
“Deixa-me seduzir-te!” parecem dizer as embalagens nos escaparates, quando percorremos as complicadas artérias de um hipermercado ou de um centro comercial. Latas de bolachas, pacotes de leite, frascos de perfume, garrafas de refrigerantes, caixas de bombons e uma parafernália de produtos tentam seduzir-nos através das suas roupagens enganadoras, utilizadas como estratégia de marketing para atrair a atenção dos consumidores.
Quando optamos pela compra de um produto, nem sempre nos apercebemos do poder que a embalagem tem sobre a nossa escolha. No entanto o seu efeito persuasivo não é inócuo, como o testemunha o facto de existirem revistas especializadas sobre embalagens, feiras, exposições e outros certames para a promover e ter sido criado, nos anos 90, um curso de pós-graduação em embalagens com a duração de três anos.
Para os mais cépticos, sobre o poder da embalagem nas nossas escolhas, lembro uma experiência realizada nos anos 30 do século passado ( a primeira que conheço no género).Uma garrafa com uma bebida, em duas embalagens diferentes, foi apresentada a um grupo de consumidores, omitindo-se, porém que o conteúdo era exactamente o mesmo. Uma das embalagens tinha círculos e a outra triângulos e pedia-se aos consumidores para escolher uma e justificar a opção.A maioria dos consumidores escolheu a embalagem com círculos, alegando que “parecia conter um produto com mais qualidade”. Quando provaram o conteúdo de ambas as embalagens, só 2% dos inquiridos acharam que, afinal(?), a bebida da garrafa embalada numa embalagem com círculos, era pior! Os restantes mantiveram a sua opinião inicial.
A embalagem é um vendedor incansável e omnipresente aos nossos olhos, um manipulador silencioso que nos “ajuda” a optar por determinado dentífrico, sabonete, ou marca de vinho, quando a nossa escolha não está previamente feita em função da publicidade ou de um qualquer desígnio afectivo ou consuetudinário.Algumas embalagens tornaram-se famosas e destacam-se facilmente do conjunto de mais de 10 mil que observamos em pouco mais de uma hora que demoramos a percorrer os corredores de um hipermercado. É o caso, por exemplo, das sopas Campbell’s, das velhas garrafas de Coca Cola e Pepsi, do atum Bom Petisco, do ketchup Heinz, ou dos cigarros Marlboro. Entre estas, há mesmo o caso do frasco de ketchup da Heinz, cujas dimensões obrigaram, em tempos, a “normalizar” as dimensões das prateleiras dos frigoríficos em metade do mundo.
No entanto, apesar deste efeito de sedução, as embalagens são, geralmente, um dos maiores inimigos do ambiente.Amanhã, explico porquê.
Carlos,
ResponderEliminarSabes que desde que começou a crise comecei a reconsiderar esse tipo de ratoeira? Agora já sou capaz de optar pelos produtos da linha branca sem qualquer tipo de angústia. São bons e mais baratos. Diria até que, no final do mês, se optarmos por esses produtos, faremos uma economia considerável.
Aconselho vivamente os teus leitores a fazerem o mesmo.
Olá Carlos,
ResponderEliminarEnquanto lia o seu post não consegui evitar de pensar em como as roupas têm o mesmo efeito das embalagens!
Mas isso, dá matéria para outro post..
Até amanhã
olá!
ResponderEliminarEste tipo de sedução, "a roupagem"...também se aplica ás pessoas, não?...
E às vezes è cada "bànhada."...
A velha estória de que o invólucro, nem sempre corresponde ao conteudo...
Espero pelo àmanhã.
Abraço
Carlos
ResponderEliminarAté o título do post foi um convite a corrida para lê-lo.rsrsr
Assino o texto e concordo as diversas maneiras como esse inimigo pode ver "vestido" e atacar nosso meio ambiente.
Bjim
Passo só para deixar o meu :))))
ResponderEliminarSem tempo, Carlos. Sem tempo...
Abraço
:))))
Eu detesto CocaCola, mas suas embalagens e propaganda são sensacionais!
ResponderEliminarAgora, quanto a ser um problema a embalagem, é verdade. Normalmente é plástico. Um problemão ainda a ser resolvido.
Li este post com um sorriso, desde o princípio, lembrando-me que os olhos também comem, Carlos. Mas não há bela sem senão. Amanhã virei cá para saber porquê.
ResponderEliminarA embalagem pior somos mesmo nós, salvo alguns conteúdos.
ResponderEliminarE depois estão as embalagens para os produtos que vêem sem elas. Tenho de estar atenta sempre nos postos de produtos frescos para não os embalarem mais do imprescindível e a rejeitar os sacos nas caixas, onde ainda me olham com cara de surpresa por isso, mesmo que aquele ao que vou habitualmente já passasse, até que em fim!, a cobrar por eles.
ResponderEliminarEu deixo-me cativar pela imagem dos produtos, pela sua estética, cores, texturas e formatos. Aliás, a minha profissão tem muito a ver com isso: imagem.
ResponderEliminarmas como na minha profissão, tenho de dar em igual medida muita atenção ao conforto e não só ao aspecto do produto, nas compras do supermercado também reparo de imediato no preço.
Por vezes até compro, mesmo que seja caro, só para experimentar.
Umas vezes acerto, outras não.
Mas tudo o que diga respeito a imagem, seja qual for o sector, nos nossos dias conta cada vez mais.
É tudo uma questão de costume.Já fui uma adolescente deslumbrada por embalagens, principalmente caixas e latas.Aliás as latas ainda me seduzem...mas aprendi à racionalizar...
ResponderEliminarÉ...a tentação é grande, mas resistir é preciso :o)
Ainda há dias caí nessa ratoeira, não tanto com a embalagem mas com a oferta promocional associada. E é com os erros que se vai aprendendo!
ResponderEliminarNão sou mais sensível às embalagens dos produtos, Carlos, porque mal frequento supermercados – comecei a enjoar com o cheiro deles na altura da gravidez, imagine, e nunca mais me passou – e porque sou fiel às minhas escolhas de consumo. Mas sou bastante sensível às «embalagens» das pessoas... O princípio é o mesmo, não? ;-D
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