
Enquanto em Lisboa o jovem maoísta Durão Barroso fazia tirocínio no MRPP para líder europeu do século XXI, com discursos apopléticos em RGA’s - onde se exigiam passagens administrativas para os estudantes revolucionários - e investidas ao mobiliário da Faculdade de Direito, eu assinava no Porto, na véspera do 25 de Novembro, o acto constitutivo de uma cooperativa que apostava na formação dos portugueses e na criação de cooperativas de serviços, para combater o desemprego. O PREC não se fazia apenas na rua, nem falava a uma só voz... até havia um governo a fazer greve!
O dia 25 de Novembro deveria ter sido o dia do arranque, de trabalho intenso, mas as notícias vindas de Lisboa desassossegaram-nos. Não tenho qualquer pejo em afirmar que, pela primeira vez na minha vida, tive medo. A guerra civil parecia inevitável. Pensei meter-me ao caminho com um grupo de amigos e rumar a Lisboa. Saíra em Setembro da tropa, em pleno Verão quente de 75, o sangue fervia-me nas veias, se a guerra civil rebentasse eu queria estar em Lisboa e não no Porto, onde os principais líderes partidários se haviam refugiado uns dias antes, amedrontados com a hipótese da tomada de Lisboa, pelo Partido Comunista e algumas forças de esquerda. Já com o carro pronto a arrancar fomos dissuadidos, com o argumento de que havia barricadas na estrada e não conseguiríamos chegar a Lisboa.
Foi por isso no Porto, com um ouvido colado à rádio e outro ao telefone, que fui sabendo as notícias possíveis. Quando tudo acabou tinha a certeza que assistira, à distância, ao último acto da Revolução de Abril. Três meses depois abandonaria definitivamente o Porto, para não mais voltar. O 25 de Abril terminara naquela manhã de terça-feira.
O dia 25 de Novembro deveria ter sido o dia do arranque, de trabalho intenso, mas as notícias vindas de Lisboa desassossegaram-nos. Não tenho qualquer pejo em afirmar que, pela primeira vez na minha vida, tive medo. A guerra civil parecia inevitável. Pensei meter-me ao caminho com um grupo de amigos e rumar a Lisboa. Saíra em Setembro da tropa, em pleno Verão quente de 75, o sangue fervia-me nas veias, se a guerra civil rebentasse eu queria estar em Lisboa e não no Porto, onde os principais líderes partidários se haviam refugiado uns dias antes, amedrontados com a hipótese da tomada de Lisboa, pelo Partido Comunista e algumas forças de esquerda. Já com o carro pronto a arrancar fomos dissuadidos, com o argumento de que havia barricadas na estrada e não conseguiríamos chegar a Lisboa.
Foi por isso no Porto, com um ouvido colado à rádio e outro ao telefone, que fui sabendo as notícias possíveis. Quando tudo acabou tinha a certeza que assistira, à distância, ao último acto da Revolução de Abril. Três meses depois abandonaria definitivamente o Porto, para não mais voltar. O 25 de Abril terminara naquela manhã de terça-feira.
Não vou fazer aqui juízos de valor, para não correr o risco de ser mal interpretado. Lembro apenas que tudo começou a 7 desse mês, quando os estúdios da Rádio Renascença, na Buraca, foram atacados à bomba, a mando do Governo Provisório. Aquela que fora no tempo do Estado Novo a rádio da Igreja Católica, era na época a rádio rebelde e o governo decidiu silenciá-la. Perante os aplausos de alguns que hoje acusam o governo de querer acabar com a liberdade de expressão e silenciar a comunicação social “livre”( risos)
No dia 26 de Novembro, o "Le Monde" perguntava:
"Confronto entre ditadura e democracia ou esboroar de uma revolução romântica, à ‘Couraçado Potemkine’?"
Há muitos "mitos" à volta do 25 de Novembro e a verdadeira História está ainda por contar. Pretendeu resumir-se tudo a uma luta entre a democracia e o totalitarismo esquecendo, como sempre, que a vida não é a preto e branco. Hoje, o que se sabe, é que do 25 de Novembro emergiram,como heróis, alguns vultos pardos e foram acusados de cobardia outros que, pela sua postura, evitaram aquilo que poderia ter sido um banho de sangue. A História tem destas coisas. É (quase) sempre feita pelos vencedores e só muitos anos mais tarde se sabe toda a verdade.
Escrevo este post na noite de segunda-feira, quase no final do Prós e Contras. Perante a discussão inflamada sobre o comportamento dos agentes da justiça no processo "Face Oculta", houve momentos em que tive vontade de rir e outros em que fui assaltado pela fúria. Dei o assunto por encerrado quando me lembrei que estava em vésperas do 25 de Novembro. Alguns dos vencedores de 75 ainda não estão satisfeitos. Não lhes chegou a vitória, querem aniquilar os vestígios de democracia que ainda restam. Têm, em alguma comunicação social, aliados de peso. Cuidado com eles!
Há muitos "mitos" à volta do 25 de Novembro e a verdadeira História está ainda por contar. Pretendeu resumir-se tudo a uma luta entre a democracia e o totalitarismo esquecendo, como sempre, que a vida não é a preto e branco. Hoje, o que se sabe, é que do 25 de Novembro emergiram,como heróis, alguns vultos pardos e foram acusados de cobardia outros que, pela sua postura, evitaram aquilo que poderia ter sido um banho de sangue. A História tem destas coisas. É (quase) sempre feita pelos vencedores e só muitos anos mais tarde se sabe toda a verdade.
Escrevo este post na noite de segunda-feira, quase no final do Prós e Contras. Perante a discussão inflamada sobre o comportamento dos agentes da justiça no processo "Face Oculta", houve momentos em que tive vontade de rir e outros em que fui assaltado pela fúria. Dei o assunto por encerrado quando me lembrei que estava em vésperas do 25 de Novembro. Alguns dos vencedores de 75 ainda não estão satisfeitos. Não lhes chegou a vitória, querem aniquilar os vestígios de democracia que ainda restam. Têm, em alguma comunicação social, aliados de peso. Cuidado com eles!
A maior parte dos membros do grupo Baader-Meinhof ou morreu ou ainda está na cadeia. Os simpatisantes, esses sim, estão "convertidos à economia de mercado no seu modelo mais selvagem" ou casaram-se e tiveram 4 filhos!!!
ResponderEliminarUm dos advogados da RAF, Horst Mahler, foi mais tarde membro da NPD (Partido Nazi).
Há ainda esse jovem maoísta, que aderiu ao Partido Social Democrata, principal partido da direita portuguesa, no qual está filiado até hoje, e assume actualmente as funções de Presidente da Comissão Europeia.
Que mundo louco!!!
Ocorre-me mais uma vez a célebre frase do Otto von Bismarck...
O COMPLEXO BAADER MEINHOF de Uli Edel não é uma série, mas sim um filme, baseado no excelente livro do jornalista alemão Stefan Aust.
Onde se encontra actualmente o amigo Rochedo, políticamente, já se vê?!
Entretanto, o 25 de Novembro continua a ser visto de 2 lados: de um os que acham que a liberdade começou ali; outros acham que acabou a festa de Abril. Entremuros, há muitas coisas a esclarecer. A História fará esse papel.
ResponderEliminarE todo o cuidado não é pouco!
ResponderEliminarDesse período conturbado da nossa história eu era um fedelho de nove anos e recordo bem as expressões de preocupação que o meu pai trazia para casa. Outra imagem que guardo no HD foi passada numa tarde no colégio. De repente, saído do nada, um trovão rasgar os ares e sobressalta a sala, os vidros e as carteiras estremecem, os armários estalam, a professora entra em pânico "é a guerra!!!" e eu calmo e sereno de nariz encostado à janela deslumbrado com uma formação aérea de FIAT's que passava num voo rasante sobre as nossas cabecinhas!
Lembro-me de ver o meu pai muito nervoso neste dia.
ResponderEliminarClaro que não percebi o que se estava a passar, só me lembro de ver o Pinheiro de Azevedo e o Ramalho Eanes e de falarem muito no Otelo.
O meu pai tem um amigo que era deputado na altura e lembro-me de ele estar a falar sobre umas actividades nocturnas, que não pareciam nada pacificas...
Gostei de ler. E na realidade, em relação a este assunto, tenho pena de ter cerca de 10 ou 11 anos anos menos que o Carlos.
ResponderEliminarPor não ter vivido as coisas assim com este "fervor".
Perdoe a palavra em desuso, mas gosto dela.
Quanto ao "pró e contras" está muito além da minha capacidade de me estupidificar e como não tenho obrigação de acompanhamento, não vejo...
Passe bem!
Para se entender (se é que alguma vez se entenderá) o 25 de Novembro, tem no post uma frase que dz tudo: "a história é sempre feita pelos vencedores"...
ResponderEliminarSó para desanuviar e fazer com que se ria ou pelo menos sorria, conto o que me aconteceu nesse dia.
ResponderEliminarEstava de banco, 24 h no hospital D.Estefania. Pelas 2 e picos da madrugada o chefe de equipe juntou os membros da equipe e avisou que talvez as coisas se complicassem…nunca se sabe bem…olhe você a rapariga (me) tem os miúdos em casa é melhor ir embora.
Fui sim senhor que naquela altura ordem de chefe era para ser cumprida.
O meu minúsculo Fiat 600 foi mandado parar numa barricada no Campo Grande e a “rapariga” esteve até ao dia amanhecer tentado explicar que não era revolucionária, só queria ir para casa.
O bom do chefe de equipe esqueceu avisar que havia recolher obrigatórioe um soldado, aquele rapazote que me pedia explicações para o passeio nocturno repetiu horas a fio: -“ ainda que fosse a caminho do trabalho eu ainda compreendia, mas sozinha a dizer que vem e não respeita o recolher…tem de entender que é estranho.”
É verdade não encontraram armas no Fiat 600, para grande desgosto dos soldadinhos.
Teve piada diga lá se não teve?:)
Nem tudo é a preto e branco, nem tanto ao mar, nem tanto à terra, mas ainda bem que não nos tornámos em mais uma colónia da URSS.
ResponderEliminarE não concordo consigo quando diz que o 25 de Abril terminou naquela manhã de terça-feira.
Todas as revoluções trazem-nos boas e más novidades. O 25 de Abril, apesar de tudo venceu.
Estamos pior em muita coisa, mas estamos muito melhor noutras. Não podemos, infelizmente, é ter tudo.
Mas isso nenhum 25 de Abril consegue. Está dentro de todos nós.
Ora aqui está um tempo do qual não tenho as mínimas memórias. Mas imagino a confusão que se viveu neste país no após 25 de Abril...
ResponderEliminarDiz bem Carlos, cuidado com eles!
ResponderEliminarA história do 25 de Novembro está de facto por contar. Espero uma de duas coisas que alguns desses vencedores, na hora de sair de cena contem o que agora escondem, ou então quando por cá já não andarem, o medo já tenha desaparecido, e algum verdadeiro historiador meta mãos à obra e investigue a fundo. Haverá muita surpresa quando a história deixar de ser feita pelos vencedores.
Carlos,
ResponderEliminarNa verdade ainda há muito para se saber da revolução, e neste caso, do 25 de Novembro. Só me lembro que houve o "entrave" de ser metida no Campo Pequeno, pedido feito por um negrume chamado Otelo. Onde andava ele e os seus "capangas" em 73,72,71? A pedir para fazer comissões de serviço em Angola, bem instalados e com todas as benesses nas ditas" messes dos oficiais"?
Para mim essa data pos um travão ao comunismo e só por isso valeu.
Beijo
BACOUCA
Mas em Angola os caras conseguiram e o estrago está a precisar que tomemos providências.
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