segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Cadernta de cromos (6)


É, provavelmente, o fiscalista mais incensado pela opinião pública portuguesa e o mais requisitado pela comunicação social, para mandar alguns palpites sobre a situação do país.O seu discurso populista, cheio de lugares comuns e de boutades, agrada aos portugueses, que se revêem naquele estilo de Velho do Restelo.
À mesa de qualquer café, licenciados em economia e ciência política nas universidades do bota abaixo, tecem rasgados elogios a Medina Carreira apontando, acusadores, o caminho da desgraça, sem nada fazerem para melhorar a situação. Poucos deles recordarão que Medina Carreira , Bacharel em Engenharia Mecânica, já foi ministro das Finanças, e que o seu único acto para salvar o país da bancarrota, foi a negociação de um empréstimo com o pouco recomendável Fundo Monetário Internacional (FMI).
Numa situação de crise, Portugal não precisa de discursos catastrofistas. Necessita de gente que arregace as mangas, proponha soluções e, em vez de se deslumbrar com a popularidade perante as câmaras, trabalhe!
É o caso da personalidade que escolhi para figura da semana.

sábado, 28 de novembro de 2009

E não é que está cheio de razão?

No Registo Civil, um angolano, residente em Portugal, quer registar oseu filho recém-nascido:
- Bom dia! Eu quer registrar meu minino que nasceu ontem.
- Muito bem. O seu filho nasceu ontem, é do sexo masculino... e qual é o nome?
- Malmequer Bicicleta.
- Desculpe! Quer chamar ao seu filho Malmequer Bicicleta?
- É.
- Desculpe, mas não posso aceitar esse nome.
- Não pode, porque tu é racista! Si meu minino fosse branco, tu punha.
- Não tem nada a ver com racismo. Esse não é um nome admitido em Portugal.
- Tu é racista. Si meu minino fosse branco, tu punha esse nome a ele.Tu não põe, porque meu minino é preto.
- Já lhe disse que não tem nada a ver com racismo. MalmequerBicicleta não é nome de gente.
- Ai não! Então porque é que tu tem uma branca chamada Rosa Mota?

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Brites e os segredos dos famosos (5)

Devo dizer-vos que não gosto nada deste tipo. E não tem nada a ver com aranhas, que é um alimento que eu até aprecio bastante. Mas acho o Spiderman um tipo insuportável, cuja conduta moral não me agrada. Digo-vos isto porque o conheci bem, já que ele é mais ou menos da minha idade ( nasceu nos finasi dos anos 60). Era muito tímido e muito inteligente. Tanto, que foi o primeiro dos meus super-heróis a ganhar dinheiro à custa do seus poderes. Nasceu em plena sociedade de consumo e aprendeu logo os truques todos. Era assim uma espécie de "yuppie" antecipado, estão a perceber? Quando casou com Mary Jane vendeu os direitos de reportagem a uma revista cor de rosa, sendo a primeira das vedetas a encher-se de dinheiro à custa do casamento. Hoje em dia , como sabemos, isso é vulgar, mas naquela altura não gostei nada de ver um super-herói tão materialista...
De qualquer maneira, o dinheiro de pouco lhe serviu. Ainda não chegou aos 50 e vejam lá em que estado está!

Rochedo das Memórias (124)- Assim se vê... a força do PC


O microchip revolucionou por completo a vida do ser humano. As aparelhagens electrónicas diminuiram em tamanho e em preço e o microchip hoje em dia está presente em todo o lado. Nos electrodomésticos, (da simples torradeira ao sofisticado micro ondas e passando pelas máquinas de lavar roupa ou loiça) na televisão, nos telecomandos, nas calculadoras, nas agendas electrónicas, nos relógios, nos jogos de vídeo, nos CD, nas câmaras de filmar, nos automóveis, enfim, em quase tudo quanto mexe, o chip é rei e senhor, comanda o mundo e orienta as nossas vidas com efeitos especiais. Abrimos as portas do carro sem ter que meter a chave na porta, não trazemos dinheiro na algibeira, porque nos basta um chip no cartão de crédito, distorcemos a realidade que a fotografia nos mostra recorrendo ao computador e nem precisamos de saber desenhar, se formos especialistas na arte de manejar um chip que interpreta as nossas ideias. Em 1977 a Apple cria o primeiro computador para venda ao público ( o Apple II), mas é na década de 80 que se vai operar a grande revolução informática. Primeiro com o lançamento, em 1981, pela IBM, do computador pessoal e três anos mais tarde com o Macintosh, uma nova criação da Apple, que dá a conhecer ao público o "rato", instrumento então imprescindível a qualquer utilizador. A apresentação dos ficheiros no ecrã através de ícones, em vez de extensas listas de palavras, é outra das grandes novidades que o ainda hoje por muitos idolatrado Macintosh dá a conhecer.
Alguns anos mais tarde, a Microsoft lança o Windows e inicia-se a guerra informática entre as duas grandes empresas, com larga vantagem para Bill Gates.
Com o computador as idas às compras tornaram-se mais simples, marcar um lugar num avião, reservar um hotel, estabelecer uma ligação telefónica ou efectuar uma operação bancária, demora apenas alguns segundos. Hoje em dia, quando o dinheiro não nos chega a tempo e horas, uma informação não é transmitida a tempo, a luz ou a água não nos chega a casa, o avião e o combóio se atrasam, ou o trânsto está engarrafado porque os semáforos não funcionam, a culpa já não é do polícia sinaleiro, do sr. Francisco ou da D. Madalena, mas sim do computador, essa fascinante, mas também irritante máquina de quem não podemos reclamar e a quem não podemos passar um raspanete ou certificado de incompetência, porque não nos ouve nem nos responde (por agora...)
Na última década do século XX fomos inundados de efeitos especiais e a realidade tornou-se virtual. Passamos a poder fazer turismo sem sair de casa, se dispusermos de um capacete que nos transporte até locais longínquos que a nossa bolsa não alcança. O computador passou a fazer parte integrante do mobiliário e através dele navegamos na Internet e surfamos as ondas do sonho. Sem ter de sair de casa, visitamos uma biblioteca ou um museu em qualquer parte do mundo, fazemos compras, arranjamos novas amizades, namoramos e até trabalhamos. Tudo diante de um computador que nos responde apenas por sinais quando queremos comunicar com ele. E agora, nem sequer precisamos de usar o nosso nariz para ver se o fiambre que temos no frigorífico está estragado. Imune a constipações, um chip faz o trabalho por nós.
Apenas não se percebe uma coisa. Por que razão os computadores, tendo contribuído para facilitar a nossa vida diária e para que fossem eliminados inúmeros postos de trabalho, as pessoas estão (aparentemente) a trabalhar cada vez mais horas?

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Brites e os segredos dos famosos (4)

Aos 47 anos Hulk começa a sofrer os efeitos dos excessos de mau feitio. Apesar de ter nascido cinzento, Hulk está cada vez mais verde. Não gosto dele, porque é muito bruto. Hulk por Hulk, prefiro um que costuma vestir de azul e branco. Embora esse demore a regenerar-se e a dar aos adeptos portistas as alegrias do ano passado.

Jornalismo em Liberdade

Na terça-feira, pouco antes de eu deixar Lisboa, a Lúcia fez um comentário a este post e o meu amigo João Figueira, lançou fez a apresentação do seu livro "Escrever em Liberdade". Foram esses dois factos que me levaram a escrever este postal.

Na verdade, uma das primeiras coisas que me ensinaram, foi que um jornalista se deve basear nos factos. Não inventa nem manda palpites nos artigos e reportagens que escreve. Deve, também, confrontar as suas fontes, para não cair na esparrela de se colocar ao seu serviço. Um jornalista não é um "criativo" é um narrador de factos e a sua credibilidade avalia-se na medida da sua isenção.

Nessa altura, não havia cursos de jornalismo e aprendíamos com os mestres que estavam nos jornais, nas rádios e na RTP. Trinta anos depois, há mais cursos de jornalismo que WC públicos e, no entanto, há cada vez mais jornalistas a "inventar". Afinal para que servem os cursos de jornalismo?

Para ensinar os jornalistas a escrever? Basta ver os erros de ortografia e de sintaxe nos nossos jornais, para perceber que não.

Para sensibilizar os jornalistas para a necessidade de serem isentos e só escreverem sobre factos que tenham a certeza que são verdadeiros? Os últimos anos têm demonstrado que há cada vez mais jornalistas a opinar nos jornais, rádios e televisões e que a preocupação em dar notícias foi substituída pela necessidade de dar voz a rumores, baseados em fontes que nunca saberemos se existem, ou foram criadas à mesa de um restaurante.

Poderia multiplicar as perguntas e dar as respostas, mas fico-me por aqui. Sei que nas escolas não se ensina este jornalismo "criativo" e que ele nasceu da necessidade de vender jornais. Mas se as escolas de jornalismo não conseguem combater esta tendência do"jornalismo de intervençaõ", qual é a necessidade de existirem?

Saudades para todos. Continuem a passar por aqui, porque apesar de estar longe, haverá posts novos todos os dias e, durante o fim de semana, tentarei dar resposta aos vossos comentários.

Porreiro, pá!


A notícia chegou-me de madrgada por SMS. O PR promoveu Fernando Lima. Nada melhor do que fazer um servicinho ao PR para ser promovido? Os capangas continuam a ser premiados? Mais um tijolo para sepultar a democracia? Enquanto o PR não vier dizer publicamente que a notícia do "Público" sobre a "encomenda das escutas " era falsa, é legítimo que os portugueses pensem que Fernado Lima foi promovido, como compensação por ter tentado envenenar as relações entre PR e PM, a pedido de Cavaco Silva. Nada de espantar, quando a melhor amiga de Cavaco continua a defender que a Madeira é um exemplo de Democracia.O país é que é uma ópera - bufa.

Rochedo das Memórias (123)- E tudo o chip mudou


Corria o ano de 1943 para o seu termo, quando o primeiro computador electrónico programável entrou em funcionamento.Chamava-se Colossus, operava em Benchley Park - o centro de decifração de mensagens britânico durante a II Guerra Mundial- e conseguia decifrar os códigos de encriptação alemães com uma rapidez muito superior à do seu antecessor mecânico.
Dois anos mais tarde os americanos construiam um computador ainda mais rápido mas, só em 1951, com o aparecimento dos computadores Univac , capazes de prever os resultados das eleições americanas que deram a vitória ao Presidente Truman, é que os computadores começam a ser vistos com outros olhos. No entanto, as suas gigantescas dimensões desencorajam qualquer hipótese de comercialização em larga escala.
Poucos arriscariam afirmar que dentro de alguns anos uma máquina idêntica invadiria as nossas casas e seria capaz de nos pôr em contacto com o mundo inteiro, pela simples pressão numa tecla. Mas tal tornar-se-ia realidade.
Com efeito,em 1971, uma invenção vai revolucionar completamente o mundo: o microprocessador (chip). Alinhados numa pequena placa de plástico, estas pequenas peças de sílica conseguem armazenar, processar e organizar dados, conectando-se entre si. A partir de então os computadores passaram a caber em cima de uma mesa ou dentro de uma consola e assim surge o primeiro jogo electrónico. Em 1972, o "Pong" - simulador de uma partida de ténis entre dois jogadores- anuncia que a época dos velhos flippers estava achegar ao fim. A partir dessa data era também possível instalar o jogo em casa e ligá-lo ao ecrã de televisão. Não consta que as audiências tenham sentido muito os efeitos da chegada do "Pong", mas a era dos jogos electrónicos tinha começado.
Dez anos mais tarde, a IBM lançava o seu primeiro computador pessoal e o mundo sofreria uma transformação sem precedentes. Da realidade de uma vida mais facilitada em todos os quadrantes, ao espaço virtual por onde navegamos ao colo da Internet, as novas tecnologias mudaram uma parte do mundo e a vida, os hábitos e a forma de pensar, dos seres humanos que nela habitam.
( Continua)

Gostei de ler

3º Direito

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Brites e os segredos dos famosos (3)

Quem viu o Superman e quem o vê! Acabou de completar 71 anos e vejam lá quem é que ele vos faz lembrar. Se não fosse a barriga, diria que era o Pinto da Costa. Terão sido separados à nascença?

Rochedo das Memórias (122) - O 25 de Novembro de 75


Enquanto em Lisboa o jovem maoísta Durão Barroso fazia tirocínio no MRPP para líder europeu do século XXI, com discursos apopléticos em RGA’s - onde se exigiam passagens administrativas para os estudantes revolucionários - e investidas ao mobiliário da Faculdade de Direito, eu assinava no Porto, na véspera do 25 de Novembro, o acto constitutivo de uma cooperativa que apostava na formação dos portugueses e na criação de cooperativas de serviços, para combater o desemprego. O PREC não se fazia apenas na rua, nem falava a uma só voz... até havia um governo a fazer greve!
O dia 25 de Novembro deveria ter sido o dia do arranque, de trabalho intenso, mas as notícias vindas de Lisboa desassossegaram-nos. Não tenho qualquer pejo em afirmar que, pela primeira vez na minha vida, tive medo. A guerra civil parecia inevitável. Pensei meter-me ao caminho com um grupo de amigos e rumar a Lisboa. Saíra em Setembro da tropa, em pleno Verão quente de 75, o sangue fervia-me nas veias, se a guerra civil rebentasse eu queria estar em Lisboa e não no Porto, onde os principais líderes partidários se haviam refugiado uns dias antes, amedrontados com a hipótese da tomada de Lisboa, pelo Partido Comunista e algumas forças de esquerda. Já com o carro pronto a arrancar fomos dissuadidos, com o argumento de que havia barricadas na estrada e não conseguiríamos chegar a Lisboa.
Foi por isso no Porto, com um ouvido colado à rádio e outro ao telefone, que fui sabendo as notícias possíveis. Quando tudo acabou tinha a certeza que assistira, à distância, ao último acto da Revolução de Abril. Três meses depois abandonaria definitivamente o Porto, para não mais voltar. O 25 de Abril terminara naquela manhã de terça-feira.
Não vou fazer aqui juízos de valor, para não correr o risco de ser mal interpretado. Lembro apenas que tudo começou a 7 desse mês, quando os estúdios da Rádio Renascença, na Buraca, foram atacados à bomba, a mando do Governo Provisório. Aquela que fora no tempo do Estado Novo a rádio da Igreja Católica, era na época a rádio rebelde e o governo decidiu silenciá-la. Perante os aplausos de alguns que hoje acusam o governo de querer acabar com a liberdade de expressão e silenciar a comunicação social “livre”( risos)
No dia 26 de Novembro, o "Le Monde" perguntava:
"Confronto entre ditadura e democracia ou esboroar de uma revolução romântica, à ‘Couraçado Potemkine’?"
Há muitos "mitos" à volta do 25 de Novembro e a verdadeira História está ainda por contar. Pretendeu resumir-se tudo a uma luta entre a democracia e o totalitarismo esquecendo, como sempre, que a vida não é a preto e branco. Hoje, o que se sabe, é que do 25 de Novembro emergiram,como heróis, alguns vultos pardos e foram acusados de cobardia outros que, pela sua postura, evitaram aquilo que poderia ter sido um banho de sangue. A História tem destas coisas. É (quase) sempre feita pelos vencedores e só muitos anos mais tarde se sabe toda a verdade.
Escrevo este post na noite de segunda-feira, quase no final do Prós e Contras. Perante a discussão inflamada sobre o comportamento dos agentes da justiça no processo "Face Oculta", houve momentos em que tive vontade de rir e outros em que fui assaltado pela fúria. Dei o assunto por encerrado quando me lembrei que estava em vésperas do 25 de Novembro. Alguns dos vencedores de 75 ainda não estão satisfeitos. Não lhes chegou a vitória, querem aniquilar os vestígios de democracia que ainda restam. Têm, em alguma comunicação social, aliados de peso. Cuidado com eles!

Gostei de ler...

Voando

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Brites e os segredos dos famosos (2)


Lembram-se do Piu-Piu ( também conhecido por Silvestre)? Pois aquele jovem de ar delicodoce, simpático e bem "apessoado" vai completar, no próximo ano, 60 primaveras! Ainda me lembro como ele me olhava com ar dengoso, ainda eu era uma jovem, tentando seduzir-me. Gostava dele, mas nunca o considerei mais do que um bom amigo. Ainda bem que mantive sempre as distâncias e nunca lhe permiti veleidades. O que teria sido de mim, se tivesse cedido ao seu piar constante em meu redor? É que eu ainda estou aí para as curvas e o pobrezito às vezes faz-me lembrar o Carlos, de tão engelhadote que está. Diz que a culpa deste mau estado é do Franjolas, que lhe infernizou a vida, mas eu penso que é desculpa esfarrapada. Ele sempre foi um estroina, foi isso que o deixou neste mau estado. Coitadito!

Mais uma vez agradeço à Fátima a fotografia que me enviou deste meu velho amigo, com quem passei divertidas tardes de sábado

Algumas notícias são como as cerejas

Esta notícia revela como entre nós, civilizados democratas ocidentais, o fundamentalismo ganha raízes. Vamos ver onde isto pára... No entanto também serve de pretexto para o regresso do Rochedo das Memórias. A partir de amanhã, será passada em revista a história da Era da Electrónica. Lembro que tudo começou em 1943, mas não é por aí que vou começar...

Entretanto, para quem prefira recordar canções de outros tempos, lembro que podem consultar o Rochedo das Memórias Musical

Blog Instigante


Este prémio visa distinguir « Os Blogs que, além da assiduidade das postagens e do esmero com que são feitos, nos provocam a necessidade de reflectir, questionar, aprender e – sobretudo – que instigam almas e mentes à procura de conhecimento e sabedoria.» e foi-me atribuído pela sempre simpática e amável Grande Jóia
Fico muito feliz por alguém considerar que nesta casa se aprende alguma coisa e convida as pessoas que me visitam à reflexão. Penso que esses predicados são, essencialmente, mérito da Brites e do Sebastião, mas espero que a senhora PresidentA leia isto e deixe de me aplicar coimas por dá cá aquela palha.
Obrigado, Grande Jóia

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Vale a pena ler...

A 5 de Novembro, havia gravações de Vara a pedir dez mil euros. Hoje, sabe-se que nunca houve gravações. A minha sentença: há investigadores e/ou jornalistas mentirosos no Caso das Falsas Gravações de Vara dos Dez Mil Euros. São curtas as conclusões do meu processo, mas têm o mérito de se basearem em factos.
Ferreira Fernandes hoje no DN

Caderneta de cromos (5)


Cristiano Ronaldo falhou vários jogos da fase de qualificação para o Mundial da África do Sul e, nos jogos em que participou, fez exibições desastrosas marcando apenas um golo.
Ao melhor jogador do mundo exige-se que seja brilhante ao serviço do seu clube e da selecção do seu país, mas CR9 só joga bem no clube que lhe paga. Chego a ter a sensação que foi uma sorte para Portugal Ronaldo ter-se lesionado, não podendo alinhar nos três últimos jogos. A equipa esteve mais unida, suou mais a camisola e mostrou mais vontade de vencer. Estará esta postura relacionada com o facto de Cristiano ter dito que antes de ser português, era madeirense?
Seja como for vai enriquecer a caderneta dos cromos. Se querem saber qual é a figura da semana, vão aqui.

Brites revela segredos dos famosos (1)

Finalmente, o Carlos autorizou-me a divulgar algumas fotografias inéditas de famosos.
Esta, como já reconheceram, é a Barbie, dias depois de ter completado 50 anos. Ao contrário do que muitos pensam, ela não mantém aquelas formas esbeltas e o vigor físico que a tornaram conhecida. Tornou-se sedentária, faz uma alimentação descuidada e está gordalhufa ( como se vê na foto) mas a Mattel tem envidado todos os esforços para que não seja vista nestes preparos.
Estou em condições de vos afirmar que aquela boneca que aparece à venda nas lojas é uma criação informática. A Mattel inspirou-se no filme S1mone para nos fazer acreditar que a Barbie não envelhece, mas a realidade é a que a fotografia vos mostra, meus caros amigos.
Quero deixar aqui um agradecimento muito especial à Fátima que me enviou as fotografias desta e de outros famosos, que aqui revelarei nos próximos dias.
Espero que gostem e, quem ainda não conhece este blog, apresse-se, pois tem lá histórias muito interessantes e receitas de lamber os beiços.
Volto amanhã com outra fotografia explosiva de um famoso.

domingo, 22 de novembro de 2009

Brites e os meandros da justiça

Hoje vou escrever sobre um assunto sério: a justiça.
O problema é que não consigo escrever sobre esta matéria sem me lembrar das revistas cor de rosa. Leio nos jornais notícias sobre os casos “Face Oculta”, “Operação Furacão” ou “Freeport” e lembro-me logo das telenovelas da TVI. Ainda não acabou uma e já estão a iniciar outra, para garantir a fidelização dos telespectadores.Com os processos mediáticos em curso, acontece exactamente a mesma coisa.
Tudo começou com o caso Casa Pia. Ainda me lembro da entrada do juiz Rui Teixeira na AR, acompanhado de câmaras de televisão, da prisão de um deputado, os jornais e revistas a fazerem todos os dias listas de pedófilos, envolvendo políticos e figuras do jet set, cada um tentando ser mais imaginativo que o outro. A coisa prometia um sucesso idêntico ao da primeira telenovela exibida nas televisões portuguesas: Gabriela Cravo e Canela. Portugal acreditou que, finalmente, os poderosos se iam sentar nos bancos dos réus.
Passaram cinco anos, ainda não há sentença e li um destes dias que tudo vai acabar com uma pena suspensa ao Bibi. Quanto aos outros, o segredo é total, mas pelos livros que já li da Agatha Christie, parece-me que vão ser todos absolvidos. Não se sabe é ainda quando será o último episódio desta novela, iniciada há cinco anos...
Entretanto, estrearam-se outras com protagonistas variados. Desde ex- membros do governo de Cavaco Silva a conselheiros de Estado, passando por ministros, empresários e até pela participação especial de um primeiro-ministro, tem havido elencos para todos os gostos. Em breve, a PJ e o MP prometem um novo argumento envolvendo submarinos, o líder do Partido Popular, um banco e o mais que adiante se verá, mas só será revelado depois da estreia.
Eu gosto de seguir estas novelas da justiça, mas começo a ficar um bocado frustrada porque não vejo nenhuma chegar ao fim. Tenho a sensação que tudo não passa de um conluio entre a comunicação social e os agentes da justiça, num esforço louvável de vender jornais. Eu compreendo que este encadeamento das novelas da justiça empolgue as pessoas e tenha reacções acaloradas em alguma blogosfera, com os opinadores a dividirem-se na defesa ou no julgamento público dos actores principais, consoante os gostos. Não descortino é opiniões fundamentadas, racionais, capazes de me empolgarem pela clareza dos argumentos invocados. Confesso que começo a ficar farta e a sentir-me enganada. Ou acabam rapidamente com duas ou três destas novelas, dando-nos a conhecer o fim, ou ainda acabo a acreditar que estes argumentos, sem final à vista, servem apenas para nos encher os olhos com bonitos efeitos especiais, mas não têm qualquer substância.
Claro que de vez em quando as guerras entre juízes, as notícias especulativas – ou mesmo falsas- veiculadas pela comunicação social, os diálogos inflamados entre personagens com opiniões opostas, os delírios de Manuela Moura Guedes, que passou de protagonista a personagem de terceiro plano, ou a entrada de um famoso futebolista no argumento, são momentos que ajudam a animar e a criar suspense, mas sinto que me andam a empatar e eu quero é conclusões.
Ora, o que me parece, é que a justiça e a comunicação social portuguesas andam a fazer concorrência desleal à Endemol e à Globo mas, novela por novela, prefiro as de ficção, porque as da vida dos humanos fazem-me sentir que imigrei para um país que parece saído de uma revista cor de rosa. E, como diz muito bem a minha madrinha, é altura de começar a pensar em coisas sérias…
ADENDA: Acabo de saber que a minha madrinha deu uma queda, está internada no Hospital, depois de ter sido submetida a três operações cirúrgicas .
Desejo-lhe rápidas melhoras, madrinha. Gosto muito de si e gostava de ter a sua coragem!

Buscando Novos Caminhos


Recebi este selinho da Teresa, como prémio por ter respondido a este desafio.
A autora do selo é, porém, a Licas, que pede para indicar pelo menos um novo caminho na blogosfera.
Entre os blogs que nos últimos dias aportaram ao Rochedo, indico um que ainda estou a explorar, mas me parece muito interessante e merece uma visita bem demorada: Maria Letra

sábado, 21 de novembro de 2009

Rapidinha de sábado

O marido pergunta à mulher:
- Com quantos homens você já dormiu?
A mulher responde orgulhosa:
- Só contigo, querido! Com os outros eu ficava acordada!

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Crónicas de Graça # 4

Viajar ou turistar?

Quando era miúdo, um anúncio da Schweppes, de grande sucesso na época, ajudou-me a responder a esta pergunta. No filme animado via-se um guia rebocando um grupo de turistas. Apressadamente, passavam por monumentos como a Torre de Pisa, a Torre Eiffel, ou o Big Ben. Se algum pretendia demorar-se um pouco mais, o guia tratava de o apressar dizendo que ainda faltava ver o melhor. E qual era o melhor? Uma garrafa da Schweppes, que os turistas aplaudiam freneticamente, pois já estavam sedentos depois da longa caminhada.
Ri-me muitas vezes ao ver aquele pequeno “reclame”, mas sempre tive a certeza que não era daquela forma que desejava conhecer o mundo. Comecei a viajar muito cedo na companhia dos meus pais, que me incutiram o gosto de viajar e me ensinaram a usufruir esse prazer da melhor maneira. Vendo pouco de cada vez , mas saboreando o que se vê. Quando, com apenas 12 anos, fui pela primeira vez à Escandinávia, viajei de carro. Ainda hoje, o meu maior prazer é pegar no carro e sair sem destino previamente traçado, à descoberta da Europa. Faço o mesmo na América Latina e até na Índia me aventurei , percorrendo todo o norte e entrando no Nepal ao volante de um automóvel.
Viajar é andar de olhos bem abertos à descoberta de realidades diferentes das do meu país - sejam elas boas ou más - de contactar com as pessoas, perceber como elas vivem, de trocar opiniões sobre o seu modo de estar, a sua relação com o Estado, os modelos sociais do país, como funciona a justiça, a saúde ou a educação. Numa frase apenas: gosto de sentir o pulsar do país que escolhi como destino de férias.
Viajar é não ter horários, percursos rígidos, hotéis previamente reservados. É parar o tempo que me apetecer, onde me apetecer, seja para desfrutar da paisagem, de um quadro num museu, ou simplesmente para me sentar numa esplanada, ou num café, a observar as pessoas ou os edifícios. Gosto de conhecer pessoas durante as viagens. Não só os locais, mas também outros viajantes que, como eu, andam à descoberta.
Nunca gostei de fazer turismo, essa palavra inventada pelas elites inglesas, no século XIX, para definir as viagens que faziam pela Europa e que hoje, graças às viagens organizadas e ao turismo de massas se transformou numa indústria altamente rentável, a que chamo turistar.
Andar em manada com um grupo de turistas comandados por um guia que terá de ser obrigatoriamente um bocado ditador, não me dá qualquer prazer. Nem sempre posso ver aquilo que quero, sou obrigado a ver o que não quero, controlam-me o tempo ao minuto e, acima de tudo, obrigam-me a parar em lojas de para me impingirem produtos que não me interessa comprar. Para muitas senhoras e alguns cavalheiros esses são os momentos mágicos das viagens. É vê-los a suar em bica, com medo que alguém se antecipe na compra do tapete, do cloisonet, ou da seda de que se enamoraram, desde o momento em que o brilhante apresentador as fez desfilar diante dos seus olhos ávidos de compras. Normalmente são os primeiros a puxar do cartão de crédito e os últimos a sair destas lojas para turistas, onde a paragem- obrigatória- se prolonga por mais tempo do que em alguns museus ou monumentos que, alegadamente, foram a causa da escolha da viagem.
Já entrei, duas vezes, nessa aventura das viagens organizadas. Da segunda vez- há muitos anos- antecipei-me ao Mário Lino e disse:viajar assim, jamé.
Ao contrário dos ingleses do século XIX que partiam à descoberta da Europa, o turismo de massas perdeu a sua componente de aventura e descoberta. Hoje em dia, nas viagens organizadas, vemos aquilo que os operadores querem e resta pouco tempo para a descoberta.. A maioria dos destinos que nos oferecem são locais de turismo massificado, onde já se perderam as características locais, porque uma das perversidades do turistanço, foi tornar muitos destinos numa espécie de fast food, onde somos obrigados a engolir o “prato da casa”. Turistar é uma actividade predadora, que destrói a biodiversidade, provoca gravíssimos danos ambientais e perverte as culturas locais ( mas disso falarei outro dia).
Mesmo a maioria dos destinos que hoje nos são apresentados como exóticos, nessas viagens à la carte, apenas preservam, do seu exotismo, algumas palmeiras e um folclore “prêt a porter”, porque a indústria turística tem contribuído para matar muitas tradições locais e mudar os hábitos de vida.
Só viajando podemos ainda encontrar tradições em estado puro e desfrutar do enorme prazer da descoberta de outras terras e outras gentes. Isso exige tempo e trabalho mas, infelizmente, só temos um mês de férias por ano...
E agora, vão ver o que a minha querida parceira pensa do assunto.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Pronúncia do Norte (23)

REPAS=

= FRANJA

Digam lá se a miúda não tem umas repas magníficas! E usa soquetes brancas, que eu já vi...

Eu avisei, PresidentA!

Sem lágrimas

Nasci no tempo em que as meninas brincavam com bonecas e eram educadas para ser esposas ( sim, esposas, porque nessa altura dizer que Fulana era mulher de Beltrano era má educação) extremosas e os meninos jogavam à bola, brincavam com carrinhos da Dinky Toys, tinham de ser machões e não podiam chorar. Chorei muitas, às escondidas, mas hoje já não choro. Estupor de educação que me secou as lágrimas. Quem me dera ter podido verter hoje uma por ti. Sinto-me um estupor.

Obrigado, Carlos!

Foste vilipendiado, enxovalhado, injustiçado, mas sempre acreditaste e combateste os velhos do Restelo. Se sempre acreditei? Confesso que não. Mas, como aqui escrevi, não foi a ti que culpei. Apontei o dedo aos jogadores que não se esforçaram, pensaram que alguns jogos eram favas contadas e desleixaram-se. Sofremos para nos apurar para a África do Sul? Certamente que sim. Mas também sofremos para nos apurarmos para o Euro-2008 até ao último jogo, em que tivemos de suar para conseguir um empate a zero com os toscos finlandeses, no estádio do Dragão!
Não, não és o meu treinador de eleição, mas foste o único que até agora deu dois campeonatos do Mundo a Portugal (sub-21). Merecias que te respeitassem mais.
Obrigado, Carlos Queirós e que sejas feliz na África do Sul.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Pronúncia do Norte (22)

TROLHA=
= Trabalhador da construção civil

Esta foto foi roubada, confesso. E sabem a quem? À PresidentA, que anda sempre a fazer censura das fotos publicadas pelos condóminos, mas não se coíbe de publicar estas de trolhas em trajes e posições pouco ortodoxos. E ainda por cima põe legendas e discursos lascivos a acompanhar. Sabem quem é que me faz lembrar, não sabem? Ide lá ver, ide Mas fica desde já o aviso...amanhã a "bingança será terríbel"

Nasci com defeito

Dizem que ninguém é perfeito e a senhora da imagem que surrupiei na Internet demonstra-o. Mas eu, para além dos defeitos que as mulheres costumam apontar aos homens, acabo de descobrir que tenho outro que não consta dos compêndios de defeitos masculinos elaborados pelo belo sexo e me está a deixar um pouco preocupado.
Dizem os cânones da vida, que à medida que envelhecemos precisamos de menos horas de sono, começamos a gostar de sopa e as segundas - feiras começam a ser menos penosas do que na juventude mas, em compensação, chegamos à sexta-feira arrasados, enquanto os jovens experimentam sensação contrária: a segunda feira é penosa, mas à sexta-feira estão frescos como alfaces acabadinhas de regar.
Ora se é verdade que a partir dos 40 comecei a gostar de sopa, não cumpro as duas outras regras do envelhecimento. Não é que levantar às segundas-feiras seja uma alegria e à sexta-feira esteja fresco como uma alface, mas continuo a manter sinais de febre de sexta à noite e o corpo a fazer negaças para desalapar da cama nas manhãs de segunda ( e em todos os outros dias da semana…).
Quanto ao sono, cada semana que passa preciso mais dele para me sentir confortável. As cinco/seis horas já não são suficientes para recarregar baterias e, quando não durmo os 20 minutos de sesta , fico com a noite estragada. Das duas uma: ou é este Outono que me anda a alterar o ritmo biológico, ou nasci com defeito de fabrico.
Já pedi à minha mãe o Livro de Reclamações, mas ela recusa-se a facultar-mo. Diz que, a haver culpa, foi do meu pai e é a ele que devo pedir satisfações. Ai a minha vida!

Mais 5 Revelações

A Ana Paula Fitas lançou-me o desafio de completar as 5 frases que se seguem:
Eu já tive... esperança no futuro de Portugal.
Eu nunca... entrei no IKEA.
Eu sei... que sou um sonhador.
Eu quero... ver as pessoas respeitarem TODOS os animais.
Eu sonho... com um mundo mais justo e mais solidário, onde as pessoas sejam mais tolerantes.
Mandam as regras indicar 10 bloggers que dêem continuidade ao desafio. Então aqui vão:
Ematejoca; Bacouca; Light; Esconderijo;Três Tempos; Maria Letra; Papoila; Há vida em Marta;
O gato do Castelo e Modos de Olhar

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Pronúncia do Norte (21)

COTURNOS=



= PEÚGAS
P'ra mim são pretas, ó faxabore!

Biografias e revistas cor de rosa

Ando cada vez mais interessada nas revistas cor de rosa. Um dia destes até fingi que estava doente, só para ir ao veterinário ler umas fofocas naquelas revistas que estão na sala de espera.
Como sabem, depois do raspanete que o Carlos me deu aqui, deixando-me envergonhada perante os leitores e amigos do CR, tenho sempre muito cuidado em falar destes assuntos e só leio estas revistas à escondidas. Por isso, enquanto aguardava a minha vez , fui olhando de soslaio para as capas , até que entrou uma senhora com um canário que se pôs a ler a “Caras”. Comecei a cuscar umas coisas sobre uma outra senhora que se chama Manuela Moura Guedes e parece que é jornalista mas, já não sei porquê, chamou-me a atenção um senhor sentado ao lado dela que acompanhava uma catatua - bem simpática, por sinal- muito concentrado na leitura de um livro. Espreitei a capa e vi que era uma biografia não autorizada do Giulio Andreotti. Pensei logo cá com as minhas penas “ Então isto também não é fofoquice? Ler uma biografia, ainda por cima não autorizada não é voyeurismo?”
Quando pus esta questão ao Carlos ele quis convencer-me que ler as biografias de políticos, grandes artistas e escritores faz parte da cultura geral, porque ajudam a compreender melhor certos períodos da História. Não fiquei nada convencida… Sabem porquê? Imaginem que a Lili Caneças, ou o Castelo Branco – que já são famosos , como todos sabem- escrevem um ou dois livros de sucesso. Se depois alguém escrever as biografias deles, ler esses livros já passa a fazer parte da cultura geral?
Quando o Carlos ler este post vai dizer que eu penso como uma galinha tonta, mas não me importo, já estou habituada. Ele gosta é daqueles posts chatos do Sebastião e está cada vez mais convencido que ele é um mocho culto. Já estou farta de tanta incompreensão e maus tratos. Posso dizer alguns disparates, mas afinal sou eu que dou alegria a este Rochedo.

Dia Internacional da Tolerância


Ontem foi Dia Internacional da Tolerância e a ematejoca lançou-me um desafio a que não pude responder prontamente,mas ao qual respondo agora com gosto. Mandam as regras que responda SINCERAMENTE a três questões:

1- O que significa ser TOLERANTE?

R: Significa respeitar os outros e admitir que a sua forma de pensar ou agir, embora possa ferir os nossos valores, não é obrigatoriamente errada. Significa dialogar com o outro e aceitar o relativismo cultural.

2-Em que tipo de situações tenho dificuldade em praticar a TOLERÂNCIA?

Quando vejo aqueles que fomentam a guerra para impôr os seus princípios, os seus valores e as suas ideias, praticarem a mesma violência que criticam à outra parte.

Quando vejo aqueles que dizem pretender a democracia, agir de forma anti-democrática, impondo sanções económicas a um país, sujeitando um povo ao sofrimento , só porque se recusa aceitar as regras que lhes querem ser impostas -e das quais discordam.

Quando vejo aqueles que clamam tolerância, incapazes de ser tolerantes.

3- TOLERÂNCIA será abrir mão das próprias convicções?

De modo nenhum. Não precisamos de nos negar a nós próprios, para aceitar a forma de pensar e agir dos outros. O mundo não é preto e branco. Tem cores que servem para lhe dar mais harmonia.

Deverei passar este desafio a seis amigos virtuais. Dado o adiantado da hora, deixo isso para mais tarde e sugiro a todos os leitores do CR que o aceitem, porque vale a pena cada um de nós reflectir um pouco sobre este tema.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Caderneta de cromos (4)


As suas tiradas "estriónicas"- talvez a mais célebre seja a do “Malhar” na direita- enquanto ministro dos assuntos parlamentares, seriam suficientes para lhe garantir um lugar provisório nesta caderneta mas, como ministro da defesa, parece querer assegurar a titularidade. É, provavelmente, um dos ministros mais pró-socráticos deste governo, pelo que não espantam as suas críticas à justiça e a defesa acérrima do líder. De um ministro da defesa espera-se mais compostura, tento na língua e menos apetência pelos palcos mediáticos.
Nota: A partir de hoje, também poderão conhecer a Figura da Semana aqui

Recordações de professores


Os professores exercem uma das mais nobres profissões do mundo. O seu esforço e a sua dádiva nem sempre são reconhecidos em Portugal, mas o mesmo não acontece, por exemplo, na China, onde o professor primário é visto como uma pessoa de família, pelos familiares dos alunos.
Tive, ao longo da vida, professores excelentes, apenas bons e medíocres. O meu professor primário - de que já vos falei aqui - era na realidade um professor medíocre, mas visitei-o muitas vezes ao longo da vida, até à sua morte.
No Liceu tive alguns professores excelentes, de quem guardo belíssimas recordações. Ainda sou amigo , por exemplo, do meu professor de Filosofia que, embora sendo padre, é de uma grande abertura de espírito. Lembro-me com saudade do meu professor de Português, mau como as cobras, mas com uma tal sensibilidade, que chorava como uma Madalena nas aulas, quando nos falava de alguns autores portugueses. Ainda hoje sinto um arrepio, quando me lembro das aulas em que ele recitava de cor longos excertos de “Os Lusíadas” e as lágrimas lhe escorriam pela face, em catadupa. Poderia aqui citar a minha professora de História, que me fazia voar no tempo, com a sensação de estar a viver na época de que ela falava, ou a empertigada e irritante professora de inglês que eu detestava, porque me castigava nas notas por considerar que eu não me esforçava para ser melhor aluno. Quando, no exame do antigo 5º ano ( actual 9º), tive 18,9, disse-me “mas podias ter tido 20!”. Depois, perante o meu ar incrédulo e desesperado, agarrou-se a mim a pedir desculpa pelos três anos de sofrimento que me fizera passar e arrematou: “mas valeu a pena!”.
Poderia contar-vos muitas histórias, mas hoje quero falar de um professor que tive na Faculdade de Direito. Era um péssimo professor. Ignorante, inculto e fascista, foi responsável pela minha expulsão da Faculdade. Devia estar-lhe grato por isso, pois foi graças à expulsão que a minha vida ganhou um novo rumo, mais consentâneo com as expectativas que eu tinha. Mas não estou e continuo a sentir o mesmo rancor por aquela figura sinistra que era o terror dos alunos de Direito. Descobri isso há dias, quando passou por mim à porta da Versailles. Quando vi aquela figura repelente, agora carcomida pela idade, a minha vontade foi apertar-lhe o pescoço, cobri-lo de porrada, até ficar ali estendido, à espera de uma ambulância do INEM que o conduzisse ao Hospital.
Tal como alguns amores, alguns ódios não se explicam. Não é o caso deste. Sei que foi sempre uma figura detestada. Nem Marcello Caetano o suportava. Mas nunca pensei, até este reencontro, que ainda pudesse despertar –me tento desprezo, volvidos quase 40 anos!

Gostei de ler...

Parábola dos dois cavalos

domingo, 15 de novembro de 2009

A Cimeira do Nada

Começo a ter a impressão que a cimeira de Copenhague vai ser um fracasso. Se esta notícia se confirmar, permito-me dar um conselho. Já que não vai haver compromissos que conduzam à assinatura de um acordo pós Quioto, o melhor é cancelar a cimeira. Poupar-se-á imenso dinheiro e reduzir-se-ão as emissões de dióxido de carbono provocadas pelos milhares de viagens, por todo o aparato em segurança, pelos "coffee breaks", pelos almoços e jantaradas, e ainda se poupa, em toneladas de papel, a vida a milhares de árvores.
Acompanhem as novas tecnologias, troquem opiniões em video conferências e no final anunciem ao mundo que o melhor é pensar um pouco mais sobre o assunto, antes de tomar decisões. O ambiente agradece que o poupem a palhaçadas.

Saudades do hemisfério sul

A maioria dos leitores do CR talvez não a conheçam, mas hoje não me sai da cabeça esta música.

O´p´ra mim tão babadinho!

Ganhei mais este selinho, vindo do outro lado do Atlântico. Obrigado Dulce!

sábado, 14 de novembro de 2009

Humor em Dia de Bruxas

Numa cidade do interior de S. Paulo, dois padres costumavam cruzar-se de bicicleta na estrada todos os domingos, quando iam rezar a missa nas suas respectivas paróquias.
Mas certo dia, um deles estava apeado. Surpreso, o outro padre parou e perguntou:
- Onde está a sua bicicleta, Padre Josias?
- Foi roubada! - responde o outro padre - creio que no pátio da igreja.
- Mas que absurdo! - exclamou o ainda ciclista - eu tenho uma ideia para saber quem foi: na hora do sermão, cite os 10 mandamentos. Quando chegar no «Não roubarás» faça uma pausa e percorra os fiéis com o olhar. O culpado com certeza que se vai denunciar!
No domingo seguinte, os padres cruzam-se de bicicleta. O padre que deu a ideia diz:
- Parece que o sermão deu certo, não é, Padre Josias?
- Mais ou menos - responde ele - na verdade, quando cheguei ao «Não desejarás a mulher do próximo» acabei por me lembrar onde é que tinha deixado a bicicleta!

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

A verdadeira "Noite das Bruxas"


Temos o péssimo hábito de importar tradições alheias, com pompa e circunstância, mas não dar o devido relevo às nossas.Um desses exemplos é o Halloween, que introduzimos nos nosso hábitos, seguindo a esteira da globalização ditada pelo Grande Império, e veio menorizar o ancestral “Pão por Deus”.
Vem isto a propósito da “Noite das Bruxas” que hoje terá lugar em Montalegre, já considerada a capital do misticismo. Esta noite, que se assinala nas sextas-feiras 13, é já uma tradição das terras de Barroso, cujo mentor foi o Padre Fontes, de Vilar de Perdizes.
A noite começa às 20 horas com o Jantar Amaldiçoado. Nos restaurantes de Montalegre, os clientes passarão por baixo de umas escadas, antes de entrar na sala e se sentarem em mesas de 13 lugares, com os talheres cruzados e vidros partidos. A ementa é variada. Desde sopa de morcego ou caldo de urtigas a Nariz de Bruxa ( naco de carne de porco) com formigas e presunto fumado nas lareiras do Inferno, passando por uma posta ensanguentada com frutos silvestres, acompanhada de arroz de feitiços, os comensais poderão saborear um variado número de iguarias embruxadas. Como sobremesa serão servidos os biscoitos da sorte mas, antes de apreciar este manjar, o comensal pode ser surpreendido por duendes, bruxas e outras figuras, que lhe infernizarão o repasto.
Terminada a refeição, os “sobreviventes” deslocam-se para as imediações do castelo, devidamente trajados, a fim de assistir aos rituais da “Noite das Bruxas” . Um dos pontos altos é a preparação da “Queimada”, uma poção preparada pelo padre Fontes, que promete esconjurar todos os males. Para isso, é necessário rezar o esconjuro ( será nesta altura que eu farei figas, para que desapareça o mau cheiro que está a inundar este país e a torná-lo inabitável . Farei também o esconjuro para que Portugal vença amanhã folgadamente a Bósnia Herzegovina e se apure para o Mundial da África do Sul. Receio, porém, que os feitiços não resultem porque esta noite, em virtude do mau tempo, as cerimónias terão lugar no pavilhão multiusos e não ao ar livre).
Amanhã, o dia será passado a conhecer as tradições das terras barrosãs, como o fojo do lobo, a cozedura do pão e a preparação da carne para o almoço, que será assada num dos fornos comunitários da região. Tudo isto foi só para vos dizer que temos em Portugal um Halloween muito mais característico e divertido, do que andar pelas discotecas, mascarado de abóbora, até cair de bêbado.
Se nenhum bruxedo impedir a publicação deste post,( agendado para cerca das 16h30m), ainda vou a tempo de dizer, a quem vive no Porto e arredores, que há alguns hotéis e restaurantes da cidade que hoje oferecem menus especiais da “Noite das Bruxas”. Quanto aos restantes festejos, se estiverem interessados em assistir, o melhor é irem já consultar os vossos calendários de 2010 e reservar quarto no hotel, para a única noite de sexta-feira 13 do ano, que será em Agosto.
Não percam tempo, porque apesar de este ano o calendário nos ter contemplado com 3 sextas-feiras 13, há mais de um mês que não é possível arranjar um quarto em Montalegre e imediações.

Gostei de ler

Perguntas incomodamente insidiosas

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Já é Natal no Saldanha

Os centros comerciais já há muito estão vestidos de luzes natalícias, mas não são esses enfeites de um azul triste, caindo do alto dos edifícios, que anunciam a proximidade do Natal no Saldanha. São as cores azul e branca das viaturas da PSP ali estacionadas.
Tendo uma presença esporádica ao longo do ano na Praça, assim que Novembro começa a sua frequência naquelas paragens passa a ser mais assídua. Os agentes não estão vestidos de Pai Natal, nem distribuem prendas aos passantes. Vêm apenas cumprir a sua missão de disciplinadores do trânsito, multando os automobilistas infractores que vindos da Avenida da República, pela faixa central, viram à direita desrespeitando o sinal de proibição e pondo em risco quem circula pelas faixas laterais e não está à espera de um intruso que lhe intersecte marcha. Assim que chegam, os automobilistas parecem abelhas atraídas pelas flores na Primavera. Num espaço de quinze minutos, uma dezena de automóveis é facilmente apanhada nesta ratoeira, onde caem vítimas da incúria e da falta de civismo de quem os conduz.
Depois, é ver o espectáculo da exibição de documentos e preenchimento de papéis. Parece que estão a escrever ao Pai Natal. Não a pedir presentes, mas a encher os cofres da PSP, com o dinheiro das pesadas multas. Saúdo a chegada dos agentes da PSP a esta zona da cidade. Apenas lamento que não seja Natal durante todo o ano. Talvez houvesse menos transgressões, menos acidentes, menos automobilistas parados em segunda fila e um pouco mais de civismo.
Natal também é isto. Educar os automobilistas que desrespeitam os outros. Sejam bem – vindos, senhores agentes da autoridade. Voltem mais vezes.

A mulher não se enxerga?

Ai, ai ai! A doutora MFL se não existisse tinha de ser inventada. Depois de ter escaqueirado o partido e oferecido em bandeja de prata a vitória nas legislativas ao PS, ao incluir nas suas listas candidatos já constituídos arguidos, a senhora foi ontem para a AR dizer que “As dúvidas políticas não se dissipam adiando investigações ou destruindo hipotéticas provas. Isso resolve o problema jurídico, mas deixa em aberto um enorme problema político. As dúvidas dissipam-se esclarecendo os factos…"
Até lhe dou razão, mas foi pena a senhora não se ter lembrado disso quando incluiu António Preto nas listas do PSD. Ou antes de considerar insultuosa qualquer conotação entre o caso BPN e o PSD.
MFL não se cansa de disparatar, mostrando que a sua “política de verdade” não é mais do que uma conversa de comadres alcoviteiras. Enxergue-se, senhora, enxergue-se! Vá para casa e deixe que alguém com dignidade e sem telhados de vidro dirija o PSD e restitua a credibilidade que a senhora lhe tirou.

Qual é o espanto?

Digam-me só uma coisa, senhores juízes. Os senhores estranham o quê?

Gostei de ler...

Provocações

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

2012: Apocalipse ou Redenção?


Estreia amanhã em Portugal um filme que vai, certamente, dar muito que falar. Realizado pelo alemão Roland Emmerich, “2012” retoma a velha, mas ciclicamente recuperada, previsão do Fim do Mundo. Depois do falhanço das anteriores previsões, o realizador alemão traz a teoria para as telas, num argumento baseado no calendário Maia que prevê o fim do mundo para o dia 21 de Dezembro de 2012.
Antes de continuarem a ler, quero descansar-vos. Há uns meses, num trabalho de pesquisa sobre os calendários das diferentes civilizações, descobri que a interpretação está errada. Explicarei adiante porquê, mas antes farei uma brevíssima incursão ao conceito de medição do tempo dos Maias.
Todas as civilizações delimitam o tempo entre passado e futuro. Todas… não. A civilização Maia tinha uma concepção de tempo que se confundia com o espaço e se desenvolvia em ciclos repetitivos. De acordo com os analistas, os Maias criaram o calendário mais preciso da História, conseguindo fazer cálculos precisos da rotação da Terra e dos ciclos lunar e solar. Os Maias acreditavam que, conhecendo o passado e aprendendo com ele, poderiam transportar os acontecimentos para idêntico dia do ciclo futuro. Cada ciclo durava 52 anos e era o resultado da combinação do calendário solar (Haab) com a duração de 365 dias e meio e do calendário religioso ( Tzolkin) com a duração de 260 dias.
A verdade é que o calendário Maia- que se sabe hoje, era um calendário ainda inacabado- se desenvolvia em Grandes Ciclos, prevendo com extremo rigor as datas dos eclipses solares e lunares e mesmo a destruição da sua própria civilização. No entanto- e aqui labora o grande erro de “2012”- os Maias não previram, nunca, um fim do mundo, um Apocalipse que exterminasse a vida à face da Terra. Como, aliás, resulta óbvio da sua própria concepção circular do tempo. Mas não é só isso que invalida a tese catastrofista de “2012”. Como é sabido, quando os espanhóis dizimaram os Maias, destruíram todos os livros que encontraram (Pois é, os Descobrimentos foram o primeiro passo para a globalização, mas logo aí se percebeu que globalização era sinónimo de destruição e o progresso não encaixava com preservação da cultura e História de outras civilizações, mas sim com a imposição da vontade de quem dominava o mundo e pretendia apagar os vestígios de outras culturas, ainda que mais avançadas. Bem, mas isso faz parte de uma outra “estória”). Ora, curiosamente, no pouco que sobrou, não se encontra uma única referência ao que acontecerá depois de 2012, data em que termina o calendário Maia, com o fim do quinto Grande Ciclo- aquele em que actualmente nos encontramos.
É a inexistência de uma previsão quanto ao que acontecerá no fim deste Ciclo ( em 21 de Dezembro de 2012) que tem alimentado muitas especulações, transpostas para livros, que enriqueceram alguns dos seus autores. Agora, um cineasta decidiu explorar o filão e, com um orçamento de 150 milhões de euros e a campanha publicitária mais cara da história do cinema, promete pôr o mundo em polvorosa.
No que a maioria dos “especialistas” concordam é que em 21 de Dezembro, de 2012, alguma coisa de importante ocorrerá no Universo, que mudará a vida na Terra. Só que houve uns desmancha-prazeres que, em 2007, apresentaram uma nova teoria. Afinal, a interpretação do calendário Maia, incorre num erro de 4 anos, pelo que o anunciado Apocalipse deveria ter ocorrido em 21 de Dezembro de 2008. Sabem o que aconteceu em Dezembro do ano passado, para além do habitual solstício do dia 21 e da tradicional ceia de Natal da noite de 24? Nem mais nem menos do que a prisão de Bernard Madoff, o maior responsável pela crise financeira do planeta depois de 1929, condenado em Junho a 150 anos de prisão pela justiça americana que é um “bocadinho” mais célere do que a nossa.
Assim sendo, talvez já tenhamos entrado numa nova era pós-capitalismo selvagem e ainda não nos apercebemos. Sejamos optimistas. O futuro pode ser risonho. Pelo menos para Roland Emmerich que vai certamente enriquecer com esta sua obra de ficção.

Sebastião e as florestas

A importância da floresta nos equilíbrios ambientais é vital. As florestas têm uma função de “esponja” por ocasião das estações das chuvas, reduzindo os efeitos das inundações. Constituem, além disso, uma fonte de diversidade genética que é objecto de cobiça por parte das empresas de biotecnologia.
Quer se fale de florestas boreais, temperadas ou tropicais, elas são os pulmões verdes da Terra, ainda não explorados industrialmente, mas que já só representam 7 por cento da área do planeta. E continuam a ser devastadas, pois em cada ano desaparecem cerca de 10 milhões de hectares, à razão de um campo de futebol em cada dois segundos.
Um dos casos mais terríveis é o da Indonésia, que já perdeu cerca de 75 por cento das suas florestas originais.A tomada de consciência do problema por parte dos consumidores será decisiva .Sondagens indicam que 62 por cento dos americanos são de opinião que as empresas não deviam utilizar ou vender madeiras provenientes de florestas antigas. Em França, um inquérito revela que 92 por cento dos cidadãos estariam dispostos a pagar mais por produtos que respeitassem o ambiente. No entanto, apesar desta tomada de consciência, só a generalização de um sistema fiável e independente de certificação pode inverter a tendência que hoje é dominante. A dificuldade consiste em conciliar uma política de transparência dos fornecedores com a aquisição de madeiras cuja origem e método de produção seja conhecido. Com efeito, só um dispositivo que permita seguir o percurso de um produto até à matéria-prima que o origina poderá anular contratos com fornecedores que se recusem a aceitar estas regras.
Começa a ganhar forma um movimento de eco-certificação que, no entanto, ainda é bastante incipiente. No final do ano 2000, a certificação abrangia menos de dois por cento da superfície florestal mundial, ou seja, 80 milhões de hectares, quase inteiramente localizados nos Estados Unidos, Finlândia, Noruega, Suécia, Canadá, Alemanha e Polónia. Durante esta década, a situação manteve-se praticamente inalterada.... Por outro lado, cerca de 90 por cento das florestas situadas em países industrializados são exploradas de acordo com um plano de gestão, enquanto nos países em desenvolvimento essa percentagem é de uns escassos 6 por cento.
Os principais responsáveis por este descalabro são, segundo as organizações ambientalistas, as 150 empresas, na maioria multinacionais, que dominam o mercado mundial de produtos florestais. Na sua maior parte recusam as premissas de um rótulo ecológico para os seus produtos, e muitos especialistas interpretam essa posição como o sinal de uma recusa em explorar novas variedades de madeiras não ameaçadas pela desflorestação. De facto, a maioria das madeiras exóticas ou tropicais que são alvo de uma exploração excessiva são fáceis de trabalhar para fabricar objectos tão comuns como portas, janelas ou móveis. Optar pela exploração de outras madeiras implica uma transformação mais complexa que exigiria novos investimentos de capital. Porque haveriam de fazê-lo se é mais fácil continuar a delapidar, sob o olhar indiferente da opinião pública, recursos florestais que, a prazo, podem transformar o planeta num imenso deserto?

Gostei de ler...

A face oculta está em cada um

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Olha que giro!




«No entanto, se era uma ditadura do proletariado,"não era tudo preto ou branco". Eu era feliz, e não quero esquecer esses 35 anos da minha vida».
Imaginem quem disse estas palavras. Um agente da Stasi? Frio!
Não puxo mais pelos vossos neurónios. Quem disse isto foi a chanceler alemã Angela Merkel, que viveu na RDA de 1954 a 1989. ( Obrigado ao Vítor Dias, Tempo das Cerejas, por me ter lembrado).
Depois de ler tantas opiniões, tantas reportagens, tantos posts sobre o Muro de Berlim e constatar que a maioria das pessoas só consegue analisar as coisas, do lado de cá, estas palavras da chanceler alemã foram um autêntico bálsamo para os meus ouvidos.
Aprendi, em pequenino, que se o Criador nos deu dois olhos, foi para nos permitir ver tudo em duas perspectivas. Já adolescente, estudante de Direito, aprendi a descobrir o lado bom dos criminosos e o lado mau das suas vítimas. Uma das primeiras coisas que aprendi no jornalismo, foi que a notícia tem sempre duas faces. Infelizmente são princípios que se perderam ao longo do tempo, especialmente quando a informação passou a ver o mundo, apenas pelos olhos do ocidente e a descobrir inimigos em toda a parte.
O que ontem escrevi aqui e no Delito de Opinião, pretendia apenas chamar a atenção para o perigo de ver o mundo apenas de um lado. Alguém quer impôr o pensamento único mas, pessoalmente, não estou interessado. Quero ser livre para pensar e poder ver os diversos ângulos de uma situação.
Há quatro pontos cardeais, cada um deles tem a sua razão de existir. O arco íris tem sete cores, não apenas uma. E se os períodos de 24 horas se dividem entre noite e dia, nem todos os dias está sol, nem todas as noites o céu está estrelado. Foi essa reflexão, e esse alerta que quis deixar ontem, nos posts que escrevi ao longo do dia.
Nota: “As cruzadas vistas pelos Árabes”, de Amin Malouf, é um excelente livro que nos permite uma séria reflexão sobre o modo de ver o mundo.

Gostei de ler...

Discurso (pouco) secreto na montanha.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Berlim: o outro lado do Muro

Faz hoje 20 anos que começou a queda do Muro de Berlim. Todo o ocidente festeja a data como o triunfo do Bem sobre o Mal. Estava suficientemente longe da Europa, nessa época, para poder ver, com alguma equidistância esta vitória e já expliquei, aqui, as razões porque não celebro.
Vinte anos depois, mantenho a opinião que exprimi na altura. Sustentado na minha convicção pessoal, mas também nos muitos testemunhos que li, ao longo dos últimos dias, na imprensa, de pessoas que viviam em Berlim oriental. Mais do que a vitória do liberalismo sobre o comunismo, a queda do muro de Berlim representou a vitória da Internacional Consumista sobre a Internacional Comunista.
O génio do Mal - que punha barreiras às exportações dos produtos e culltura ocidentais- foi subjugado com o desmoronamento do Império soviético e não tardou a estender a mão ao ocidente, pedindo auxílio. O delírio inebriante da vitória foi tão grande que até permitiu esquecer que o fundamentalismo islâmico estava prestes a triunfar numa Argélia que fica a dez braçadas da Europa.
O importante foi que a vitória permitiu que do Atlântico aos Urales, todos os europeus passassem a ver, especados diante da pantalha, noticiários lidos pelo Rambo, ou seguir atentamente as peripécias de seriados protagonizados por Gorbachev ou lmelda Marcos, enquanto trincavam amendoins e bebiam coca-cola, deformando-se na obesidade do corpo e do espírito.
O importante, verdadeiramente importante, foi que a queda do muro de Berlim,permitiu aos nossos irmãos do Leste Europeu desfilar sob a Bandeira da Internacional Consumista e desaguar, felizes, nos hipermercados do supérfluo e do desperdício, cujas portas lhes foram franqueadas por magnânimos empresários ocidentais.
O verdadeiramente sublime foi que de S. Francisco a Moscovo, passando por Lisboa, Praga ou Budapeste, todos sem excepção, passaram a confraternizar nos espaços standardizados dos "Pizza Hut", "Mc Donald's" e quejandos, verdadeiros laços de comunicação entre os povos. Na verdade, o que aconteceu nos países de Leste não foi apenas a queda do comunismo. Foi o triunfo do consumismo que levou à queda de Gorbatchev e seus pares, incapazes de garantir aos seus povos o acesso generalizado ao automóvel, ao vídeo, aos cartões de crédito e a toda a parafernália de bens de consumo que o ocidente propagandeava como imagem de marca.
A explicação, sem pretender ser demasiado simplista, encontra-se na própria História. Os povos sempre aspiraram à diferença, à sua imagem de marca. Os países mais ricos e desenvolvidos, foram criando produtos que lhes garantiam esse direito à diferença. Quando se cansam deles, criam outros novos e exportam os velhos para países menos desenvolvidos. Criou-se assim uma cadeia consumista que permitia aos países produtores, transformados em manequins do Mundo, criar nos povos dos países receptores a sensação que o seu nível de vida estava a aumentar, porque os seus padrões de consumo se assemelhavam aos dos países mais ricos (passa-se pois, à escala quase mundial, o que se verifica nas sociedades dos países capitalistas: quando os estratos sociais mais baixos têm acesso aos produtos reservados às "elites", já estas se desinteressaram deles).
Uma pequena pedra na engrenagem, refreou os entusiasmos ocidentais. Um dia, ao acordar, o ocidente reparou que as regras do jogo se tinham alterado. Por um lado, os países do Terceiro Mundo cansaram-se de ser caixotes do lixo do Ocidente, o que se agravou com a expansão do fundamentalismo que, como é sabido, recusa os valores e produtos ocidentais, “origem de todos os males”. Por outro lado, os "dragões" asiáticos, (China, Índia,Coreia, Japão, Singapura e Taiwan) emergiram, disputando mercados ao Ocidente e penetrando mesmo no seu mercado interno.
O jogo do Poder, neste final de século, joga-se num tabuleiro de Monopólio em busca de mercados. Tudo se joga na área da produção e do consumo. Daí, que a abertura dos mercados de Leste fosse saudada de forma exuberante pelo mundo ocidental. Era a possibilidade de exportar os "American Express”, os "Chanel", os "Benetton" e outras maravilhas ocidentais menos sonantes que não encontravam escoamento "intra muros" e que a florescente economia paralela nos países do Leste promovia e comercializava.
Apesar do desencanto vindo do Leste, a Internacional Consumista continua a apascentar sonhos. É ela que nos alimenta a ilusão de um dia, se nos portarmos bem, concorrermos a muitos concursos por ela promovida, jogarmos no Euromilhões, Totobola, Totoloto, Lotaria e demais jogos de fortuna e azar, podermos trocar o andar na Brandoa por outro no centro de Lisboa e o Fiat Uno por um Audi. É a fé que depositamos na Internacional Consumista que nos permite acalentar a esperança num futuro melhor, se nos rodearmos de máquinas de que não precisamos, ou não sabemos utilizar, de fruirmos a sensação inebriante de estarmos a ver, num televisor igual ao do Bill Gates, o mesmo anúncio que promove o automóvel conduzido pela Angelina Jolie, ao qual teremos facilmente acesso se recorrermos a uma instituição de crédito que todos os meses nos leva dois terços do salário, com que pagamos a nossa vaidade.
A Internacional Consumista esvazia-nos os bolsos, mas enche-nos de dívidas e ilusões. Dá-nos facilidades na compra de vídeos e televisores para, através deles, podermos ver as maravilhas que criou: uma parafernália interminável de artigos, essenciais ou supérfluos, que podemos comprar (ou até ganhar ... ) no caso de utilizarmos um cartão de crédito. É o suficiente para nos sentirmos felizes. Mas que tal tentarmos ver o Muro dos dois lados?

Caderneta de cromos (3)

José Anónio Saraiva
Já vos disse que considero o jornalismo a melhor profissão do mundo. Lamento, por isso, que alguns jornalistas queiram transformar o jornalismo num espaço de insulto e maldicência, para aliviar as frustrações. JAS é um desses casos. Qualquer pulha seria capaz de escrever o que ele escreveu aqui, desde que lhe dessem espaço para o fazer. Em causa não estão as opiniões de JAS sobre a homossexualidade. As barbaridades que escreve são um excelente momento de humor. O que me enoja é o facto de JAS ter aproveitado o seu espaço de director de um semanário medíocre, para fazer afirmações deselegantes, caluniosas e onde a mentira campeia, sobre uma colega de profissão que lhe é infinitamente superior. Como pessoa e como profissional.
O texto de JAS poderia ter sido escrito por um atrasado mental, por um escroque, ou por um humorista medíocre. No entanto, quem o assina, é o director de um semanário que prometeu aniquilar o “Expresso”e anunciou que seria Prémio Nobel da Literatura, dias depois de ter escrito um romance imprestável. Como não conseguiu concretizar nenhuma das suas promessas, agora anseia, como qualquer cretino, ser atacado pelo PM para se armar em vítima. Esqueceu-se que ninguém vai perder tempo a atacar um jornal invisível como o “Sol”.
JAS terá fortes possibilidades de vir a ser o “carimbado” desta caderneta. Porque, apesar do desprezo pela verdade, da ignorância, da falta de rigor e da imbecilidade, consegue fazer-nos rir.

sábado, 7 de novembro de 2009

Coincidências...

Um criador de galinhas vai ao bar local, senta-se ao lado de umamulher e pede uma taça de champanhe.
A mulher comenta:
- Que tal vai isso? Eu também pedi uma taça de champanhe.
– Que coincidência! - diz o fazendeiro. - Hoje é um dia especial paramim. Eu estou celebrando.
– Hoje é um dia especial para mim também! - diz a mulher. - Eu tambémestou celebrando.
- Que coincidência! - diz o fazendeiro.
Quando eles ‘batem’ as taças, ele complementa:
- O que a senhora está a celebrar?
– Eu e meu marido vimos tentando há uns tempos ter um filho e hoje omeu ginecologista disse-me que estou grávida.
– Que coincidência! - diz o homem. - Sou criador de galinhas e durantemuitos anos as minhas galinhas não eram férteis. Mas consegui, elashoje estão pondo ovos fertilizados.
– Isto é óptimo - diz a mulher. - Como conseguiu que as suas galinhasficassem férteis?
– Usei um galo diferente - diz ele.
A mulher sorri, brinda novamente e diz:
- Outra coincidência!!!

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Crónicas de Graça # 3

José Saramago



“Estamos todos deitados num berço que se move suavemente e há uma voz que murmura ao redor do mundo: dorme, dorme tranquilo, nós te governaremos. Sobretudo não sonhes, não sonhes, não sonhes. E nós, obedientes, não sonhamos.”
( José Saramago, in Visão nº 253 de 22 Janeiro de 1998)

Estava na Lusa , a fazer uma entrevista ao Jorge Wemans, no momento em que foi anunciada a atribuição do Nobel a José Saramago. À memória veio-me de imediato um caso ocorrido em Macau em 1992. O Zé Rocha Dinis, director do jornal onde trabalhava na altura, pediu-me para fazer a cobertura de um debate a decorrer no Paço Episcopal, sobre “O Evangelho Segundo Jesus Cristo”. Recordo bem os esforços do padre Henrique Rios apelando à lucidez de alguns crentes mais exaltados que apelidavam o livro de sacrílego e quase lamentavam o fim da Inquisição que condenasse Saramago ao fogo eterno. Aquelas cabecinhas de funcionários públicos “topo de gama” consideravam o livro um insulto à Pátria, secundando o douto parecer de um obscuro e desfibrado sub-secretário de Estado da cultura ( Sousa Lara) que recusara a candidatura do livro a um prémio europeu.
Nessa manhã de Outubro em que o prémio foi atribuído, sabia – apesar de recentemente regressado a Portugal - que em termos culturais e de abertura mental, a população portuguesa não evoluíra muito, mas não deixei de me surpreender quando à noite, nos noticiários das televisões, vi vários estudantes afirmarem, com ar displicente, nunca terem lido nada de Saramago e, mesmo aqueles que diziam conhecê-lo, não iam além da menção ao “Memorial do Convento”.
Em contraponto, lembrei um episódio ocorrido no ano de 1995, em Buenos Aires. Na calle Florida fui a um quiosque comprar um rolo de fotografias. A jovem empregada que me atendeu, ao perceber que eu era português, começou a falar-me de Lobo Antunes e Saramago com uma desenvoltura que me deixou atónito. Depois, abriu a carteira e mostrou-me um exemplar do “Memorial do Convento” que andava a ler no caminho entre a casa e o emprego. Uns dias mais tarde, na esplanada de uma cantina do barrio de Palermo onde me acompanhou na visita ao percurso de Borges, tirou uns recortes dos jornais Clarín e La Nación onde se teciam elogiosas críticas às últimas obras de Lobo Antunes e Saramago, apontados como possíveis vencedores do Nobel desse ano. O prémio, no entanto, fora atribuído ao irlandês Seamus Heaney e os colunistas garantiam ter havido alguma injustiça da Academia sueca. Vivianne partilhava da mesma opinião e embora as suas preferências fossem claramente para Lobo Antunes, dizia que qualquer um deles o merecia.
O que mais me impressionou, nesta jovem argentina, foi o seu conhecimento profundo da vida e obra de Saramago e Lobo Antunes, que certamente deixaria envergonhada a maioria dos nossos recém-licenciados. Para muitos portugueses que leram a obra de Saramago, “Levantados do Chão” será sempre,apenas,a visão de um comunista, “Jangada de Pedra” um livrinho interessante e “O Evangelho Segundo Jesus Cristo” um ataque ao catolicismo, perpetrado por um ateu comunista. A atribuição do Nobel é desvalorizada.
No estrangeiro o tuga, ao longo de três gerações, identifica a sua origem, invocando os nomes de Eusébio, Figo e Cristiano Ronaldo. Nunca com Saramago. Porquê? Porque habituados que estão a manifestar o orgulho luso além fronteiras, esgrimindo sucessos desportivos, ficaram atarantados com a atribuição do Nobel a um português que pouco tem a ver com a nossa maneira de estar na vida.Além de se ter mantido coerente em relação aos seus ideais, Saramago sempre recusou o facilitismo. Um dia, ainda não era Nobel, veio dos Estados Unidos uma oferta de 100 mil contos para passar o “Memorial do Convento" a filme.

Recusou, temendo que desvirtuassem a mensagem do livro.
Saramago tem sido injustiçado pela sociedade portuguesa, que não lhe perdoa o facto de ser comunista. Pessoalmente, separo o Saramago escritor do Saramago homem. Não me agrada o seu ar sisudo de quem está zangado com o mundo. Não esqueço o seu papel de saneador quando esteve à frente do DN e lamento nunca ter reconhecido os erros que cometeu. Admiro-lhe a perseverança que preenche a sua história de vida. A ingenuidade de "Terra do Pecado", o seu primeiro romance, publicado em 1947.A sensibilidade e humanismo de “Levantados do Chão”. O poder imagético que atravessa toda a sua obra e atinge o clímax em “Jangada de Pedra”, “História do Cerco de Lisboa” ou “Ensaio sobre a Cegueira”. O romantismo de “A Viagem do Elefante”. A frontalidade com que enfrenta as questões, sem estar preocupado com os discursos politicamente correctos.
Depois, tem outro problema. É um autodidacta e a intelectualite lusa, liderada por Vasco Pulido Valente e Vasco Graça Moura, persigna-se perante tal afronta. Como é que um homem humilde, sem estudos, ignorante e ainda por cima comunista, pode receber o Nobel e "nós", inteligentes, cultos, doutorados pelas melhores universidades europeias, somos completamente ignorados, para além do círculo de amigos que tecemos em noites de boémia?
Para a maioria dos portugueses, Saramago não é tangível e isso é inadmissível e imperdoável, numa sociedade embevecida por ídolos dos relvados , das televisões ou das revistas cor de rosa. Um Prémio Nobel deveria ser suficiente para agitar o mundo da educação e da informação em Portugal mas , quando o presidente da câmara de Mafra é o primeiro a recusar a atribuição do nome do escritor a uma escola secundária do seu concelho e uns quantos deputados se esgueiram sorrateiramente da AR , na altura de votar favoravelmente uma saudação a Saramago por ter conquistado o Nobel, que poderemos esperar? Como diz Saramago, “um dos grandes subministradores de educação do nosso tempo é o hipermercado”. Na verdade, é aí, nos centros comerciais e por vezes nos estádios, que damos azo a todas as nossas manifestações de prazer, sob a forma de ejaculação consumista. Continuamos a ser, mais de 30 anos depois de Abril, um país de Eusébios e Amálias, sem merecimento para Saramagos. Somos o país do show mediático, não o do pensamento e da cultura. Saramago não cabe neste quadro idílico de um portugalzinho de invejosos que despreza a cultura, mas adora ídolos efémeros que enchem os estádios, as revistas cor de rosa e os talkshows da Emaudio.
E disse. Agora vão ler a opinião da minha querida parceira sobre outro grande nome da literatura portuguesa contemporânea, que igualmente admiro: Lobo Antunes.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Ljubliana revisitada

Cheguei a Ljubliana numa tarde tórrida de Junho, com a temperatura a rondar os 40º. Saíra de manhã cedo de Split, na Croácia, preparado para perder algumas horas na fronteira. As longas filas de automóveis que encontrei faziam, porém, o caminho no sentido inverso. Eram às centenas os carros de turistas alemães, italianos, austríacos, húngaros e checos, em demanda das praias da costa croata. Alguns levavam barcos atrelados e o seu destino seria muito provavelmente a ilha de Hvar ou uma das centenas de ilhas ainda por descobrir pelo turismo de massas, ao largo da costa adriática.
As formalidades na fronteira foram rápidas. Pouco mais de 10 minutos. Decidi, por isso, visitar as maravilhosas grutas de Postojna e o castelo de Predjama de onde se desfruta uma paisagem invejável de matizes verdes, impecavelmente limpas e tratadas. Agradeci mil vezes à recepcionista do hotel em Split, que me aconselhou a alugar um carro com ar condicionado pois, em virtude da diferença de preço, estava tentado a prescindir desse luxo . Teria certamente esturricado durante a viagem tal era a canícula que se fazia sentir.
Como disse, cheguei a Ljubliana perto do final da tarde. Tempo para ir ao hotel , tomar um duche e apanhar o elevador até ao castelo, de onde se pode abarcar uma magnífica vista da pequena capital eslovena. Lá em baixo, o rio Ljublinica , a ponte dos Dragões , a ponte Tripla, a praça Preseren e gente. Muita gente, maioritariamente jovem, sentada nas esplanadas, desfrutando a leve brisa que começara a soprar .
Desci em direcção ao centro histórico. Sentei-me numa esplanada a programar as visitas do dia seguinte, porque Ljubliana é uma cidade rica de cultura. Comi um Cevapi e fui entrando em vários bares. Pelo prazer da descoberta.
Acabei por me sentar num bar com menos bulício, onde a música me agradou. Sem perceber muito bem como, ao fim de pouco tempo estava a conversar com meia dúzia de pessoas. A noite estendeu-se para além do que previra e, no regresso ao hotel, não pude deixar de fazer uma viagem ao passado.
Tinham passado mais de 20 anos sobre a minha passagem por Ljubliana. Na altura ainda era apenas uma pequena cidade da Jugoslávia e o meu destino era Split. O contraste é gritante. Hoje, a capital da Eslovénia é uma cidade cosmopolita, transbordante de alegria, onde a juventude parece maioritária. Tão diferente desta Ljubliana que conheci nos anos 80…