terça-feira, 15 de setembro de 2009

Vamos brincar à caridadezinha?

Não acredito que os problemas da pobreza se resolvam com a caridade. Nunca recuso comida a quem me bate à porta pedindo-a, ou me aborda na rua dizendo que tem fome. Levo-o ao café ou pastelaria mais próximas e procuro dar-lhe o que ele pede. No entanto, raras vezes dou esmola a um mendigo que me aborda na rua, ou nos transportes. Qualifiquem esta minha atitude como quiserem, mas não me acusem de insensibilidade.
Já embarquei na história da fulana a quem todos os dias faltavam uns trocos para a camioneta; já fui enrolado com a história do sujeito a quem todos os dias roubam a carteira; já me deixei enganar pela mulher com a criança ao colo que pedia dinheiro para comprar leite para o bebé; já me comovi com a história do imigrante que afinal era português e tinha várias casas espalhadas pelo país. Chegou uma altura que decidi dizer BASTA! Conheço demasiados casos de falsos mendigos e, cada vez que um me pede esmola, vêm-me estes e outros exemplos à memória. Ainda há dias o DN noticiava o caso de um falso mendigo que foi preso em Aveiro. São conhecidos casos de mendigos que vendem os lugares onde habitualmente pedem esmola por quantias avultadas, a outros mendigos. Nas imediações do Centro Comercial do Lumiar- como provavelmente noutros pontos da cidade e do país- rebentam com frequência rixas entre “moedinhas” que disputam os melhores lugares. No dia em que um ameaçou riscar-me o carro, se não lhe desse uma moeda, denunciei-o à polícia. Não sei o que se passou depois, mas nunca mais o vi por aquelas paragens.Há já alguns anos, um moedinhas que costumava parar em frente ao Galeto, confessou-me que ganhava, em média, 20 contos por dia!
Não gosto, pois, de dar esmola. Já tem acontecido, porém, que depois de recusar uma esmola, mude de ideias e volte atrás para a dar. Porque “pressinto” que aquele mendigo precisa mesmo de ajuda. Já me terei enganado algumas vezes, mas paciência. Também já caí no “conto do coitadinho”, como vos contei aqui. Acontece a todos. No entanto, como me chateia ser enganado, decidi há uns anos que, para aliviar a consciência, passaria a fazer serviço social, colaborando com instituições que ajudam os mais necessitados. Desde que tomei essa decisão, passei a sentir-me melhor comigo.Sair nas noites frias de Inverno para dar de comer aos sem abrigo, participar nas Ceias de Natal de instituições de solidariedade social, trabalhar como voluntário numa IPSS, são coisas que me dão enorme alegria. Dar esmolas só me aviva o remorso.

9 comentários:

  1. Também não sou apologista de soluções paliativas, como a caridade.
    Dar moedinhas não resolve nada, só agrava a situação.
    Já fiz voluntariado há muitos anos. Ajudando os mais necessitados dessa forma, permite-lhes atenuar o sofrimento e ajudá-los a sair da situação em que se encontram.
    O problema é que a nossa sociedade civil não está minimamente sensibilizada para a acção social.

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  2. Parace que nossos últimos posts em algum ponto se esbarram.Na parte em que digo que o amor altruísta me faz bem e pelo que me parece à vc tb. E eu fico muito feliz com isso. As pessoas não compreendem o qto faz bem dar um prato de comida à quem tem fome, uma coberta à quem tem frio, um sorriso à quem está doente e mesmo uma palavra e um abraço à quem é sozinho.Qto às esmolas sou boa, mas não sou "patza" como diria minha mãe.Pouco ajudo alguém com dinheiro(à não ser qdo alguma instituição conhecida peça e com objetivo definido)pq na verdade o que as pessoas precisam não é dinheiro.É muito mais que isso!
    Aqui enfrento uma batalha constante para conseguir pessoas com boa vontade para ajudar as crianças com HIV lá do Corsini.Lá tb tem adultos, mas as crianças são o meu xodó. No próximo sábado levaremos as fraldas arrecadadas.E no Natal compramos roupas, sapatos e presentes para todas as crianças, em torno de 17.E esse é o meu Natal! Eu queria tanto que as outras pessoas sentissem essa enorme alegria...nem que fosse somente para aliviar a consciência...rs...

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  3. Ora sem tirar nem pôr, exactamente aquilo que eu penso.
    Se calhar também sou injusta em muitas situações, mas dinheiro é que não dou.
    E o Carlos vem tocar direitinho no tema do meu post de 5ª feira!

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  4. Concordo inteiramente. Entretanto inscrevi-me no Banco de Voluntariado de Aveiro, e ainda estou à espera que me chamem para a entrevista...

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  5. Totalmente de acordo com tudo. O voluntariado com as variadíssimas instituições é uma belíssima forma de ajuda. Eu vou fazendo umas coisas mas espero fazer mais com a minha cria em pouco tempo (os miúdos têm que ver e aprender...)

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  6. Também sou partidária dessa sua ideia, mas sempre que vejo um velho mendigo com um cão, não resisto.

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  7. Assino por baixo. Bem rematado com o "aliviar a consciência". É que anda para aí tanta gente de mal consigo próprio que a esmola sempre dá jeito...

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  8. Não podia estar mais de acordo, Carlos!
    Comida não a nego, agora dinheiro, tenham lá paciência... a mim também me custa a ganhá-lo.
    Quanto a outras formas de ajudar, como sabe "aqui em casa" praticamo-la o ano inteiro, e a quase tempo inteiro já há dois anos e meio - fazêmo-lo com um prazer enorme, com receio do que o futuro "lhe" trará, mas na certeza que fazemos o nosso melhor.

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