sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Crónicas de Graça # 3

José Saramago



“Estamos todos deitados num berço que se move suavemente e há uma voz que murmura ao redor do mundo: dorme, dorme tranquilo, nós te governaremos. Sobretudo não sonhes, não sonhes, não sonhes. E nós, obedientes, não sonhamos.”
( José Saramago, in Visão nº 253 de 22 Janeiro de 1998)

Estava na Lusa , a fazer uma entrevista ao Jorge Wemans, no momento em que foi anunciada a atribuição do Nobel a José Saramago. À memória veio-me de imediato um caso ocorrido em Macau em 1992. O Zé Rocha Dinis, director do jornal onde trabalhava na altura, pediu-me para fazer a cobertura de um debate a decorrer no Paço Episcopal, sobre “O Evangelho Segundo Jesus Cristo”. Recordo bem os esforços do padre Henrique Rios apelando à lucidez de alguns crentes mais exaltados que apelidavam o livro de sacrílego e quase lamentavam o fim da Inquisição que condenasse Saramago ao fogo eterno. Aquelas cabecinhas de funcionários públicos “topo de gama” consideravam o livro um insulto à Pátria, secundando o douto parecer de um obscuro e desfibrado sub-secretário de Estado da cultura ( Sousa Lara) que recusara a candidatura do livro a um prémio europeu.
Nessa manhã de Outubro em que o prémio foi atribuído, sabia – apesar de recentemente regressado a Portugal - que em termos culturais e de abertura mental, a população portuguesa não evoluíra muito, mas não deixei de me surpreender quando à noite, nos noticiários das televisões, vi vários estudantes afirmarem, com ar displicente, nunca terem lido nada de Saramago e, mesmo aqueles que diziam conhecê-lo, não iam além da menção ao “Memorial do Convento”.
Em contraponto, lembrei um episódio ocorrido no ano de 1995, em Buenos Aires. Na calle Florida fui a um quiosque comprar um rolo de fotografias. A jovem empregada que me atendeu, ao perceber que eu era português, começou a falar-me de Lobo Antunes e Saramago com uma desenvoltura que me deixou atónito. Depois, abriu a carteira e mostrou-me um exemplar do “Memorial do Convento” que andava a ler no caminho entre a casa e o emprego. Uns dias mais tarde, na esplanada de uma cantina do barrio de Palermo onde me acompanhou na visita ao percurso de Borges, tirou uns recortes dos jornais Clarín e La Nación onde se teciam elogiosas críticas às últimas obras de Lobo Antunes e Saramago, apontados como possíveis vencedores do Nobel desse ano. O prémio, no entanto, fora atribuído ao irlandês Seamus Heaney e os colunistas garantiam ter havido alguma injustiça da Academia sueca. Vivianne partilhava da mesma opinião e embora as suas preferências fossem claramente para Lobo Antunes, dizia que qualquer um deles o merecia.
O que mais me impressionou, nesta jovem argentina, foi o seu conhecimento profundo da vida e obra de Saramago e Lobo Antunes, que certamente deixaria envergonhada a maioria dos nossos recém-licenciados. Para muitos portugueses que leram a obra de Saramago, “Levantados do Chão” será sempre,apenas,a visão de um comunista, “Jangada de Pedra” um livrinho interessante e “O Evangelho Segundo Jesus Cristo” um ataque ao catolicismo, perpetrado por um ateu comunista. A atribuição do Nobel é desvalorizada.
No estrangeiro o tuga, ao longo de três gerações, identifica a sua origem, invocando os nomes de Eusébio, Figo e Cristiano Ronaldo. Nunca com Saramago. Porquê? Porque habituados que estão a manifestar o orgulho luso além fronteiras, esgrimindo sucessos desportivos, ficaram atarantados com a atribuição do Nobel a um português que pouco tem a ver com a nossa maneira de estar na vida.Além de se ter mantido coerente em relação aos seus ideais, Saramago sempre recusou o facilitismo. Um dia, ainda não era Nobel, veio dos Estados Unidos uma oferta de 100 mil contos para passar o “Memorial do Convento" a filme.

Recusou, temendo que desvirtuassem a mensagem do livro.
Saramago tem sido injustiçado pela sociedade portuguesa, que não lhe perdoa o facto de ser comunista. Pessoalmente, separo o Saramago escritor do Saramago homem. Não me agrada o seu ar sisudo de quem está zangado com o mundo. Não esqueço o seu papel de saneador quando esteve à frente do DN e lamento nunca ter reconhecido os erros que cometeu. Admiro-lhe a perseverança que preenche a sua história de vida. A ingenuidade de "Terra do Pecado", o seu primeiro romance, publicado em 1947.A sensibilidade e humanismo de “Levantados do Chão”. O poder imagético que atravessa toda a sua obra e atinge o clímax em “Jangada de Pedra”, “História do Cerco de Lisboa” ou “Ensaio sobre a Cegueira”. O romantismo de “A Viagem do Elefante”. A frontalidade com que enfrenta as questões, sem estar preocupado com os discursos politicamente correctos.
Depois, tem outro problema. É um autodidacta e a intelectualite lusa, liderada por Vasco Pulido Valente e Vasco Graça Moura, persigna-se perante tal afronta. Como é que um homem humilde, sem estudos, ignorante e ainda por cima comunista, pode receber o Nobel e "nós", inteligentes, cultos, doutorados pelas melhores universidades europeias, somos completamente ignorados, para além do círculo de amigos que tecemos em noites de boémia?
Para a maioria dos portugueses, Saramago não é tangível e isso é inadmissível e imperdoável, numa sociedade embevecida por ídolos dos relvados , das televisões ou das revistas cor de rosa. Um Prémio Nobel deveria ser suficiente para agitar o mundo da educação e da informação em Portugal mas , quando o presidente da câmara de Mafra é o primeiro a recusar a atribuição do nome do escritor a uma escola secundária do seu concelho e uns quantos deputados se esgueiram sorrateiramente da AR , na altura de votar favoravelmente uma saudação a Saramago por ter conquistado o Nobel, que poderemos esperar? Como diz Saramago, “um dos grandes subministradores de educação do nosso tempo é o hipermercado”. Na verdade, é aí, nos centros comerciais e por vezes nos estádios, que damos azo a todas as nossas manifestações de prazer, sob a forma de ejaculação consumista. Continuamos a ser, mais de 30 anos depois de Abril, um país de Eusébios e Amálias, sem merecimento para Saramagos. Somos o país do show mediático, não o do pensamento e da cultura. Saramago não cabe neste quadro idílico de um portugalzinho de invejosos que despreza a cultura, mas adora ídolos efémeros que enchem os estádios, as revistas cor de rosa e os talkshows da Emaudio.
E disse. Agora vão ler a opinião da minha querida parceira sobre outro grande nome da literatura portuguesa contemporânea, que igualmente admiro: Lobo Antunes.

25 comentários:

  1. Sobre Saramago, admiro este seu texto.

    Sobre livros e literatura, aqueles que utilizam transportes públicos, observem o que lêm os seus passageiros...
    Longe vão os tempos em que tinha de palmilhar quilómetros para lhes aceder através da biblioteca itinerante da Gulbenkian, agora o pessoal é mais dado aos jornais gratuitos e desportivos. Mas se bem repararem, se alguém lhes perguntar, têm na ponta da língua o nome de um livro, supostamente na mesinha de cabeceira. Se forem um bocado mais longe e lhes perguntarem algo sobre o mesmo aí o caldo fica entornado...

    Longa vida a Saramago para nos presentear com mais belíssimos textos e mandemos à merda os preconceitos.

    ResponderEliminar
  2. Na primeira edição das Crônicas fiquei dividida entre dois rios.Na segunda, rendi-me aos encantos dos Hippies da Patti, mas hoje tenho de confessar o nocaute.E assim penso eu tb Saramago :o)

    ResponderEliminar
  3. Já lá fui. Parabéns pelo post, Carlos.

    ResponderEliminar
  4. Como é que um homem humilde, sem estudos, ignorante e ainda por cima comunista, pode receber o Nobel e "nós", inteligentes, cultos, doutorados pelas melhores universidades europeias, somos completamente ignorados, para além do círculo de amigos que tecemos em noites de boémia?

    ... inveja, um dos sete pecados...

    ResponderEliminar
  5. Saramago ganhou o Nobel da Literatura? Pois ganhou! E Giosué Carducci (1906), Paul Johann Ludwig von Heyse (1910) e Grazia Deledda (1926) também. Sem esquecer, é claro, Frans Eemil Sillanpää (1939). Todos eles jazem, hoje, no cemitério dos esquecidos. Onde, aposto, o "génio" Saramago também já tem o seu lugarzinho reservado... Triste sorte a dos nóbeis portugueses! O outro, o celebrado prof. Egas Moniz, foi laureado por inventar a cruel lobotomia (viram "Voando sobre um Ninho de Cucos"?)

    ResponderEliminar
  6. Uma vez mais lhe dou toda a razão.
    Mesmo a atitude pouco simpatica do homem Saramago não desculpa o modo mesquinho como se trata o escritor.
    Ando desiludida com o panorama geral , vou de viagem ,mas continuo lendo as suas crónicas .
    Um belo fim de semana.

    ResponderEliminar
  7. O Carlos está cansado de saber a minha opinião sobre o Sr. Saramago.
    O Carlos até sabe que eu leio Saramago.
    O Carlos até deve saber que gosto mais da obra poética de Saramago do que da prosa.
    O Carlos talvez não saiba que gosto bastante do que ele escreve no seu blogue.
    O Carlos, decerto, saberá que não gosto do Sr. Saramago como pessoa.
    Não gosto da maneira como ele interage com as pessoas.
    Não gosto nada da sua oralidade.
    Gostando, no entanto, muito, alguma coisa e pouco do que escreve.
    Se o Sr. Saramago me é indiferente? Não, não é.
    Se fiquei contente de ele ter ganho o Prémio Nobel.
    Sim, fiquei ... não por ele, mas por Portugal ... mas por ser Portuguesa.

    ResponderEliminar
  8. Inteiramente de acordo consigo. Creio que uma grande parte das distintas e doutas personalidades portuguesas não perdoam a Saramago, o facto de ter sido galardoado com o prémio Nobel, pela simples razão, de que este prémio premiou o talento, só isso, visto que Saramago veio do nada e nem é detentor de estudos profundos. É muito duro, especialmente para algumas pessoas, ter de reconhecer o talento dos outros. Numa coisa somos ricos: na inveja. Quem nos dera ser possível exportá-la, sempre nos seria útil para equilibrar todas as contas.
    É verdade que também não compreendo como pode ser comunista, ou ter levado a cabo actos menos altruístas, mas para melhor o julgar eu teria de conhecer o contexto dos acontecimentos e, ainda assim, não esqueço que mesmo as pessoas especialmente dotadas com algum tipo de talento podem ter traços da personalidade um tanto estranhos! Cito o exemplo de Norman Mailer, que gosto muito de ler e que na sua vida privada teve uma conduta que deixou muito a desejar!
    Quanto ao António Lobo Antunes deleito-me com as suas crónicas, nos livros menos. Tornam-se algo maçudos! Ando a ler, já há um tempo considerável a obra "O esplendor de Portugal", ainda não o coloquei de lado definitivamente porque sempre me é útil para conhecer factos que se passaram naquela colónia portuguesa, muitas vergonhas para a espécie humana, por assim dizer, mas não posso afirmar que seja um livro espectacular, que se lê sofregamente, isso não!

    ResponderEliminar
  9. Não sou especialista em Saramago, nem, tão pouco, como já revelei várias vezes, especialista na literatura contemporânea que vejo passar ao largo sem ter oportunidade de a agarrar.
    Dos dois únicos livros que li dele, o Memorial do Convento não consegui terminar, o Evangelho Segundo Jesus Cristo, devorei-o e considero uma obra brilhante.
    Depois de tudo o que o Carlos disse nesta crónica, pouco mais haverá a acrescentar. Apenas, talvez, que Portugal não estivesse preparado para receber um escritor destes, um estilo tão marcadamente diferente, que resiste e acaba por se entranhar.

    ResponderEliminar
  10. Carlos

    Meu amigo, como gostei desta sua Crônica de Graça"! E confesso que nunca me incomodou o fato dele ser comunista, ou republicano ou democrata, ou sei lá o que... Gosto muiiiiito de Saramago.
    Fui "apresentada" a ele (faz tanto tempo) por meu marido através de "Memorial do Convento", mas na época ainda não estava madura o bastante para le-lo. Tempos depois recebi de meu filho, como presente de Natal, "Todos os nomes" - e ele não me deu só um livro, ele me deu a oportunidade de "conhecer", ai sim, Saramago - Achei o livro interessante e, em seguida, comprei "O Evangelho segundo Jesus Cristo" e, dai para a frente, foi amor que não acaba mais e ele está sempre por perto, lá em casa...

    ResponderEliminar
  11. Caro Carlos, não tem nada a ver com este 'post' mas sirvo-me desta caixa de comentários para lhe referir que só hoje me apercebi do desafio (dos 10 cartões vermelhos) que me lançou em tempos. Respondi agora no meu blogue. As minhas desculpas. Obrigado. Abraço.

    ResponderEliminar
  12. Quando me pedirem opinião sobre Saramago farei copy paste deste post.
    Brilhante!

    ResponderEliminar
  13. Eu sei pouco da literatura do Saramago. Tenho a meio o Memorial do Convento, li ainda algumas páginas do Evangelho e tenho aqui a Viagem do Elefante. Gosto de alguns dos seus posts, no Caderno.

    Merecido ou não, é o nosso Nobel e o único de língua portuguesa, infelizmente: o Drummond também merecia.
    Com tempo, vou-me inteirar mais da sua obra. Devo fazê-lo e quero.

    Quanto ao homem, ninguém esquecerá o caso DN. Ficou-lhe péssimo. Uma nódoa que jamais limpará.
    Apesar dele ter as suas razões para estar desiludido com a pátria, não vejo em Saramago um amor pelo seu país, por nós portugueses - e nada o obriga a isso, evidentemente - mas é algo que me cai mal.

    Sempre me pareceu que lhe era difícil ser agradável e que optou pela arrogância na atitude deliberadamente. E depois do Nobel, muito mais ainda.
    Achei o prémio (com muitos deles têm sido)uma manobra política, mais nada.

    Depois da pneumonia, que quase o ia levando, tornou-se mais humano, mais compreensivo e tolerante. Talvez tenha tido noção de fim e que ninguém é eterno, nem os granes escritores: só a sua obra.

    Gostei muito de ouvi-lo e dei-lhe muitas vezes razão, no outro dia na SIC notícias, com o padre Carreira das Neves sobre a polémica recente sobre Bíblia. Exagerou-se na reacção, mas Saramago não tem nada de ingénuo e já sabia muito bem o que fazia, quando proferiu os disparates.

    Mais uma vez um texto cheio de interesse, curiosidades, surpresas e sobre tudo com um lado humano, que aprecio muito em si, caro parceiro.

    Viajemos, viajemos...

    ResponderEliminar
  14. Carlos,
    Acho que esta semana lhe dou o NOBEL da BLOGOSFERA!
    Adorei o post.
    Agora vou "ao outro lado" porque eu gosto do Lobo Antunes....

    ResponderEliminar
  15. Só um momento Carlos... ainda estou a recuperar do que li da sua querida parceira!

    ... já bem mais refeito. Revejo-me por completo na tua crónica e nos comentários feitos. O facto de ser Nobel não lhe deturpa a essência, e assim é que é.

    ResponderEliminar
  16. carlos Adorei o seu texto.
    Não gosto do Saramago homem, mas concordo com tudo o que aqui disse .
    Para além do memorial do Convento, “História do Cerco de Lisboa” foi o meu preferido.Bom fim de semana.

    ResponderEliminar
  17. Não leio Saramago, não o aprecio como pessoa,mas respeito que tem a opinião de Saramago que o meu caro amigo transmite neste seu texto.
    grande abraço caro CBO

    ResponderEliminar
  18. Ontem li este artigo sobre o Saramago assim como o da Patti sobre o Lobo Antunes. Excelente!
    Deixei comentários muito longos, que desapareceram ao fazer clique para os publicar.
    Hoje é só uma tentativa!!!

    ResponderEliminar
  19. Tens toda a razão, a cuktura neste país é um subproduto sem interesse por pouco lucrativo...
    Triste e medíocre, esta mentalidade do poder!

    ResponderEliminar
  20. Continuo a gostar deste duelo de titãs da escrita.

    Se admirei o ensaio da Patti sobre ALA não fico nada desiludida com o texto do Carlos sobre Saramago.

    Acho ambos os escritores geniais.
    Só espíritos pequeninos e mesquinhos poderão ficar indiferentes.

    Eu portuguesa me confesso orgulhosa de ser sua (de ambos) compatriota.

    Mais um texto 5 estrelas.

    Bom FdS

    ResponderEliminar
  21. Um magnífico texto; gostei muito de (o) ler.

    ResponderEliminar
  22. Acho que já disse aqui que foi Saramago e o seu Memorial do Convento quem me descobriu nos meus vinte anos (e já choveu mais do que isso) a literatura portuguesa, e ainda naquele então não era conhecido em Espanha, onde é sinónimo com o ALA, como bem disse o Carlos de literatura portuguesa (de que, aliás, pouco mais se conhece, como tive ocasião de comprovar no programa "El ojo crítico" da RNE há umas semanas, em que se tocou este tema.

    Não vou deixar de ler o Caim, nem que vá para o inferno.

    ResponderEliminar
  23. Carlos,
    Antes de mais, peço-lhe desculpa por não comentar todos os seus posts, que os leio,mas você é uma maquina de informação, de ideias, de sugestões, que me delicia, mas como sei que são densos de conteúdo, deixo para o fim e penso sempre:comento amanha...Já me apercebi que chega a escrever 2 por dia!
    Quanto a Saramago tenho a mesma opinião que a sua querida parceira e até lhe pergunto que talvez me possa dizer: o "fenómeno" Saramago não surgiu quando ele arranjou uma brilhante relacções públicas chamada Pilar?
    Beijo

    ResponderEliminar
  24. De Saramago, gostei da Jangada de Pedra e do Memorial do Convento. Não tanto do Ensaio sobre a Cegueira nem da Caverna.
    Mas gosto do estilo de escrita, admiro o seu percurso literário e vejo-o como um nome de que os portugueses devem orgulhar-se.
    Um beijo.

    ResponderEliminar
  25. Comungo com muitas das suas ideias. Portugal e os portugueses são pequeninos em espaço e mentalidade, respectivamente.
    A sua crónica faz-me lembrar Eça de Queirós que também denunciava de forma satírica a pequenez do povo e a inércia dos governantes.
    Continuamos um século atrasados.

    ResponderEliminar