Sexta-feira, 18 de Dezembro de 2009

Crónicas de Graça # 6

O NATAL
Nasci no seio de uma grande família. Numa só rua, cinco casas contíguas albergavam oito tios, um par de avós e um número infindável de primos e primas que todos os dias se viam, cumprimentavam, brincavam e brigavam e todos os domingos se reuniam em casa do pai/ avô. Era como se o Natal acontecesse todas as semanas.
Em Dezembro, terminadas as aulas dos mais velhos, todos se deslocavam para uma outra casa, fora do Porto, para celebrar em comunhão absoluta o período natalício. Quando era criança, Natal significava por isso, para mim, apenas uma mudança de lugar, mais tempo e ainda mais espaço para brincadeiras e tropelias. Apercebia-me da chegada do Natal, quando entravam lá em casa pessoas carregadas de malas, falando com um sotaque estranho, e outras cuja língua não entendia, que me eram apresentados como família, mas que não via como tal, porque apenas os encontrava uma vez por ano. Sentavam-se à nossa mesa, o meu avô cobria-os de atenções, e naqueles dias parecia ter o ar mais desanuviado e prazenteiro. Ria. Ria muito. Às vezes falava numa língua que eu não entendia e eu pensava ser língua só para adultos. Por vezes também chorava, mas isso era só quando “eles” chegavam e depois partiam, despedindo-se até ao ano seguinte.
Nessa altura aumentava a azáfama das empregadas na confecção das iguarias e as consumições resultantes da necessidade de apaziguarem as disputas entre a catraiada. Quantas vezes as vi zangadas umas com as outras, porque cada uma saía em defesa acérrima dos "seus meninos"!
Quando a árvore de Natal, montada na cave, subia até ao segundo andar , sabia que o Pai Natal devia estar a chegar, o que significava brinquedos novos, mais dias de traquinice, risadas, choros, na companhia dos primos com quem convivia diariamente e mais aqueles que falavam com sotaque uma língua estranha. Foi no meio desta confusão que um dia descobri que não havia Pai Natal. Os meus irmãos e primos encarregaram-se de me mostrar quem punha os presentes em redor da árvore que via gigantesca. Tinha quatro anos e fiquei triste. Não pelo facto de não haver Pai Natal, mas porque fui obrigado a aceitar a tese de uns primos que defendiam com tenacidade que os presentes eram dados pelo Menino Jesus. E eu sempre detestei perder, não fiquei com esse jeito só quando cheguei a adulto…
Um certo ano, aquelas pessoas de sotaque e linguarejar estranho, não vieram no Natal. Nesse ano os meus avós choraram muito, os meus pais escondiam de nós as lágrimas, mas uma noite dei com eles e os meus tios a chorar baixinho numa sala, onde se costumavam reunir a seguir ao jantar para tomar café, fumar e jogar às cartas. Nesse ano também tive menos presentes. No ano seguinte a cena repetiu-se e, no outro ano, a minha irmã casou e não veio passar o Natal connosco porque, disseram-me, tinha ido com o marido para África passar o Natal. Nesse ano fui eu quem chorou muito com saudades da minha irmã que só voltaria no ano seguinte. Mas nesse ano, por decisão do meu avô, cada um passou a organizar o Natal na sua própria casa e o Natal ficou mais pequenino. Quer dizer… com menos espaço, menos gente e durou apenas uma noite e o dia seguinte. A minha irmã e o meu cunhado falavam de guerras, de fome de África, de terroristas e de um sítio qualquer que alguém nos tinha roubado na Índia. Desde que soube dos terroristas, o Natal passou a ser diferente. Não foi por culpa dos terroristas, mas por saber as consequências da guerra. Por descobrir que nem em todo o mundo as mesas de Natal eram fartas e que havia gente a morrer nessa noite que me tinham dito ser uma Noite de Paz. Nunca mais acreditei na Graça, a minha catequista.
Nos anos seguintes o Natal voltou a crescer. O meu irmão mais velho também tinha casado e vieram os sobrinhos, que eu via como irmãos mais novos.

Numa noite de princípios de Novembro de 1973, hesitava entre vir a Portugal ou ficar em Inglaterra a passar o Natal com o meu irmão e as nossas namoradas, o telefone tocou. Era a minha mãe em alvoroço. Aqueles familiares de linguarejar estranho( agora sabia viverem no hemisfério sul) que a morte ainda não tinha levado, iam passar o Natal ao Porto. E ia também a minha cunhada alemã e a minha tia sueca, que confeccionava um arroz de pato gabado em toda a família. Pronto, já agora íamos também nós com as nossas namoradas inglesas, sempre era mais uma nacionalidade . E os meus avós e os meus tios voltavam a juntar-se, mas agora no espaço mais reduzido da nossa casa do Porto. Quase 60 pessoas. Bandeiras de várias nacionalidades enfeitando as mesas, num prenúncio de globalização. Dois Pais Natal em vez de um, para ajudar na distribuição dos presentes à miudagem. Foi o meu último Natal. Nos cinco anos seguintes a família era dizimada. Desapareceram avós, tios, o meu pai, cunhados e irmãos. Os Natais começaram a ser vividos com nós atravessados na garganta, quando olhava para os lugares vazios, e a ânsia de que o tempo passasse depressa. Decidi internacionalizar o meu Natal. Deixei de ir ao Porto e passei-os na lonjura das Maldivas, Vanuatu, Tailândia, Argentina, Singapura, Macau Goa ou Malaca, acompanhado por ninfas, boas doses de álcool e gargalhadas tão falsas como o Natal que hoje em dia o mundo celebra.

Vi Pais Natal, fardados a preceito, chegarem de barco a uma ilha das Maldivas, debaixo de um calor tórrido, ou desembarcarem nas noites frias de Ushuaia. Vi, na Tailândia e na Malásia, empregados de hotéis e restaurantes,a distribuir aos turistas ocidentais máscaras carnavalescas, para celebrarem a noite de Natal. Ateei fogo ao espantalho da Ditadura em Pinamar e no rio Tigre. Vi o consumismo mascarar-se de Menino Jesus em Singapura ou Hong- Kong. Revivi o verdadeiro espírito de Natal em Goa e em Malaca, fui José numa ilha deserta de Vanuatu, onde rumei na companhia de uma namorada vietnamita para um Natal a dois ( onde o bacalhau foi substituído por delicioso peixe fresco pescado por um guia que se encarregou de nos preparar a ceia ) e dormimos ao relento, sob a vigilância de uma Lua Cheia que nos acariciava os corpos nus e penetrava as nossas almas.

Vi e vivi Natais para todos os gostos. Até cansar.

Hoje, o Natal é a noite de ceia com os sem abrigo. A noite de 24? Três pessoas, de gerações diferentes, à volta de uma mesa onde abundam os lugares vazios repletos de memórias por preencher, crianças, jovens e adultos que voaram para o hemisfério sul percorrendo, quase meio século depois, o caminho inverso dos seus avós, fardas de Pai Natal arrumadas numa arca, à espera de alguém que as reclame. O meu Natal voltou a ser vivido em família. Sem entusiasmos consumistas, nem iluminações, mas com as indispensáveis iguarias da época. E com muitas saudades do hemisfério sul...


Pronto, agora que já sabem o significado do Natal para mim, vão saber a opinião da minha querida parceira destas Crónicas de Graça, que regressam em Janeiro.

32 comentários:

  1. É por isso, Carlos, que cada vez mais dou importância ao Natal, no sentido de oportunidade sentida para reunir a família antes que mais não tenhamos que recordações e lugares vazios à mesa.
    Como eu costumo dizer, viver o Natal a rir e a fazer rir, enquanto posso, pois, pela lei natural das coisas, terei muito tempo para o sentir triste e saudoso....

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  2. A inveja é um sentimento muito feio, e então numa época destas é horrível.
    Mais uma vez ao ler as suas crónicas sinto uma invejazinha a roer cá dentro de mim: também eu quero escrever com o seu à vontade e desenvoltura.
    O Rochedo consegue prender a atenção dos leitores desde as primeiras até às últimas palavras. Quem sabe, sabe!!!

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  3. Percebo a nostalgia dos Natais de criança quando ainda não havia lugares vazios na mesa.
    Conheço bem a sensação.
    Só que fiquei com o espírito e passei-o aos meus filhos e como ainda tenho os meus pais, cá vamos conseguindo fazer o nosso Natal.
    Veludinhos

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  4. Passei três natais nessa tal de "guerra". Depois disso ainda a fiquei a odiar mais. Julguei ficar a odiar o Natal também, mas não, é a festa da família desde os tempos da avó Mariana.

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  5. Carlos
    Viajar no tempo e no espaço, percorrer com você os Natais de sua vida, foi emoção, pura emoção. Os Natais de sua infância eram o sonho de um menina pobre que vivia numa casa onde a alegria, a paz e o amor existiam em cada canto, em cada coração... Apesar de feliz, havia o sonho da beleza, da magia dos Natais europeus.
    Que este seu Natal passado a três seja muito lindo, cheio de amor e paz e que todas estas lembranças que dividiu conosco derramem em seus corações a ternura dos momentos vividos.
    Seja este, para os três, um lindo, um mágico Natal.

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  6. Pode dizer-se que experimentas-te um pouco de tudo o que é ou pode ser o Natal...
    também eu tenho (como talvez todos nós) boas lembranças outras bem mais tristes, mas é assim a vida, aprendi aceitar o que a vida nos vai oferecendo, os lugares vazios já são alguns e bem importantes por sinal, e que ficaram vazios nesta altura do ano.... mas outros foram sendo ocupados é a vida que se renova é o Natal que vai acontecendo independentemente da altura do ano...
    Fiquei assim como que um pouco nostalgica a pensar, mas sei que quem já não ocupa os lugares á mesa continua a gostar de nos ver reunidos a celebrar em sua honra estes dias que para eles eram tão especiais...para nós também.
    Não importa onde...desde que aconteça Natal dentro de nós, no nosso coração :)

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  7. Todos nós de um modo ou outro sentimos nesta época uma mistura de sentimentos que nos deixa por vezes de rastos.Tambem por aqui o Natal tem "evoluido" desde as férias de Natal em casa dos avós do meu marido cheia de tios e primos e irmãos, depois nas ceias em casa dos pais dele com todas as sete irmãs e os inumeros sobrinhos até a estes natais em que cada um fica em sua casa com a sua familia mais proxima(filhos e netos).Mas os lugares vazios são preenchidos sempre com amigos que estão sozinhos , a quem a vida já lhes retirou não só os avós ou os pais mas a mulher /o marido , filhos que se afastaram e a Familia continua . Nesta transição de casa dos avós até aos Natais presentes tambem nós fizemos algumas viagens e passamos estes dias fora em locais longe de casa , só com os miudos .
    Agora , desde há uns anos com os netos estamos no lugar dos avós e sentimos que lhes devemos dar aquilo que recebemos , o sentido de continuidade para que eles sintam que pertencem a algum lugar , que nem que seja em dezembro vejam os tios todos .
    Até o ano passado sempre fui trabalhar umas horas na urgência de um hospital pediatrico ,mas agora sinto que faço mais falta /mais sentido aqui no meio deles .Depois de um periodo de desajustamento encontrei de novo o meu lugar e principalmente uma paz interior que me permite passar a época .
    :)Isto hoje merecia um marcador de "intimo e pessoal"mas é importante partilhar consigo , depois de ler o que escreveu hoje aquilo que se passou/passa noutras casa,noutras familias.
    Beijinhos e uma boa consoada .

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  8. Pois... o Natal...
    Gostei dos pontos de vista...
    Eu também venho de uma familia grande, e também me lembra dos natais cheios de gente à mesa (pais e avos, irmãos, primos e tios..)... Mas depois foram os casamentos, os divórcios e os segundos casamentos, as mortes e os desencontros... e a fragmentação da família...
    Confesso que nunca achei grande piada ao natal, mas agora até me "deprime"...
    Os doces... ai os doces! são a minha perdição... não há um doce que eu não goste... e o chocolate quente do dia seguinte!... de chorar por mais!
    Quanto ao resto, não o suporto... e as reuniões familiares... são mais frequentes durante todo o ano que propriamente no natal!

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  9. O Natal traduz em termos familiares o estado de alma da mesma, por muito que se faça, pelos anciões das familias, não há forma de colmatar entes queridos que se foram, se bem que as crianças entretanto nascidas dão novamente alegria, agitação e sabor ao Natal que disfarça essas faltas.Este ano no Natal temos uma falta que é o avô da minha mulher que está em Belver num centro de idosos, internado,vamos lá durante a semana que vem,mas é menos um lugar na noite de consoada em Coimbra.
    Um bom Natal para si Carlos e familia.Um excelente 2010 e que tudo corra como deseja, são os meus fotos.Tem sido um prazer conversar consigo.
    Estou de Férias, há 20 minutos e como tal,um até já e um abraço.

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  10. Muito interessante a sua experiência, Carlos. Também confirma a minha convicção de que o Natal - para além da componente religiosa, que cada um viverá à sua maneira – apenas é realmente mágico para as crianças. Penso que por elas, essencialmente por elas, vale a pena manter certos rituais, como a grande reunião familiar. :-)

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  11. Nostálgica e melancólica, como são todas as nossas viagens ao passado.
    Mais ainda, quando falamos de uma quadra tão especial, familiar e íntima como é o Natal.
    Tenho para mim, que devemos tirar de lá tudo o que ele - Natal-reunião-alegria - nos trouxe de bom e nos marcou para sempre.

    também se viajou - mais uma vez - por aqui. Com tantas tradições que poucos de nós conhecem. Muito interessante, deixando-nos a curiosidade aguçada para sabermos mais.

    Já várias vezes lhe disse, que devia editar essas suas experiências de Marco Polo.

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  12. Ás vezes penso que a noite de consoada acaba por ser uma noite, um momento, uma noite igual a tantas outras. Semanalmente almoço e janto em família, em momentos de paz e . Para mim o Natal tem o devido encanto no sorriso das crianças, as mesmas que agora preenchem a saudade deixada nas cadeiras à volta da mesa. Com o passar do tempo mantive o mesmo espírito e com o percurso da vida ganhei uma família. A ceia de Natal tem agora mais lugares à mesa. Por isso posso dizer que sou um afortunado, claro que não será eterno, por isso mais vale aproveitar todos os pedacinhos de felicidade.

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  13. Como gostei de ler e relembrar, tanta situação, tão paralelas à da minha família, à da minha infância, à da minha adolescência... Não tenho parentes estrangeiros nem emigrados, não tive familiares em África, tive-os quando foram para uma guerra que lhes era estranha, felizmente todos regressaram…
    Mas os meus Natais passados tiveram magia, a magia que o calor de uma família unida e de certo modo numerosa pode proporcionar.
    Hoje não sinto vazio como declarei na "minha árvore" mas sinto o silêncio dos ausentes. Escuto e oiço com emoção, as risadas dos meus netos e neles revejo o AMOR e a TERNURA sempre presentes.
    Como o "invejo" pelos Natais passados pelo espaço terra... mas as responsabilidades
    familiares e profissionais foram um travão à minha costela aventureira.
    Não fui suficientemente ousada para me aventurar…
    Este Natal ousei, nunca é tarde para se ousar, vou passá-lo a casa de outra família, uma família que também me ama, vou com um pendura, o meu filho mais velho.
    Obrigada Carlos por este seu Natal!
    Abracinho

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  14. De Carlos Ferreira da Cruz a 17 de Dezembro de 2009 às 22:39
    Mensagem para Carlos Barbosa Oliveira.
    Li a informação de que já pertenceu ao Grupo Onomástico "Os Carlos". Posso dizer-lhe que o Grupo ainda existe e elegeu, em 7/11 uma Comissão Administrativa, estando, neste momento à procura de novos sócios e colaboradores que justifiquem a razão de existir no domínio em que deve actuar - Cultura e Filantropia. Esta mensagem é apenas para estabelecer contacto consigo se estiver interessado. Pertenço à CA do Grupo que tem o seguinte email: carlosgrpo@gmail.com e criou recentemente um blog: http://oscarlosgronomastico.blogspot.com. Esperamos o seu contacto.
    Carlos Ferreira da Cruz 17/12/2009

    Desculpe de utilizar este meio mas a minha experiência com blogs ainda é muito reduzida.

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  15. Também tive a sorte de ter uns Natais optimos, cheios de tios, tias, primos, primas, brincadeiras e gargalhadas.
    Depois da minha avó morrer, entre casamentos, mudanças de casa, separações e viagens durante mais de uma década andámos todos cada um para seu lado, ligados pelo telefone.
    Hoje em dia estamos todos a regressar ao "antigamente", a SEDE mudou e aos poucos estamos a iniciar uma nova tradição.
    Deixámos Trás-os-Montes para as férias de Verão e ficamos em Lisboa no Natal.
    Embora também seja bom, eu preferia a casa da Avó...
    As minhas melhores recordações são os Natais na avó.
    Desejo que todas as crianças possam ter a minha sorte.
    Boas Festas

    Nota interessante: em casa da minha avó, a arvore era enfeitada só com chocolates e não se davam presentes.
    Nunca sentimos falta deles!!!!

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  16. A minha melhor noite de Natal de 24 para 25,__enquanto adulta__, foi numa ronda de uma carrinha da Vida e Paz,com os sem-abrigo de uma zona de Lisboa.
    abraço
    zoe

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  17. Olha querido Carlos,
    Percebo a tua nostalgia de outros Natais. Como percebo...
    Desta vez porém, devo dizer-te que preferi o Natal da nossa amiga comum Amélinha. Foi tão vivido, tão corrido, tão intenso que me identifiquei, porque quero, porque sim, com aquele Natal Português apenas com familiares de várias províncias que já nem se lembram de África ou guerras ou seja lá o que for.
    É bom ter memória mas esquecer o que dói.
    Estou a começar a esquecer...

    Abraços Natalícios

    ___________________Paz
    __________________União
    _________________Alegrias
    ________________Esperanças
    _______________Amor.Sucesso
    ______________Realizações★Luz
    _____________Respeito★harmonia
    ____________Saúde★..solidariedade
    ___________Felicidade★...Humildade
    __________Confraternização★..Pureza
    _________Amizade★Sabedoria★.Perdão
    ________Igualdade★Liberdade.Boa-.sorte
    _______Sinceridade★Estima★.Fraternidade
    ______Equilíbrio★Dignidade★..Benevolência
    _____Fé★Bondade_Paciência.★.Gratidão_Força
    ____Tenacidade★Prosperidade★.Reconhecimento
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  18. Gostei dos seus Natais, Carlos. Acho que já disse muitas vezes que gosto imenso dos seus textos longos, sobretudo quando fala das suas vivências.

    Nunca gostei do Natal, nem sei porquê, não o posso evitar. Só me alegra saber que vêm à minha casa meus irmãos para finais de ano, mas acho que vou passar essa reunião para o verão. Dá muito mais jeito. E próximo ano fujo ao fim do mundo.

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  19. Até aos 11 anos os meus Natais foram todos felizes. Éramos só os 4 (pais, irmão e eu) em Luanda, mas com uma quantidade de amigos que valiam como família. Era uma animação.
    Depois veio o 25 de Abril de 1974 e tudo se complicou.
    A partir daí valeram os Natais passados em Goa (ainda alguns), onde o espírito de Natal era genuíno; lá não havia troca de presentes, mas era fantástico ver o espírito de comunhão na elaboração das comidas, na criação de criativos presépios e das estrelas de David a iluminarem tantas fachadas. Aí juntávamos, finalmente, as famílias do lado paterno e materno espalhadas pela diáspora.
    Os avós morreram, nós todos crescemos e criámos as nossas famílias. Em Goa deixámos de nos encontrar todos ao mesmo tempo.
    Voltei a sentir o verdadeiro espírito de Natal quando os meus bébés nasceram e foi uma animação até eles se terem tornado adolescentes.
    Mais mortes sobrevieram e agora estou à espera que a família se renove.

    PS.: tem resposta ao seu PS no 31: post DDN. :D

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  20. OLá,
    Gostei imenso do texto. Muitos natais diversos já fazem parte da nossa vida, mas em mim há sempre uma coisa triste associada ao mesmo, é um sentimento de perda!...
    Um grande abraço e um Bom Natal.
    Manuela

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  21. É inevitável sentir essa nostalgia de natais passados e daqueles que nos rodeavam quando éramos crianças, inocentes e ingénuas dos males do mundo.

    Faz parte do "crescimento", suponho! De qualquer forma adorei este texto, até um pouco comovente (e se tenho lido textos natalícios...).

    Mas parece-me que a minha "obrigação" (ou a nossa?) é proporcionar às gerações vindouras um Natal que cada um deles (filhos, sobrinhos, etc.) recorde um dia mais tarde, como bons momentos e, quem sabe, com a mesma nostalgia...

    Beijocas e Bom Natal, Carlos!

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  22. Aiiii, Carlos. Estou sem palavras.

    (acho que vou roubar um bocadinho dos seus Natais)

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  23. tão bom lê-lo. mais uma vez.

    Feliz Natal :)

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  24. Que delicia ter um sem fim de ricas e intenss experiencias para relembrar numa só data!

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  25. Aqui os Natais foram reduzindo também, mas sempre giraram em torno das crianças.Quando éramos pequenos, quando nossos filhos eram pequenos e quando os filhos dos outros ainda são pequenos.
    Hoje meu Natal espiritual começa bem antes, preparando as prendas das crianças do abrigo.São eles que me aquecem o coração, através do amor.
    Já o meu Natal material é representado por algumas guloseimas clássicas aqui de casa como as rabanadas, os fios de ovos e o tender(ou presunto). São elas que me aquecem a mente, através da memória.

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  26. Teresa Fidalgo e Ups: muito obrigado pela vossa primeira visita a este Rochedo. Espero que se tornem frequentadores habituais. Já visitei os vossos blogs e lá deixei també o meu comentário.

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  27. Teresa Fidalgo e Ups: muito obrigado pela vossa primeira visita a este Rochedo. Espero que se tornem frequentadores habituais. Já visitei os vossos blogs e lá deixei també o meu comentário.

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  28. A todos:
    Obrigado pr terem parilhado comigo as vossas experiências natalícias.
    Antes de partir para férias, ainda deixarei aqui um postalinho de Boas Festas mas, desde já, quero desejar a todos os que aqui comentaram um Feliz Natal e que 2010 vos permita realizar os vossos desejos.

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  29. Estou sem palavras...Belíssima crónica!
    Carlos,passe bem esses dias, um abraço!

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  30. Carlos gostei muito de ler este post.
    Há muita emoção aqui...

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