
sábado, 31 de outubro de 2009
Halloween à portuguesa ( Replay)

sexta-feira, 30 de outubro de 2009
Chega de palavras. Passemos aos actos
Admirável Mundo Novo*
Mulheres vítimas de escravatura sexual. Crianças traficadas e sodomizadas para deleite de adultos perversos. Traficante de droga abatido a tiro pela GNR. Mulher espancada pelo filho, por se recusar a dar-lhe dinheiro para comprar droga. Padre guarda armas na Igreja onde celebra missa e, provavelmente, apregoa aos fiéis o amor e a paz, perante o silêncio da Igreja, tão lesta a criticar as palavras de Saramago sobre a Bíblia, mas sempre remetida ao silêncio quando algum dos seus pastores se vê envolvido em actos criminosos. Juiz manda em paz um pedófilo acusado de abusar sexualmente da sobrinha, por considerar que o acto não justifica uma medida coerciva pesada.A caminho de Copenhague
Sucedem-se, um pouco por todo o mundo, as reuniões preparatórias da conferência sobre as alterações climáticas, que se realiza em Dezembro, em Copenhague. Acompanhei o Carlos em duas dessas reuniões realizadas esta semana e, enquanto ele se entretinha a falar sobre “o relevante papel que os consumidores podem desempenhar no combate às alterações climáticas”, eu entretive-me a assistir a uma conferência sobre a água.Não foi falta de respeito pelas palavras do Carlos, mas já conheço o discurso de ginjeira e embora reconheça que ele tem razão quando diz que se os consumidores fossem mais conscientes nas suas escolhas, reduzir-se-iam diariamente toneladas de emissões de gases com efeito de estufa, a verdade é que, não sendo eu humano, só consumo o que a Natureza me dá.
Ora uma das coisas que eu faço é beber muita água e como cada vez é mais difícil beber água de boa qualidade nos rios e mar, ando preocupado com isso. Já ouvi o Carlos dizer que a escassez de água vai ser uma das causas de guerras durante o século XXI e, desde aí, o tema passou a interessar-me muito. Pois ontem, o que ouvi naquela conferência, deixou-me com os pêlos todos eriçados. É que percebi que o Carlos tem mesmo razão quando diz que é preciso poupar água e preservar os rios e mares das fontes poluidoras e, além disso, fiquei a saber que os israelitas são uns patifes que estão a impedir os palestinianos de aceder à água.
Vocês sabiam que Israel impede a construção de infra-estruturas hídricas na zona da Cisjordânia, onde vive 60% da população palestiniana e que depois do ataque a Gaza, Israel proibiu o transporte de água para a Cisjordânia, deixando 800 mil pessoas sem água?
Além disso, como a água é pouca, a sua distribuição é feita pelos israelitas de forma desigual: meio milhão de israelitas, tem direito à mesma quantidade de água dos quase 2,5 milhões de palestinianos. Em números, isso significa que enquanto cada israelita consome 300 litros de água por dia, um palestino só tem direito a 70, apesar de a OMS considerar que ninguém pode sobreviver ali em condições dignas, com menos de 100 litros por dia.
Eu, que até não percebo nada de política, tive vontade de dar umas bicadas num israelita gordalhufo que estava a assistir à conferência e fiquei espantado por não ver ninguém a reagir contra esta selvajaria mas, como não sou humano, o problema deve ser meu, que sou facilmente impressionável com as injustiças do mundo.
Olha, está ali uma fonte, vou mas é matar a sede. Que se lixem os palestinianos . Se o mundo não lhes liga nenhum, nem se revolta contra as injustiças de que são vítimas, devem ser gente muito má e estão a ter o castigo que merecem.
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
Brites num Rochedo Cor de Rosa
Deixaram-me sozinha aqui no Rochedo. O Sebastião foi passear com o Carlos não sei para onde e eu fiquei a tomar conta disto. Pediram-me para escrever umas coisas, mas não me tem apetecido. Estou cansada da política, não me apetece ouvir música, ler nunca foi muito do meu agrado e por isso tenho passado os dias muito chateada. Se ao menos estivesse tempo para voar…quarta-feira, 28 de outubro de 2009
Fraquezas de velhos

Se as minhas contas baterem certo,este post será publicado no Dia do Idoso. Todos conhecem o respeito que tenho pelos idosos mas este ano, para variar, resolvi aproveitar este dia para recordar uma outra faceta de muitos velhos que me irrita solenemente.
A idade não perdoa
terça-feira, 27 de outubro de 2009
Just Perfect. Já sou VIP!

segunda-feira, 26 de outubro de 2009
Fui ao Divã
Recebi, da Grande Jóia, este simpático, mas perturbador, selinho que me deixou embaraçado, pelas regras inerentes à sua atribuição e que passo a explicar:1. Postar o Selo - Já está!
2. Dizer quem me indicou- Já está
3. Escrever três conflitos que me levaram ao Divã
Mandam as regras que mande para o divã seis vizinhos. No entanto, como penso que ninguém deve ir para lá obrigado, lanço o repto a quem quiser dar seguimento. Agradeço, a quem se ofereça voluntariamente, que me informe na caixa de comentários.
sábado, 24 de outubro de 2009
Hoje estou assim...
Um dia, alguém perguntou a Galileu:
- Quantos anos tens?
- Oito ou dez, respondeu. Perante o olhar atónito do seu interlocutor, esclareceu:
Tenho os anos que me restam de vida, porque os já vividos não os tenho mais.
Aviso: Nos próximos dias vou andar por aí, mas deixei agendados posts até ao meu regresso. E na terça-feira distribuirei uns presentinhos.
sexta-feira, 23 de outubro de 2009
Crónicas de Graça # 2
Herdeiros da “beat generation”, rebeldes mas pacifistas, divulgavam a sua doutrina através da música, composta com a preciosa ajuda das drogas e escolheram como hino uma canção de Bob Dylan ( “Blowing in the wind”). Tinham também uma espécie de “jingle” publicitário para anunciar a quem se quisesse juntar-se a eles, o caminho a seguir e as regras a que se deviam sujeitar: “(if you go to) S. Francisco be sure to wear some flowers in your hair”. A senha de entrada era a frase “Ban the Bomb”.
Ao contrário dos hippies, os yuppies começavam a trabalhar logo que acabavam os estudos, mas permaneciam em casa dos pais.. As diferenças também se manifestavam nos comportamentos sexuais. O hippie adormecia com uma valente pedrada. Ao acordar, olhava para a companheira do lado e perguntava “como te chamas” com um sorriso nos lábios, prontamente retribuído.quinta-feira, 22 de outubro de 2009
Todos os Nomes*
Compreendo a frustração dos pais. Uma coisa é ter um filho Diego e outra é ter um que se chame Diogo ou Tiago . Diego faz logo lembrar Maradona , irreverência , multidões vibrando com vitórias e obras de arte desenhadas em rectângulos verdes pelo mundo inteiro . Diogo também faz lembrar multidões mas…. de rostos macambúzios , marcados por derrotas eleitorais num rectângulo à beira mar. Ora isto faz toda a diferença!
Num mundo globalizado não creio que faça sentido esta restrição onomástica.
Livrarias e maus tratos
Livraria Lello ( Porto), considerada uma das 10 mais belas livrarias do MundoI'm sorry!...
quarta-feira, 21 de outubro de 2009
Notícias do futuro
Era uma vez um país onde uma jovem de 16 anos não podia comprar álcool nem tabaco. Chamavam a isso progresso. E para confirmar o seu empenho no progresso do seu país, o governo decidiu que às jovens de 16 anos que não podiam comprar álcool nem tabaco, devia ser dado o direito de abortar sem necessidade de autorização dos pais. terça-feira, 20 de outubro de 2009
Quem com ferro mata...

A segunda morte dos livros?

Sugestão do dia
A Regra do Jogo. É o mais recente habitante da blogosfera e desejo-lhe uma vida longa.
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
Pronúncia do Norte (19)
Vamos ao circo? Ou preferem as touradas?...

domingo, 18 de outubro de 2009
(Como um) dia de Domingo*

sábado, 17 de outubro de 2009
La solitude, ça n'existe pas?
Um informático está numa ilha deserta há anos, depois de um naufrágio .Certo dia avista um ponto brilhante no horizonte e começa a segui-locom o olhar. "Não é um navio", pensa o nosso herói. E o ponto aproxima-se, aproxima-se."Não é uma barcaça".E cada vez o vulto estava mais perto!"Não é uma jangada!?!..."
- Há quanto tempo não fumas um cigarro?
- Há dez anos! - responde o náufrago espantado.
Ela abre um bolso interior do seu fato impermeável e dá-lhe um cigarro.
- Mas que bem que isto me está a saber! - diz ele.
- Há quanto tempo não bebes um whisky?
Aí, o nosso homem grita, louco de felicidade:
sexta-feira, 16 de outubro de 2009
Parabéns ao blogobairro
Assina : O ambiente
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
Martinha e o buraco de ozono
Confesso-vos que em miúda não dava importância a essas coisas e achava que eram histórias para nos assustar até um dia em que me disseram que os sprays iam ser proibidos por causa de um senhor chamado Ozono que eu não conhecia de lado nenhum , mas que vi logo que só podia ser americano, porque só os americanos é que têm poder para dar ordens ao mundo.
Apesar de já ter vindo para Portugal há muitos anos, as notícias do meu país ainda me deixam muito preocupada, por isso falei com o Carlos que me voltou a falar do tal de ozono. Foi então que lhe perguntei quem era esse gajo e o Carlos, desta vez, cheio de paciência, explicou-me tudo muito direitinho. Foi então que percebi que o Ozono não era um homem , mas uma espécie de protector da atmosfera que impede que os raios de sol nos queimem a pele quando vamos à praia. Desde esse dia comecei a pedir ao ozono, que passei a tratar por senhor embora não seja um homem , nem amigo do Bush , até parece que não gosta nada dele, para me proteger dos raios ultravioletas, para eu continuar a poder ir à praia.
Pronto, agora vou ter de me ir embora, porque continuo a enviar currículos para tudo o que é sítio, a ver se arranjo um emprego, mas isto não está fácil. A princípio ainda pensei que fosse por causa das pessoas que andam a tratar mal o Ozono, mas o Carlos disse-me que era de uma coisa qualquer que se chama recessão, que não sei o que é, mas sei que os senhor Primeiro Ministro não gosta que se fale disso. Pronto, eu faço-lhe vontade, não há crise! Que seja tudo a bem do sr. Ozono e de um emprego que preciso muito, porque já estou farta de trabalhar na loja de produtos chineses da minha mãe que fica lá na Lapa e um dia destes ainda vai ter de fechar, porque os portugueses não gostam de lojas de chineses, e só fazem fila todos os dias à porta da loja da minha mãe, por causa da crise.Martinha
Brites e as boas maneiras
Se o Sebastião fosse um mocho de boas maneiras, eu teria postado antes dele, mas ele não conhece essas regras dos homens e comportou-se como um bicho. Não faz mal, fica registado e na volta lá terá a paga. Mas vamos ao que interessa. Como responsável pelo economato cá do Rochedo, cabe-me dar-vos alguns conselhos. Aqui vão:- Quando conduz, evite acelerações desnecessárias, para poupar combustível;
Voltarei mais logo, com outras dicas. Por agora, sugiro-vos uma visita à casa do lado, onde este dia também está a ser assinalado.
As perguntas do Sebastião
Vocês sabiam que:À guisa de introdução
Hoje é o Blog Action Day. Como avisara, o tema de hoje no Rochedo será o Ambiente. Por aqui passarão, ao longo do dia, o Sebastião, a Brites, eu próprio e talvez a Martinha ( Lembram-se dela?)
Para começo de conversa, sugiro-vos a leitura deste post. escrito em Outubro de 2007.
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
E o estúpido sou eu?
Preso no emaranhado das palavras
terça-feira, 13 de outubro de 2009
Súplica às mulheres do meu país

Uma cidade enjeitada

Sugestão do dia
Proponho a todos os vizinhos do blogobairro e a todos os leitores/as que visitam o CR que nesse dia se associem à data, escrevendo um post alusivo ao tema. A Natureza merece que nos lembremos dela e façamos um esforço para a preservar.
segunda-feira, 12 de outubro de 2009
Eu já tinha avisado...
Olhá castanha fresquinha!
“Pois é, dantes as castanhas chegavam depois do frio, mas agora é ao contrário! Já não há Outono como antigamente”
“Diz qu’ é do clima. Eu cá não, sei, é o que ouço p’raí dezer!”
“Um dia destes ainda tem de voltar aos gelados”
"P’ra quê? Quem é que come gelados no Inverno? Só se forem as madamas, mas essas não vêm p´ráqui comê-los, vão p’rás pastelarias. Aqui só compram castanhas. São elas e a canalha, mas com este calor nem a canalha as quer.
Vim-me embora a pensar que a senhora está a precisar de um patrocínio como este.
Oeiras é uma lição
domingo, 11 de outubro de 2009
Enigmas de domingo
sexta-feira, 9 de outubro de 2009
Crónicas de Graça # 1

Porque um bom guia não se terá limitado a chamar repetidas vezes a atenção do viajante para a beleza do percurso entre a Régua e o Pinhão, ou dali a Barca d’Alva, onde a paisagem se torna mais agreste e majestática e o atravessar das barragens lhe confere uma pitada de nobreza e esplendor. Não se terá sentido satisfeito perante o êxtase rendido dos turistas, de câmaras apontadas para fixar o serpenteado irrequieto entre vinhedos, descendo em socalco até às margens. Um bom guia terá aproveitado para chamar a atenção do viajante para o local onde D. Antónia viu desaparecer, sugado pelas águas, o seu extremoso amigo Barão de Forrester. Terá assinalado os locais que foram palco de batalhas durante a Guerra Peninsular- que haveria de ter repercussões de enorme relevância no redesenhar do mapa político da América do Sul- e as Guerras Liberais – que determinaram a derrota dos absolutistas de D. Miguel- e terá realçado, ao longo da viagem, os 10 locais da bacia do Douro classificados pela UNESCO como Património Mundial da Humanidade. Depois de confrontar o viajante com o significado histórico do Douro, para a construção do Portugal do século XXI, o guia ter-lhe-á despertado a vontade de ficar hospedado, duas ou três noites, num dos hotéis de charme que bordejam o Douro e de o descobrir, através das suas margens, num passeio de automóvel que o levará a conhecer algumas das Quintas onde se produzem os magníficos vinhos desta região. Vinhos cuja categoria é muitas vezes desdenhada, mas isso não é novidade para estas gentes bem lembradas do desprezo com que a Coroa tratava o vinho do Porto e todos os que diariamente labutavam na melhoria da sua qualidade. As gentes do Douro habituaram-se a ser vistas pelo poder de Lisboa como pacóvios de ideias tontas, mergulhados na ruralidade, alheados dos progressos do mundo. É assim desde os tempos da Coroa. Calejadas de tanta indiferença, as gentes do Douro vêem, orgulhosas, o seu rio tornar-se , em 2009, palco de um Festival Internacional de Cinema que, nesta sua primeira edição, trouxe à região alguns grandes nomes da 7ª Arte. Mais um cartaz internacional de promoção do Douro.
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
A Revelação
Noticiário das 16 horas
A senhora PresidentA anda a aguçar o dente, porque pensa que vou publicar aqui umas fotos sujeitas a coimas. Desiluda-se, PresidentA! Isto é assunto mesmo sério, como pode(m) ver aqui... Aconselho que vejam, mas espero que as vozes dos actores que amanhã aqui estarão não sejam tão dissonantes como as do video. Ah, é verdade! Também vai haver a imagem de uma Senhora, mas apresentar-se-á em bom recato. FINALMENTE... a chave do primeiro capítulo da novela que amnhã se inicia neste blogobairro,será aqui divulgada às 20 horas. Se forem perspicazes, a dica será suficiente para perceberem do que se trata.
Amanhã...
Mais revelações às quatro da tarde.
Tirem-me daqui!
quarta-feira, 7 de outubro de 2009
Só faltam 2 dias
Autumn Leaves
Estes dias plúmbeos em que o Céu, como que alijando as suas responsabilidades, deposita sobre as nuvens o peso de todas as agruras do mundo, obrigando-as a derramar sobre a Terra as lágrimas de desconforto provocadas por tantas injustiças, catástrofes humanas e naturais, deixam-me macambúzio.
Não sei se já vos disse como odeio consultórios médicos. A maioria deles não tem luz directa, são tão sombrios como a antecâmara da morte, com a diferença de existir sempre um televisor sem som,cuja utilidade nunca descortinei, salvo quando estão a transmitir um combate de boxe ou outra qualquer actividade desportiva que não precisa de legendas. Só que a maioria dos médicos não paga a Sport TV, por isso as imagens que saem do televisor de um consultório são tão inúteis e inexpressivas como os programas da SIC durante a tarde. Na verdade, aquilo não precisa de som. Adivinha-se que entre sorrisos e lágrimas, desfila pela pantalha a descrição do lado mais sombrio da vida dos portugueses. Há queixas e lamúrias, campanhas de solidariedade ou exaltação do voluntariado, acopladas a cenários de desgraça que numa sociedade que se pretende justa não deveriam existir. (Ontem, percebi quando cheguei a casa, era dia de festa em Carnaxide).
A noite já caíra sobre a cidade, disfarçando o céu plúmbeo. Filas de carros conduziam de regresso a casa, em marcha lenta, milhares de almas no fim de mais um dia de trabalho. Muitos deles passaram o dia enjaulados, como eu, mas em escritórios assépticos, privados da luz do dia. Alguns regressam com a sensação de alívio de quem justificou o seu vencimento. Outros, ansiando pelo dia seguinte, porque quanto mais tarde saírem do escritório, menos tempo são obrigados a viver no ambiente familiar que já não suportam.
terça-feira, 6 de outubro de 2009
Sugestão do dia
Crónicas do Rochedo
Hoje decidi aconselhar-me a mim próprio, mas a responsabilidade é vossa. É que descobri, no sitemeter, que o Rochedo atingiu, na segunda-feira,
100 mil visitantes
O número real será superior, pois os contadores de visitas apenas estiveram activos durante pouco mais de 22 meses. A todos MUITO OBRIGADO por me darem o privilégio de visitar este Rochedo. Sem o vosso apoio e paciência, certamente já teria desistido. Bem hajam!
Faltam só 3 dias
A partir 9 de Outubro, as sextas-feiras ( pelo enos algumas) passarão a ser diferentes no blogobairro. Contamos com a participação dos condóminos. Eu escrevi " contamos"... é uma dica para estimular a vossa imaginação.
Amanhã, novas revelações sobre as sextas dos Blogobairro
O lado B da gripe A
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
Tango Património da Humanidade
Na Plaza Dorrego ( San Telmo) todos os domingos se dança o tangoO Tango foi reconhecido, pela UNESCO, Património Imaterial da Humanidade. Não sei se fique contente, se triste, com a notícia. Apesar de o "Imaterial" não lhe retirar a volúpia e sedução que confere ao tango aquela magia ímpar, receio que este reconhecimento universal lhe possa conferir um estatuto aristocrático que nada tem a ver com as suas origens. Tal como o Fado, também o tango tem, nas suas raízes, uma boa parte da sua riqueza. Talvez percebam melhor o que quero dizer, se lerem esta pequena sinopse sobre a chegada do tango a Portugal,que escrevi em tempos para fins académicos. Hoje, decidi tirar-lhe as amarras e dar a conhecer aos leitores do Rochedo um pequeno extracto.
O Tango em Portugal
A história do tango em Portugal faz-se por ciclos, cada um deles marcado por diferentes influências. O primeiro remonta à segunda década do século passado, quando vários emigrantes argentinos desembarcam em Paris levando consigo o tango, como símbolo da sua Pátria. A melodia e a sensualidade da dança fazem furor na capital francesa, que então dita a moda na Europa, razão porque rapidamente se espalha pelo velho continente e chega a Portugal, no meio de enorme celeuma. A Igreja é a primeira a dar o mote, apelidando o tango de “dança do demónio”. A alta sociedade acata respeitosamente o aviso dos clérigos e o tango circunscreve-se a pequenos redutos populacionais, constituído por pessoas de baixa condição social.
A entrada do tango nas danças de salão em Portugal far-se-á apenas no final dos anos 20 e durante os anos 30, por força da voz de um uruguaio radicado na Argentina: Carlos Gardel. “Mi noches tristes” e “Mi Buenos Aires Querido” são os primeiros tangos de Gardel a agitar a alta sociedade portuguesa da época. As senhoras conhecem as letras de cor, os homens apaixonam-se pela dança, mas é sempre sob olhares de reprovação que um par se afoita a dançar um tango nos bailes da burguesia . Como dança de salão, porém, o tango é tolerado, sob o pretexto de se tratar de “danças de exibição”, fazendo sucesso nas sociedades recreativas.
A morte de Gardel ( uma espécie de James Dean dos anos 30) em 1935, deixa em convulsão milhares de fãs, e os seus filmes continuaram a ser exibidos até à exaustão em todo o mundo. É no início dos anos 50 que aparece uma escola de tango vanguardista, onde se notam influências de Bach, Strawinsky e do Cool Jazz. Inicia-se então um novo ciclo “tanguero”, cujo expoente máximo é Astor Piazzola.
Nos salões dos ateneus e clubes onde as filhas das famílias ricas debutavam, a valsa continuava a ser a dança de abertura dos bailes, mas ao tango já era dado algum espaço: recatado e em fim de noite. Só que o tango que ganha raízes em Portugal tem pouco a ver com a dança sensual que punha a alta sociedade portuguesa escandalizada em público, mas em polvorosa em festas privadas. O tango dançado naqueles espaços selectivos era uma versão “soft” que viria a conhecer o seu apogeu com uma estrela mexicana elevada a “sex symbol”: Sara Montiel.
O analfabetismo musical dos portugueses não lhes permitia perceber a diferença, razão porque as músicas de “ El último Cuplé” , “ Mi Ultimo Tango” ou “La Violetera” eram dançadas como se de verdadeiros tangos se tratassem.(terá tido aí origem a expressão “ Isso é tudo tanga”?).
A revolução musical e “dançante” dos anos 60 erradicou o tango das salas de baile portuguesas, com os jovens a repartirem as suas preferências entre as melodias delicodoces da canção francesa e os sons mais trepidantes dos Beatles ou dos Rolling Stones. A voluptuosa “Je t’aime, moi non plus” representa o extertor da música francesa, dando lugar aos sons anglo-saxónicos. O tango é remetido para o “guetto” de grupos recreativos como “Os Alunos de Apolo” em Lisboa, ou o “Clube Fenianos” no Porto, onde animava os “chás dançantes” de bailarinos mais idosos.
Só no final da década de 90 o tango conhece um novo impulso em Portugal. Em 1997, abre no Porto o clube “Tang’r Easy”, mas o “boom” acontece no ano seguinte durante a “Expo 98”. No pavilhão da Argentina realizam-se exibições diárias e, nesse mesmo ano, realiza-se em Lisboa a Cimeira Mundial do Tango. A bailarina portuense Solange Galvão e o músico bonaerense Alejandro Laguna decidem abrir na capital uma escola de tango ( Dance Factory) e ao domingo recebem alunos na Barraca. O tango-dança estava de regresso a Portugal, assistindo-se a uma crescente adesão dos portugueses à música do Rio La Plata. Desde então, o número de praticantes e os locais de aprendizagem têm crescido um pouco por todo o país, como que acompanhando o recrudescimento do interesse pelo tango na capital argentina.
Informação adicional: Tenho uam relação estranha com o tango, de que já falei aqui. Quem tiver curiosidade, é so fazer clique e ir lá ver.




