
Apercebi-me pela primeira vez que estava a envelhecer, quando reparei que já não mudava de emprego e de país de três em três anos.
Este Verão houve outra situação que me ajudou a perceber que estou a ficar velho. No dia em que deixei Estocolmo, não me despedi dizendo "até à próxima", como sempre fazia.
Até uma determinada idade, quando saímos de uma cidade ou de um local de que gostámos, dizemos sempre até à próxima. Isso não significa que lá voltemos, mas sabemos que ainda temos idade para (se nos apetecer e tivermos dinheiro) lá voltar. Quando saí de Estocolmo tive, pela primeira vez, a consciência de que dificilmente voltarei lá. Por isso despedi-me com um "até à minha próxima vida". Reconheci, tacitamente, que estava ficar velho e percebi que viajar também nos ajuda a envelhecer.
É certo que nessa altura ainda não sabia que em Dezembro estarei lá bem perto, em Copenhaga, para acompanhar de perto a Conferência sobre o Clima mas, em pleno Inverno, um "saltinho" a Estocolmo está fora de causa.
Uma circunstãncia fortuita- uma viagem de trabalho- permitirá o meu regresso a Copenhaga. Cidade de que também me despedi no Verão. Ao reflectir sobre esta casualidade, encaro a reforma com um novo olhar. Afinal, o trabalho pode adiar a sensação de envelhecimento. Mas será que é mesmo assim?Hmmmm!
Fiquei a pensar no que escreveste... e em 30 segundos conclui que apesar da sensação nostálica que nos transmitiste (ou me transmitiste) fica uma certeza, a de que essa vida que percorreste foi imensamente intensa, foi uma vida cheia. Cheia de tudo. Atrevo-me a dizê-lo mesmo sem te conhecer (bem). O trabalho pode de facto adiar essa sensação, mas não sei se essa é a melhor solução. Não sei se não será melhor viver a reforma na sua plenitude, aproveitando cada segundo da vida que nos falta percorrer... não sei... acho que depende mesmo de cada um de nós, da maneira de ser, e entender as coisas, de cada um de nós. Beijinhos
ResponderEliminarAcho que a gente sempre passa por essa sensação de que o tempo é implacável. Tive essa sensação agora de pouco, quando por conta de um compromisso iria me atrasar para chegar em casa e não tinha avisado meu filho. Assim, liguei para o motorista e o avisei, garantindo que ele estaria "bem guardado". Não deu cinco minutos ele ligou, querendo saber onde eu estava e o que estava fazendo. Bom... De repente achei que os papéis estavam invertidos ou se invertendo... Mais tarde o motorista confirmou, dizendo que ele ficou irritado ao saber que eu não estava em casa e nem ao mesmo o tinha informado para onde ia!
ResponderEliminarPortanto, meu amigo, sua velhice viajando e sem dar muitas satisfaçòes ou muito "até breve" deve ser uma delícia! :)
bjs
Com toda certeza o trabalho pode sim adiar a sensação de envelhecimento.
ResponderEliminarGostei muito do texto.
abraços
Hugo
É claro que sim. Parar é morrer.
ResponderEliminarConheço pessoas que ao reformarem-se aos 65 anos começaram a morrer.
Em contrapartida conheço pessoas que com 85 anos ainda trabalham, e têm tanto gosto pela vida como eu.
O aumentar da esperança de vida, aumentou em minha opinião o adiamento, não só da morte física como da mental.
Veludinhos
Eu ando a matutar nessas também, Carlos. Tenho a certeza de que me sentirei velha velha (não o digo em mal sentido, simplesmente no facto) o dia em não calce mais os patins e a mota fique no garagem. Então haverá que se adaptar.
ResponderEliminarQuanto mais úteís nos sentimos menos velhos nos tornamos.
ResponderEliminarAcho que o que faz muita gente ficar "velha " quando se reforma é o não ter sabido viver antes.Resumem toda a vida ao trabalho , a rotina do ir até ao emprego , as conversas com um reduzido numero de colegas nesse local de trabalho ,são os indicios de um futuro isolamento.
ResponderEliminarNão me parece que seja o seu caso:)))
Meu caro CBO, envelhecer assim deve ser maravilhoso, pois olhamos para trás e vemos que fez sentido tudo o que passámos e vivemos.Quando chegar a minha altura também eu quero olhar para trás da mesma forma que o Carlos olhou neste texto simples e tão carregado de sentimento.
ResponderEliminargrande abraço
e bom fds
Que é lá isso? O homem com problemas existenciais dessa natureza? Lembre-se daquele livro justamente chamado "O tempo, esse grande escultor"!
ResponderEliminarQuando penso no envelhecer,gosto de pensar em de Cora Coralina, que contava que depois que completou 50anos é que perdeu o medo e aí sim começou a viver, entregando-se à atividade que mais prazer lhe proporcionava, escrever.
ResponderEliminarAcho que aí sim, envolvido num trabalho que lhe dá prazer, a sensação de envelhecer é menor.Ou talvez seja a liberdade de ir e vir, de realizar, de decidir que nos mantenha mais vivos e jovens :o)
Envelhecer é um processo que leva a vida toda, uma vez que começamos a envelhecer no momento em que nascemos. Caminhar pelos cinquenta, sessenta, é apenas um privilégio dos que foram agraciados com uma vida mais longa, um armazenar experiências boas ou mas, conhec
ResponderEliminarimentos, emoções e sensações, vida. E saber passar pelo tempo depende de cada um de nós, mas tenho a mais absoluta certeza que você o faz com sabedoria e muita "competência", como tenho certeza de que muitos outros verões virão para você não só em Estocolmo, mas também no seu Portugal, na Argentina, e em todos os outros países de sua predileçano, para nossa alegria.
alguém, não sei quem escreveu que «a passagem do tempo deve ser uma conquista, não uma perda».
ResponderEliminarMais do que envelhecer o trabalho ajuda a viver. Depois de uma vida intensa a trabalhar a reforma chega sempre como um “prémio” do esforço e dedicação. Os primeiros meses podem saber bem, são umas longas e merecidas férias grandes, mas depois vem um vazio, vem uma falta de rotinas, a saudade de pessoas e locais aperta e pesa a consciência. Pelo que sei o Carlos tem no trabalho uma enorme fonte de prazer e de vida, pelo que acredito que permanecer activo é a fórmula certa para adiar a inevitável velhice. A aposentação não se compadece com rugas e artralgias e escrever e viajar é um sentimento d’alma, de que se está vivinho da silva.
ResponderEliminarCarlos,
ResponderEliminarClaro que todos envelhecemos mas uns tem mais sorte do que outros neste "caminhar" natural da vida. Acho que o Carlos é dos "sortudos" pois tem grande experiência de vida, de viagens e o trabalho também tem ajudado!
Eu também me considero uma "sortuda" e portanto...continuar em frente e naturalmente!
Beijinhos
O trabalho e os sonhos são a fonte da juventude.;)
ResponderEliminarOh Carlos
ResponderEliminarBem, velho? Daqui não se nota nada. Parece-me muito bem!
Eu, do lado dos meus 55, dei conta disso que fala, por uma coisa da mesma natureza. Não se trataria de mudar de trabalho ou de lugar (coisinha que, modestamente, fui fazendo) mas de desinteresse por começar algumas coisas que me iam dar trabalho... Estou a fazer-me entender? Não há muito tempo, tudo para mim era desafio e motivo de (re)começo. Hoje, por vezes, não estou para me maçar... Desligo. Disse-me um amigo que é directo como uma seta bem atirada: é um sinal de envelhecimento.
Prontossssss. Não lhe tomo mais tempo.
:)))))
A vida passa num ápice. Bom mesmo, é aproveitar o momento, seja ele em que idade for.
ResponderEliminarSónia: creio que tens razão. A reforma não é nenhum papão, desde que a saibamos preparar para aviver na sua plenitude.Um dia vou escrever sobre isso.
ResponderEliminarSenhora: Felizmente assim é. Espero continuar assim, embora talvez me reforme demasiado cedo. Mas há outras compensações...
ResponderEliminarHSLO: Pode, sem dúvida
ResponderEliminarBluevelvet: a reforma não significa inactividade. No meu caso tenciono continuar a trabalhar, enquanto sentir que vale a pena, me apetece e tenho capacidade e vontade de enfrentar novos desafios. Como diz, parar é morrer.
ResponderEliminarSun Iou Miou: Penso que nos devemos tentar adaptar antes de as coisas acontecerem. Aos primeiros sinais de enfado, desde que possamos, é altura de mudar de vida. A reforma aos 65 anos para mim seria uma violência.
ResponderEliminarGi: Isso é uma grande verdade!
ResponderEliminarAnnie: Felizmente não é. Percebi, ao chegar aos 50, que devemos enfrentar uma realidade para que o mercado de trabalho não está preparada. Creio vai have uma grande evolução, na forma de encarar a reforma, durante a ´próxima década.
ResponderEliminarPedro: Mais do que olhar para o passado, quando chegamos aos 50 devemos começar a encarar a vida de uma maneira diferente em relação ao futuro.Pensar que já demos tudo, é o grande ero da maioria das pessoas. Aos 50, ainda nos esperam grandes desafios...
ResponderEliminarferreira-Pinto: Não se trata de problemas existenciais, meu caro amigo. Trata-se de saber utilizar a sabedoria que adquirimos ao longo da vida e tilizá-la ao nosso serviço. Isso implica mudanças e nem todos estão preparados para as enfrentar. Muitos pensam que estão a caminhar para afase final da vida e já não têm grande coisa a esperar, a não ser a hora da reforma. Penso que isso é um erro. Uma reforma antes dos 60 pode ser uma janela de oportunidade.
ResponderEliminarTurmaina: é um pouco de tudo isso mas, essencialmente, é a oportunidade de sermos verdadeiramente nós.
ResponderEliminarDulce: tocou num ponto fundamental. O nosso modelo social não está preparado para nos ensinar a envelhecer. Numa altura em que as pessoas vivem cada vez até mais tarde, é esencial que algo se faça para encarar esta nova realidade. E isso não pasa, seguramente, por adiar cada vez mais a idade da reforma.
ResponderEliminarPaula: ora nem mais...
ResponderEliminarPaulo: como dizia à Dulce, o problema é que a sociedae encare a reforma como um prémio. Não devia ser assim. A reforma é uma nova etapa das nossas vidas onde não temos obrigatoriamente de adormecer à sombra dos louros do prémio recebido.
ResponderEliminarA sociedade tem que estimular os reformados a continuarem a ser criativos e activos.
Bacouca: continuar em frente, sim. Perceber que após a reforma a vida não entra em fase de perda e que as pessoas têm muito para dar.
ResponderEliminarDulce:cada vez mais a cianças nascem a trabalhar. Começam logo no infantário. Por isso é normal que os reformados também continuem a fazê-lo. A sociedade tem de saber integrar aqueles que, não sabendo como continuar a ser activos, pecisam de apoio.
ResponderEliminarMaria do Sol: Isso acontece também comigo há váriso anos. Como fee lancer, fui-me habituando a ser mais selectivo. Hoje recuso-me a fazer algumas coisas, porque não me dão prazer. Sou mais selectivo nos desafios que me propõem, já não corro atrás de qualquer coisa. Sinto que tenho mais discenimento na análise dos desafios e quando em entusiasmo, é por coisas que me fazem vibrar, porque acredito nelas.
ResponderEliminarFátima: è fundamental saber viver os momentos. Bons e maus. O importante é que saibamos extrair deles os ensinamentos fundamentais.
ResponderEliminarCarlos, espero que, quando assumires a reforma na sua plenitude, ser brindada com uma visita a Braga para que nos possamos finalmente conhecer... beijinhos
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