Quinta-feira, 8 de Outubro de 2009

Tirem-me daqui!

Não posso deixar de me interrogar sobre a sociedade onde vivo, quando leio a notícia do suicídio de 24 trabalhadores da France Telecom que, alegadamente, não aguentaram a pressão a que o seu posto de trabalho os sujeitava.
É este o resultado da maravilhosa globalização, assente na economia de mercado, que nos prometeram com tanto entusiasmo? Então não é nesta sociedade que quero viver. Já vi este filme na última década do século XX noutras paragens. Como se atrevem a chamar a isto liberdade?

11 comentários:

  1. É aterrador, pensar que podemos chegar a estes extremos.

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  2. Então onde quer viver, Carlos? Há algum país ou reino ou seja lá o que for chamado: Utopia e que funcione em tempo real? Realmente?

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  3. É o desespero na sua forma limite.
    Nem tenho palavras para tanta e desesperada agonia.

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  4. Também já vi este filme, Carlos, e entre nós, várias vezes. Sem suicídios – felizmente! – mas com muitas e sérias ameaças de depressão. A liberdade, na categoria dos trabalhadores por conta de outrem (do sector privado), é um raríssimo privilégio. A maioria é escrava, mais do que dos patrões, dessa pressão contínua dos resultados.

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  5. O que se passa, de há ano e meio, na F T é grave, mas localizado. A verdade é que, apesar das inúmeras falências e crises, não há registo de uma só emrpesa ter este triste record.
    O que lá se passa parece ser uma pressão sem limintes da administração para com os trabalhadores (não só os que saem da empresa...).

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  6. Os cínicos e defensores acérrimos da globalização e do liberalismo dirão que são os danos colaterais da gestão eficiente do século XXI!
    Tenho pena é que aos mesmos ninguém empreste uma pistola para encostarem, também eles, à cabeça.

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  7. Também li sobre isso e fiquei perplexa, muito assustada, com os rumos que o mundo tomou nessa "maravilhosa globalização"...

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  8. Também já vivi uma situação num emprego que me fez passar um mau bocado. Contudo, reconheço que fui eu, com a minha maneira de ser, que permiti que os acontecimentos atingissem as proporções que atingiram, as quais me foram imensamente nefastas.

    Porque não bati com a porta e o mandei à fava, (patrão)? Porque estava agarrada ao bom ordenado e às regalias da empresa. O meu ex-patrão pagava bem, em contrapartida agia connosco, seus colaboradores, como se fosse o nosso pai ou o irmão mais velho. Por tudo e por nada imiscuía-se na nossa vida particular, criticando as nossas opções, além de que no trabalho era imensamente picuinhas. Cheguei ao extremo de nem o poder avistar, nem ouvir-lhe a voz e sentia-lhe o cheiro à distância, todavia, ali permaneci até a corda rebentar. Quando finalmente me vi livre daquele braço de ferro que estabelecemos entre os dois, foi um alívio indescritível, como se o peso do mundo tivesse saído de cima dos meus ombros. Foram dias de luta e muita angústia, porém, jamais me lembraria de me suicidar, porque a morte é o não retorno, tudo o resto pode ser resolvido, ou quase tudo, quanto mais não seja, dar um tiro na fonte da nossa angústia.

    Afinal, estar preso pode não ser assim tão desgraçado. Pode-se ler até à exaustão e escrever. Estou a exagerar, mas uma coisa é certa, entre matarmos-nos a nós e matarmos alguém que nos faz sofrer até ao desespero, venha o diabo e escolha.

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  9. Carlos,
    Também me chocou imenso o que se passou na Telecon francesa. Globalização? Nunca acreditei nesses grandes benefícios...O Churchil, homem que admiro, sempre disse que a democracia era o menos mau dos regimes. Ainda soubemos o caso francês. E cadê os outros?...

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  10. É alarmante! A mesma solução drática (e não creio que seja devido à globalização) passa-se na nossa terrinha com os guardas da GNR.

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  11. Exacto paulofski, a GNR teve 20 suicídios nos últimos 2 anos.

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