Cheguei a Ljubliana numa tarde tórrida de Junho, com a temperatura a rondar os 40º. Saíra de manhã cedo de Split, na Croácia, preparado para perder algumas horas na fronteira. As longas filas de automóveis que encontrei faziam, porém, o caminho no sentido inverso. Eram às centenas os carros de turistas alemães, italianos, austríacos, húngaros e checos, em demanda das praias da costa croata. Alguns levavam barcos atrelados e o seu destino seria muito provavelmente a ilha de Hvar ou uma das centenas de ilhas ainda por descobrir pelo turismo de massas, ao largo da costa adriática. As formalidades na fronteira foram rápidas. Pouco mais de 10 minutos. Decidi, por isso, visitar as maravilhosas grutas de Postojna e o castelo de Predjama de onde se desfruta uma paisagem invejável de matizes verdes, impecavelmente limpas e tratadas. Agradeci mil vezes à recepcionista do hotel em Split, que me aconselhou a alugar um carro com ar condicionado pois, em virtude da diferença de preço, estava tentado a prescindir desse luxo . Teria certamente esturricado durante a viagem tal era a canícula que se fazia sentir.
Como disse, cheguei a Ljubliana perto do final da tarde. Tempo para ir ao hotel , tomar um duche e apanhar o elevador até ao castelo, de onde se pode abarcar uma magnífica vista da pequena capital eslovena. Lá em baixo, o rio Ljublinica , a ponte dos Dragões , a ponte Tripla, a praça Preseren e gente. Muita gente, maioritariamente jovem, sentada nas esplanadas, desfrutando a leve brisa que começara a soprar .
Desci em direcção ao centro histórico. Sentei-me numa esplanada a programar as visitas do dia seguinte, porque Ljubliana é uma cidade rica de cultura. Comi um Cevapi e fui entrando em vários bares. Pelo prazer da descoberta.Acabei por me sentar num bar com menos bulício, onde a música me agradou. Sem perceber muito bem como, ao fim de pouco tempo estava a conversar com meia dúzia de pessoas. A noite estendeu-se para além do que previra e, no regresso ao hotel, não pude deixar de fazer uma viagem ao passado.
Tinham passado mais de 20 anos sobre a minha passagem por Ljubliana. Na altura ainda era apenas uma pequena cidade da Jugoslávia e o meu destino era Split. O contraste é gritante. Hoje, a capital da Eslovénia é uma cidade cosmopolita, transbordante de alegria, onde a juventude parece maioritária. Tão diferente desta Ljubliana que conheci nos anos 80…
Carlos está um expert a blogar, sim senhor. O vimos do DO para o CR ou vice versa e isso só acontece porque os post´s são sempre muito interessantes.Quem disse que o tamanho dos post´s conta?
ResponderEliminarO que eu adoro viajar consigo, nestes posts. Vá e depois? conte mais.
ResponderEliminarE que raio é um Cevapi? Sabe a quê?
Quero lá ir...
ResponderEliminarbjs
Adorei Ljubliana, Carlos. Há tempos falei na viagem que fiz pela Croácia, Montenegro e Eslovénia. Mais na Croácia, porque foi por lá que comecei.A Eslovénia teve de esperar, mas, para mim, depois de uma Croácia lindíssima, mas tórrida ( fui num Agosto )a Eslovénia, tão verde, tão calma ( menos gente ) e mais fresca, foi um bálsamo.
ResponderEliminarPoxa! Deu para viajar no tempo e na história. E ficar morrendo de vontade de ir para lá. :)
ResponderEliminarDois momentos de uma mesma cidade...este post, complementado pelo outro, está divino!
ResponderEliminarO fim do comunismo fica a todos tão bem.
ResponderEliminarNeste caso vertente, claro.
Melhor dizendo e oara ser mais abrangente e total: O Totalitarismo fica, glbalmente, muito mal.