A importância da floresta nos equilíbrios ambientais é vital. As florestas têm uma função de “esponja” por ocasião das estações das chuvas, reduzindo os efeitos das inundações. Constituem, além disso, uma fonte de diversidade genética que é objecto de cobiça por parte das empresas de biotecnologia.Quer se fale de florestas boreais, temperadas ou tropicais, elas são os pulmões verdes da Terra, ainda não explorados industrialmente, mas que já só representam 7 por cento da área do planeta. E continuam a ser devastadas, pois em cada ano desaparecem cerca de 10 milhões de hectares, à razão de um campo de futebol em cada dois segundos.
Um dos casos mais terríveis é o da Indonésia, que já perdeu cerca de 75 por cento das suas florestas originais.A tomada de consciência do problema por parte dos consumidores será decisiva .Sondagens indicam que 62 por cento dos americanos são de opinião que as empresas não deviam utilizar ou vender madeiras provenientes de florestas antigas. Em França, um inquérito revela que 92 por cento dos cidadãos estariam dispostos a pagar mais por produtos que respeitassem o ambiente. No entanto, apesar desta tomada de consciência, só a generalização de um sistema fiável e independente de certificação pode inverter a tendência que hoje é dominante. A dificuldade consiste em conciliar uma política de transparência dos fornecedores com a aquisição de madeiras cuja origem e método de produção seja conhecido. Com efeito, só um dispositivo que permita seguir o percurso de um produto até à matéria-prima que o origina poderá anular contratos com fornecedores que se recusem a aceitar estas regras.
Começa a ganhar forma um movimento de eco-certificação que, no entanto, ainda é bastante incipiente. No final do ano 2000, a certificação abrangia menos de dois por cento da superfície florestal mundial, ou seja, 80 milhões de hectares, quase inteiramente localizados nos Estados Unidos, Finlândia, Noruega, Suécia, Canadá, Alemanha e Polónia. Durante esta década, a situação manteve-se praticamente inalterada.... Por outro lado, cerca de 90 por cento das florestas situadas em países industrializados são exploradas de acordo com um plano de gestão, enquanto nos países em desenvolvimento essa percentagem é de uns escassos 6 por cento.
Os principais responsáveis por este descalabro são, segundo as organizações ambientalistas, as 150 empresas, na maioria multinacionais, que dominam o mercado mundial de produtos florestais. Na sua maior parte recusam as premissas de um rótulo ecológico para os seus produtos, e muitos especialistas interpretam essa posição como o sinal de uma recusa em explorar novas variedades de madeiras não ameaçadas pela desflorestação. De facto, a maioria das madeiras exóticas ou tropicais que são alvo de uma exploração excessiva são fáceis de trabalhar para fabricar objectos tão comuns como portas, janelas ou móveis. Optar pela exploração de outras madeiras implica uma transformação mais complexa que exigiria novos investimentos de capital. Porque haveriam de fazê-lo se é mais fácil continuar a delapidar, sob o olhar indiferente da opinião pública, recursos florestais que, a prazo, podem transformar o planeta num imenso deserto?


11 comentários:
Excelente!!!
E deveria haver uma lista pública com os nomes da empresas que dificultam o processo de certificação.
...olhar indiferente da opinião pública e , muitas vezes, conivências compradas das autoridades governamentais!
TSF - Ontem:
'Pressões dos EUA podem ter levado AIE a mentir sobre petróleo
O fim das reservas de petróleo pode estar mais perto do fim do que se julga e a produção actual também não pode ser mantida por muito mais tempo. O diário britânico The Guardian revela, esta terça-feira, que a Agência Internacional de Energia (AIE) não tem falado verdade e conta que tem sido pressionada pelos Estados Unidos para sobreavaliar as reservas mundiais.'
Sebastião, pede ao Carlos que pergunte em Copenhaga se não se deveria pôr aqui também um chip.....
Apesar do mérito de muitas iniciativas que se sucedem em todo o mundo no domínio duma produtividade e comercialização com consciência ambiental e ecológica, a verdade é que ainda há um longo caminho a percorrer.
Por parte da opinião pública também se pede mais exigência e rigor.
Tumalina: Pois devia, mas não há coragem...
Lúcia: E enriquecimento de govenantes, como é o caso da Libéria, por exemplo.
Si: O Carlos já me falou dessa notícia e até me pediu para escrever um post sobre o assunto. Diz ele que quando foi anunciado que se os níveis de consumo actuais se mantivessem, as reservas de petróleo esgotar-se-iam em 50 anos. Mas também é verdade que entretanto foram descobertas novos jazigos de grandes dimensões, nomeadamente no Brasil. Bem, mas eu depois conto tudo noutro pos, está bem? É que o Carlos anda tão atarefado que quando se vai deitar eu, cá fora, até o ouço a bufar!
Mas vou peir-lhe para responder pelo menos a essa do chip. Sabe que também me querem pôr um? Di que andam a contar as espécies, ou lá o que é, mas eu não acredito nada nisso.
Ferreira Pinto: as pessoas estão muito pouco informdas sobre as questões ambientais. Os poderes políticos parece que preferem assim, mas o despertar pode ser doloroso.
Pois é Sebastião, as florestas são o teu habitat, são vitais à existência de muitas espécies, pulmões e rins do planeta. Vive-se ainda o Homem empoleirado nas árvores e este planeta não estaria em perigo.
Tudo o que façamos para alertar as pessoas para a realidade ambiental é pouco.Para as pessoas a questão ambiental passa só pelos ecopontos, é melhor que nada, mas é manifestamente pouco.
Deveria ter escrito "Vivesse". My fault.
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