convincente de que seria necessário fazer a guerra, para conseguir a paz, poderão ser atenuadaos se Obama anunciar em Copenhaga estar disposto a dar passos concretos na redução de emissões, decisivos para um acordo.
A proposta de George Soros, incitando os países desenvolvidos a abdicarem de parte do montante que, em Agosto, o FMI lhes colocou à disposição para combaterem a recessão e o transformarem em empréstimos “verdes” que poderão ser investidos em projectos para redução de emissões nos países pobres, não teve grande aceitação por parte dos países em desenvolvimento, mas é notória a divisão de opiniões entre os delegados e observadores, nesta matéria.
Os cépticos continuam a clamar que a questão das alterações climáticas é uma aldrabice e uma conspiração científica, mas a resposta de 1700 cientistas que vieram confirmar o valor científico dos estudos realizados e defender que é uma falácia a catástrofe económica anunciada pelos conservadores, no caso de em Copenhaga serem tomadas medidas para combater as alterações climáticas, veio retirar-lhes algum espaço de manobra. Na verdade, a criação de uma “bolsa de carbono” permitirá às empresas aumentar os seus lucros, diminuindo as emissões.
A partir de segunda-feira, os ministros dos 192 países tentarão limar as arestas que obstruem a concretização de um acordo vinculativo, cujas linhas gerais foram delineadas pelos delegados, durante a primeira semana. Terão até quarta-feira para o fazer , porque na quinta e sexta-feira, o que os líderes mundiais anunciarem em Copenhaga, será fruto do trabalho e dos consensos até aí alcançados. Uma coisa é certa. Qualquer acordo que não preveja, até 2050, a redução das emissões em pelo menos 60 porcento, relativamente a 1990, e um financiamento imediato , será decepcionante.
Vamos ver o que sai daquelas cabeças.
ResponderEliminarEu nunca espero muito destas Cimeiras, mas enfim!
Esperemos que o bom senso ganhe.
Veludinhos
Obrigada pela síntese sobre a conferência.e informação assim que precisamos
ResponderEliminarabraço
zoe
Duvido...
ResponderEliminarUm beijo.
Eu tenho uma posição bem consolidada sobre o assunto, mas posso até estar errada.
ResponderEliminarEnquanto as empresas que movimentam as engrenagens político-econômicas e sociais mundiais continuarem visando o contaste aumento do lucro, teremos um impasse nada solucionável.
E nesse sentido, para que haja uma efetiva melhora, é necessário que o movimento comece pela sociedade.Sociedade essa que hoje é integralmente consumista.
É certo que medidas tomadas por dirigentes de países tanto ricos, quanto pobres ou emergentes são importantes, mas não determinantes.
Eu acredito que só haverá mudanças quando os consumidores mudarem os seus hábitos.A melhor forma de levar uam empresa à alterar uma conduta pré estabelecida e teoricamente de sucesso é mexendo no seu faturamento.
Não podemos fazer omelete sem quebrar os ovos, não é?
E, por favor, me corrija se eu estiver errada.
Boa viagem de volta!