
Há dias, num comentário a um post sobre a Feira do Livro de Frankfurt no ematejoca azul , sublinhava o facto de a China ser o país convidado de honra e questionava se o convite seria bem aproveitado quer pelo Ocidente, quer pelo pais de Hu Jintao , para melhor conhecimento mútuo.
Durante o fim de semana, não vi quaisquer referências na imprensa portuguesa à feira ( embora tenha de reconhecer que não fiz grande esforço, porque quase não li jornais) mas ontem, no DN, havia uma página- com chamada de capa- dedicada ao maior certame do género que anualmente se realiza na Europa.Qual o meu espanto quando constato que sobre a participação da China, eventuais discussões durante a Feira, ou novidades esperadas no mercado português sobre a riquíssima literatura chinesa, apenas havia uma linha, mencionando o facto de a China ser a convidada de honra.O resto do espaço era reservado ao lançamento da livraria “on line” pelo Google e a essa nova estrela das novas tecnologias que dá pelo nome genéico de e-book e fez a sua aparição em Portugal a semana passada, com o Kindle.
Lê-se no artigo que o e-book foi a estrela em Frankfurt e que os livreiros prevêem que dentro de 10 anos as vendas de livros digitais ultrapassarão as vendas do livro em papel. Quanto às vendas, duvido. Creio que a pirataria será idêntica à que já acontece com a música e que fazer o download de um livro se transformará, a breve prazo, num acto tão corriqueiro como abrir a torneira da água, ou ligar o interruptor da luz.
O aparecimento do e-book talvez cumpra, finalmente, a profecia de Mc Luhan, que vaticinava o desaparecimento do livro em papel. As causas é que serão diferentes, pois os receios de Mc Luhan tinham a ver com o aparecimento da televisão, que acusava de matar o gosto pela leitura. Conclusão: não fiquei a saber nada da feira de Frankfurt, mas fiquei a saber imenso sobre o Kindle. Como, por exemplo, que o aparelho custa 250€- equivalente a mais de 10 livros. Não fiquei a saber, mas adivinho, que muita gente o vai comprar, mas isso não significa que aumente o índice de leitura dos portugueses. O prazer de adquirir a última novidade, ultrapassa em muito o prazer de ler, nesta pátria lusa.
Se quiser saber mais sobre a feira de Frankfurt, tenho duas opções. Ou espero pela Ler e pelo JL , ou vou à Internet consultar a imprensa estrangeira, enquanto me rio dos que se queixam que há cada vez menos gente a comprar jornais.
Adenda: o próximo convidado de honra da Feira de Frankfurt será a Argentina. Ó p’ra mim a lamber os beiços!
Eu acho que vou continuar com os livros de papel, por enquanto. E não sou nada contra as tecnologias novas (não estaria aqui não fosse por elas), mas gosto tanto tanto de entrar nas livrarias, de procurar sem saber o que quero, de ler os títulos, de abrir os livros e encontrar frases que me prendam. E gosto de ver os livros nas prateleiras e pelo chão, porque cada um deles me acompanhou nalgum momento e todos me acompanham sempre. Vai-me custar mudar.
ResponderEliminarDo resto, cabe esperar que da Argentina se fale mais que da China. Há um abismo muito grande ainda.
Os livros de papel nunca morrerão; os que vão ler os livros tecnológicos são aqueles que já aderiram a todas essas coisas a que eu e o Carlos e mais imensa gente não aderiu.
ResponderEliminarO livro em appel não desaparece. tal como se podem ver notícias on line, mas os jornais em papel estão por aí. Embora a suas linhas editoriais sejam mais que discutíveis. Mas, passa-se, na imprensa escrita, o que se passa com a TV - degradação da qualidade para alcançar maior nº de pessoas.
ResponderEliminarPensa-se que, se houvesse uma cobertura à feira do livro, esta não teria interesse para a maioria das pessoas. Mas, será motivo para não se fazer? Sim, quando estão em causa vendas. É preverso, sim...
Qtº aos livros - gosto do cheiro das folhas:)
E de sublinhar a lápis:)
E de ir às estantes à procura de um e, no meio disso, encontrar outros.
Num primeiro momento pensei em escrever que o livro digital não substituirá o de papel.
ResponderEliminarMas logo lembrei de quando ainda na faculdade conheci um sistema( processador de texto) chamado Wordstar que prometia aposentar as máquinas de escrever.Eu duvidei que fosse me separar da minha máquina.Eu e ela tínhamos uma relação afetiva.
Com o avanço tecnológico acabei aposentando-a bem mais cedo do que eu gostaria.À princípio resisti bravamente, mas acabei me rendendo.E assim foi com a máquina fotográfica tb.
Hoje penso que o futuro é dos e-books.Vai atender à uma geração que é muito mais familiarizada com o computador do que com o livro de papel.Além de que em breve os ambientalistas poderão sugerir a troca como uma forma de redução do consumo de árvores.
Nossos livros não irão desaparecer, mas acredito que a produção diminuirá e muito :o(
Permito-me dar a minha opinião já que comprei recentemente um e reader da Sony. Não vai certamente substituir os livros mas é um complemento fantástico. Porque será que cada vez que se fala de e books se pensa logo em exclusão (dos livros em papel, neste caso!) e nunca em complementaridade?
ResponderEliminarEu sinto-me mais rica: tenho livros e e-livros. Gosto de ambos.