Terça-feira, 1 de Setembro de 2009

Rochedo das Memórias ( 121)- Da guerra e outras histórias

Foto gentilmente cedida pela Patti, tirada na Feira do Livro
Faz hoje 70 anos que começou a II Guerra Mundial. O DN faz da efeméride notícia de primeira página. Multiplicam-se pela blogofera ( não, não falta nenhum S, é mesmo à blogofera que me refiro) evocações da data em que a Alemanha invadiu a Polónia. A única coisa que quero lembrar a esse respeito é que a invasão alemã se deu com base num pretexto fabricado pelos alemães.


Já neste século,George Bush invadiu o Iraque esgrimindo também provas fabricadas, incendiando o mundo e agravando conflitos regionais. Curiosamente, muitos dos que acusam Hitler compreenderam as razões de Bush e apressaram-se a apoiá-lo.
O mundo está perigoso. Como estava nos anos 30, depois do "crash" de Wall Street. A Europa é um caldeirão em lume brando, gerido por políticos medíocres que não sabem o que fazer no caso de o caldo se entornar. Queria enganar-me, mas parece-me que os cozinheiros puseram demasiado sal na sopa e um dia destes alguém vai reclamar. Falta saber quem será o primeiro a perceber que na cozinha reina a desordem e será fácil substituir o "chef", incapaz de dominar os pequenos focos de incêndio que vão deflagrando. Há demasiadas portas mal fechadas , por onde entram pequenos sopros de vento que ajudam a propagar o fogo. Para já, lentamente... mas uma porta entreaberta poderá atiçar o lume e fazê-lo avançar rapidamente. A pretexto de apagar o fogo, alguém poderá aproveitar para "restabelecer a ordem" na cozinha.
Por tudo isto, hoje prefiro evocar António Lobo Antunes. Faz hoje 67 anos. Também escreveu muito sobre guerra. Outra guerra. A "nossa". Parabéns e obrigado por me ter proporcionado tão belos momentos, com a leitura dos seus livros. Faço votos para que a Academia repare a injustiça e lhe atribua finalmente o Nobel.

12 comentários:

  1. Ai senhor CBO, sempre tão atento a estas minudências.
    Triste guerra essa, cujo resultado final mudou o mundo de tal forma que nem o mais optimista/pessimista alguma vez pensou. Ainda hoje, muita gente paga as suas consequências políticas e ideológicas.

    E o meu António? Muitos parabéns ao melhor jogador de palavras do mundo actual!

    Mas n pense que ao evocar o meu escritor, se safa com a ausência da minha vigilância!

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  2. (bem baixinho para ninguém ouvir)

    Ó Carlos, isto do Lobo Antunes é mesmo a sério ou está a tentar dar graxa com o escritor preferido da PresidentA, a ver se lhe dão um desconto nas taxas e licenças para festas no blogobairro?? ;D

    P.S. E, infelizmente, sem brincadeiras, a análise que faz desta Europa, é tão verdadeira que até arrepia.....

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  3. E até lhe vou enviar uma foto LINDA dele, (by mail) para enfeitar aqui o seu Rochedo.

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  4. Pensando bem é o sal mesmo que faz subir a pressão, acho que desde as tais expedições marítimas do início da civilização :o)

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  5. Meu marido, homem sempre voltado para o saber e o conhecimento, costumava dizer que a história se repete...
    E é exatamente esse o meu medo, já que as consequências agora seriam muito mais devastadoras...

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  6. Patti: Eu bem tento, mas a marcação é cerrada. Aviso-a, porém, de uma coisa. Se um dia destes a Brites aparecer aí toda descascada, a culpa não é minha...

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  7. Si: Hoje em dia já não tenho muita pachorra para o Lobo Antunes mas, durante muitos anos, foi o meu escritor de eleição. Penso que o facto de hoje já não ler tanto ALA se deve à impossibilidad de estar tão concentrado na leitura como os seus livros exigem.Continuo adorar as crónicas.
    E agora baixinho ( claro que também foi para tentar apaziguar a PresidentA, porque em vésperas de viajar ela costuma ter a mão pesada e as minhas finaças andam depauperadas).

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  8. Só bisbilhotice, é só bisbilhotice neste blog!

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  9. E, além do mais, está de novo apaixonado e mostra que está e tudo e tudo.
    :))))

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  10. ALB é de eleição. Ainda é da minha eleição. Não me farto e o ler. (Para já;))
    Comnpará-lo a Saramago é um exercício de pura futilidade: completamente diferentes; ambos excelentes; e ainda bem que um país tem estas figuras (e não só).
    E a sua crónica, Carlos?...faz pensar...

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  11. O que é muito bom, para mim, é ainda encontrar (ou encontrarmos, talvez, cada vez mais) pessoas que falam de coisas sérias a brincar. Falar de Lobo Antunes, Saramago e de tantos outros que bem conhecemos, é um privilégio reservado aos que têm bom gosto, independentemente de estarem ou não de acordo com o estilo bastante angustiado, talvez, de Lobo Antunes ou a ausência de pontuação de Saramago.
    É esta forma de comunicar, falando sem preconceitos e com um espírito alegre que me traz até aqui. Compensa uma certa parte de mim, que parece ter-se virado um pouco, no tempo, para não brincar com coisas sérias. Detesto esta minha mudança. Espero seja passageira.

    Maria Letra

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